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Full text of "Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil: redes urbanas regionais: Sul"

Série Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Redes 

Urbanas 

Regionais: 




UL 



ipeA 



CAI\A 

Aqui o Brosil aconlece 



UNICAMP 



IPflRPES 




Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea) 
Diretoria de Estudos Regionais e Urbanos (Dirur) 
Coordenação Geral de Política Urbana (CGPUR) 

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 

Diretoria de Geociências (DGC) 

Departamento de Geografia (Degeo) 

Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) 

Instituto de Economia (IE) 

Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional (Nesur) 

Instituto Paranaense de Desenvolvimento Económico e Social (Ipardes) 



CARACTERIZAÇÃO E TENDÊNCIAS DA 
REDE URBANA DO BRASIL 



Volume 6 

Redes Urbanas Regionais: 
Sul 



1 a reimpressão 

Brasília 
2000 

íflBA 

IBGE W%- IPARPES 



UNICAMP 



CAIXA 



AGRADECIMENTOS 

A Coordenação-Geral da Pesquisa agradece as 

instituições, consultores e colaboradores que 

participaram deste estudo, bem como todos 

aqueles que contribuíram para sua publicação. 

Diana Meirelles da Motta 

Organizadora da Publicação 



MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO 

Ministro 

Martus Tavares 

Secretário Executivo 
Guilherme Dias 



INSTITUTO DE PESQUISA ECONÓMICA APLICADA (IPEA) 

Presidente 
Roberto Borges Martins 

Diretoria 

Eustáquio J. Reis 

Gustavo Maia Gomes 

Hubimaier Cantuária Santiago 

Luís Fernando Tironi 

Murilo Lobo 
Ricardo Paes de Barros 



Fundação pública vinculada ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, o IPEA fornece suporte técnico e 
institucional às ações governamentais e toma disponíveis, para a sociedade, elementos necessários ao conhecimento e à 
solução dos problemas económicos e sociais do país. Inúmeras políticas públicas e programas de desenvolvimento brasi- 
leiro são formulados a partir dos estudos e pesquisas realizados pelas equipes de especialistas do IPEA. 
A pesquisa que deu origem a esta série foi financiada pelo Banco Mundial, por intermédio do Contrato de Empréstimo 
Bird 3442-BR, com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, por meio do Projeto PNUD BRA/ 
92/028, e também pelo Projeto de Modernização do Setor Saneamento (PMSS). 

O PMSS é dirigido pelo Comité de Direção do Projeto (CDP), integrado por representantes do Instituto de Pesquisa Econó- 
mica Aplicada (Ipea) e da Secretaria Especial de Desenvolvimento Urbano da Presidência da República (Sedu) e executado 
pela Unidade de Gerenciamento do Projeto (UGP), vinculada ao Ipea. 

Os estudos e pesquisas do Ipea, no âmbito do componente institucional do PMSS, são de responsabilidade da Coordena- 
ção-Geral de Política Urbana e da Coordenação-Geral de Política Regional, que compõem a Diretoria de Estudos Regio- 
nais e Urbanos (Dirur). 
O IBGE, mediante acordo de cooperação técnica com o Ipea, participou da pesquisa ao longo de todas as suas etapas. 



© 2000 INSTITUTO DE PESQUISA ECONÓMICA APLICADA - IPEA 

SBS, Quadra 1, Bloco J, Ed. BNDES, 3 o andar, sala 327, Brasília, DF, 

CEP 70076-900, fone: (61) 315-5374; fax: (61) 315-5314; e-mail: editbsb@ipea.gov.br 

Home page: http://www.ipea.gov.br 

Coordenação Editorial: SBS, Quadra 1, Bloco J, Ed. BNDES, 10° andar, Brasília, DF. 

CEP 70076-900, fone: (61) 315-5374; fax: (61) 315-5314; e-mail: editbsb@ipea.gov.br 

Serviço Editorial: Av. Presidente António Carlos, 51, 14° andar, Rio de Janeiro, RJ, 

CEP 20020-010, fone: (21) 212-1140; fax: (21) 220-5533; e-mail: editrj@ipea.gov.br 



É permitida a reprodução, exceto para fins comerciais, desde que citada a fonte. 



CRÉDITOS EDITORIAIS 

Supervisão editorial 
Diana Meirelles da Motta 

Coordenação editorial 

Gislaine Maria da Silva 

João Batista Vaz 
Rosa Moura (Ipardes) 

Projeto gráfico 

Celso Carramenha Linck (capa) 

Hamilton Marcos Fernandes (miolo) 

Preparação de texto 

Ingrid Basílio 

Revisão técnica 

Manoel Seabra e Odette Carvalho de Lima Seabra 

Professores-doutores do departamento de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo 

Revisão de texto 

Isabel Aparecida Gomes 
Vera Tavares Zangari 

Revisão cartográfica 

Celso Donizetti Talamoni 
Teresa Cabral Jahnel 

Editoração eletrônica 

Globaltec Produções Gráficas 

Produção de mapas e tratamento de imagens 

Maps World Produções Gráficas 
Mapa da Rede Urbana (capa) elaborado por Cláudio Egler 

Apoio 

Coordenação Editorial do Ipea 

Fernando Luiz Araújo Sobrinho (assistente de pesquisa - Ipea) 

Tatiana Rodrigues da Cunha (estagiária - Ipea) 



Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
(Coordenação de Documentação e Biblioteca - Codob do Ipea, DF, Brasil) 

Caracterização e tendências da rede urbana do Brasil : redes urbanas regionais : Sul / IPEA, 
IBGE, UNICAMP/IE/NESUR, IPARDES. I a reimpressão, Brasília : IPEA, 2000. 
v.6; 206p. 
Série de 6 volumes. 
ISBN: 85-86170-16-X 

1. Cidades 2. Rede urbana 3. Urbanização 4. Economia urbana 5. Política urbana 
6. Aglomerações urbanas 7. Desenvolvimento regional 8. Desenvolvimento urbano 
9. Municípios 10. Brasil I. IPEA II. IBGE III. UNICAMP IV. IPARDES 

CDD 307.76 

20" ed. 



Apresentação 



Cumprindo sua função de promover a realização de estudos e apoiar o governo brasileiro na formulação, avaliação 
e acompanhamento das políticas públicas, o Ipea coordenou, em parceria com o IBGE e o Nesur/IE da Unicamp, a execu- 
ção de um amplo trabalho de pesquisa sobre a rede urbana do Brasil. 

Este trabalho contou com a cooperação de várias outras entidades devidamente referidas no Prefácio deste volume. 
Trata-se de uma contribuição respaldada em extensivo esforço de pesquisa que, certamente, será utilizada na formulação 
de políticas urbanas, setoriais e territoriais, não somente do Governo Federal mas também dos Estados e Municípios. 

Resgata-se, assim, um tema da maior relevância para a área urbana e regional. O Ipea e a Caixa Económica Federal, 
em estreita cooperação, divulgam a série que reúne os estudos sobre a rede urbana e cumprimenta todos os participantes 
deste trabalho. 



Roberto Borges Martins Emílio Carazzai 

Presidente do Ipea Presidente da Caixa Económica Federal 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 

Volume 6 
Redes Urbanas Regionais: Sul 

EQUIPE TÉCNICA 

Coordenação-Geral 

Instituto de Pesquisa Económica Aplicada (Ipea) 

Coordenadora-Geral da Pesquisa - Diana Meirelles da Moita 

Coordenadora-Geral de Política Urbana - Diana Meirelles da Motta 

Diretor de Estudos Regionais e Urbanos - Gustavo Maia Gomes 

Diretor- Adjunto - Ricardo R. de Araújo Lima 

Consultores - Hamilton Tolosa; Cláudio Egler 

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 

Coordenador da Pesquisa - César Ajara 

Regiões de Influência das Cidades 

Marília Carvalho Carneiro; Maria Mónica Vieira Caetano 0'Neill, 

Viviane Narducci Ferraz. 

Aglomerações Urbanas para Fins Estatísticos 

Maria Luisa Gomes Castello Branco 

Tipologia dos Municípios Brasileiros - 1991 

Vera Maria D' Ávila Cavalcanti Bezerra 

Núcleo de Economia Social Urbana e Regional (Nesur) 

Coordenador da Pesquisa - Carlos Américo Pacheco 

Coordenadora da Pesquisa - Áurea M. Queiroz Davanzo 

Coordenador do Nesur- Rinaldo Barcia Fonseca 

Instituto Paranaense de Desenvolvimento Económico e Social (Ipardes) 

Diretor-Presidente - Paulo Mello Garcias 
Diretora do Centro de Pesquisa - Sieglinde Kindl da Cunha 

Desenvolvimento da Pesquisa 

Rovena Negreiros (Coordenadora pelo Nesur) 

Rosa Moura (Ipardes) 

Maria de Lourdes Urban Kleinke (Ipardes) 

José António Fialho Alonso (FEE) 

Rosetta Mammarella (FEE) 

Colaboração 

Gabriel Vieira Ferrari (SDE-SC) 

Gilmar Mendes Lourenço (Ipardes) 

Assessoria Técnica 

Maria Lúcia de Paula Urban (Ipardes) 

Idaulo José Cunha (UFSC) 

Apoio Técnico 

Débora Zlotník Werneck (Ipardes) 

Carlos Eduardo Previdi (Ipardes) 

Geoprocessamento 

Renate Winz (Ipardes) 

Lucrécia Zaninelh (Ipardes) 

Instituições Colaboradoras 

Fundação de Economia e Estatística (RS) 
Secretaria de Desenvolvimento e Integração ao Mercosul (SC) 



Prefácio 



Nas duas últimas décadas, o processo de urbani- 
zação no Brasil manteve-se acelerado e apresentou situa- 
ções de grande diversidade e heterogeneidade no territó- 
rio nacional, destacando-se: a interiorização do fenómeno 
urbano; a acelerada urbanização das áreas de fronteira eco- 
nómica; o crescimento das cidades médias; a periferização 
dos centros urbanos; e a formação e consolidação de aglo- 
merações urbanas metropolitanas e não-metropolitanas. 
Esses fenómenos são resultantes do processo de reestru- 
turação económica em curso no país. 

A elaboração de um quadro de referência baseado na 
compreensão da rede urbana brasileira, aqui entendida como 
"armadura" da estrutura socioespacial contemporânea, cons- 
titui importante subsídio à formulação de políticas territoriais 
de âmbito nacional, regional e municipal. 

Ciente da necessidade de se formar uma base ana- 
lítica para a formulação de políticas urbanas, a Coordena- 
ção Geral de Política Urbana do Ipea propôs a realização e 
coordenou o estudo Caracterização e Tendências da Rede Ur- 
bana do Brasil, desenvolvido em rede nacional de institui- 
ções de pesquisa, em parceria com o Departamento de 
Geografia (Degeo) do Instituto Brasileiro de Geografia e 
Estatística (IBGE) e o Núcleo de Economia Social Urbana 
e Regional (Nesur) do Instituto de Economia (IE) da Uni- 
versidade de Campinas (Unicamp), e com o apoio de di- 
versas instituições. 

O trabalho apresenta valiosa contribuição para o 
conhecimento da atual rede urbana do país, uma vez que 
o último estudo abrangente sobre esse tema data de 1984, 
tendo sido realizado, naquela ocasião, pelo Conselho Na- 
cional de Desenvolvimento Urbano (CNDU). 

No estudo Caracterização e Tendências da Rede Urba- 
na do Brasil, buscou-se analisar a atual configuração e as 
tendências de evolução da rede urbana do país, enfocando 
as transformações ocorridas no processo de crescimento 
demográfico, funcional e espacial das cidades brasileiras, 
a fim de contribuir para a definição de estratégias de apoio 
à formulação e à execução da política urbana nacional, bem 
como subsidiar as políticas setoriais e territoriais. 

A urbanização e o sistema urbano são considera- 
dos, no estudo, "síntese" de um longo processo de mu- 



dança territorial do país, no qual a dinâmica e as alternati- 
vas de localização das atividades económicas têm impor- 
tante papel indutor, entendendo-se a urbanização como 
parte integrante dessas determinações. 

A hipótese central do estudo é a de que as tendên- 
cias da urbanização brasileira e o sistema urbano do país 
incorporam as transformações espaciais da economia. Para 
tanto, procedeu-se à análise das transformações na dimen- 
são espacial do desenvolvimento brasileiro, explorando 
suas relações com a urbanização e a dinâmica demográfi- 
ca do período recente, qualificando, dessa forma, os 
determinantes do processo de urbanização e do sistema 
urbano brasileiro. 

A caracterização da economia regional evidencia o 
impacto da trajetória económica regional sobre a 
estruturação da rede urbana e abrange a análise económi- 
ca, explicitando os desdobramentos espaciais decorrentes, 
bem como as razões desses desdobramentos, distinguin- 
do áreas dinâmicas, áreas estagnadas e mudanças na base 
produtiva das regiões. A caracterização da rede urbana 
regional identifica as mudanças ocorridas na conforma- 
ção do sistema urbano regional no período recente (déca- 
das de 80 e 90), articulando essas alterações com as princi- 
pais tendências do desenvolvimento económico regional. 

Tratou-se, também, das características do arranjo 
espacial da indústria e da agropecuária, nas décadas de 80 
e 90, uma vez que são essas as atividades que, em grande 
parte, determinam as distintas trajetórias económicas e ur- 
banas regionais recentes, bem como as alterações nas for- 
mas de articulação comercial das regiões entre si e com o 
exterior. O argumento central desenvolvido é o de que, na 
década de 80, no contexto da crise económica, o maior grau 
de abertura da economia brasileira estimulou uma forma 
distinta de articulação das economias regionais, com 
rebatimentos importantes sobre a urbanização e o sistema 
de cidades. 

Além disso, as análises identificam as mudanças 
ocorridas na rede urbana do país, em especial nas redes 
urbanas regionais, nas décadas de 80 e 90. Tais análises 
incorporaram os seguintes estudos do IBGE: Regiões de in- 
fluência das cidades (Regic); Tipologia dos municípios brasilei- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



X 



ros; e Aglomerações urbanas para fins estatísticos. As análises 
também se valeram do estudo A dinâmica espacial dos siste- 
mas urbano-regionais no Brasil, do consultor Cláudio Egler. 

O estudo abrangeu três vertentes de análise. A pri- 
meira considera os processos económicos gerais que estão 
na base da estruturação e do desenvolvimento da rede ur- 
bana do Brasil. A segunda leva em conta os processos eco- 
nómicos regionais e seus desdobramentos na configura- 
ção e nas tendências da rede de cidades de cada uma das 
grandes regiões geográficas do país. A terceira refere-se à 
manifestação de processos característicos da tipologia da 
rede urbana - o tamanho, a função e a forma urbana - 
enfocando essas manifestações seja para o país como um 
todo, seja para cada uma das grandes regiões geográficas. 

Essas três vertentes de análise resultaram em qua- 
tro produtos referenciais básicos, que configuram a rede 
urbana do Brasil: 

• as redes urbanas das grandes regiões; 

• a hierarquia da rede urbana; 

• os sistemas urbano-regionais; e 

• o quadro de composição das aglomerações urbanas. 

Realizado no período de dois anos e meio, o estu- 
do foi desenvolvido em cinco etapas: referencial 
conceituai e metodológico; estudos preliminares de ca- 
racterização da rede urbana; estudos de caracterização 
da rede urbana; análise das transformações e tendências 
na configuração da rede urbana; e configuração atual e 
tendências da rede urbana. 

O Nesur encarregou-se do conjunto de estudos 
sobre as transformações da rede urbana do Brasil, 
procedendo a uma análise atualizada das principais 
mudanças espaciais ocorridas na economia do país e 
das mudanças decorrentes na dinâmica das economi- 
as regionais, estudos esses que procuraram apreen- 
der os impactos dessas transformações sobre a confi- 
guração e as tendências da rede urbana brasileira. 

O Degeo desenvolveu o conjunto de estudos que 
inclui a atualização do trabalho sobre hierarquia urbana, 
rede de influências das cidades, aglomerações urbanas para 
fins estatísticos e tipologia dos municípios brasileiros. 

Os estudos do Degeo compõem os seguintes rela- 
tórios parciais da pesquisa: 

• relatório I: Metodologias e enfoques do estudo da rede urbana; 

• relatório III: Hierarquização dos sistemas urbanos e de 
categorização de cidades; 



• relatório V: Tipologia dos municípios brasileiros; 

• relatório VII: Identificação dos sistemas urbano-re- 

gionais. 

O consultor Cláudio Egler realizou os estudos re- 
ferentes à configuração e à dinâmica atual da rede urbana, 
os quais integram os seguintes relatórios: 

• relatório I: Mudanças recentes e perspectivas da urbani- 

zação em nível mundial e no Brasil; 

• relatório II: Principais características da urbanização 
brasileira; 

• relatório III: Dinâmica espacial dos sistemas urbano-re- 

gionais do Brasil. 

O consultor Hamilton Tolosa, da Universidade 
Cândido Mendes, prestou inestimável apoio técnico ao 
Ipea durante todo o desenvolvimento dos trabalhos e ela- 
borou, juntamente com Maria de Fátima Araújo, da Fun- 
dação Sistema Estadual de Análise de Dados Estatísticos 
(Seade), os trabalhos sobre as metrópoles globais. 

Os estudos desenvolvidos pelo Nesur apoiaram- 
se na organização de seis equipes de pesquisa, encarrega- 
das da análise das economias regionais e da configuração 
e dinâmica das redes urbanas das grandes regiões geográ- 
ficas brasileiras. Essas equipes mobilizaram especialistas 
em desenvolvimento urbano e regional, e também conta- 
ram com a colaboração de órgãos governamentais, uni- 
versidades e instituições regionais de pesquisa 1 . 

O conjunto de estudos elaborados pelo Nesur com- 
põe os seguintes relatórios: 

• relatório II: Referencial conceituai e metodológico, e 
principais tendências do desenvolvimento regional bra- 
sileiro e suas implicações no sistema urbano do país; 

• relatório IV: Evolução da rede urbana segundo metodo- 
logias e critérios económicos de agregação dos espaços 
regionais; 

• relatório VI: Caracterização da rede urbana (estudos re- 
gionais); 

• relatório VIII: Síntese sobre a caracterização das redes 
urbanas regionais. 

Cabe mencionar, ainda, a valiosa colaboração de 
instituições como o Sistema Estadual de Análise de Dados 
(Fundação Seade), o Instituto Paranaense de Desenvolvi- 
mento Económico e Social (Ipardes), a Superintendência 
do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), a Superinten- 
dência do Desenvolvimento da Amazónia (Sudam), den- 
tre outras, na realização deste trabalho 2 . 



A composição da equipe técnica e a relação das instituições colaboradoras constam das páginas de crédito dos livros desta série. 
Participaram também dos trabalhos a Fundação de Economia e Estatística (RS), a Secretaria de Desenvolvimento e Integração ao 
Mercosul (SC), a Universidade Federal de São Carlos (SP), o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional (Cedeplar) da 
Universidade Federal de Minas Gerais (MG), Fundação João Pinheiro (MG), o Instituto de Desenvolvimento Industrial (MG), o Instituto 
de Desenvolvimento Económico e Industrial (ES), a Universidade Estadual do Rio de Janeiro (RJ), a Universidade Federal do Espírito 
Santo (ES), a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (RN), a Fundação Joaquim Nabuco (PE) e o Centro de Pesquisa e Docu- 
mentação da. Universidade Federal de Uberlândia (MG). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



XI 



Os resultados da pesquisa estão reunidos em seis 
volumes que integram a série Caracterização e Tendências da 
Rede Urbana do Brasil. 

O volume 1 - Configuração Atual e Tendências da Rede 
Urbana do Brasil - apresenta os resultados finais dos estudos 
sobre a rede urbana brasileira. São discutidas as transfor- 
mações recentes na rede urbana nas décadas de 80 e 90, 
enfocando, como ponto de partida, as principais transfor- 
mações espaciais da economia e seus impactos no processo 
de urbanização e na própria rede urbana. São apresentados 
os resultados do trabalho, que consistem na classificação 
da rede urbana do Brasil, na identificação das aglomera- 
ções urbanas brasileiras e na configuração da dinâmica es- 
pacial dos sistemas urbano-regionais e, por fim, uma dis- 
cussão sumária sobre São Paulo e Rio de Janeiro como me- 
trópoles globais. É também apresentada uma síntese das 
tendências de desenvolvimento regional e as implicações 
para a formulação de políticas públicas. 

O volume 2 - Estudos Básicos para a Caracterização da 
Rede Urbana - reúne os trabalhos desenvolvidos pelo IBGE 
sobre as regiões de influência das cidades, as aglomerações 
urbanas e a tipologia dos municípios brasileiros, bem como 
os estudos elaborados pelo consultor Cláudio Egler sobre a 
configuração e a dinâmica atual da rede urbana brasileira, 
incluindo as mudanças recentes, as perspectivas e as carac- 
terísticas da urbanização, e os sistemas urbano-regionais. 

O volume 3 - Desenvolvimento Regional e Estruturação 
da Rede Urbana -, traz o referencial conceituai e metodológico 
do projeto. Nele são explicitadas as hipóteses sobre as prin- 
cipais tendências do desenvolvimento regional brasileiro e 
suas implicações para a estruturação do sistema urbano do 
país, com ênfase nas transformações ocorridas nos anos 80 
e início da década de 90. São apresentados os termos de 
referências estabelecidos para o estudo das redes urbanas 
> regionais, abrangendo as cinco regiões geográficas brasilei- 
ras. Esses estudos estiveram a cargo do Nesur. 

O volume 4 - Redes Urbanas Regionais: Norte, Nordes- 
te e Centro-Oeste (estudos parciais para a classificação da rede 
urbana) - refere-se aos relatórios que precederam e funda- 
mentaram a classificação final da rede urbana do Brasil. O 
volume é introduzido pelas bases teóricas dos estudos regi- 
onais e contempla a seguinte orientação metodológica: 

• Caracterização da economia regional - análise das mu- 

danças nas bases produtivas regionais e dos impactos 
de suas trajetórias económicas e de suas mudanças es- 
paciais sobre a estruturação da rede urbana, 
explicitando, ainda, os desdobramentos decorrentes e 
apresentando as áreas dinâmicas, as áreas estagnadas e 
as tendências de evolução económica e espacial, com 
base nas intenções de investimento futuro; 

• Caracterização da rede urbana regional - identificação das 

mudanças ocorridas na conformação urbana no período 
recente (décadas de 80 e 90), articulando essas transfor- 



mações às principais tendências do desenvolvimento eco- 
nómico regional, e procedendo à classificação da rede 
urbana regional, segundo categorias definidas com base 
na descrição do perfil da rede, na caracterização das fun- 
ções desempenhadas por seus principais centros urba- 
nos e na indicação, prioritariamente para os níveis supe- 
riores, da qualificação da urbanização; e 
• Mudanças económicas e impactos sobre a rede urbana 
- identificação e análise das principais tendências da 
dinâmica regional e dos desdobramentos espaciais de- 
correntes do desempenho económico recente, com ên- 
fase nas novas espacialidades/ territorialidades do pro- 
cesso de urbanização, considerando as tendências 
locacionais da atividade produtiva; dos processos de 
desconcentração e aglomeração induzidos pelas trans- 
formações espaciais da atividade produtiva; dos proje- 
tos de expansão da infra-estrutura e do balanço dos 
novos investimentos privados; e dos traços contempo- 
râneos da urbanização. 

O volume 4 trata, ainda, das questões relativas às 
transformações das redes urbanas regionais e aponta as 
principais implicações para as políticas de desenvolvimen- 
to urbano. 

O volume 5 - Redes Urbanas Regionais: Sudeste (es- 
tudos parciais para a classificação da rede urbana) - refe- 
re-se, como o volume anterior, aos relatórios da pesquisa, 
os quais precederam e fundamentaram a classificação fi- 
nal da rede urbana do Brasil, e contempla as mesmas ori- 
entações metodológicas adotadas para a rede urbana das 
regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. 

O volume 6 - Redes Urbanas Regionais: Sul (estudos 
parciais para a classificação da rede urbana) - refere-se ao 
relatório da pesquisa, que precedeu e fundamentou a clas- 
sificação da rede urbana do Brasil, obedecendo às mes- 
mas orientações metodológicas adotadas para a rede ur- 
bana das demais regiões pesquisadas. 

Vale ressaltar ainda que a classificação da rede ur- 
bana das grandes regiões (volumes 4, 5 e 6) diz respeito 
aos estudos que subsidiaram a classificação da rede ur- 
bana do país. Na sequência dos trabalhos, ao tomar as 
redes urbanas de cada uma das grandes regiões em seu 
conjunto, foram feitos os ajustes pertinentes nessa classi- 
ficação, alterando-se a denominação das categorias ur- 
banas e apresentando outra classificação para os centros 
urbanos. No entanto, os estudos sobre as redes urbanas 
das grandes regiões constituem produtos acabados, úteis 
para as grandes regiões e para os estados, uma vez que 
mostram a configuração e as tendências das redes urba- 
nas regionais. 

Acrescente-se que o estudo como um todo foi rea- 
lizado no período 1997-99 e que as informações estão atua- 
lizadas, sempre que possível, em nota de rodapé, até a data 
desta publicação. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



XII 



Este volume apresenta a análise regional agregan- 
do indicadores complementares e atualizados. Está orga- 
nizado em dois capítulos, precedidos pelas bases teóricas 
dos estudos regionais e por uma introdução. O primeiro 
apresenta uma leitura da economia dos estados do Sul e 
do arranjo da rede urbana regional, com a classificação 
das categorias espaciais urbanas. É traçado um perfil da 
qualidade da urbanização, mais dirigido às aglomerações 
metropolitanas; e finalmente apontam-se as principais ten- 
dências da urbanização sulina, bem como recomendações 
de políticas territoriais. O segundo capítulo traz uma aná- 
lise pormenorizada e individualizada desses aspectos para 
as mesorregiões dos estados do Sul. Em seus anexos, consta 
um conjunto de tabelas organizadas pelo agrupamento 
mesorregional que serviu de apoio a esta parte do trabalho. 

Para os estudos referentes ao Estado de Santa 
Catarina, o Ipardes contou com o assessoramento de téc- 
nicos da Diretoria de Geografia, Cartografia e Estatística 
da Secretaria de Desenvolvimento Económico e Integra- 
ção ao Mercosul, do estado de Santa Catarina. A síntese 
regional referente à configuração e escalas da rede urba- 
na, bem como da qualidade da urbanização, recebeu o 
apoio, técnico de consultores do Rio Grande do Sul, que 
também foram responsáveis pela elaboração dos estudos 
referentes à economia e às mesorregiões desse estado. 



Trabalhou-se com dados fornecidos pelo IBGE, Ipea, 
Nesur/Unicamp e outras fontes, valendo-se ainda, de infor- 
mações estaduais, na busca de melhor qualificar as análises. 

A classificação das categorias espaciais da rede 
urbana da região Sul é uma etapa que reflete o esforço 
de aplicação dos conceitos e critérios definidos conjun- 
tamente pelo Ipea, IBGE e Nesur às realidades regio- 
nais. A classificação parcial da rede urbana da região 
Sul foi objeto de ajustes necessários para se chegar a 
uma única classificação final para todo o estudo, guar- 
dando alguma diferença daquela apresentada no volu- 
me 1 desta série. 

E preciso destacar ainda que os resultados do estu- 
do sobre a rede urbana do Brasil já vêm fundamentando a 
formulação e a implementação de políticas e programas 
urbanos e regionais no país e têm fornecido valiosa contri- 
buição a trabalhos da agenda governamental e dos demais 
setores da sociedade. Este estudo deverá continuar sendo 
útil para o setor público, na definição de políticas; para as 
instituições de ensino, na ampliação do conhecimento so- 
bre processo de urbanização do país; e para muitos outros 
setores da sociedade, na tomada de decisões. 



Diana Meirelles da Motta 

Coordenadora-Geral de Política Urbana — CGPUR/Ipea 



Ricardo Lima 

Diretor-Adjunto da DIRUR/Ipea 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Sumário 



Lista de Tabelas 15 

Lista de Tabelas dos Anexos 16 

Lista de Mapas , 18 

Lista de Siglas 19 

Bases Teóricas dos Estudos Regionais 21 

Referências Bibliográficas 34 

Referenciais da Rede Urbana do Brasil 35 

Capítulo I - Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 

1 Caracterização da Economia Regional 39 

1.1 Paraná 39 

1.2 Santa Catarina 44 

1.3 Rio Grande do Sul 47 

2 Caracterização da Rede Urbana Regional 50 

2.1 Descrição e Evolução do Perfil da Rede Urbana 50 

2.2 Classificação e Hierarquização da Rede Urbana 58 

2.2.1 Aglomerações Urbanas Metropolitanas 68 

2.2.2 Centros e Aglomerações Não-metropolitanos 70 

3 Qualidade da Urbanização 75 

3.1 Renda e Instrução 76 

3.2 Moradia e Ambiente 78 

4 Mudanças Económicas e Impactos sobre a Rede Urbana 81 

4.1 Tendências e Impactos Económicos 81 

4.2 Tendências e Impactos no Arranjo Socioespacial 89 

5 Considerações Finais 90 

Capítulo II - Análise das Mesorregiões Geográficas 

1 Introdução 91 

2 Mesorregiões do Estado do Paraná 91 

2.1 Noroeste Paranaense 91 

2.1.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 95 

2.2 Centro-ocidental Paranaense 95 

2.2.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 98 

2.3 Norte-central Paranaense 98 

2.3.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 102 

2.4 Norte Pioneiro Paranaense 103 

2.4.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 105 

2.5 Centro-oriental Paranaense '. 105 

2.5.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 108 

2.6 Oeste Paranaense 109 

2.6.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana ." 112 

2.7 Sudoeste Paranaense 112 

2.7.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana : 115 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



2.8 Centro-sul Paranaense 115 

2.8.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 118 

2.9 Sudeste Paranaense 119 

2.9.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 120 

2.10 Metropolitana de Curitiba 122 

2.10.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 127 

3 Mesorregiões do Estado de Santa Catarina 127 

3.1 Oeste Catarinense 127 

3.1.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 130 

3.2 Norte Catarinense 130 

3.2.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 132 

3.3 Serrana Catarinense 134 

3.3.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 136 

3.4 Valedoltajaí 136 

3.4.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 138 

3.5 Grande Florianópolis 140 

3.5.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 142 

3.6 Sul Catarinense 143 

3.6.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 145 

4 Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul 145 

4.1 Noroeste Riograndense 145 

4.1.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 150 

4.2 Nordeste Riograndense 150 

4.2.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 153 

4.3 Centro-ocidental Riograndense 153 

4.3.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 156 

4.4 Centro-oriental Riograndense 156 

4.4.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana .' 159 

4.5 Metropolitana de Porto Alegre 159 

4.5.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 166 

4.6 Sudoeste Riograndense 166 

4.6.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 172 

4.7 Sudeste Riograndense 173 

4.7.1 Síntese da Morfologia da Rede Urbana 174 

Referências Bibliográficas 177 

Anexos (Tabelas A.l a A.25) 181 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Lista de Tãbelds I 1 5 



I 



Lista de Tabelas 



1 Estado do Paraná - Participação Setorial e Taxas Anuais de Crescimento do Valor Adicionado 

Fiscal, segundo Setores de Atividade (1980-96) 40 

2 Estado do Paraná - Participação dos Principais Géneros no Total do Valor Adicionado da 

Indústria de Transformação (1980-86 - Médias Trienais) 41 

3 Estado do Paraná - Municípios com Participação Superior a 1% no Valor Adicionado (1975-96) 43 

4 Estado de Santa Catarina - Produto Interno Bruto, segundo a Participação por 

Setores (1970-96) 45 

5 Estado de Santa Catarina - Municípios com Participação Superior a 1% no Valor 

Adicionado (1990-96) 46 

6 Estado do Rio Grande do Sul - Municípios com Participação Superior a 1% no Valor 

Adicionado (1980-92) 49 

7 Região Sul - População Total e Taxa de Crescimento Geométrico Anual da População Total, 

Urbana e Rural (1970-96) 51 

8 Região Sul - Centros Urbanos com População Superior a 50 Mil Habitantes, Participação da 
População no Total da População Urbana dos Estados e da Região Sul e Participação do 

Número dos Centros no Total de Municípios (1970-96) 51 

9 Região Sul - Participação Percentual dos Grupos na População Total, Grau de Urbanização e 
Taxa de Crescimento Geométrico Anual da População Total, segundo Classe de Tamanho por 

Cluster (1980-91) 53 

10 Região Sul - Tipologia dos Municípios (1996) 58 

11 Região Sul - Escala de Classificação da Rede Urbana (1980-96) 64 

12 Mesorregiões da Região Sul - Renda Média Familiar, Proporção de Chefes de Domicílio 

com Renda até Dois Salários Mínimos, População Alfabetizada de 15 Anos e mais e Escolaridade 

Média (1991) 77 

13 Estado do Paraná - Investimentos Previstos (1996-99) , 82 

14 Estado de Santa Catarina - Investimentos Previstos pelo Programa de Desenvolvimento 

das Empresas (Prodec) (1995-98) 84 

15 Estado do Rio Grande do Sul - Investimentos Previstos pelo Fundode Operação Empresa do 

Rio Grande do Sul (Fundopem) (1994-97) 87 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



1611 Redes Urbanas Regionais: Sul 



Lista de Tabelas dos Anexos 



A.l Mesorregiões da Região Sul - Área, Densidade Populacional, Número de Municípios, 

Participação na População Total do Estado e Grau de Urbanização (1996) 183 

A.2 Mesorregiões da Região Sul - População Total, Urbana e Rural e Taxa Anual de Crescimento 

Geométrico (1980-91/ 1991-96) 184 

A.3 Mesorregiões da Região Sul - Tipologia dos Municípios (1996) 185 

A.4 Mesorregiões da Região Sul - Participação no Valor Adicionado do Estado (Vários Anos) 186 

A.5 Mesorregiões do Estado do Paraná - Valor Adicionado Fiscal, segundo a Participação 

Setorial (1996) 187 

A. 6 Mesorregiões do Estado de Santa Catarina - Valor Adicionado Fiscal, segundo a Participação 

• Setorial (1996) 187 

A.7 Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul - Participação dos Setores no PIB Total e por 

Mesorregião (1980-90) 188 

A.8 Mesorregiões do Estado do Paraná - Participação do Valor Adicionado dos Géneros Industriais 

no Total do Estado por Mesorregião (1996) 188 

A.9 Mesorregiões do Estado do Paraná - Participação no Valor da Transformação Industrial nos 

Principais Géneros da Indústria de Transformação (1980-85) 189 

A. 10 Mesorregiões do Estado de Santa Catarina - Participação no Valor da Transformação Industrial 

nos Principais Géneros da Indústria de Transformação (1980-85) 190 

A.ll Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul - Participação no Valor da Transformação 

Industrial nos Principais Géneros da Indústria de Transformação (1980-85) 191 

A. 12 Estados e Mesorregiões da Região Sul - Empregos Formais e Crescimento Percentual dos 

Principais Géneros Industriais (1986-96) 192 

A. 13 Mesorregiões da Região Sul - Empregos Formais na Atividade Industrial, Total e Proporção no 

Total do Estado (1986-96) 194 

A.14 Estado do Paraná e Mesorregiões - Participação e Distribuição do Valor da Produção dos 
Principais Grupos de Produtos Agrícolas no Total do Estado e da Mesorregião 
(1979-81/1992-94 Médias Trienais) 195 

A. 15 Estado de Santa Catarina e Mesorregiões - Participação e Distribuição do Valor da Produção dos 

Principais Grupos de Produtos Agrícolas no Total do Estado e da Mesorregião (Média 1993-94) 196 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Lista de Tabelas dos AnexosH 1 ~] 



1 



A. 16 Estado do Rio Grande do Sul e Mesorregiões - Participação e Distribuição do Valor da 

Produção dos Principais Grupos de Produtos Agrícolas no Total do Estado e da Mesorregião 

(Média 1993-95) 197 

A. 17 Mesorregiões do Estado do Paraná - Percentual da Área Colhida e do Valor da Produção 

Agrícola no Total do Estado (Média 1992-94) 198 

A. 18 Mesorregiões do Estado de Santa Catarina - Percentual da Área Colhida e do Valor da Produção 

Agrícola no Total do Estado (Média 1993-95) 199 

A. 19 Mesorregiões do Estado do Rio Grande do Sul - Percentual da Área Colhida e do Valor da 

Produção Agrícola no Total do Estado (Média 1993-95) 200 

A.20 Mesorregiões da Região Sul - Domicílios com Abastecimento de Água, Esgoto Sanitário e Coleta 

de Lixo (1991) 201 

A.21 Brasil - Resumo da Classificação Final da Rede Urbana (1998) 202 

A.22 Brasil - Classificação Final da Rede Urbana - Metrópoles (1998) 203 

A.23 Brasil - Classificação Final da Rede Urbana - Centros Regionais (1998) 204 

A.24 Brasil - Classificação Final da Rede Urbana - Centros Sub-regionais 1 (1998) 205 

A.25 Brasil - Classificação Final da Rede Urbana - Centros Sub-regionais 2 (1998) 206 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Lista de Mapas 



1 Região Sul - Municípios com Participação Expressiva no Valor Adicionado Total do Estado 42 

2 Região Sul - Áreas de Esvaziamento Populacional: Taxas Negativas de Crescimento da População 

Total (1970-96) 54 

3 Região Sul - Áreas de Concentração Populacional (1970-96) 55 

4 Região Sul - Crescimento da População Total (1991-96) 56 

5 Região Sul - Centros Urbanos com mais de 50 Mil Habitantes (1970-96) 59 

6 Região Sul - Tipologia dos Municípios Rurais e em Transição para o Urbano (1996) 60 

7 Região Sul - Tipologia dos Municípios Urbanos (1996) 61 

8 Região Sul - Hierarquia da Centralidade (1998) 62 

9 Região Sul - Escala de Classificação da Rede Urbana (1998) 63 

10 Região Sul - Mesorregiões Geográficas (1996) : 93 

11 Noroeste Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 94 

12 Centro-ocidental Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 97 

13 Norte-central Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 101 

14 Norte Pioneiro Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 104 

15 Centro-oriental Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 107 

16 Oeste Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 111 

17 Sudoeste Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 113 

18 Centro-sul Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 117 

19 Sudeste Paranaense - Hierarquia da Centralidade (1998) 121 

20 Metropolitana de Curitiba - Hierarquia da Centralidade (1998) 125 

21 Oeste Catarinense - Hierarquia da Centralidade (1998) 129 

22 Norte Catarinense - Hierarquia da Centralidade (1998) 133 

23 Serrana Catarinense - Hierarquia da Centralidade (1998) 135 

24 Vale do Itajaí - Hierarquia da Centralidade (1998) 139 

25 Grande Florianópolis - Hierarquia da Centralidade (1998) 141 

26 Sul Catarinense - Hierarquia da Centralidade (1998) 144 

27 Noroeste Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 146 

28 Nordeste Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 151 

29 Centro-ocidental Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 155 

30 Centro-oriental Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 157 

31 Metropolitana de Porto Alegre - Hierarquia da Centralidade (1998) 161 

32 Sudoeste Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 167 

33 Sudeste Riograndense - Hierarquia da Centralidade (1998) 175 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Lista de Siglas I I 19 



I 



Lista de Siglas 



Agrária - Cooperativa Agrária Mista Entre Rios Ltda. 

AURNe - Aglomeração Urbana da Região Nordeste do Rio Grande do Sul 

Badep - Banco de Desenvolvimento do Paraná 

Batavo - Cooperativa Agropecuária Batavo Ltda. 

CCLPL - Cooperativa Central de Lacticínios do Paraná Ltda. 

Camilas - Cooperativa Agropecuária Mista de Laranjeiras do Sul Ltda. 

CAMP - Cooperativa Agrícola Mista de Prudentópolis Ltda. 

Capai - Cooperativa Agropecuária Arapoti Ltda. 

Capeg - Cooperativa Agropecuária Guarany Ltda. 

Castrolanda - Sociedade Cooperativa Castrolanda Ltda. 

Cefet - Centro Federal de Educação Tecnológica 

Centralpar - Cooperativa Central de Alimentos do Paraná Ltda. 

CIAR - Cidade Industrial de Araucária 

CIC - Cidade Industrial de Curitiba 

CLAC - Cooperativa de Laticínios Curitiba Ltda. 

Coabil - Cooperativa Agrícola Mista Bituruna Ltda. 

Coagro - Cooperativa Agropecuária Capanema Ltda. 

Coamo - Cooperativa Agropecuária Mourãoense Ltda. 

Cocamar - Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá Ltda. 

Cohab/RS - Companhia de Habitação do Rio Grande do Sul 

Cohab/SC - Companhia de Habitação de Santa Catarina 

Cohapar - Companhia de Habitação do Paraná 

Comec - Coordenação da Região Metropolitana de Curitiba 

Coopavel - Cooperativa Agropecuária Cascavel Ltda. 

Cooperati - Cooperativa Agrícola Irati Ltda. 

Copacol - Cooperativa Agrícola Consolata Ltda. 

Coperalfa - Cooperativa Regional Alfa Ltda. 

Copercampo - Cooperativa Regional Agropecuária de Campos Novos Ltda. 

Copercentral - Cooperativa Central Oeste Catarinense Ltda. 

Cotref ai - Cooperativa Agropecuária Três Fronteiras 

Cotriguaçu - Cooperativa Central Regional Iguaçu Ltda. 

CSR-1 - Centro Sub-regional 1 

CSR-2 - Centro Sub-regional 2 

DAER - Departamento Autónomo de Estradas de Rodagem 

FEE - Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul 

Fiesc - Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina 

FPM - Fundo de Participação dos Municípios 

Fundopem - Fundo de Operação Empresa do Rio Grande do Sul 

FURB - Universidade Regional de Blumenau 

Granfpolis - Associação dos Municípios da Região da Grande Florianópolis 

IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 

II PND - II Plano Nacional de Desenvolvimento 

Ipardes - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Económico e Social 

Ipea - Instituto de Pesquisa Económica Aplicada 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



20 H I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



Ippuc - Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba 

Ipuf - Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis 

Lactec - Laboratório Central de Pesquisa e Desenvolvimento 

Lactisul - Cooperativa de Produtores de Leite de Irati Ltda. 

Mercosul - Mercado Comum do Cone Sul 

MTB/Rais - Ministério do Trabalho/Relação Anual de Informações Sociais 

Nesur - Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional 

PEA - População Economicamente Ativa 

PIA - População em Idade Ativa 

PIB - Produto Interno Bruto 

PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento 

Proálcool - Programa Nacional do Álcool 

Prodec - Programa de Desenvolvimento de Empresas de Santa Catarina 

RA - República Argentina 

Rais - Relatório de Informações Sociais 

Regic - Estudo Regiões de Influência das Cidades (IBGE) 

RMC - Região Metropolitana de Curitiba 

RMPA - Região Metropolitana de Porto Alegre 

ROU - República Oriental do Uruguai 

Sef a - Secretaria da Fazenda do Estado do Paraná 

SF/SC - Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina 

SF/RS - Secretaria da Fazenda do Estado do Rio Grande do Sul 

SDE - Secretaria de Desenvolvimento Económico e Integração ao Mercosul (SC) 

Sercomtel - Serviços de Comunicações Telefónicas de Londrina 

Unicamp - Universidade Estadual de Campinas 

Unijuí - Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul 

UPF - Universidade Passo Fundo 

URE - Universidade Regional Integrada 

VAF - Valor Adicionado Fiscal 

Witmarsum - Cooperativa Agropecuária Witmarsum Ltda. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



Introdução 



Para caracterizar a rede urbana do Brasil, com base 
no exame das principais tendências do desenvolvimento 
socioeconómico regional, foram consideradas as principais 
contribuições teórico-metodológicas sobre rede urbana 
presentes na literatura. Essa sistemática impôs, por sua vez, 
a necessidade de revisão dos estudos disponíveis, a se- 
guir apresentada. 

Nos estudos desenvolvidos ao longo da pesqui- 
sa, adotou-se como referência territorial a divisão em 
grandes regiões do Brasil, definida pelo Instituto Brasi- 
leiro de Geografia e Estatística (IBGE). A despeito des- 
se fato, as diretrizes metodológicas adotadas no desen- 
volvimento dos estudos regionais demonstraram que a 
dinâmica económica regional recente e o próprio pro- 
cesso de urbanização do país, dadas suas característi- 
cas intrínsecas, tornam problemática a escolha dessa 
delimitação espacial, tendo em vista a interdependência 
económica e urbana de espaços localizados em regiões 
geográficas distintas. Assim, nesses estudos, a identifi- 
cação e a análise das correlações e interdependências 
entre espaços situados ern diferentes regiões constituí- 
ram-se num objeto central, explicitando-se as articula- 
ções entre sistemas urbanos. 

A escala de análise das economias regionais foi a 
das mesorregiões geográficas definidas pelo IBGE, que 
abrange os seguintes aspectos: tendências locacionais da 
atividade produtiva; concentração e desconcentração 
dessas atividades; diversificação do setor de serviços e 
mudanças ocupacionais relacionadas a essa diversifica- 
ção, especialmente para as aglomerações urbanas e prin- 



cipais centros da rede urbana brasileira; transformações 
das estruturas ocupacionais dos centros urbanos, segun- 
do sua hierarquia e tamanho, procurando caracterizar a 
estrutura do emprego; e, finalmente, identificação e qua- 
lificação da infra-estrutura urbana, quando ela constituiu- 
se em vetor de transformação do sistema de cidades, em 
fator de indução da ocupação de novas áreas ou, mesmo, 
em elemento de reestruturação das relações interurbanas. 

Nos estudos regionais, elaborados para as gran- 
des regiões brasileiras, essas questões foram trabalhadas 
como mediações para se entender a articulação entre a 
dinâmica recente das economias regionais, as caracterís- 
ticas da urbanização e as transformações da rede urba- 
na. Dessa forma, adotou-se um procedimento meto- 
dológico que envolveu, de um lado, a análise da dinâmi- 
ca recente da economia e da urbanização regionais e, de 
outro lado, a definição de critérios quantitativos, a fim 
de apreender os diferentes estratos que compõem as re- 
des regionais de cidades. 

Esses critérios quantitativos, contudo, foram 
submetidos a ajustes finais de caráter qualitativo, re- 
ferentes às características regionais específicas. Partiu- 
se, assim, do princípio de que a análise quantitativa, 
por si só, não seria capaz de constituir um procedi- 
mento suficiente para definir a caracterização da rede 
urbana brasileira, tampouco para atender aos objeti- 
vos da pesquisa. 

Com os estudos regionais, chegou-se a uma pri- 
meira classificação dos centros urbanos, segundo as ca- 
racterísticas específicas de cada região, base para esta- 
belecer critérios e para proceder a classificação da rede 
urbana do Brasil. A seguir, apresentam-se os detalhes 
sobre a definição e a aplicação dos critérios norteadores 
dessa classificação. 

As referências teórico-metodológicas de análise 
da rede urbana fundamentaram a proposta adotada na 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



22 



I 



Redes Urbanas Resionais: Sul 



pesquisa. Foi com base nessas referências metodológicas 
que se empreendeu a análise das diversas espacia- 
lidades do sistema urbano brasileiro e se desenvolveu o 
trabalho de classificação da rede urbana do Brasil. Essa 
classificação contempla as diversas espacialidades do 
sistema urbano brasileiro, bem como as diferentes for- 
mas de articulação física e de integração funcional nele 
presentes. 

Na tradição do pensamento geográfico, a cida- 
de é parte integrante e, ao mesmo tempo, formadora 
da região. Como tal, não pode, nem deve, ser tratada 
de modo separado ou desconexo. Nessa lógica, o es- 
paço geográfico pode ser definido como o locus de pro- 
dução e reprodução social, que na economia capitalis- 
ta assume a forma dicotômica e articulada da cidade e 
sua região. 

As implicações dessa concepção para o presente es- 
tudo são percebidas na própria orientação teórico- 
metodológica adotada, já que se partiu do pressuposto de 
que a classificação de rede urbana deveria contemplar não 
só a estrutura dos fluxos de bens, serviços e indivíduos, 
em um dado espaço económico, em um momento especí- 
fico, mas também os fatores económicos e sociais que de- 
terminaram tal estrutura ao longo de um processo de de- 
senvolvimento. Assim, não se pode considerar a cidade 
como apartada do processo de produção de uma economia 
regional. 

A proposta não é esgotar a literatura sobre a ques- 
tão urbano-regionàl, sobretudo no que tange às redes ur- 
banas, o que certamente envolveria um levantamento 
multidisciplinar e por demais abrangente para os propó- 
sitos deste trabalho. O objetivo é tão-somente apresentar 
os fundamentos conceituais em que se baseou o estudo da 
rede urbana brasileira. 

Optou-se, aqui, pelo desafio de articular, de um 
lado, a teoria neoclássica do pensamento geográfico, a res- 
peito de hierarquias de redes urbanas, com a teoria histó- 
rico-materialista, de outro lado, cujo enfoque reside no 
processo de produção do espaço urbano-regional e seus 
determinantes, o que permite a identificação de dinâmi- 
cas recentes nos sistemas de cidades pari passu à evolução 
do capitalismo em escala internacional. 

Com a articulação teórica dessas duas tradições, 
buscou-se obter as informações necessárias não só para 
a classificação da rede urbana brasileira, como também 
para uma análise prospectiva, com vistas à formulação 
de proposições para subsidiar a implementação de polí- 
ticas públicas. 



A Tradição Neoclássica de 
Estudos de Rede Urbana 



Os estudos de rede urbana constituem parte rele- 
vante da tradição da chamada geografia quantitativa, ins- 
pirada em teorias funcionalistas e de sistemas. Têm pro- 
duzido contribuições - significativas com base em quadros 
referenciais empíricos sobre características sociais, econó- 
micas e demográficas relacionadas a tamanhos de cida- 
des, centrando a atenção na identificação de configurações 
de redes urbanas e na posição nelas ocupada por um dado 
centro urbano. Nas análises neoclássicas, a relação entre 
um centro e seu hinterland baseia a definição da posição 
hierárquica dos centros urbanos, configurando, assim, 
importante aspecto dos estudos dessa tradição. 

É possível, em geral, reconhecer três formas elemen- 
tares de configuração das relações entre cidade e região: a 
relação campo-cidade, a relação capital-província e a rela- 
ção centro-périferia. 

A primeira delas, conformando o Estado isolado, está 
na base da concepção de Thúnnen (1966), que fundamen- 
tou todo um campo teórico sobre hierarquia urbana a que 
se convencionou chamar de teoria dos lugares centrais, como 
será apresentado mais adiante. 

A relação campo-cidade, que também conformaria 
a concepção de microssistema na visão de Wallerstein (1979), 
reflete as trocas que se dão, segundo uma lógica puramente 
mercantil e fechada, em um modelo económico fisiocrata, 
no qual o excedente agrícola é o motor da dinâmica eco- 
nómica e principal fonte de financiamento do conjunto da 
economia. A lógica da economia marginal assume sua de- 
terminação maior na concepção dos anéis concêntricos de 
Thúnnen (1966), em que a distância do mercado é o princi- 
pal fator de organização do território e está na base da 
construção ricardiana da renda fundiária e da distribuição 
do produto social a partir da situação apresentada na pior 
terra 1 . 

Do ponto de vista da configuração da estrutura in- 
terurbana, o Estado isolado conforma o qúe Kayser (1960) 
denomina de semis urbain, isto é, a sementeira urbana, em 
que as cidades nascem e crescem isoladas, com fracas tro- 
cas entre elas. O caráter esporádico das trocas faz com que 
o mercado seja uma entidade temporária e móvel. As fei- 
ras, em muitos casos, constituem o principal elemento de 
ligação entre as cidades, assim como a presença esporádi- 



1 Harvey (1973) recuperou esse modelo em seu clássico trabalho, no qual mostra que a circulação do excedente e a renda fundiária são 
os principais elementos para a segregação socioespacial nas cidades. Mostra também como a distribuição social do rendimento é 
insumo e produto da distribuição espacial da renda em nível intra-urbano. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



23 



ca do príncipe, isto é, do Estado. A metáfora da sementei- 
ra urbana assemelha-se à metáfora económica dos produ- 
tores independentes: o mercado constitui a principal forma 
de socialização dos membros isolados da sociedade, sem 
que tenha existência espaço-temporal fixa e permanente. 
Do ponto de vista da regulação política da economia, sua 
principal expressão está nas normas de controle da pro- 
priedade e das corporações de ofícios, tendo um alcance 
territorial preferencial no nível da escala local 2 . 

A concepção de que a distância do mercado é o prin- 
cipal fator de organização do território - e que esta possi- 
bilitaria uma organização de rede de cidades em círculos 
concêntricos - inspirou a construção da chamada teoria dos 
lugares centrais. 

A segunda forma de configuração das relações en- 
tre cidade e região - sem que com isso exista uma ordem 
determinista - é, da perspectiva espacial, a relação entre 
capital-província, ou capital-interior. Essa relação traduz 
a presença de uma relação hierárquica entre cidades de- 
terminadas pela lógica da extração tributária e pelas ne- 
cessidades da circulação mercantil estabelecidas de forma 
permanente no território. Do ponto de vista conceituai, 
corresponde ao modelo das localidades centrais de 
Christaller (1966), no qual o princípio do mercado em uma 
planície isomórfica (livre-circulação) e com uma distribui- 
ção hexagonal (livre-concorrência) responde pela hierar- 
quia na rede de localidades centrais. Corresponde também 
à concepção de império-mundo de Wallerstein (1979), na 
qual a ordem espacial manifesta as determinações tribu- 
tárias do Estado e a pequena divisão social e territorial do 
trabalho. 

Do ponto de vista da estrutura intra-urbana, a lógi- 
ca tributária e mercantil define localizações privilegiadas 
no território da cidade e as condições de reprodução social 
já espelham essa segregação espacial no que concerne ao 
acesso às redes de infra-estrutura e serviços urbanos, cuja 
lógica responde à dinâmica do sistema urbano como um 
todo e não às necessidades locais. As redes, na lógica do 
próprio modelo de Christaller (1966), já definem os meca- 
nismos básicos de estruturação urbana, e os gastos públicos 
passam a orientar-se para manter e aumentar a arrecadação 
que os alimenta, ganhando dinâmica própria e ampliando a 
presença do controle estatal sobre o tecido urbano. 

Quanto à configuração da estrutura interurbana, a 
relação capital-província manifesta-se na conformação da 



bacia urbana de Kayser (1960), em que os fluxos são orien- 
tados dos núcleos urbanos de menor porte para as capitais 
regionais, de maneira semelhante ao comportamento de 
uma bacia fluvial. Do ponto de vista da dinâmica econó- 
mica, a bacia urbana responde ao comportamento do mer- 
cado do bem dominante na estrutura produtiva regional; 
e quanto à política territorial, os principais mecanismos 
de alocação do gasto público respondem às demandas 
daqueles que detêm o controle dos bens de produção e à 
própria lógica da manutenção /ampliação do aparelho de 
Estado. 

Tal modelo pode ser descrito como mercanti- 
lista, não em seu sentido vulgar, mas como descrito 
por Weber (1899), para quem o alcance da política 
territorial dá-se sobre os mecanismos tributários e de 
alocação do gasto público, buscando definir áreas ca- 
tivas de mercado. A lógica da negociação é regio- 
nalizada, isto é, configura-se em uma estrutura em ar- 
quipélago, cujas negociação e concorrência fazem-se 
para capturar maior parcela dos fundos públicos dis- 
poníveis para cada ilha económica. 

Por fim, a terceira forma expressa-se nas relações 
entre centro-periferia, nas quais a dinâmica espacial está 
condicionada por níveis distintos de introdução do pro- 
gresso técnico e, consequentemente, por diferenciais de 
ganhos de produtividade entre locais distintos no espaço. 
O modelo centro-periferia, que dominou o pensamento 
urbano e regional desde a década de 50 até os anos 70, é o 
modelo básico que procura explicar o comportamento da 
dinâmica urbana e regional, com a formação de estruturas 
hierárquicas e duais, quando o ritmo de desenvolvimento 
é diferenciado em razão da velocidade de introdução do 
progresso técnico. 

No modelo clássico, a explicação das relações in- 
terurbanas, na visão centro-periferia, reside na própria 
rede urbana, caracterizada por uma estrutura em dese- 
quilíbrio: a uma parte industrial consolidada, na qual 
predominam as economias de escala, contrapõem-se ou- 
tras partes menos desenvolvidas, em diferentes estágios. 
A planificação territorial por excelência do modelo cen- 
tro-periferia seria uma forma de compensar os diferen- 
ciais de produtividade, mediante investimentos públi- 
cos em infra-estrutura, incentivos fiscais e creditícios, po- 
dendo, assim, ser vista, em sua essência, como uma polí- 
tica compensatória ex post. 



Embora seja um modelo abstrato, é interessante observar que no Brasil, na escala local, correspondente à administração municipal, as 
principais fontes de recursos próprios das prefeituras são baseadas no controle da propriedade e das corporações de ofício, ou de seus 
formatos mais contemporâneos: o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), cujas taxas incidem sobre a propriedade imobiliária 
urbana, e o Imposto sobre Serviços (ISS), que incide sobre o exercício das atividades dos profissionais autónomos, obedecendo à 
lógica clássica das corporações de ofícios. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



24 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A Tradição da Geografia 
Humana Radical 



Embora não exatamente baseada em relações do 
tipo centro-periferia, mas considerando a configuração re- 
gional e urbana como resultante de processos desequi- 
librantes inerentes à expansão da acumulação capitalista, 
uma linha de análise funda-se dentro do chamado paradigma 
radical da geografia humana. Fundamentada em argumen- 
tos estruturalistas - que questionam a separação entre pro- 
dução e distribuição assumida pelas teorias locacionais, e 
enfatizam aspectos históricos relacionados à constituição 
das cidades e dos conflitos entre os agentes sociais e eco- 
nómicos que disputam o acesso à terra urbana -, essa es- 
cola privilegia o processo de urbanização, ressaltando as 
origens, a natureza e a organização espacial das atividades 
económicas e da sociedade de um dado país ou região. 

Nesse sentido, os estudos urbanos de inspiração 
estruturalista objetivavam proporcionar uma compreen- 
são dá localização, no espaço e no tempo, da economia e 
da população, as formas como estas determinam e são 
determinadas, distribuem e apropriam-se da produção, 
circulação e consumo, necessários à realização da acumu- 
lação de capital numa economia de mercado. 

O foco desses estudos reside, portanto, na dinâmi- 
ca do capitalismo e na estruturação de relações económi- 
cas e sociais, no tempo e no espaço. Ademais, como regis- 
tra Mediei (1988), na concepção desse enfoque não é sufi- 
ciente verificar como tais relações determinam-se no inte- 
rior das cidades. É necessário também verificar como ocor- 
rem as relações de produção e troca entre as cidades 3 . 

Menos interessados, portanto, na configuração de 
redes urbanas e mais nas causas dos desequilíbrios apre- 
sentados entre regiões e centros urbanos, mesmo nos paí- 
ses mais avançados, Castells, Harvey e Lojkine muito con- 
tribuíram para as pesquisas urbanas em dois aspectos si- 
multaneamente: por reconhecerem o severo limite analíti- 
co imposto por modelos baseados no equilíbrio geral {ge- 
neral equilibrium) que caracteriza as interpretações 
neoclássicas; e por perceberem que o desequilíbrio inerente 
à expansão capitalista traz consigo permanente movimento 
gerador de regiões dinâmicas, em contraposição às regi- 
ões estagnadas, encontradas não apenas em países menos 
desenvolvidos. 

Esses estudiosos verificaram que espaços estagna- 
dos são produzidos nos países de tecnologia avançada, e 
não apenas naqueles menos desenvolvidos, o que põe em 



xeque, portanto, os pressupostos neoclássicos sobre está- 
gios de desenvolvimento, assim como aqueles sobre equi- 
líbrio, os quais fundamentam a estrutura urbana thunniana, 
baseada no acesso ao mercado. A concepção de desequi- 
líbrio, bastante desenvolvida por Hirschman (1962) em seu 
clássico trabalho sobre desenvolvimento económico, intro- 
duz a percepção histórica e dinâmica do processo de acu- 
mulação e de produção do espaço em sociedades capita- 
listas, na qual a forma como se articulam os diferentes fa- 
tores de produção para a geração de valor constitui a pista 
para explicar os diferentes estágios de desenvolvimento 
entre cidades, regiões e nações, assim como as relações 
estabelecidas entre elas. 

A configuração das redes urbanas é consequência 
de um dado processo de acumulação, mas passa a ser igual- 
mente determinante ao estabelecer requisitos a esse pro- 
cesso, em novos estágios de expansão caracterizados es- 
pecialmente pela intensidade de capital e tecnologia 
adotados, e pela forma como se dá a relação entre capital e 
trabalho. Esta explicaria os diferenciais de renda e produ- 
tividade, bem como as diversas relações entre cidade e re- 
gião (o desequilíbrio, portanto) que caracterizam a produ- 
ção do espaço em economias de mercado. 

A relação fundamental passa a ser, nessa concep- 
ção, a relação entre capital e trabalho, baseada na inova- 
ção tecnológica e na capacidade de gerar os excedentes 
necessários à intensificação da divisão de trabalho e à ex- 
pansão dos mercados. Como argumenta Harvey (1973), 
as condições para o surgimento das cidades são dadas na 
passagem de modos de organização social igualitários para 
outros redistributivos. Isso porque, como registra Mediei 
(1988), para Harvey a redistribuição envolve um fluxo de 
bens (ou, em alguns casos, o estabelecimento de direitos 
sobre a produção) para sustentar as atividades de uma eli- 
te. Tal redistribuição promove a concentração de exceden- 
tes capazes de propiciar o desenvolvimento de centros 
urbanos. 

A organização social de modo estratificado, base- 
ada numa integração por meio do mercado de troca, cons- 
tituiria, pois, as condições amplas para o desenvolvimen- 
to urbano, aprofundando o grau de mercantilização ca- 
racterístico da urbanização capitalista e o desequilíbrio 
a ele inerente - desenvolvimento e não-desenvolvimen- 
to seriam, desse ponto de vista, duas faces da mesma mo- 
eda. Daí o conceito de cidade defendido por Harvey: for- 
mas criadas e produzidas para mobilização, extração e 
concentração geográfica de quantidades significativas do 
produto excedente socialmente definido. Sendo, então, 
formas concentradoras de valores, são igualmente respon- 
sáveis pela drenagem de valores de outras áreas, portan- 
to, desestruturadoras no conceito defendido por Hirschman 



Nesse sentido, os trabalhos de Castells (1972), Harvey (1973) e Lojkine (1977) são contribuições fundamentais. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



25 



(1962). Ademais, dados os diversos processos históricos 
que originam as relações sociais, as cidades apresentam 
distintos perfis de desenvolvimento, estrutura, ativida- 
de e ocupação. Assim, o entendimento da dinâmica ur- 
bana estaria, necessariamente, associado à compreensão 
da dinâmica do processo de acumulação. Como propõe 
Massey (1977), o desenvolvimento espacial pode apenas 
ser percebido como parte do desenvolvimento geral do 
capitalismo. 

A contribuição dessa corrente veio ampliar o en- 
tendimento do processo de formação dos centros urbanos 
e dos conjuntos que estes constituem, ao articularem as 
relações de produção, troca e de comunicação, propician- 
do, com isso, uma aproximação bastante detalhada da di- 
visão de trabalho e das formas de organização da econo- 
mia e da sociedade. Trata-se, portanto, de valioso instru- 
mento para o planejamento, que objetiva tanto o incremen- 
to da acumulação, quanto a redução das disparidades re- 
sultantes dessa acumulação 4 . 

Em síntese, foi a partir da compreensão do espaço 
não só como o local onde acontecem as ações (função de 
receptáculo), mas, ao mesmo tempo, como o local geográ- 
fico da ação e da possibilidade de engajar-se na ação 
(Lefebvre, 1974), ou como o produto material de uma dada 
formação social (Castells, 1972), que se passou a compre- 
ender a rede urbana como a forma espacial privilegiada 
por meio da qual, no capitalismo, ocorrem a criação, a apropri- 
ação e a circulação do excedente (Corrêa, 1988) 5 ; ou como o 

conjunto funcionalmente articulado de centros hierarquizados e 
suas diferentes manifestações em termos de forças de suas uni- 
dades, constituindo-se uma estrutura territorial onde se dá a cri- 
ação, apropriação e circulação do valor excedente. (Corrêa, 1988, 
p.'U9) 

Apesar de partirem de pressupostos bastante an- 
tagónicos, as duas escolas fornecem elementos de análi- 
se muito poderosos para os estudos de rede urbana. A 
reunião dessas teorias foi um dos desafios abraçados na 
pesquisa. 

Nela, partiu-se da concepção de que o sistema bra- 
sileiro de cidades deveria ser assinalado pelas caracterís- 
ticas funcionais de seus centros urbanos, agrupados em 
diferentes níveis de especialização, porém contrapondo- 
se os resultados obtidos de análises estatísticas quantitati- 
vas com os de análises históricas sobre a expansão da acu- 



mulação de capital em anos recentes. Assim, cabe ainda 
uma última referência aos conceitos de sistema de cida- 
des e de lugares centrais, uma vez que constituem parte 
importante do esforço de análise da organização do espa- 
ço económico brasileiro e, portanto, de classificação da rede 
urbana do país. 



Os Sistemas de Cidades 



A cidade compõe, como já mencionado, um sis- 
tema que integra outro sistema, ou uma rede de cida- 
des, cujo papel é essencial na estruturação e organiza- 
ção do espaço geográfico de uma região. As aglomera- 
ções urbanas mantêm e reforçam laços de 
interdependências tanto entre elas, quanto entre elas e 
as regiões que polarizam dentro de determinado terri- 
tório. A expressão rede urbana é mais usada para evo- 
car os fluxos de toda natureza existentes entre os pon- 
tos desse território. De acordo com Pumain (1992, p. 
623), cada vez mais os geógrafos usam o termo artnature 
urbaine, pois permite traduzir a mesma função de orga- 
nização territorial por meio de fluxos de bens, de pes- 
soas e de informações. Hoje, o conceito de sistema de 
cidades é também muito usado, por dar um sentido di- 
nâmico às redes urbanas, que se transformam devido 
às mutações profundas do sistema produtivo em todas 
as escalas geográficas. 

Característica marcante da estrutura dos sistemas 
de cidades é a organização hierarquizada dos centros 
urbanos, que varia sobretudo em razão do tamanho, da 
qualidade funcional e da extensão da zona de influên- 
cia espacial dessas aglomerações. Assim, os estudos so- 
bre essa forma de organização territorial tornaram-se 
importante destaque no âmbito da geografia, suscitan- 
do um desenvolvimento teórico que foi realmente im- 
pulsionado pela formalização, nos anos 30, da teoria dos 
lugares centrais (Corrêa, 1989). Esse conceito, muito 
debatido, foi completado para a elaboração de uma teo- 
ria sobre a evolução das redes urbanas no espaço e no 
tempo. 



E bastante conhecido o debate a respeito da alegada inconsistência ou antagonismo entre objetivos de eficiência e objetivos de equida- 
de. Tal antagonismo é considerado por essa corrente como uma ocorrência intrínseca ao processo de acumulação capitalista, o que 
inspirou o famoso questionamento de Harvey (1973): "que tipo de geografia para que tipo de política pública?". A escola radical introduz 
o elemento político à pesquisa geográfica, até então determinada pela visão convencional de que a ciência é neutra e apolítica (Johnston, 
1996), além do reconhecimento da importância do Estado na distribuição mais equitativa dos benefícios do desenvolvimento económi- 
co. A esse respeito, ver Johnston (1 996). 

Corrêa está referindo-se ao texto de Harvey (1973). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



26 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A Teoria dos Lugares 
Centrais 



A teoria dos lugares centrais busca explicar a hie- 
rarquia da rede urbana, questionando o tamanho, as fun- 
ções económicas e a localização das cidades num espaço 
dado. Esse problema foi abordado por vários pensadores 
do século XIX (Reynaud, Kohl, Reclus e outros), mas só foi 
formalizado mais recentemente por Christaller (1966) e 
LÒsch (1954). Esses estudiosos notaram que existem aglo- 
merações urbanas de todos os tamanhos, dotadas de fun- 
ções centrais que consistem na produção e na distribuição 
de bens e serviços a um hinterland em relação ao qual o 
centro urbano ocupa posição central. Segundo essa teoria, 
a localização das atividades básicas induz à organização 
de um sistema hierarquizado de cidades. 

Apoiado na concepção de equilíbrio geral, 
Christaller (1966) postulava que: 

• o espaço geográfico apresenta características físicas e 
humanas que lhe conferem uma homogeneidade (do 
quadro físico, da distribuição da população, concorrên- 
cia perfeita entre os produtores etc); 

• os preços são fixos para todos os agentes sociais que 
convergem em direção a um centro elementar; 

• para o consumidor, que sempre apresenta um compor- 
tamento racional, o transporte de um produto tem um 
custo que aumenta proporcionalmente com a distân- 
cia, o que tende a levá-lo a frequentar os pontos de ven- 
da mais próximos; daí, o conceito de limiar de um bem 
ou serviço; 

• o patamar de consolidação de um produto correspon- 
de ao volume mínimo de clientela potencial, que asse- 
gura renda suficiente ao produtor; 

• as economias de escala na produção de bens propici- 
am a algumas cidades condição para concentrar a pro- 
dução a fim de revender em territórios mais ou me- 
nos estendidos 6 . 

Assim, qualquer estabelecimento comercial, indus- 
trial ou de prestação de serviços fornece bens e serviços a 
uma região mais ou menos distante do centro fornecedor, 
o que representa a polarização espacial da aglomeração 
urbana. Desse modo, constitui-se uma hierarquia de cida- 
des, cuja polarização territorial é bastante diferenciada. No 
nível mais baixo, estariam cidades produtoras, basicamen- 
te, de bens e serviços mais procurados pela população para 
sua reprodução social cotidiana. No outro extremo, encon- 
trar-se-iam os centros urbanos maiores, que produzem 



produtos e serviços mais especializados para uma área 
territorial mais extensa. O número de cidades decresce, 
portanto, à medida que se sobe nessa hierarquia, enquan- 
to a variedade e a sofisticação da oferta aumentam. A me- 
trópole seria a aglomeração que oferece a gama mais 
completa de produtos e de serviços não só para seus habi- 
tantes, mas também para uma região de influência mais 
ou menos abrangente (Corrêa, 1989, p. 23). 

A teoria dos lugares centrais foi amplamente apli- 
cada, desde sua utilização original nos anos 20 e 30, no 
sul da Alemanha, pelo próprio Christaller. Desde então, 
variados estudos comprovaram a importância desses 
princípios para explicar a configuração geral das redes 
em várias regiões do mundo. Entretanto, apesar de sua 
validade na verificação da configuração das redes urba- 
nas, os postulados da teoria não escapam a múltiplas crí- 
ticas. A primeira delas é relativa à disposição espacial das 
cidades num território dado, que nunca obedece a uma 
distribuição rigorosamente geométrica. Da mesma ma- 
neira, a distribuição populacional está longe de ser ho- 
mogénea. A região de influência (em termos de exten- 
são geográfica) de um centro urbano é bem menor numa 
região densamente povoada do que numa área pouco 
povoada (exemplo disso são as grandes extensões geo- 
gráficas das regiões de influência de centros urbanos no 
oeste nordestino, por exemplo). Além dessas deforma- 
ções dos modelos espaciais, o entendimento do compor- 
tamento do consumidor, dado como perfeitamente raci- 
onal, é altamente sujeito à crítica. Pesquisas mostram que, 
numa sociedade urbana caracterizada pela crescente 
mobilidade urbana e interurbana (multiplicação dos des- 
locamentos com objetos múltiplos, oferta crescente de 
meios de transporte eficientes etc), o comportamento do 
consumidor é cada vez mais imprevisível. Ademais, a 
teoria dos lugares centrais não leva também em conside- 
ração uma série de serviços especializados, tais como 
serviços às empresas, turismo, defesa, transportes etc, 
muitas vezes considerados como motor do desenvolvi- 
mento regional (Pumain, 1992, p. 631-632). 

Além disso, a ênfase dada nos custos de transpor- 
te, baseada nos pressupostos sobre o papel da acessibili- 
dade na estruturação do espaço de Thúnnen (1966), Weber 
(1899) e Launhants (1885), que estudaram a localização 
ótima considerando-se o custo mínimo, faz com que 
Christaller (1966) e Lõsch (1954) tenham em comum a de- 
fesa da teoria de equilíbrio geral, a pressuposição da con- 
corrência perfeita, a desconsideração da relação entre es- 
paço e tempo nos processos económicos e sociais, e a mon- 
tagem de suas teorias fundamentada em objetivos de 
maximização do lucro e minimização dos custos de tran- 



Para Béguin (1992, p. 501), a conclusão fundamental dos postulados da teoria dos lugares centrais é a de que a existência das cidades 
é justificada pela existência de economias de escala. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



27 



sacão, pressupostos esses pouco eficientes para traduzir a 
dinâmica da expansão de capital. Enfim, ao não reconhe- 
cer a existência das variáveis tempo e espaço, o modelo 
aplica-se ex post, isto é, não apresenta nenhum fator que 
explique o maior desenvolvimento de alguns centros em 
relação aos demais. Por essa razão, buscou-se complemen- 
tar a metodologia aplicada ao presente estudo com uma 
análise histórica dos impactos espaciais da evolução re- 
cente da dinâmica da economia brasileira, ou seja, do pro- 
cesso de produção do espaço, tanto no tocante ao conjun- 
to da economia nacional, como no que tange às 
especificidades regionais. 



A Especialização das 
Cidades 



A especialização das cidades pode ser captada tam- 
bém mediante a leitura de suas funções urbanas numa de- 
terminada divisão territorial de trabalho. A diferenciação 
das cidades por classificação funcional é entendida, assim, 
como uma abordagem complementar à teoria do lugares 
centrais. A teoria de Christaller (1966), como já visto, ba- 
seia-se em funções decorrentes dos serviços destinados à 
população residente na área de influência de determinado 
centro urbano. Portanto, essas atividades representam ape- 
nas uma parte dos empregos e das atividades urbanas. No 
mundo contemporâneo, muitas empresas não trabalham 
para um mercado local. Elas produzem bens ou serviços 
destinados a áreas bem mais abrangentes que o clássico 
hinterland: finanças, transportes, turismo etc, como demons- 
tram, por exemplo, os casos de Seattle e Toulouse, ou mes- 
mo São José dos Campos, no Brasil, pólos aeronáuticos que 
não são necessariamente grandes aglomerações urbanas. Da 
mesma maneira, a projeção regional ou internacional de 
centros turísticos como Cancun, Florença ou Parati não está 
relacionada ao tamanho dessas aglomerações. Isso signifi- 
ca que a diferenciação funcional das cidades, e não apenas 
sua dimensão populacional, é elemento essencial na orga- 
nização espacial de um território. 

Alguns autores classificaram os centros urbanos usan- 
do a terminologia clássica por categorias de atividades eco- 
nómicas. Eles propuseram, assim, distinguir cidades indus- 
triais de cidades terciárias, classificando-as em centros indus- 
triais, mineiros, siderúrgicos, centros turísticos etc. Se tal clas- 
sificação apresenta a vantagem de seguir o recorte geralmen- 
te usado nos censos demográficos, os geógrafos e os econo- 
mistas usaram-na sempre com muita reticência. De fato, uma 
atividade (os transportes, por exemplo) pode aparecer no se- 
tor terciário em alguns países e no secundário em outros, de- 
pendendo da classificação de atividades económicas adota- 



da. Além disso, nessa classificação, não se consideram as di- 
visões internas dos setores, nem o fato de que muitos centros 
urbanos, especialmente os de maior porte, não podem ser 
considerados especializados em uma determinada função, 
desempenhando, ao contrário, papel multifuncional na divi- 
são territorial de trabalho de uma dada formação 
socioeconómica. Essa parece ser a realidade da grande maio- 
ria dos centros urbanos brasileiros pesquisados. 

Pode-se, também, destacar o caráter pouco dinâ- 
mico das classificações funcionais tradicionais, dado que 
a especialização funcional de uma região pode ser pro- 
fundamente transformada em alguns anos. Assim, duran- 
te uma crise económica, uma região pode sofrer uma 
reconversão económica ao ponto de desenvolver ativida- 
des que rompem radicalmente com as do passado. É o caso 
dos espaços de industrialização mais antiga nas monta- 
nhas europeias, por exemplo, que sofreram profunda cri- 
se depois do fechamento das indústrias têxteis e metalúr- 
gicas, mas apresentaram capacidade de reconversão bem- 
sucedida em atividades turísticas e de lazer (Alpes france- 
ses, em particular). De outro lado, a evolução da micro- 
eletrônica e das tecnologias de informação propiciou a 
emergência, a partir dos anos 70, de novas atividades e 
formas de organização da produção, e com elas a produ- 
ção de novas regiões de grande dinamismo. O outro lado 
da mesma moeda é traduzido pela decadência de cidades 
cuja economia estava assentada em atividades que foram 
tornadas redundantes, como é o caso, por exemplo, das 
antigas áreas da indústria metalúrgica e de mineração de 
carvão no Reino Unido. 

Se, como defende Pumain (1992, p. 634), é a valori- 
zação desigual de algumas inovações que cria especiali- 
zações, então a especialização de determinada cidade exi- 
ge a aptidão dos atores urbanos em valorizar constante- 
mente suas vantagens comparativas naturais (cidade por- 
tuária, amenidades naturais excepcionais, existência de 
jazida mineral etc), ou produzidas (mão-de-obra qualifi- 
cada, qualidade das infra-estruturas etc). Manter a posi- 
ção dentro da hierarquia urbana requer, portanto, capaci- 
dade de inovação. Assim, as funções económicas, que de- 
correm cada vez mais da capacidade de inovar, permitem 
apontar classificações elaboradas com base no nível de 
desenvolvimento económico e nas estruturas mais ou me- 
nos complexas dos centros urbanos. 

As Relações entre Cidade e 
Região 



A rede urbana pode ser também abordada do pris- 
ma das relações entre cidade e região, como proposto pe- 
las análises neoclássicas, conforme apresentado anterior- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



28 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



mente. Esse tema impulsionou uma produção científica 
importante nos anos 60, em particular na França, onde a 
chamada Escola da Geografia Ativa, de inspiração crítica 
ao modelo neoclássico, desenvolvia seus estudos num con- 
texto de busca de reorganização geral do território francês 
em torno de novos pólos metropolitanos. Essa abordagem 
pode ser considerada como o prolongamento e a transfor- 
mação dinâmica da temática tradicional das relações en- 
tre cidade e campo numa época marcada por mutações 
profundas do sistema produtivo e pela transformação da 
sociedade rural numa sociedade urbana. 

Os geógrafos passaram, então, a analisar as rela- 
ções existentes entre uma grande cidade, os centros urba- 
nos de menor porte e as zonas rurais, para demonstrar que, 
tanto no tempo como no espaço, as relações entre cidade e 
região são, histórica e geograficamente, muito diferencia- 
das. Apesar dessa diversidade, George (1964) tentou defi- 
nir a organização territorial com base nas relações entre as 
aglomerações urbanas e suas áreas de influências. Corrêa 
(1989, p. 40-46) apresenta excelente síntese da abordagem 
utilizada por George, como segue: 

• a atração exercida sobre a população regional pelo centro 
urbano dominante traduz-se pela existência de dois tipos 
de fluxos humanos: a migração campo-cidade, que tem 
origens (sobre produtividade agrícola, catástrofes naturais, 
guerras etc), modalidades (primeira migração para um 
pequeno centro urbano ou direta para uma grande aglo- 
meração) e consequências (em razão do nível de desen- 
volvimento económico etc.) múltiplas; as migrações 
pendulares ou alternantes, que levam, diariamente, 
commuters das periferias expandidas das grandes metró- 
poles para os centros de emprego nos núcleos metropoli- 
tanos. Essas migrações mudaram muito nos últimos anos, 
em virtude das novas formas de urbanização já descritas, 
da reorganização dos circuitos tradicionais de distribui- 
ção comercial, da generalização do uso do carro individu- 
al nas classes médias etc, e no caso brasileiro, em conse- 
quência da multiplicação das aglomerações não-metropo- 
litanas, as quais também apresentam tais movimentos; 

• a comercialização pela cidade de produtos rurais deve ser 
também levada em consideração, mediante a análise de 
todas as transações comerciais, sobretudo no que se refere 
à natureza dos bens envolvidos (produtos agrícolas, mi- 
nerais, artesanais etc.) e aos agentes participantes do pro- 
cesso de comercialização (empresas de transporte, coope- 
rativas, atacadistas; supermercados, varejistas etc); 

• a drenagem da renda fundiária pela cidade - pela sua 
importância socioeconómica e política para a vida re- 
gional - também deve ser considerada nos estudos so- 
bre redes urbanas, em particular as análises baseadas 
na teoria dos lugares centrais. É importante ressaltar a 



existência de grupos de proprietários fundiários que 
drenam nas cidades os benefícios de atividades rurais, 
assim como a capacidade da renda fundiária de dina- 
mizar, por meio de investimentos, o desenvolvimento 
económico de toda uma região; 

• a expansão do fenómeno metropolitano - e suas 
deseconomias de aglomeração - propicia a distribui- 
ção de empregos mediante investimentos públicos e pri- 
vados, em áreas periurbanas, cidades médias e, mes- 
mo, em áreas rurais. Esses investimentos são de natu- 
reza múltipla: deslocamentos de grandes fábricas para 
regiões rurais; desenvolvimento de pólos tecnológicos 
ou turísticos; grandes equipamentos públicos (aeropor- 
tos internacionais, estádios etc); revalorização de um 
patrimônio histórico etc. Todas essas intervenções ge- 
ram novas atividades, empregos e contribuem, assim, 
para a reorganização do território. O grande centro ur- 
bano, pari passu seu próprio crescimento, tem, pois, po- 
der de difusão do desenvolvimento regional; 

• a intensidade da circulação e a distribuição dos produ- 
tos e dos serviços determinam, em parte, o nível de 
integração regional. As cidades tornam-se núcleos de 
distribuição de bens e produtos, que devem ser analisa- 
dos por estudos sobre os fluxos e agentes envolvidos, a 
organização logística, as redes de comercialização etc. 

Nesse sentido, a abordagem cidade-região parece 
ser complementar à teoria dos lugares centrais. Mas, ape- 
sar da inclusão de parâmetros mais dinâmicos, que ajus- 
tam essa teoria às constantes mutações espaciais regionais, 
ela ainda apresenta lacunas que não lhe permitem, isola- 
damente, definir as dimensões de um verdadeiro modelo 
de rede urbana. 



Dinâmicas Recentes dos 
Sistemas de Cidades 



Como a pesquisa objetivava não só caracterizar a 
rede urbana brasileira, mas também verificar suas tendên- 
cias, fez-se necessário um esforço de entendimento dos 
processos geradores de dinâmicas económicas recentes, 
capazes de alterar a distribuição da população e do em- 
prego no território, e, portanto, da configuração da rede 
urbana estudada. Desse modo, um breve panorama des- 
ses processos recentes havia de ser efetuado. E o que se 
faz a seguir. 

Até a revolução industrial, o emprego em ativida- 
des especializadas 7 destacava basicamente o comércio ata- 



7 Esse termo è usado para diferenciar emprego em atividades mais comuns ou simples daquele em atividades complexas e intelectual- 
mente mais exigentes. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



29 



cadista, as funções de abastecimento (em particular, o abas- 
tecimento alimentar) e a administração da região. A indus- 
trialização permitiu alargar o horizonte económico das ci- 
dades, graças às economias de escala, que permitiram abas- 
tecer mercados cada vez mais distantes. Ao mesmo tem- 
po, cresceu o emprego, nos diversos ramos do setor 
terciário, em especial nos serviços às empresas. 

Com o surgimento da indústria, a rede urbana dos 
diferentes países foi profundamente alterada, assim como 
a organização de seus territórios (crescimento de centros 
urbanos existentes, multiplicação do número das cidades 
etc). A evolução da sociedade industrial rumo a uma or- 
ganização intitulada/ontóta, no pós-guerra (Segunda Guer- 
ra Mundial), fundada na hegemonia da grande empresa 
industrial, produzindo em massa para consumo em mas- 
sa, estabeleceu estratégias socioeconómicas que lhe per- 
mitiram (à grande empresa) um papel relevante na orga- 
nização do território tanto nos países desenvolvidos, quan- 
to nos demais, constituindo-se o que se convencionou cha- 
mar de nova divisão internacional de trabalho (Lipietz, 1987). 
Essa fase de desenvolvimento impulsionou a emergência 
das metrópoles, que, a partir de então, reforçam seu poder 
de decisão e sua participação nas economias nacionais e 
nos circuitos económicos internacionalizados. Mas, a par- 
tir dos anos 70, mutações conjunturais e estruturais na eco- 
nomia mundial levam a novas transformações no padrão 
da urbanização. 

Desde então, os países industrializados vêm pas- 
sando, simultaneamente, por profunda reestruturação de 
suas bases produtivas e sociais, e por radical transforma- 
ção da natureza, dos atores e dos lugares do crescimento 
económico, a qual tem repercutido, por sua vez, em seus 
vizinhos menos desenvolvidos. A abertura dos mercados 
domésticos e a flexibilização da regulação ao movimento 
de capitais internacionais causaram, nos países menos 
desenvolvidos, grande impacto na organização territorial 
da produção, dadas as transformações decorrentes da cri- 
se do padrão fordista nos países centrais. 

As indústrias que foram os motores desse padrão 
(indústrias automobilística e metalúrgica, em particular) 
passam por grandes reestruturações para manter, ou re- 
cuperar, seu nível de rentabilidade (a partir do esgotamento 
progressivo dos mercados nos países centrais, assim como 
das fontes dos ganhos de produtividade), enquanto de- 
senvolvem-se indústrias de alta tecnologia, associadas à 
emergência de um novo paradigma produtivo baseado na 
flexibilização da produção e das relações de trabalho. Ino- 
vações atingem também o setor terciário, que, a exemplo 
dos demais setores da economia, sofrem mutações relaci- 
onadas ao uso generalizado da informática e do grande 
desenvolvimento das tecnologias de comunicação. 

Essas transformações não poderiam deixar de cau- 
sar mudanças significativas não só no padrão de acumu- 



lação, como também na organização da produção no es- 
paço, influenciando a organização da hierarquia urbana. 
Alguns grandes centros industriais tradicionais entram em 
declínio, como já mencionado, levando consigo sua região 
de influência, apesar de algumas reconversões bem-suce- 
didas, igualmente já citadas. Paralelamente, ao se reduzi- 
rem as restrições à localização de atividades, novas loca- 
ções são consideradas vantajosas, induzindo certa 
desconcentração do investimento e do emprego. Passa a 
ocorrer, assim, um movimento contraditório: há uma ten- 
dência à reconcentração espacial, particularmente ligada 
aos imperativos da acumulação financeira internacional, 
à organização de alguns setores industriais e à qualidade 
dos mercados do trabalho, como demonstra a participa- 
ção da metrópole de São Paulo no conjunto das ativida- 
des económicas do estado e do país, ou seja, verifica-se 
que a aglomeração espacial ainda apresenta vantagens, ao 
reduzir custos de transações e ao aumentar externalidades 
positivas. Nesse sentido, no tocante à atividade produti- 
va, verifica-se que a grande metrópole ainda exerce fator 
de atração de novos e modernos investimentos, como de- 
monstram os pólos de alta tecnologia em torno de Los 
Angeles (Manzagol, 1992) e mesmo a participação de São 
Paulo no conjunto de atividades de maior intensidade de 
tecnologia do país. Ao mesmo tempo, verifica-se, também, 
o desenvolvimento rápido de centros urbanos intermedi- 
ários, cujo crescimento está cada vez mais relacionado aos 
circuitos do capitalismo mundial, como, por exemplo, as 
cidades da chamada Terceira Itália, assim como as novas 
áreas de atração industrial no estado do Paraná, além de 
diversos centros médios brasileiros, cujo crescimento está 
acima da média nacional. 

Nesse caso, o responsável pela difusão do cresci- 
mento não é mais a empresa, mas o tecido produtivo e 
gerencial. Enfim, novas estratégias de gerenciamento da 
produção (como a terceirização, o just-in-time, dentre ou- 
tros novos conceitos), ao lado da aplicação de novas 
tecnologias de produção e comunicação, permitiram o cres- 
cimento de cidades localizadas num raio de 50 a 150 qui- 
lómetros dos grandes centros metropolitanos, como Cam- 
pinas, no entorno de São Paulo, ou Toyota, no Japão 
(Manzagol, 1992). 



A Emergência de uma Nova 
Hierarquia Urbana 



Parte das críticas feitas às abordagens tradicionais 
nos estudos de rede urbana decorre da defasagem históri- 
ca das teorias num contexto caracterizado por mutações 
significativas nos processos de produção ocorridas nos 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



30| 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



últimos 30 anos. A redução dos custos de transportes, que 
se tornaram hoje pouco significativos para alguns ramos 
industriais produtores de bens de alto valor agregado ou 
tecnológico, as facilidades crescentes na área das teleco- 
municações, as condições cada vez melhores para mobili- 
dade das pessoas, a generalização de serviços, equipamen- 
tos e comércio, antes reservados às grandes cidades, e a 
explosão dos serviços de alto nível prestados às empresas 
são alguns dos fatores que contribuíram para as mudan- 
ças processadas na organização das redes urbanas 
(Mérenne e Schoumaker, 1996). 

A hierarquia urbana inscreve-se, cada vez mais, 
num contexto económico internacional que transforma a 
natureza das relações entre as cidades e seus hinterlands, 
entre as cidades de mesmo nível e entre os centros urba- 
nos de diferentes categorias. A estrutura da rede urbana 
aparece menos piramidal devido à importância das rela- 
ções de complementaridade e às sinergias que se desen- 
volvem entre aglomerações urbanas de mesmo nível. Es- 
sas sinergias podem até tornar-se, em alguns casos, mais 
significativas que as relações tradicionais entre os centros 
das aglomerações urbanas e suas periferias 8 . 

O fato mais relevante que se pode notar é certamen- 
te a intensificação das relações entre centros urbanos de 
mesmo nível, que, em alguns setores económicos, mono- 
polizam a quase totalidade dos fluxos. Se as relações verti- 
cais centro-periferia persistem em todos os níveis urba- 
nos e no mundo em desenvolvimento em geral, as rela- 
ções horizontais não param de crescer nas regiões integra- 
das aos fluxos financeiros e de produção globalizados. O 
progresso dos transportes e das comunicações, assim como 
a redução de instrumentos reguladores do fluxo de capi- 
tais e a prática da oferta de benefícios fiscais e financeiros 
aos grandes empreendimentos permitiram às cidades in- 
termediárias implementar novas estratégias de desenvol- 
vimento, fora do esquema clássico centro-periferia. 

No caso da União Europeia, são os fluxos de bens, 
informações e pessoas entre centros metropolitanos mé- 
dios, como Barcelona, Munique ou Toulouse, que crescem 
mais regularmente, desde os anos 80. Toulouse, por exem- 
plo, então uma região pouco dinâmica, passa por um pro- 
cesso de desenvolvimento acelerado. Veltz (1997, p. 61) 
releva que são os fluxos entre as capitais os que mais rapi- 
damente crescem na Europa. No caso brasileiro, por não 
se dispor de dados de fluxo, tal afirmação é de difícil apli- 
cação, mas pode-se considerar plausível que as capitais 
estaduais tenham fortalecido suas interações, especialmen- 
te em associação à centralização de capitais ocorrida nos 



diferentes setores de atividade económica, desde a implan- 
tação do Plano Real. 

O conteúdo dessas relações horizontais variam, 
geralmente, em razão dos níveis urbanos considerados, 
das funções que os centros urbanos exercem na rede de 
cidades, do nível de renda que apresentam, bem como da 
inserção que propiciam no mercado doméstico ou no mer- 
cado internacional. Camagni (1992, p. 42) afirma que para 
as metrópoles de segundo e terceiro níveis prevalecem re- 
lações de complementaridade e de mercado (cidades da 
Terceira Itália, por exemplo), já na rede das metrópoles in- 
ternacionais predominam os fluxos de informação, em 
particular os fluxos de informação financeira. Assim, se 
vários segmentos das classes médias e alta da população 
nacional e parte considerável das firmas localizadas em 
centros como São Paulo, Buenos Aires ou Bangcoc articu- 
lam-se entre si e com os pólos de comando da economia 
mundial, em contrapartida, particularmente no caso de 
países em desenvolvimento, verifica-se que vários segmen- 
tos das classes de menor poder aquisitivo da população e 
parte considerável das firmas desses mesmos centros ou 
de cidades médias apresentam-se mais articuladas com 
seus hinterlands imediatos, ou com outros centros dinâmi- 
cos das economias nacionais. 

Entre os diferentes níveis urbanos, as relações tra- 
dicionais de hierarquia dos mercados do centro para a 
periferia permanecem; e também se pode notar a multipli- 
cação dos fluxos de bens e serviços de alto nível das redes 
urbanas inferiores em direção às redes urbanas superio- 
res. Esse processo é uma das consequências dos novos pa- 
drões de localização das atividades produtivas em geral e, 
em particular, das atividades terciárias. Mesmo se a proxi- 
midade física representa fator essencial na localização dos 
serviços, como ressalta Castells (1972), as mutações que 
ocorrem nas áreas de transportes e comunicações permi- 
tem a relocalização dos serviços em áreas mais ou menos 
distantes dos grandes centros urbanos. Essa tendência é 
setorialmente determinada, tendo-se maior importância no 
caso dos setores chamados bnck offices, que produzem ser- 
viços transmitidos aos usuários por telecomunicações e, 
assim, podem dispensar interações pessoais frequentes, 
mesmo que inseridos no conjunto de articulações 
interindustriais de determinada cadeia produtiva. Portan- 
to, são serviços que exigem mão-de-obra qualificada, mas 
que podem estabelecer-se em localidades de terrenos e sa- 
lários mais baratos, na periferia dos grandes centros urba- 
nos (ou mesmo em pequenas cidades de zonas rurais, no 
caso de países mais desenvolvidos e de menor dimensão 



Para Camagni (1992, p. 42), o número de níveis de cidades diminui: de sete a nove níveis propostos pelas abordagens tradicionais, cai 
para três nos estudos que consideram as mutações atuais nos padrões de urbanização. Para esse autor, há a rede das metrópoles 
internacionais, a rede das aglomerações nacionais especializadas e a rede das cidades regionais especializadas. Vale aqui registrar, no 
entanto, que não se pode afirmar que as interações que constituem redes de cidades de diferentes níveis foram substituídas por redes 
horizontais formadas por cidades de mesmo nível. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



31 



territorial, como se pode observar no Sudeste da Inglater- 
ra, na região parisiense e outras). Paralelamente, os servi- 
ços de alto nível prestados às empresas tendem a ficar re- 
lativamente concentrados nas grandes metrópoles, em vir- 
tude de suas restrições na localização, que supõe intensi- 
dade de interações interpessoais, redes de transportes e 
comunicações eficientes (sistemas de comunicação por sa- 
télites e por fibras éticas, modos mais velozes e regulares 
de transporte, redução de taxas de frete, implantação da 
conteinerização etc), e um ambiente favorável à inovação, 
ao conhecimento especializado e às atividades culturais e 
de lazer mais sofisticadas. 

Deve-se, por fim, salientar que os fluxos verticais 
entre centros urbanos de diferentes níveis são também ali- 
mentados pela intervenção do Estado, por meio do em- 
prego público, dos investimentos em infra-estruturas di- 
versas, dos circuitos de previdência social etc. Essas ações, 
de importância fundamental para o entendimento da 
territorialidade da economia e da rede urbana brasileira, 
objetivam compensar a desconexão crescente entre os pó- 
los metropolitanos, ou as ilhas de dinamismo, assim chama- 
das na pesquisa, e as regiões menos dinâmicas, podendo 
ou não conter intenções de redução de disparidades de 
renda e produtividade decorrentes de tal desconexão. Uma 
vez que desde o desencadeamento da crise do regime 
fordista tem sido observado crescimento das desigualda- 
des regionais, tanto entre os países mais desenvolvidos e 
os em desenvolvimento, quanto entre diferentes regiões 
infranacionais, mesmo nos primeiros, preocupações de que 
tais disparidades podem aumentar e atingir metrópoles 
mundiais, economicamente mais dinâmicas, têm estimu- 
lado investigações de questões dessa natureza, sobretudo 
no tocante aos estudos e à gestão de redes urbanas. 

Se em países menos desenvolvidos não é dada ne- 
cessária atenção aos efeitos das disparidades infranacio- 
nais, nos países europeus, em contrapartida, verifica-se 
grande preocupação, que se reflete na formação de cres- 
centes fluxos de solidariedade interterritorial, na institui- 
ção de fundos públicos para reduzir os desequilíbrios re- 
gionais e na destinação de significativo volume de recur- 
sos à gestão do território. Esses instrumentos, que forne- 
cem condições para reduzir a heterogeneidade territorial, 
não estão livres de resistência, mesmo entre os países eu- 
ropeus. Parte da população das regiões mais avançadas 
(como Milão, na Itália, por exemplo) não aceita ter de ar- 
car com os custos do desenvolvimento das zonas mais 
pobres de seus países, tendência também observada no 
Brasil em estados do centro-sul. Essa questão é, no entan- 
to, de vital importância para o desenvolvimento nacional 
e para o fortalecimento da Federação brasileira, devendo 
suscitar debates amplos, uma vez que revela não apenas a 
ausência de solidariedade entre as regiões (base de uma 
Nação ou de uma Federação), mas também a dissociação 



crescente entre o espaço produzido pelas grandes firmas 
(geralmente, os pólos de crescimento metropolitanos e as 
mencionadas ilhas de prosperidade) e a reduzida regulação 
de estratégias corporativas que caracteriza cada vez mais 
o processo de mundialização. 

Esse processo de mundialização não implica, entre- 
tanto, que deixe de existir uma estrutura hierarquizada de 
relações e articulações entre os diversos centros dentro do 
território nacional, mas que essas relações estão cada vez 
mais mediadas por novos determinantes, dentre os quais 
o fato de que o espaço passa, a cada dia, a ceder lugar ao 
tempo nas diversas articulações e conexões existentes. 
Como defende Harvey (1989), parafraseando Marx, esta- 
ria havendo uma nova rodada de aniquilação do espaço 
pelo tempo, que sempre esteve no centro da dinâmica ca- 
pitalista. O sistema globalizado contemporâneo de pro- 
dução e, mais ainda, a mundialização dos fluxos financei- 
ros - e com ela a determinação desses sobre as estruturas 
produtivas das nações, propiciada pelas reformas dos Es- 
tados nacionais - tornaram-se possíveis graças à implan- 
tação progressiva de tecnologias de comunicação e trans- 
porte sofisticadas, que viabilizam a movimentação finan- 
ceira instantânea e em escala mundial, a operação simul- 
tânea, por grandes corporações, de plantas industriais em 
distintos locais e países, com custos financeiros, condições 
de venda e utilização de insumos vantajosos à ampliação 
das taxas de acumulação. Da mesma forma, esses avanços 
tecnológicos têm propiciado à indústria de produção de 
imagem a massificação da informação e a veiculação de 
ideias e costumes em escala planetária, por meio da comu- 
nicação de massa (em especial, pela televisão), associada à 
comunicação por satélites, viabilizando meios para ampliar 
os mercados e a acumulação. 

Mas, alerta o autor, a redução de barreiras espaciais 
não implica o decréscimo da significação do espaço. Ao con- 
trário, o aumento da competição em condições de crise coa- 
giu os capitalistas a darem grande importância às vanta- 
gens locacionais relativas, precisamente porque a diminui- 
ção de barreiras espaciais permite às grandes corporações 
poder explorar minúsculas diferenciações espaciais. Assim, 
embora o controle do trabalho seja sempre central, há mui- 
tos outros aspectos da organização geográfica que assumi- 
ram nova proeminência. Isso significa que 

a diminuição de barreiras espaciais resulta na reafirmação e 
realinhamento hierárquicos no interior do que é hoje um sistema 
urbano global. A disponibilidade local de recursos materiais de 
qualidades especiais, ou mesmo a custos marginalmente inferio- 
res, começa a assumir crescente importância. (...) As diferenças 
locais de capacidade de empreendimento, capital para associa- 
ções, conhecimento técnico e científico e de atitudes sociais tam- 
bém contam, enquanto redes locais de influência e de poder e as 
estratégias de acumulação das elites dirigentes locais (em oposi- 
ção àspolíticas do Estado-nação) também se tornam implicadas 
de maneira mais profunda no regime de acumulação flexível. 
(Harvey, 1989, p. 266) 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



. 32 l 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Mas Harvey (1989) também lembra que se há mai- 
or sensibilidade às qualidades espacialmente diferencia- 
das que compõem a geografia do mundo, é igualmente 
possível que espaços específicos sejam alterados de modo 
a torná-los mais atraentes para o capital. 

Assim, as qualidades do lugar passam a ser enfatizadas em meio 
às crescentes abstrações do espaço. A produção ativa [em 
contraposição à simples exploração de vantagens naturais] de 
lugares dotados de qualidades especiais se torna um importante 
trunfo na competição espacial entre localidades, cidades, regi- 
ões e nações. (Harvey, 1989, p. 266) 

Desse modo, quanto menor a importância das bar- 
reiras espaciais, tanto maior a sensibilidade do capital às 
variações do lugar e tanto maior o incentivo para que os 
lugares se diferenciem de maneiras alternativas, em favor 
do processo de reprodução e ampliação do capital. 

Um novo quadro conceituai, por conseguinte, está 
em gestação, em vista das mutações recentes ocorridas no 
processo produtivo em escala mundial, na expansão dos 
fluxos financeiros e na desregulamentação da relação en- 
tre capital e trabalho, o que tem repercussões objetivas no 
processo de urbanização. Nesse contexto, há na literatura 
a emergência de um novo conceito de redes, ou sistemas 
de cidades, que pretende traduzir as novas interações exis- 
tentes entre as cidades e a importância crescente da noção 
de circulação entre os centros de dinamismo. Essa aborda- 
gem evidencia o progresso dos transportes e das teleco- 
municações numa época caracterizada pela importância 
das circulações dos bens, das pessoas e, cada vez mais, 
das informações. Ou seja, o poder de difusão da inovação 
representa fator essencial na dinâmica dos sistemas de ci- 
dades, o que introduz nova dimensão - especialmente a 
dimensão virtual que a telemática propicia - ao estudo das 
relações entre os centros urbanos, antes desenvolvido com 
base apenas em fluxos e interações física e territorialmente 
mais definidas. 

Esses novos fenómenos provocam, segundo 
Mérenne e Schoumaker (1996, p. 51), três mutações signi- 
ficativas: 

• hierarquização dos centros urbanos de níveis interme- 
diários, devido ao crescimento regular das relações ho- 
rizontais entre eles, que tem como consequência maior 
a especialização crescente das cidades intermediárias; 

• permanência e/ou reforço das polarizações nacionais 
tradicionais, uma vez que são as grandes capitais as ci- 
dades que mais se beneficiam do processo de 
mundialização da economia 9 ; e 

• emergência de metrópoles internacionais e de algumas 
cidades mundiais, que podem ser definidas como cida- 
des que participam plenamente das redes económicas, 



científicas e culturais supranacionais, graças à existên- 
cia de serviços financeiros sofisticados, serviços de gran- 
de intensidade de conhecimento, grandes laboratórios 
de pesquisa, equipamentos culturais e de organização 
de congressos e feiras internacionais etc. Essa rede me- 
tropolitana incluiria, para muitos estudiosos, além das 
grandes cidades europeias, japonesas e norte-america- 
nas, os centros urbanos mais dinâmicos dos países em 
desenvolvimento, tais como: São Paulo, Cidade do 
México e Seul, dentre outras. Por outro lado, segundo 
Sassen (1994), a rede das cidades mundiais limita-se a 
Nova Iorque, Londres e Tóquio. Nessas três cidades, 
que têm o mundo por hinterland, registram-se, todos os 
dias, dois terços das transações financeiras mundiais. 
Vale lembrar que essas mudanças provocam alte- 
rações na morfologia das redes de cidades. Se a organiza- 
ção tradicional em formato de teia de aranha é ainda uma 
realidade na maior parte do mundo em desenvolvimento, 
nos países industrializados as redes já apresentam um 
desenho em forma de estrelas. Esse modelo é a represen- 
tação espacial dos maiores fluxos de bens, pessoas e de 
informações entre as grandes cidades que atravessam es- 
paços intersticiais - de abrangência até internacional -, 
mostrando-se incapazes de captar aqueles fluxos impul- 
sionadores do crescimento económico, mesmo que parci- 
almente. Sugere-se, aqui, um efeito túnel, que produz zo- 
nas de exclusão no espaço entre os centros urbanos mais 
dinâmicos* 

Assim, as referências metodológicas dos estudos 
de rede urbana não apenas são amplas, tendo inspirado 
numerosas contribuições à medida que cresce a importân- 
cia da urbanização para o processo de acumulação, mas 
também têm passado por sucessivas revisões importan- 
tes, dadas as transformações recentes ocorridas no proces- 
so produtivo e nas bases tecnológicas, as quais propiciam 
as interações entre os centros urbanos em escala mundial. 
Portanto, apesar do longo caminho percorrido pe- 
los estudiosos da urbanização e da rede urbana, bem como 
das importantes diferenças que marcam as abordagens 
apresentadas, considera-se possível e necessária, para o 
entendimento da configuração e da dinâmica da rede ur- 
bana do Brasil, a reunião de instrumentos de interpreta- 
ção de diferentes correntes teóricas. 

Neste trabalho, adotou-se o seguinte procedimen- 
to: de um lado, realizou-se uma análise histórica com o 
objetivo de identificar os processos relevantes que têm 
marcado a economia e o perfil da rede urbana do Brasil, 
nos planos regional e nacional; de outro lado, fez-se uso 
de informações sobre as diferenças entre cidades segundo 
suas funções, dimensões, relação entre tamanho demográ- 



Segundo os autores, 30 anos depois da tentativa de implementar pólos de equilíbrio territorial na França, o peso de Paris na economia 
francesa aumentou. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Bases Teóricas dos Estudos Regionais 



I 



33 



fico e desenvolvimento, posição na hierarquia urbana e 
relações entre cidade e região (em contraposição à relação 
mais tradicional entre cidade e campo). Com esse proce- 
dimento, buscou-se detalhar os marcos mais gerais dos flu- 
xos económicos que articulam os diversos centros urba- 
nos, sem perder de vista- as determinações históricas, as 
características particulares existentes na formação socio- 
económica estudada, bem como a perspectiva histórica que 
articula o espaço ao tempo e incorpora evidências de trans- 
formações recentes para o entendimento das relações en- 
tre os centros. 

Nesse sentido, este trabalho pressupõe a existência 
de distintas estruturas produtivas regionais, muitas das 
quais especializadas ou articuladas a alguns poucos setores 
dinâmicos. Adota-se também, como pressuposto central, a 
forte heterogeneidade económica e espacial existente entre 
as grandes regiões brasileiras. Esses pressupostos estão mais 
ligados às teorias que buscam explicar os desequilíbrios re- 
gionais, na linha de Myrdal (1968), do que às teorias de hie- 
rarquia funcional, de lugares centrais, ou de pólos de de- 
senvolvimento 10 . Entretanto, pelo menos parte do arcabouço 
proposto pelas teorias locacionais ainda pode contribuir de 
forma substantiva para a caracterização da rede urbana bra- 
sileira. A classificação de cidades reflete a divisão territorial 
do trabalho expressa nos papéis (ou funções) que cada ci- 
dade cumpre no processo de acumulação, estando aí man- 
tidos os pressupostos das teorias de localização, ao incor- 
porar os métodos de verificação de função e centralidade 
na definição da classificação de cidades. 

Além disso, apesar das transformações recentes 
por que tem passado a rede urbana brasileira, incluindo- 
se a possibilidade de interações horizontais ampliadas, 
articulando os grandes centros urbanos do país, bem 
como a existência de cidades mundiais em seu território, 
ainda existem no país amplos espaços em que é inegável 
a determinação de relações tradicionais de articulação e 
hierarquização dos diversos centros, notadamente em re- 
giões ou áreas menos dinâmicas ou despreparadas para 
localizar novas atividades produtivas, onde a atividade 
económica é comandada por setores tradicionais e a ren- 
da gerada é relativamente reduzida. Verifica-se, assim, 



que se mantém a correlação positiva entre renda e densi- 
dade da rede urbana, e que o processo de integração na 
economia mundial tende a intensificar não só a hetero- 
geneidade mencionada, mas também o crescimento da 
renda dos espaços ou centros urbanos mais competiti- 
vos e a exclusão dos centros e espaços menos vantajosos. 
Com efeito, o Brasil deve continuar apresentando redes 
urbanas de configurações bastante diferenciadas, de re- 
gião para região do país, diferenças essas que, não de 
hoje, vêm inspirando estudiosos preocupados com as 
relações entre o subdesenvolvimento e a configuração da 
rede urbana 11 . 

E incontestável também o fato de serviços e equi- 
pamentos de uso coletivo, principalmente aqueles mais 
sofisticados, não estarem homogeneamente distribuídos 
pelo território, tampouco foram universalizados nos di- 
versos centros urbanos. Sua localização no território obe- 
dece a princípios de centralidade, cujo reconhecimento pos- 
sibilitou o uso de trabalhos como o Regiões de influência das 
cidades (Regic), realizado pelo IBGE, o qual forneceu vali- 
osas contribuições, baseadas na tradição neoclássica, para 
o entendimento da articulação entre os diversos centros 
urbanos brasileiros e a hierarquia de relações existentes, 
subsidiando a elaboração da classificação da rede urbana 
do Brasil, no âmbito deste estudo. Outros recursos tam- 
bém utilizados nessa tradição neoclássica foram a análise 
de agrupamento, as correlações multivariadas e a análise 
discriminante dos indicadores usados para a classificação 
dos centros urbanos. 

Por fim, em que pese o fato de este trabalho ter sido 
ancorado em pressupostos distintos, não se aplicou ne- 
nhum modelo teórico rígido para o entendimento da rea- 
lidade brasileira. Ao contrário, uma vez revisada a tradi- 
ção teórica de estudos sobre a rede urbana, fez-se um tra- 
balho empírico baseado na identificação da dinâmica da 
economia brasileira, no conjunto e por grandes regiões do 
país, mediante a construção de diversos grupos de indica- 
dores, complementados com informações qualitativas so- 
bre as distintas realidades urbanas e regionais brasileiras, 
para compor os argumentos e explicações dos processos 
espaciais encontrados. 



10 Sobre esse debate, ver Pacheco (1996). 

11 Corrêa (1988), baseando-se no conceito de redes dendríticas (que se caracterizam por sua origem colonial, originadas de uma cidade 
estratégica e localizada excentricamente ao conjunto que polariza - hinterlândia -, concentrando, nesse centro primaz, as principais 
funções económicas e políticas de tal região), verificou a intensa correlação entre renda e densidade da rede urbana. Quanto menos 
desenvolvido o país ou região (portanto, de rendas médias inferiores), menos densas apresentam-se suas redes urbanas, sendo essas 
caracterizadas pela presença de uma cidade primaz, ausência de centros intermediários, presença de mercados periódicos (feiras 
semanais ou espaço de atuação de vendedores viajantes, onde não há renda suficiente para comércio regular, que têm a função de 
propiciar a integração entre espaços na fronteira económica ao mercado mundial) e, também, de um número excessivo de pequenos 
centros indiferenciados entre si, atendendo a um estreito leque de demandas de sua população, os quais mantêm transações direta- 
mente com o centro primaz ou com outros nas imediações deste, o que dificulta o aparecimento de centros intermediários. Apesar dos 
vazios que ainda apresenta, contudo, não se pode caracterizar a rede urbana brasileira como uma do tipo essencialmente dendrítico, 
como se verá mais adiante. A respeito, ver também Santos (1979). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



34 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Entende-se que aqui reside uma das principais con- 
tribuições deste estudo, dado o esforço despendido para 
reunir contribuições teóricas distintas e captar os efeitos 
das recentes transformações económicas na configuração 
da rede urbana do Brasil, a fim de verificar suas tendên- 
cias e de classificá-la. 

A definição da classificação dos centros urbanos 
pressupõe, além da identificação das funções urbanas por 



eles desempenhadas e de suas áreas de influência - 
correlacionadas com o porte de cada centro urbano (e de- 
correntes de correlações multivariadas) -, a análise das 
recentes transformações da economia brasileira em pro- 
cesso de integração em uma economia mundial também 
transformada, assim como a análise dos impactos espa- 
ciais decorrentes de tais transformações. 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Referenciais da Rede Urbana do Brasil 



Introdução 



O processo de desconcentração da economia brasi- 
leira, iniciado na década de 70, reforçou e tornou mais com- 
plexa a integração da rede urbana nacional, engendrando 
nova articulação entre as estruturas espaciais que a com- 
põem. Os processos de integração produtiva e de articula- 
ção funcional entre regiões e/ou centros urbanos confor- 
maram a existência de dois movimentos distintos, porém 
complementares. Por um lado, ampliaram-se e diversifi- 
caram-se as funções desempenhadas pelos centros urba- 
nos, tornando-se mais complexas suas atividades. Por ou- 
tro, ampliaram-se as demandas de articulação e integra- 
ção entre eles. Esses movimentos configuram-se, simulta- 
neamente, como reflexo e como suporte à desconcentração 
das atividades económicas e à interiorização do desenvol- 
vimento, com um padrão de urbanização restrito, até en- 
tão, aos maiores centros urbanos nacionais. Assim, não só 
se verificou um crescimento populacional mais elevado nas 
antigas periferias económicas nacionais e nos centros urba- 
nos médios, ocasionando o espraiamento da urbanização, 
especialmente em direção ao Oeste - fenómeno contraposto 
à tendência anterior de localização da urbanização na fai- 
xa litorânea do território nacional -, como também diver- 
sas aglomerações urbanas surgiram e ampliaram seu pa- 
pel na rede de cidades do país, tornando mais complexa a 
configuração da rede urbana nacional. 

Como mais um fator explicativo da interiorização 
da urbanização, destaca-se o surgimento de nova dinâ- 
mica na agricultura, que emergiu em meados da década 
de 60 em alguns espaços rurais do país, com a interna- 
lização do setor produtor de meios de produção e a in- 
dustrialização da agricultura. O marco do novo padrão 
agrícola foi a constituição do complexo agroindustrial 
brasileiro, como o momento mais avançado da moderni- 
zação da agricultura. Essa teve como efeito relevante a 



intensificação da urbanização nas regiões de agricultura 
moderna, integrada a complexos agroindustriais, parti- 
cularmente no Sudeste e Sul, bem como as transforma- 
ções observadas no processo de ocupação das regiões 
Centro-oeste e Norte. 

E importante ressaltar que a crise económica dos 
anos 80 não se abateu homogeneamente sobre todas as re- 
giões brasileiras, além do que a desconcentração produti- 
va criou espaços dinâmicos em pontos localizados do ter- 
ritório nacional, reforçando as tendências à heterogenei- 
dade inter-regional, num contexto de convergência das 
rendas per capita regionais. Esse processo vem agudizando- 
se pela forma como o país insere-se no mundo globalizado, 
uma vez que essa inserção se dá a partir da integração de 
alguns setores de atividade e de localidades específicas. 
Isso tem contribuído para reforçar as desigualdades regio- 
nais e romper os nexos económicos de complementaridade 
- que foram fundamentais no padrão de crescimento das 
últimas décadas -, causando riscos de maior fragmenta- 
ção da estrutura produtiva, com forte impacto sobre o de- 
senvolvimento regional. Essa inserção subalterna no mer- 
cado global, num contexto de crise do Estado nacional e 
de inexistência de políticas industriais e regionais 
estruturantes, pode levar a um novo ciclo de reconcentração 
das atividades económicas ou de especialização de espaços 
determinados, segundo fatores e vantagens já construídos e 
ali presentes. 

Por outro lado, as áreas rurais também têm muda- 
do de feição, com o surgimento, ou a ampliação, em regi- 
ões mais dinâmicas - especialmente no caso de São Paulo 
e de alguns estados do Sul e Sudeste - de um conjunto de 
atividades e ocupações não-agrícolas, que colocam esses 
espaços em outro patamar de articulação com os centros 
urbanos, em que o rural não mais pode ser visto simples- 
mente como fornecedor de produtos primários para os 
centros urbanos. 

Observa-se, assim, mesmo em pequenos núcleos 
urbanos, bem como no meio rural, uma parcela da popu- 
lação residente totalmente integrada - por meio dos cir- 
cuitos de produção, comunicações e transportes - ao mais 
avançado padrão de consumo ofertado pelos grandes cen- 



Caracterizaçáo e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



36 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



tros. Ao mesmo tempo, nos grandes e médios centros, 
existem significativos contingentes populacionais mar- 
ginalizados do processo de modernização e geração de 
renda. Verifica-se, dessa forma, uma expressão nova do 
atual ciclo de acumulação, que produz uma face moder- 
na, de alta renda e complexidade, e outra com caracterís- 
ticas opostas. 

Vale ainda mencionar a formação de novas espacia- 
lidades em todas as regiões brasileiras, especialmente na 
região Nordeste, associadas ao crescimento do setor de 
turismo, com localização principalmente no litoral. Obser- 
va-se que as novas atividades propiciadas pela expansão 
do turismo naquela região têm substituído ou proporcio- 
nado alternativas a antigas especializações económicas, o 
que se verifica marcadamente no litoral sul da Bahia. Em 
vista dos requisitos de urbanização exigidos pelas novas 
atividades, as cidades envolvidas com o turismo tendem a 
apresentar altas taxas de crescimento, contribuindo para o 
adensamento da rede urbana regional. 

Além desses fatos, a integração económica ao 
Mercosul, com a consequente intensificação das relações 
comerciais do Brasil com países vizinhos, tem ampliado o 
papel de algumas cidades de fronteira, as quais vivem for- 
te crescimento urbano, algumas delas já conurbadas com 
cidades daqueles países, gerando aglomerações urbanas 
de caráter internacional. 

Embora bem distantes da configuração observada 
na estrutura da rede urbana do Sudeste e do Sul, pode-se 
afirmar que, em todas as regiões do país, as transforma- 
ções económicas recentes levaram a rede urbana brasileira 
a perder aos poucos sua forma essencialmente concentra- 
da no litoral. 

No caso do Centro-oeste, vale registrar que ain- 
da se mantém a estrutura desigual da antiga ocupa- 
ção, apesar da desconcentração económica observada, 
com vastas extensões territoriais ainda não integradas 
ao processo de desenvolvimento económico, paralela- 
mente a expressivos contingentes populacionais que 
continuam mantidos à margem do novo padrão de ur- 
banização. 

Refletem-se, portanto, na atual estrutura da rede 
urbana brasileira as especificidades e diferenças de ren- 
da e produtividade que existem entre as regiões e os 
estados do país, assim como a dicotomia do processo 
de desenvolvimento que caracteriza historicamente a 
sociedade brasileira. Verifica-se uma rede urbana ain- 
da em construção, tanto inter quanto intra-regional- 
mente, articulada por um número significativo de aglo- 
merações e centros urbanos, dotados de equipamen- 
tos, infra-estrutura e serviços modernos e complexos, 
porém com periferias muito pobres. No âmbito intra- 



urbano, áreas de concentração de pobreza vêm mar- 
cando o perfil de crescimento especialmente das me- 
trópoles nacionais, ao mesmo tempo em que nelas se 
concentram agentes e atividades de alta qualificação e 
rendimento, integrados a circuitos globalizados de acu- 
mulação, realçando, assim, o grave desequilíbrio do 
processo de urbanização da sociedade brasileira. 



Configuração da Rede 
Urbana Brasileira 



A análise da rede urbana brasileira permitiu sua 
configuração em quatro referenciais básicos: Estudos regio- 
nais ( redes urbanas das grandes regiões); a hierarquia da 
rede pela classificação dos centros urbanos (seis categori- 
as e 111 centros urbanos); os sistemas urbanos regionais 
(12 sistemas) e sua articulação em três estruturas urbanas; 
e as aglomerações urbanas (49 aglomerações) 1 . 

Para efeitos deste estudo, a rede urbana nacional 
compreende o conjunto das cidades que polarizam o terri- 
tório brasileiro e os fluxos de bens, pessoas e serviços que 
se estabelecem entre elas. Em uma visão simplificada, é 
formada por centros, com dimensões variadas, que esta- 
belecem relações dinâmicas entre si como campos de for- 
ças de diferentes magnitudes. São essas interações que res- 
pondem não apenas pela atual conformação espacial da 
rede, mas também por sua evolução futura, cuja compreen- 
são é fundamental para o estabelecimento de metas de 
políticas públicas de desenvolvimento. 

A classificação da rede urbana brasileira foi desen- 
volvida com base em um conjunto de critérios e procedi- 
mentos articulados às tipologias de tamanho dos centros 
urbanos, ocupacional e de dependência funcional desses, 
bem como da forma urbana assumida pelos centros. 

A configuração da rede urbana abrangeu quatro fa- 
ses. Na primeira, que corresponde aos Estudos regionais, os 
critérios e indicadores utilizados foram: classificação dos 
centros urbanos das grandes regiões, incluindo tipologia 
de tamanho e tipologia funcional - posição dos centros 
urbanos a partir do estudo Regiões de influência das cidades 
(Regic), desenvolvido pelo IBGE; porcentagem da PEA 
urbana; total da população em 1980, 1991 e 1996; taxa de 
crescimento da população no período 1991-96; porcenta- 
gem de acréscimo da população nos períodos 1980-91 e 
1991-96; densidade demográfica em 1996; e análise de agru- 
pamento dos centros urbanos. 

Além desses indicadores, como apoio à composição 
do Quadro de Composição das Aglomerações Urbanas, con- 



1 A classificação final da rede urbana brasileira consta dos Anexos (Tabelas A.21 a A. 25). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Referencias da Rede Urbana do Brasil 



I 



37 



siderou-se, ainda: a presença de processo de conurbação 
e/ou periferização entre os centros; de espaços urbanos 
descontínuos quando apresentavam articulação económi- 
ca e complementaridade urbana; o tamanho populacional 
dos centros urbanos em 1991 e 1996; o crescimento do mu- 
nicípio-núcleo e da periferia nos períodos de 1980-91 e 1991- 
96; bem como indicadores referentes às peculiaridades re- 
gionais quanto à articulação entre centros urbanos. 

Na fase subsequente aos Estudos regionais - classifi- 
cação da rede urbana - para qualificar a posição dos cen- 
tros urbanos, foram agregados outros indicadores, com o 
objetivo de identificar: o grau de importância dos centros 
urbanos como centros decisórios e suas relações com ou- 
tros centros de âmbito internacional; presença nos centros 
urbanos de setores económicos diferenciados e com eleva- 
do nível de articulação inter e intra-setorial, bem como o 
grau de diversificação do setor terciário e funções urbanas 
específicas (centro administrativo, turístico etc). 

A segunda fase do trabalho - Quadro de Classifica- 
ção da Rede Urbana do Brasil - identificou seis categorias 
espaciais, sendo três de caráter metropolitano. 

• Metrópoles globais, nacionais e regionais, integradas por 

13 centros urbanos, que, à exceção de Manaus, consti- 
tuem aglomerações urbanas, desenvolveram-se a par- 
tir de um núcleo constituído pela capital do estado, sen- 
do Campinas a única exceção. Para esses estratos, iden- 
tificou-se a ocorrência de comple-mentaridade funcio- 
nal entre os centros e as periferias. Tais centros exercem 
fortes funções polarizadoras, além da articulação espa- 
cial das aglomerações, sempre com algum grau de 
contiguidade, muitas vezes ao longo de eixos viários. 
Cqnstatou-se também seu elevado padrão concentrador: 
as duas metrópoles globais, Rio de Janeiro e São Paulo, 
abrangem 17,3% da população total do país, distribuí- 
da em 60 municípios; nas sete metrópoles nacionais, 
dentre as quais incluem-se Curitiba e Porto Alegre, re- 
sidem 13% do total da população brasileira, em 113 mu- 
nicípios; as quatro metrópoles regionais, nenhuma pre- 
sente na região Sul, abrigam 4,7% da população total 
do país em 28 municípios. 

• Centros regionais, estrato intermediário da rede urba- 
na que abrange 16 centros, sendo 13 de aglomerações 
urbanas não-metropolitanas, dentre os quais se inserem 
Florianópolis e Londrina, da região Sul. Algumas aglo- 
merações urbanas são compostas de centros que, em 
alguns casos, dividem as funções polarizadoras com 
subcentros da própria aglomeração. A maioria das aglo- 
merações urbanas nucleadas por centros regionais pos- 
sui contiguidade espacial, formando um conjunto de 
cidades articuladas. Esses 16 centros regionais abarcam 
7,7% da população brasileira, em 72 municípios. 

• Centros sub-regionais 1 e 2 (CSR 1 e CSR 2), somando 82 
centros urbanos (CSR 1, com 31 centros, e CSR 2, com 51 



centros), polarizam apenas os municípios de seu entorno. 
Nos 31 CSR 1, residem 7,2% da população brasileira, em 
85 municípios, e nos 51 CSR 2, residem 5,7% do total da 
população, em 82 municípios. Na região Sul, são conside- 
rados CSR 1 Maringá, Joinville, Blumenau, Caxias do Sul, 
Cascavel e Pelotas; e CSR 2, Ponta Grossa, Passo Fundo, 
Guarapuava, Paranaguá, Foz do Iguaçu, Criciúma, Itajaí, 
Santa Maria, Chapecó, Uruguaiana e Lages. 

A distribuição espacial dos 111 principais centros 
urbanos mostra que existe concentração em duas das cin- 
co grandes regiões brasileiras (Sudeste, com 39,6% desses 
centros, e Nordeste, com 23,4%). No Sul, estão concentra- 
dos 18,9% desses centros urbanos, no Norte, 10,8%, e, no 
Centro-oeste, 7,2%. É importante ressaltar que a classifica- 
ção da rede urbana brasileira definida não inclui os cen- 
tros urbanos com menos de 100 mil habitantes, os quais, 
de todo modo, foram considerados nas análises dos Estu- 
dos regionais. 

A terceira fase do trabalho - Sistemas Urbano-Re- 
gionais - compreendeu a organização dos sistemas 
territoriais a partir das metrópoles e centros regionais que 
compõem a rede urbana do Brasil e que possuem encade- 
amento funcional entre os diversos níveis de influência, 
seja recíproco, isto é, entre cidades do mesmo nível, seja 
hierárquico, dos níveis superiores de polarização para os 
inferiores. A identificação desses sistemas foi feita a partir 
de estudo específico de sua dinâmica espacial, com base 
no fluxo de pessoas, mercadorias e informações, distinguin- 
do como sistemas os conjuntos mais articulados entre si, 
com contiguidade espacial e dependência funcional. Es- 
sas dimensões territoriais assumem diferentes caracterís- 
ticas segundo: o ritmo da urbanização; o nível de 
adensamento da rede de cidades; o grau de comple- 
mentaridade entre os centros urbanos que a compõem; e 
os níveis de desenvolvimento humano atingidos pelos 
habitantes das cidades que as integram, expressos nos in- 
dicadores de renda, alfabetização e acesso aos serviços ur- 
banos básicos. Tais características permitem nova 
reagregação desses 12 sistemas urbanos regionais em três 
grandes estruturas articuladas e diferenciadas presentes 
no processo de urbanização nacional, quais sejam: 

• a do Centro-Sul, composta dos sistemas urbanos de Belo 
Horizonte (área de influência de Belo Horizonte), Rio 
de Janeiro (Rio de Janeiro, Juiz de Fora e Vitória), São 
Paulo (São Paulo, Campinas, Bauru, Ribeirão Preto, 
Marília, São José do Rio Preto, Presidente Prudente e 
Uberlândia), Curitiba (Curitiba, Londrina, Maringá e 
Florianópolis), e Porto Alegre (Porto Alegre, Santa Ma- 
ria, Pelotas e Passo Fundo); 

• a do Nordeste, composta dos sistemas urbanos do Meio- 
norte (áreas de influência de São Luís e Teresina), Fortale- 
za (Fortaleza), Recife (Recife, João Pessoa, Campina Gran- 
de e Caruaru), e Salvador (Salvador e Feira de Santana); 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



38 



I 



Redes Urbanas Regic 



Sul 



• a do Centro-norte, composta dos sistemas urbanos de 
Cuiabá (área de Influência de Cuiabá), Norte (Belém e 
Manaus), e Brasília-Goiânia (Brasília e Goiânia). 

A quarta fase do trabalho - Quadro de Composi- 
ção das Aglomerações Urbanas do Brasil - baseou-se no 
entendimento de que a grande maioria dos centros já não 
se restringem a uma unidade espacial circunscrita aos seus 
limites político-administrativos, mas configura espacia- 
lidades integradas por mais de um município. Assim, as 
aglomerações urbanas correspondem à mancha de ocu- 
pação contínua entre pelo menos dois municípios (deriva- 
da de periferização ou conurbação), os quais apresentam 
intensos fluxos de relações intermunicipais, comutação di- 
ária, complementaridade funcional, integração socioeco- 
nómica decorrente de especialização, e complementação 
funcional das aglomerações urbanas podem integrar mu- 
nicípios limítrofes próximos do município-núcleo da aglo- 
meração, independentemente de continuidade de mancha, 
desde que mantenham fluxos perceptíveis de integração 
económica e outras relações intermunicipais intensas. 

Na rede urbana brasileira, foram identificadas 49 
aglomerações urbanas, 12 classificadas em nível metropo- 
litano. O conjunto das aglomerações abriga 73.380.310 ha- 
bitantes, concentrando 60,39% da população urbana e 
47,32% da população total do país. Cabe destacar que as 
aglomerações em nível metropolitano concentram 
53.891.546 habitantes, correspondendo a 43,78% da popu- 
lação urbana e 34,31% da população total do país. 

Aspectos Metodológicos da 
Análise da-Rede Urbana da 
Região Sul 



Os estudos referentes à região Sul iniciam com uma 
análise da evolução da economia de seus estados, buscan- 
do elucidar os nexos entre as transformações no sistema 
urbano e o desempenho da economia regional. Procuram 
verificar em que medida as tendências existentes impli- 
cam uma redistribuição da atividade económica e a emer- 
gência de impactos territoriais de natureza distinta daque- 
les que tradicionalmente se faziam presentes. Para esta 
análise, adotam uma periodização baseada nas diversas 
conjunturas macroeconómicas com os recortes temporais: 
1981-86 (recuperação em função das exportações do Plano 
Cruzado), 1987-89 (inflação crónica e tentativas de estabi- 
lização), 1990-92 (recessão e Plano Collor) e 1993-95 (Pla- 
no Real, estabilização da economia e tentativa de recupe- 
ração da atividade económica). Análise do desempenho 



da economia é feita por setores económicos, com ênfase 
na agropecuária e na indústria explicando as mudanças, 
os desdobramentos espaciais, assim como as intenções fu- 
turas de investimentos. 

Além dos indicadores económicos do IBGE - Cen- 
sos Económicos, Produção Agrícola Municipal e Pesquisa 
Pecuária Municipal -, foram utilizadas informações de fon- 
tes estaduais - Secretaria da Fazenda dos estados do 
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Secretaria do 
Desenvolvimento Económico de Santa Catarina, Funda- 
ção de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul - e do 
Ministério do Trabalho - Rais. 

Para a caracterização da rede urbana, os estudos 
procuram identificar as mudanças na distribuição espaci- 
al da população ocorridas no período 1970-96, articulan- 
do-as com as principais tendências do desenvolvimento 
econômico-regional. Incorporam à análise da evolução das 
taxas de crescimento geométrico anual dos municípios os 
estudos de hierarquia urbana atualizados pelo IBGE atra- 
vés doa Regic, os estudos de tipologias de municípios, tam- 
bém do IBGE, bem como a distribuição das cidades por 
classes de tamanho a partir da análise de Cluster desen- 
volvida no âmbito da pesquisa pelo Nesur/Unicamp. Essa 
caracterização identifica fundamentalmente as espacia- 
lidades de concentração e de esvaziamento, que sinteti- 
zam a dinâmica atual e sua tendência na configuração ur- 
bana da região Sul. Nas espacialidades de concentração, 
uma análise pormenorizada delimita as diferentes aglo- 
merações, e, a partir de sua configuração físico-territorial 
e da intensidade e qualidade das relações económicas e 
funcionais que estabelecem, define uma escala hierar- 
quizada. Essa escala, que subsidiou a classificação da rede 
urbana brasileira, peculiariza-se pela identificação de um 
conjunto maior de unidades espaciais - dado que traba- 
lhou no recorte mesorregional - e por basear-se não só na 
hierarquia funcional urbana mas também nas diferentes 
morfologias assumidas por essas aglomerações. 

Na sequência dos estudos, foram consideradas in- 
formações relativas à qualidade da urbanização, avalian- 
do as condições sociais do morador (renda e instrução) e 
do saneamento básico. Procurou-se analisar o processo de 
ocupação das aglomerações metropolitanas, identificando 
os principais problemas associados à urbanização, como 
periferização, favelização, áreas de invasões, dentre outros. 

Embora a escala adotada para essas análises tenha 
sido a das mesorregiões geográficas definidas pelo IBGE, 
a maioria das informações foi estudada no âmbito dos 
municípios - para identificar as configurações espaciais e 
para reagrupar as informações segundo a composição ter- 
ritorial das mesmas. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



APITULO I 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



1 Caracterização da 
Economia Regional 



A estruturação do sistema urbano da região Sul confi- 
gura uma rede de centros bem distribuídos em seu território, 
porém com nítidas áreas de concentração. A trajetória da or- 
ganização desse sistema resulta da ocupação económica da 
região e consolida-se com a reestruturação da sua base pro- 
dutiva. Os anos 70 constituem o marco dessa reestruturação, 
com as mudanças ocorridas no setor agropecuário gerando o 
esvaziamento de extensas áreas rurais e o direcionamento do 
processo migratório para diversos centros urbanos - alguns 
dos quais carentes de sustentação económica para manter o 
acréscimo populacional. Em um processo seletivo, alguns 
consolidam-se em áreas de elevada densidade, sem romper 
o equilíbrio na rede de cidades. 

No curso dos anos 70, a base produtiva da região 
apresenta progressiva diversificação, inclusive na agrope- 
cuária, pela modernização da base técnica de produção e 
pela grande expansão de culturas, que permite a entrada 
na comercialização de commodities e na agroindus- 
trialização. No setor industrial, surgem ramos modernos 
na linha da metal-mecânica. 

1.1 Paraná 

A diversificação da base produtiva da região Sul 
altera o perfil da composição setorial da economia dos es- 
tados. No Paraná, as atividades do setor primário, que, 
em 1970, respondem por mais de 40% da renda gerada, 
progressivamente passam a ser superadas pelas do setor 
secundário, que consolida sua participação atingindo, em 
1996, quase 50% dessa renda. 



A agricultura passa a perder participação e, em 
1996, responde por 18,48% do valor adicionado fiscal do 
estado (Tabela 1). Porém, continua a papel relevante, dada 
a dinâmica multiplicadora em toda a cadeia produtiva, 
uma vez que 65% do valor bruto da produção agrope- 
cuária do estado, em 1996, corresponde à produção de 
soja, trigo e milho - importantes como commodities e base 
do segmento agroindustrial de primeiro processamento, 
bem como dos insumos à cadeia protéico-animal. Outros 
produtos como a cana, o algodão e o café também inte- 
gram a agroindústria nas atividades sucroalcooleiras, têx- 
teis e de alimentos; em menor dimensão estão o fumo, a 
mandioca e outros. 

Para esse desempenho, o sistema cooperativo do 
Paraná tem importância particular, dada sua participação 
intensa em todo o processo de produção, beneficiamento, 
armazenamento e industrialização do produto agrícola. Tal 
importância pode ser constatada pelo fato de que 22 coope- 
rativas estão dentre as 100 empresas do estado com maior 
faturamento. 

No entanto, são evidentes os sinais de esgotamen- 
to dessa dinâmica, seja pelos limites à expansão de área - 
cujas possibilidades são praticamente nulas - e mesmo do 
rendimento das lavouras, seja porque, da ótica industrial, 
não há como expandir os primeiros beneficiamentos e, no 
novo padrão agroindustrial, já não são suficientes as van- 
tagens da proximidade da matéria-prima. 

Ainda assim, é possível dizer que nesse período 
a economia do Paraná continua muito dependente das 
atividades do setor primário e possui um setor secundário 
que, apesar de ter apresentado reconhecidamente mu- 
danças qualitativas em seu perfil, chega aos anos 90 com 
uma estrutura que ainda expressa forte complemen- 
taridade. 

Foi geral a redução dos géneros agroindustriais tra- 
dicionais nà composição do valor adicionado da indústria 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



40 



I 



Redes Urbanas Regionais: Su 



I 



TABELA 1 

ESTADO DO PARANÁ — PARTICIPAÇÃO SETORIAL E TAXAS ANUAIS DE CRESCIMENTO DO VALOR ADICIONADO 

FISCAL, SEGUNDO SETORES DE ATIVIDADE (1 980-96) 























Em% 


Ano 




Participação Setorial 






Taxa Anual de Crescimento 




Primário 


Secundário 


Comercial 


Serviços 


Total 


Primário 


Secundário 


Comercial 


Serviços 


Total 


1980 


31,09 


37,81 


27,34 


3,75 


100 


- 


- 


- 


- 


— 


1981 


32,54 


36,58 


27,10 


3,79 


100 


8,23 


0,06 


2,51 


4,40 


3,44 


1982 


32,28 


35,53 


28,33 


3,86 


100 


-7,88 


-9,79 


-2,92 


-5,36 


-7,14 


1983 


31,39 


36,42 


27,34 


4,85 


100 


7,77 


13,56 


6,93 


39,08 


10,80 


1984 


31,07 


39,55 


24,78 


4,60 


100 


2,65 


12,65 


-5,98 


-1,47 


3,73 


1985 


35,33 


35,84 


27,23 


1,61 


100 


34,72 


7,34 


30,14 


-58,69 


18,45 


1986 


29,47 


39,39 


29,07 


2,06 


100 


-26,29 


-2,88 


-5,65 


13,67 


-11,64 


1987 


30,36 


38,44 


29,09 


2,11 


100 


30,05 


23,18 


26,33 


28,78 


26,24 


1988 


26,50 


40,46 


. 31,19 


1,85 


100 


-7,68 


11,32 


13,40 


-7,26 


5,76 


1989 


21,51 


39,00 


30,85 


8,65 


100 


-3,99 


14,05 


17,02 


453,90 


18,32 


1990 


16,89 


44,33 


29,54 


9,24 


100 


-25,07 


8,46 


-8,63 


2,01 


-4,58 


1991 


20,72 


45,21 


25,32 


8,74 


100 


10,94 


-7,78 


-22,51 


-14,47 


-9,59 


1992 


18,28 


47,02 


26,27 


8,43 


100 


0,84 


18,90 


18,63 


10,20 


14,33 


1993 


14,92 


46,38 


29,51 


9,19 


100 


-9,38 


9,49 


24,70 


21,09 


11,02 


'1 994- 


17,88 


48,57 


22,75 


10,79 


100 


34,20 


17,24 


-13,69 


31,44 


11,95 


1995 


16,68 


49,10 


23,77 


10,45 


100 


-24,80 


-18,49 


-15,75 


-21,94 


-19,37 


1996 


18,21 


48,55 


23,56 


9,68 


100 


19,11 


7,89 


8,13 


1,10 


9,11 


Fontes: Ipardes/Sefa (1996). 


















Nota: Foram 


aplicados deflatores setoriais 


calculados para i 


d PIB do Paraná. 















de transformação (de 35,10% no triénio 1980-82, para 
30,39% no triénio 1994-96) (Tabela 2). Apesar dessa redu- 
ção, os dois géneros mais importantes - alimentos e quí- 
mica, que inclui processamentos agroindustriais - conti- 
nuam com as mais elevadas participações na geração do 
valor adicionado da indústria de transformação. 

No período, do grupo agroindustrial, apenas o gé- 
nero têxtil apresenta ganhos de participação, passando de 
3,85% para 6,16%, e do grupo dos géneros tradicionais é o 
mobiliário que registra crescimento. 

A grande importância das atividades do grupo 
agroindustrial, cujos processos que permitem maior agre- 
gação de valor começam a ocorrer lentamente, está no pa- 
pel de principal responsável pela dinâmica da economia, 
em especial do interior do estado. Além do sistema coope- 
rativo - que integra economicamente a maioria dos pe- 
quenos e médios produtores agrícolas e estende uma rede 
de serviços e indústrias, criando uma dinâmica urbana pelo 
interior -, o segmento agroindustrial está constituído por 
inúmeros pequenos e médios estabelecimentos, inclusive 
no caso da química, por incluir óleos vegetais e álcool. O 
género têxtil, da mesma forma, com exceção de algumas 
indústrias de fiação de maior porte, mantém a caracterís- 
tica de possuir elevada presença de pequenas empresas. 
O mesmo ocorre com madeira e mobiliário e com as ativi- 
dades de confecção, géneros que, assim como o têxtil, co- 



meçam a propagar-se por diversas regiões do interior do 
Paraná. 

No âmbito dessa reduzida diversidade industrial, 
as mesorregiões do estado parricularizam-se contribuin- 
do com especialidades diferenciadas e quase sempre com 
a nítida dominância regional de apenas uma determinada 
atividade. 

Em uma dinâmica paralela e inversa, os segmen- 
tos da indústria moderna da metal-mecânica apontam para 
uma mudança qualitativa na estrutura industrial do esta- 
do, centrada na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). 

Como resultado da maturação de investimentos da 
década anterior, realizados por mecanismos institucionais 
de estímulo à atividade produtiva oriundos do extinto 
Banco do Desenvolvimento do Paraná (Badep) e do Fun- 
do de Desenvolvimento Económico, os segmentos da me- 
tal-mecânica passam a apresentar os maiores ganhos no 
valor adicionado da indústria de transformação (de 
12,59%, no triénio 1980-82, para 21,45%, no triénio 1994- 
96). Outro resultado expressivo provém do género papel- 
papelão, que dobra sua participação, tornando-se o tercei- 
ro na estrutura do valor adicionado industrial, com parti- 
cipação, de 10,87%, no triénio 1994-96, tendo investimen- 
tos na linha de papel de imprensa. 

Essas mudanças representaram a vinda de gran- 
des grupos fabricantes de ônibus, caminhões, máquinas 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



41 



I 



TABELA 2 

ESTADO DO PARANÁ — PARTICIPAÇÃO DOS PRINCIPAIS GÉNEROS NO TOTAL DO VALOR ADICIONADO 

INDÚSTRIA DE TRANSFORMAÇÃO (1 980-96 — MÉDIAS TRIENAIS) 



DA 











Em% 


Géneros 




Triénios 








1980-82 


1983-85 


1986-88 


1994-96 


Agroindustriais Tradicionais 


35,10 


35,90 


35,20 


30,40 


Produtos alimentares 


18,87 


23,77 


21,19 


14,89 


Madeira 


10,09 


6,58 


6,82 


6,95 


Têxtil 


3,85 


3,76 


4,84 


6,16 


Mobiliário 


2,29 


1,77 


2,32 


2,39 


Agroindustriais Não-tradicionais 


5,60 


5,30 


5,50 


6,70 


Fumo 


3,62 


3,31 


3,60 


3,20 


Bebidas 


1,98 


2,01 


1,90 


3,53 


Metal-mecânica 


12,60 


14,40 


20,80 


21,40 


Mecânica 


4,84 


4,81 


6,76 


8,52 


Material de Transporte 


1,92 


3,40 


6,41 


5,44 


Metalúrgica 


2,52 


2,22 


3,21 


2,49 


Material Elétrico e de Comunicações 


3,31 


3,99 


4,38 


5,00 


Química 


31,22 


30,49 


20,13 


20,18 


Papel e Papelão 


5,22 


5,48 


7,29 


10,87 


Prod. de Minerais Não-metálicos 


6,68 


4,74 


5,77 


2,12 


Outros Géneros 


3,59 


3,66 


5,38 


8,26 


Total 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


Fontes: Ipardes/Sefa (1996). 











agrícolas, micro e minicomputadores, cigarros, fertilizan- 
tes nitrogenados etc. Porém, até o começo da década de 
90, são poucas as empresas de grande porte, não consti- 
tuindo ainda um parque de fornecedores nem desenvol- 
vendo relações intersetoriais mais expressivas. 

No decorrer dos anos 90, há indicativos de que essa 
estrutura industrial vem alterando ainda mais a sua com- 
posição, incorporando novos segmentos e, desse modo, 
criando nova dinâmica no estado. O novo padrão deverá 
estar dominado pela incorporação de montadoras estran- 
geiras - Renault, Chrysler, Volkswagen/Audi e outras -, 
de supridores diretos e de planos de expansão para os seg- 
mentos já instalados. A concretização desse novo padrão 
está apoiada em fortes estímulos fiscais e no reforço à ins- 
talação de infra-estrutura, como duplicação e manuten- 
ção de rodovias, implementação de fibras óticas de telefo- 
nia celular e ampliação de oferta, distribuição e transmis- 
são de energia. 

Esses investimentos previstos reforçam a concen- 
tração de grande parte das atividades e redefinem a 



importância económica da mesorregião metropolitana em 
relação ao interior do estado. Já no princípio dos anos 
80, essa região está bem à frente das demais, ganhando, 
em cinco anos, 18,58% na participação do valor adicio- 
nado total do estado, atingindo 37,34%. Continua, em 
uma trajetória crescente, ampliando essa diferença e passa 
a responder, em 1996, por 42,33% da renda estadual. 

Poucas mesorregiões conseguem obter ou manter 
pequenos ganhos em sua participação, e as maiores per- 
das ocorrem no norte-central e noroeste, que nos anos 70 
lideram a economia paranaense. 

Em termos de municípios, essa concentração eco- 
nómica e espacial reproduz-se (Mapa 1). Em 1996, apenas 
14 têm participação superior a 1% no total do valor adici- 
onado do estado, perfazendo, no conjunto, 60,25% desse 
valor (Tabela 3). Grande parte deles integra a mesorregião 
metropolitana. Além disso, encontra-se nessa região a 
maior parte dos municípios que vêm apresentando ganhos 
no período. ' 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



42 H Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 1 

REGIÃO SUL — MUNICÍPIOS COM PARTICIPAÇÃO EXPRESSIVA NO VALOR ADICIONADO TOTAL DO ESTADO 




PERCENTUAL DA PARTICIPAÇÃO MUNICIPAL 
| J Maior que 1% em 1 ou 2 anos 

^J Maior que 1% descontínuo no período 
I _J Maior que 1 % desde meados do período 

I Maior que 1% desde o início do período 
I I Sem participação expressiva 

PERÍODOS 
PR 1975-96 SC 1990-96 RS 1980-92 

Fonte: Ipardes; Sefa/PR: SDE e SEF/SC: SEF/RS 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 



144 km 



 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



43 





TABELA 3 




ESTADO DO PARANÁ — ML 


I 


(1975-96) 


■ 

Posição^ 3 ' Município 


4 


Cascavel 


4 


Curitiba 


4 


Guarapuava 


4 


Londrina 


4 


Maringá 


4 


Paranaguá 


4 


Ponta Grossa 


4 


Toledo 


4 


Telêmaco Borba 


4 


Araucária 


3 


São José dos Pinhais 


3 


Castro 


3 


Foz do Iguaçu 


2 


Campo Mourão 


2 


Umuarama 


2 


Apucarana 


2 


Campo Largo 



MUNICÍPIOS COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 1% NO VALOR ADICIONADO 



1975 1980 1983 1985 1986 1989 1991 1993 1996 



Palotina 

Rolândia 

Paranavaí 

Mal. Cândido Rondon 

Cornélio Procópio 

Cambe 

Arapongas 

Pinhais 

Número de municípios c/ particip. > 1 % 1 7 13 12 15 17 

Participação no total do Estado (%) 47,78 55,55 56,47 53,62 55,96 

Fontes: Ipardes/Sefa (1996). 

Nota: 

(a) A posição tem como referência a seguinte relação: 

4 - com participação > 1 % continuamente desde 1975 (pode ser < 1 % desde que em apenas 1 ano); 

3 - com participação >1% continuamente desde 1 985,- 

2 - com participação >1% descontinuamente até 1991; 

1 - com participação >1% em um ano entre 1975 e 1996. 



15 
59,52 



14 
62,51 



13 
61,19 



14 
60,25 



A particularidade dessa nova base produtiva, pau- 
tada na agropecuária, agroindústria e em alguns segmen- 
tos modernos da metal-mecânica, cada qual com desem- 
penho influenciado por fatores diferentes, contribuiu para 
que a economia paranaense fosse menos afetada nos mo- 
mentos de crise. Em vários períodos, verificou-se uma 
compensação pelo bom desempenho de alguns desses seg- 
mentos, conforme sintetizado a seguir. 
• No início dos anos 80, o crescimento atípico, em nível 
nacional, repercute de modo acentuado no estado por 



conta do desempenho dos complexos metal-mecânico 
e agroindustrial. 

No mesmo período, a recessão atinge de forma profun- 
da a construção civil paranaense e seus principais forne- 
cedores industriais. Entretanto, o comportamento posi- 
tivo da agropecuária - especialmente do café - e das in- 
dústrias de alimentos e química - soja e derivados de 
petróleo e álcool - faz com que seus efeitos não sejam tão 
intensos, compensando parcialmente, em termos de taxa 
de crescimento, os efeitos daquela conjuntura de crise. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



44 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A recuperação iniciada em 1984 não se verifica no Paraná, 
em razão do comportamento negativo da produção agro- 
pecuária, sobretudo do café, e da indústria de alimentos; 
do reduzido peso das exportações industriais externas 
na composição do PIB; da inexpressiva presença de bens 
de consumo duráveis e de capital em sua estrutura in- 
dustrial; e da quase ausência de setores industriais, sufi- 
cientemente dinâmicos, capazes de adaptarem-se rapi- 
damente às mudanças de tónica na política económica, 
como as ocorridas em 1984, incentivando as exportações. 
Em 1985, o prosseguimento da recuperação económica 
manifesta-se de forma ampliada no Paraná, em razão 
da substancial evolução da produção agropecuária e dos 
setores industriais a ela vinculados. 
Em 1986, apesar dos reflexos positivos do Plano de Es- 
tabilização Económica, a economia paranaense man- 
tém-se praticamente estagnada, em face da quebra na 
produção agropecuária, associada à estiagem do final 
de 1985 e início de 1986, interferindo negativamente na 
produção da agroindústria. 

Em 1987, a retração atinge com menor intensidade a 
economia paranaense em comparação à brasileira, de- 
vido ao excelente desempenho da agropecuária e da 
agroindústria, ligado às condições climáticas favoráveis. 
Em 1988, o PIB apresenta decréscimo de 3%, associado 
à conjuntura recessiva no âmbito nacional, com redu- 
ção de 9,7% no setor agropecuário, especialmente nas 
lavouras de café e milho. 

Em 1989, o crescimento de 4,4% registrado pela econo- 
mia paranaense é superior ao brasileiro, tendo sido sus- 
tentado pela expansão da lavoura cafeeira e dos seg- 
mentos industrial e comercial a ela vinculados e pelo 
desempenho de atividades industriais integrantes dos 
géneros mecânico (refrigeradores,/rtY2t'rs e equipamen- 
tos frigoríficos), papel-papelão, bebidas e material de 
transporte (sobretudo ônibus). 
Ao final dos anos 80, a economia paranaense atinge um 
patamar qualitativamente distinto, reunindo precon- 
dições de abertura para o desempenho dos anos 90. Em 
termos de relações de troca, cresce significativamente 
seu grau de inserção na economia brasileira e na eco- 
nomia internacional. Não apenas crescem as vendas e 
compras nesses mercados também ampliados, como ga- 
nham importância produtos dos segmentos mais mo- 
dernos em detrimento dos tradicionais. 
Nos anos de 1990 e 1991, o caráter recessivo mundial, 
com quedas nas cotações de commodities, repercute em 
todos os segmentos da economia paranaense, causan- 
do impacto de forma mais acentuada no segmento agrí- 
cola, por causa de fatores climáticos e mudanças com a 
desregulamentação da política do setor. Essa queda alte- 
ra substancialmente a composição setorial com ganhos 
de participação da indústria na economia do estado. 



• No período 1992-94, com nova estrutura setorial e con- 
juntura favorável para o setor exportador, os impac- 
tos da contração económica nacional são em grande 
medida amortecidos no Paraná. A maior safra de grãos, 
em 1993, coincide com a recuperação dos preços in- 
ternacionais para soja, milho e café, devido à inclusão 
de novos mercados, como a China, e do crescimento 
de negócios por contratos futuros de soja. Tal situação 
produz uma dinâmica multiplicadora em toda a ca- 
deia produtiva, articulada com o setor primário - cres- 
cem as vendas de tratores, colheitadeiras, fertilizan- 
tes, assim como o consumo de bens e imóveis e servi- 
ços em geral. O setor exportador também é ativado 
por exportações ao Mercosul - especialmente Argen- 
tina - de manufaturados, café e carne de aves. De 
modo geral, a parcela de industrializados é progressi- 
vamente mais importante no conjunto do valor expor- 
tado. Do complexo metal-mecânico, a grande contri- 
buição provém do género material de transportes, com 
exportações de peças e acessórios para ônibus e cami- 
nhões dirigidas aos mercados do Peru, Estados Uni- 
dos e Alemanha. Nessa trajetória ascendente, a maio- 
ria dos géneros tem ampliado o número de países aos 
quais se destinam, passando a atender a mercados im- 
portantes, enquanto outros géneros iniciam uma ati- 
vidade voltada ao mercado exportador. Entretanto, a 
metal-mecânica continua concentrada em torno de 
poucos produtos e de reduzido número de empresas. 

• Em 1995, a restrição monetário-orçamentária, os juros 
reais elevados e a defasagem cambial produzem um 
quadro de descapitalização e inadimplência dos pro- 
dutores rurais, pela depreciação das cotações, especial- 
mente de soja e milho. Por sua vez, as indefinições da 
política agrícola produzem decréscimo da área planta- 
da das principais lavouras. Seguindo a mesma tendên- 
cia, a produção industrial do estado, nesse momento 
bastante ligada à dinâmica da estrutura produtiva na- 
cional, tem queda expressiva na maioria dos géneros. 

• Em 1996, os indicadores da indústria apontam pequeno 
movimento de recuperação, porém não generalizado. Al- 
guns segmentos - como vestuário, couro e têxtil - são mais 
sensíveis à poUtica de juros altos e ao processo de abertura 
comercial. Outros apresentam crescimento significativo, 
indicando a consolidação dos mercados em que atuam - 
minerais não-metálicos e móveis. A renda agrícola recu- 
pera-se, porém não gera efeitos na indústria e comércio, 
em face do endividamento dos produtores. 

1.2 Santa Catarina 

A década de 70 estruturou a conformação atual de 
Santa Catarina, tendo na base produtiva nitidamente in- 
dustrial e em contínuo reforço a principal característica de 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



45 



sua economia. Nessa época, as deficiências de infra-estru- 
tura - rodovias, energia e comunicações - foram em gran- 
de medida supridas por investimentos federais e do esta- 
do. No âmbito empresarial, foram substanciais os investi- 
mentos viabilizados por uma política industrial que con- 
tou com dispositivos de financiamento federais e locais 
para a aquisição de máquinas e equipamentos. Dessa for- 
ma, em 1996, o setor secundário responde por 43,07% do 
PIB estadual, o terciário, em declínio, por 40,22%, e o pri- 
mário, impulsionado pela dinâmica agroindustrial, por 
16,71% (Tabela 4), com pequenos ganhos desde 1980. 

No início dos anos 80, o setor industrial não só é 
diversificado como já estão presentes - com participações 
significativas e crescentes - os segmentos industriais di- 
nâmicos, conformando um perfil de distribuição bastante 
equilibrado dentre os três principais complexos da econo- 
mia estadual. Em 1985, o complexo têxtil tem 25,53% do 
valor da transformação industrial; o agroindustrial tem 
21,17%; e o metal-mecânico, 19,59%, todos com ganhos en- 
tre 1980 e 1985. Ao lado desses, outros segmentos moder- 
nos consolidam-se no estado, como cerâmica, pisos e azu- 
lejos e papel-papelão. 

Esse perfil diversificado de Santa Catarina tem dis- 
tribuição espacial caracterizada por maior descon- 
centração. Três principais complexos peculiarizam três di- 
ferentes regiões. A mesorregião norte catarinense respon- 
de por 27,76% do valor adicionado de 1996. E o principal 
pólo industrial do estado, dadas as vantagens de maior 
diversificação industrial, concentração da metal-mecâni- 
ca e modernos segmentos da matéria plástica. É seguida 
da mesorregião do Vale do Itajaí - com 25,07% do valor 
adicionado estadual -, que reúne os maiores centros pro- 
dutores do complexo têxtil e de confecção. A terceira mais 
importante mesorregião é a do oeste catarinense, com 
22,20% de participação, em que atuam os grandes grupos 
da agroíndústria (Tabela A-6 dos Anexos). 

Alguns municípios polarizam essa distribuição es- 
pacial relativamente equilibrada. Com participação su- 
perior a 1% no total do valor adicionado do estado, anu- 
almente, desde 1990, encontram-se: Blumenau, Brusque 



I 



TABELA 4 

ESTADO DE SANTA CATARINA — PRODUTO 
INTERNO BRUTO, SEGUNDO A PARTICIPAÇÃO 
POR SETORES (1970-96) 



Produto Interno Bruto 

Ano Primário Secundário Terciário 

1970 22,00 32,10 45,90 

1980 15,90 37,60 46,50 

1990 16,55 43,40 40,05 

1996 16,71 43,07 40,22 

Fontes: IBGE/FGV - Contas Nacionais,- SDE (1996). 



e Itajaí, da mesorregião do Vale do Itajaí; Joinville, Jaraguá 
do Sul e São Bento do Sul, da mesorregião norte catarinense; 
Chapecó, Concórdia e Videira, da oeste; Florianópolis e São 
José, da grande Florianópolis; Criciúma e Tubarão, da sul 
catarinense; e Lages, da mesorregião serrana (Tabela 5). 
Outros municípios, nas áreas de concentração desses, apre- 
sentam participação superior a 1%, porém descontinuamen- 
te, como ocorre com Gaspar, Indaial e Timbó, na mesorre- 
gião do Vale do Itajaí, e Caçador, na oeste. Esse conjunto de 
municípios, juntamente com outros que apenas manifestam 
maior expressão em um dos anos analisados, reforça as po- 
laridades económicas desconcentradas no território de Santa 
Catarina. Em 1996, os 17 municípios com participação su- 
perior a 1% no valor adicionado total do estado representa- 
vam 60,32%. 

A estruturação empresarial é a característica mais 
forte do novo padrão industrial, com a formação de gran- 
des grupos a partir da aquisição de unidades produtivas 
já existentes e da implementação de novas plantas em di- 
reção à complementaridade de cadeias produtivas, um 
processo mais evidente nos segmentos da agroindústria e 
da indústria têxtil e de confecção. Os géneros modernos 
da metal-mecânica, além da expansão do parque produti- 
vo, conseguiram maior intensidade no crescimento da pro- 
dução e o melhor desempenho em investimentos. 

Essa concentração, seguida de reinvestimentos no 
próprio setor, consolidou estruturas industriais que acom- 
panharam as exigências do novo padrão tecnológico, tor- 
nando-se competitivas tanto no mercado exportador quan- 
to no mercado interno. Com maior expressividade expor- 
tadora, destacam-se refrigerações, compressores, motores 
elétricos, fundidos de ferro, azulejos e pisos cerâmicos, 
carne de suínos e aves, caracterizando-se por um esforço 
em aumentar crescentemente o grau de elaboração. 

Os indicativos de mudanças do desempenho dos 
diferentes géneros industriais, no período de 1980-96, de 
modo geral, estão no reforço da metal-mecânica com mai- 
ores avanços para os grupos mecânica e material elétrico, 
além de bons resultados do género da matéria plástica e 
papel-papelão. A importância desse segmento relaciona- 
se com a presença de empresas como Embraco, Multibras, 
Weg e Tupy, nacionalmente expressivas em suas respecti- 
vas áreas de atuação. 

Ao lado desses géneros, coloca-se a agroindústria da 
carne de aves e suínos, pela capacidade de desenvolver no 
período uma estrutura nacional e internacionalmente com- 
petitiva, liderada pelos principais grupos nacionais do se- 
tor - Sadia, Perdigão, Cevai, Chapecó, dentre outros. Esse 
segmento supera a fase de simples processamentos iniciais 
com a valorização de seus produtos, aumentando o grau de 
elaboração e "diversificação em direção a linhas mais nobres. 
Além disso, qualifica-se como uma atividade com gran- 
de resistência às crises internas e à abertura do mer- 



Caracterizaçáo e Tendências da Rede Urbana do Bpasil 



46 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA 5 

ESTADO DE SANTA CATARINA 

(1990-96) 



MUNICÍPIOS COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 1% NO VALOR ADICIONADO 



Posição (a) 

4 
4 
4 
4 
4 
4 
4 
4 
4 
4 



Município 

Blumenau 

Brusque 

Chapecó 

Concórdia 

Criciúma 

Florianópolis 

Itajaí 

Jaraguá do Sul 

Joinville 

Lages 



1990 



1991 



1992 



1993 



1995 



1996 



4 São Bento do Sul 

4 São José 

4 Tubarão 

4 Videira 

.2 Indaial 

2 Gaspar 

2 Timbó 

2 Caçador 

1 Seara 

1 Xaxim 

1 Xanxerê 

1 Rio do Sul 

Número de municípios c/ particip. > 1% 18 15 

Participação no total do Estado (%) 57,40 53,08 

Fontes: IBGE/FGV - Contas Nacionais; SDE (1996),- SDC/SC; SF/SC (1996). 

Nota: 

(a) A posição tem como referência a seguinte relação: 

4 - com participação >1% continuamente desde 1990; 

2 - com participação >1% descontinuamente desde 1990; 

1 - com participação >1% em um ano entre 1990 e 1996. 



18 
56,02 



16 
54,04 



17 
61,17 



17 
60,32 



cado. Com estreita integração com o rural, imprime à agro- 
pecuária forte dinâmica, com inserção de pequenos e mé- 
dios produtores. 

Com desempenho bem menos favorável, porém 
potencializado pela abertura do mercado, o complexo 
têxtil e de confecção tem sido fortemente afetado pela 
retração do mercado interno e pela dificuldade em acom- 
panhar a velocidade das inovações tecnológicas e as van- 
tagens locacionais de custo da mão-de-obra do mercado 
internacional. Esse processo provoca uma crise de gran- 
de repercussão no estado, uma vez que essa atividade se 
encontra disseminada em várias regiões. No entanto, a 
economia mais ameaçada é a da mesorregião do Vale do 
Itajaí, que reúne os maiores centros especializados desse 
complexo. 



O modelo catarinense - com empresas vertica- 
lizadas, modernas e de grande porte, liderando segmen- 
tos industriais especializados - reproduz-se em outros 
géneros no estado, com encadeamentos regionais impor- 
tantes, como o mobiliário em São Bento do Sul e o 
cerâmico em Criciúma. Essas características asseguraram 
elevado padrão tecnológico gerencial, com grande expres- 
são competitiva e forte inserção nacional e internacional. 
Em sua evolução, essa trajetória traduz-se em expansões 
cujo patamar de competitividade já extrapola reinves- 
timentos na própria região. Tal processo já é visível com 
a expansão de importantes unidades produtivas para 
outros estados e mesmo para outros países, resultando 
em limites para Santa Catarina. Associado a esse fator, 
pesam particularmente as mudanças no complexo têxtil 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



47 



e de confecção, que progridem para a valorização de de- 
terminados processos e produtos da atividade com a re- 
dução drástica dos demais.Jsso é uma ameaça para gran- 
de parte do parque têxtil e de confecção do estado, que 
sustenta muitos dos empregos diretos e de pequenas uni- 
dades. Vale notar que não surgiram novos segmentos 
nesse período e não estão previstos para o estado inves- 
timentos automotivos. 

A diversificação da estrutura produtiva, com seto- 
res impactados por fatores e momentos diferentes, favore- 
ceu a economia como um todo nas fases de recessão e ex- 
pansão. 

• Entre 1981 e 1984, a economia ainda vem aquecida pelos 
investimentos da década anterior, e a renda do estado 
cresce a taxas superiores às do país, dado o desempenho 
do setor agrícola e secundariamente da indústria, princi- 
palmente do segmento agroindustrial, pela capacidade 
de inserção no novo padrão de processamentos mais 
complexos e diversificados. Os géneros têxtil e confec- 
ção ainda apresentavam maior resistência à crise e, em 
menor proporção, contribuíram para esse desempenho. 

• O ano de 1984 é particularmente beneficiado pelo di- 
namismo exportador de vários segmentos da indústria. 

• Nos anos de 1985 e 1986, a indústria catarinense acom- 
panha, com expressivo crescimento, a dinâmica nacio- 
nal. Ao lado do reaquecimento do mercado interno, con- 
ta com a continuidade da demanda externa - valoriza- 
da por exportações de produtos dotados de maior grau 
de elaboração - e fundamentalmente com as vantagens 
de utilizar sua capacidade ociosa. 

• Em 1987, o desempenho positivo da economia estadu- 
al contribui duplamente para a continuidade do ritmo 
industrial. Os benefícios da política agrícola, associa- 
dos a condições climáticas favoráveis, levam a resulta- 
dos expressivos no setor primário. 

• O período de 1988-90 começa com declínio da indús- 
tria de transformação sem compensações significativas 
por parte do setor primário. Em 1990, segmentos da in- 
dústria dinâmica (plástico, mecânica, minerais não-me- 
tálicos e metalurgia) sofrem grandes perdas. 

• Os anos de 1990 a 1995, críticos da crise brasileira, afe- 
tam também a economia catarinense, que apresenta 
ganhos setoriais pequenos na economia nacional. Na 
agropecuária, o bom desempenho na média do período 
está influenciado pelos resultados altamente favoráveis 
de 1992. Porém, no setor industrial, vários segmentos 
continuam a apresentar resultados fracos ou mesmo per- 
das em termos de participação na indústria brasileira, 
como ocorre com minerais não-metálicos - com a forte e 
contínua queda do carvão -, fumo, vestuário e têxtil. 

O resultado positivo do conjunto do setor industrial 
foi assegurado pelos produtos alimentares, materiais elétri- 
cos, metal-mecânica, matérias plásticas e papel-papelão. 



1.3 Rio Grande do Sul 

O Rio Grande do Sul, tal como o Brasil, constrói ao 
longo de sua história um quadro regional caracterizado 
pela diversidade e por desequilíbrios económicos e sociais. 
Esse cenário constituiu-se em função das formações so- 
ciais específicas que se estabelecem em cada região e da tra- 
jetória de sua agropecuária e industrialização. Tais fatores são, 
direta ou indiretamente, os determinantes da estruturação da 
rede urbana e dos movimentos demográficos desse estado. 

No primeiro cenário regional do Rio Grande do 
Sul poderiam ser distintas geograficamente duas regiões: 
a primeira, na serra do sudeste e na campanha (área lo- 
calizada no sudoeste do estado), e a segunda, na depres- 
são central e, mais tarde, na região serrana (Singer, 1977). 
Essas duas regiões formam-se a partir de estruturas soci- 
ais distintas. Ao sul, a sociedade dos estancieiros (lati- 
fundiários), constituída por esses, por peões e escravos, 
produtora de couros e depois carne (charque) e lã; e, ao 
norte, uma sociedade constituída por pequenos proprie- 
tários dedicados ao desenvolvimento da lavoura. Essas 
duas formações económicas permeiam a história da eco- 
nomia gaúcha por aproximadamente dois séculos (des- 
de meados do século XVIII até o final da primeira meta- 
de do século XX). Curiosamente, essas duas sociedades, 
tão próximas geograficamente, tiveram baixíssimo grau 
de interligação económica, embora existissem razoáveis 
possibilidades hidrográficas de transporte. Pode-se afir- 
mar que a unificação económica do espaço riograndense 
somente se completa com a implantação da malha rodo- 
viária, já nos anos 70. 

A evolução económica do estado acaba por deter- 
minar outras formações, ensejando múltiplas divisões re- 
gionais aos estudiosos. Os trabalhos sobre crescimento eco- 
nómico regional têm definido, pelo menos, mais uma 
formação regional, representada pela área localizada no 
nordeste do estado, com característica urbano-industrial, 
denominada latu sensu eixo Porto Alegre-Caxias do Sul. 
Esse eixo integra as mesorregiões nordeste riograndense e 
metropolitana, atualmente industrializadas e com gran- 
des concentrações urbanas. Conforme Alonso, Benetti e 
Bandeira (1994, p. 224), 

nessa região, cujos traços históricos sofreram forte influência do 
processo de colonização (...), começou a constituir-se, a partir do 
início deste século, um parque industrial, que progressivamente 
suplantou a agricultura e assumiu um papel hegemónico na eco- 
nomia local. Essa área caracteriza-se, na atualidade, pelas gran- 
des aglomerações urbanas. 

A economia gaúcha sempre esteve vinculada, seja 
com o centro do país, seja com o comércio internacional. 
Isso significa que sempre deteve um setor exportador di- 
nâmico e competitivo, ainda que baseado em um ou pou- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



48 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



cos produtos. Nesse sentido, nos primórdios, tem o trigo 
como principal produto de exportação. A carne (charque 
ou frigorificada) e a lã ovina também têm a sua época. Mais 
recentemente, soja e seus subprodutos, calçados, fumo, 
frangos e alguns manufaturados constituem o carro-chefe 
das vendas externas. Com relação ao país, articula-se à di- 
nâmica nacional, obtendo ganhos significativos nas fases 
de expansão (pós-guerra e milagre) e sofrendo estagnação 
ou perdas na crise. 

Após uma década com altas taxas de crescimento, 
a economia gaúcha tem, nos anos 80 e 90, taxas de cresci- 
mento médio anual muito semelhantes às da economia 
brasileira. Segundo informações do IBGE e da Fundação 
de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul (FEE), no 
período de 1980-97, seu crescimento é de 2,2%, bem próxi- 
mo ao da economia brasileira (2,1%); entre 1985 e 1997, 
ambas as economias apontam crescimento de 2,5%; entre 
1990 e 1997, com crescimento de 3%, a economia gaúcha 
supera a brasileira, que cresce 2,8%. 

Se são considerados outros cortes temporais para 
o mesmo período - 1981-83, com recessão; 1984-86, como 
o período de recuperação, exportações e Plano Cruzado; 
1987-89, inflação crónica e tentativas de estabilização; 1990- 
92, recessão e Plano Collor; e 1993-95, Plano Real -, chega- 
se à mesma conclusão quanto à similaridade do compor- 
tamento das taxas de crescimento anualizadas do Brasil e 
do Rio Grande do Sul. Constatam-se diferenças no fato de 
que esses movimentos da economia do Rio Grande do Sul 
não estão se manifestando no território estadual da mes- 
ma forma e no mesmo sentido que vêm ocorrendo no pla- 
no nacional. 

As mudanças na configuração espacial da economia 
brasileira nos últimos 30 anos vêm apontando para uma 
desconcentração da atividade económica a partir do Sudes- 
te, mais especificamente do estado de São Paulo. As áreas 
receptoras de parte dos novos investimentos industriais são 
algumas das regiões metropolitanas (Belo Horizonte, Porto 
Alegre, Salvador, Curitiba e Recife) que já dispõem, no final 
dos anos 60, de um campo aglo-merativo que permite a re- 
produção de diversos ramos da indústria a taxas mais ele- 
vadas. Os ramos que mais se destacam nesse sentido são 
química, petroquímica, metalurgia e mecânica. Outros seg- 
mentos da indústria acompanham o movimento de incor- 
poração das novas fronteiras agrícola e mineral, fazendo com 
que o produto industrial do país tenha a sua geografia mo- 
dificada em alguma medida (Diniz e Lemos, 1986). A ex- 
pansão da fronteira agrícola associada à existência de uma 
rede de cidades com porte e oferta de serviços suficientes às 
exigências da atividade industrial acaba por determinar a 
localização de boa parte da nova agroindústria fora do Su- 
deste, em especial fora de São Paulo. Além disso, a fronteira 
mineral atrai o ramo da siderurgia para estados que nunca 
tiveram tradição industrial (caso do Pará, por exemplo). 



No Rio Grande do Sul, não é possível afirmar que 
tenha ocorrido um movimento que denotasse descon- 
centração industrial. Na verdade, alguns estudos de- 
monstraram que as modificações na geografia da indús- 
tria riograndense têm ocorrido predominantemente no 
interior da Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) 
e no seu entorno. Simultaneamente, as desigualdades 
inter-regionais de renda têm-se acentuado no estado, re- 
sultando em regiões, como a que usualmente é chamada 
metade sul, estagnada há quase meio século e sem sinais 
de recuperação. 

Em termos da renda interna do estado, há grande con- 
centração de municípios com participação no valor adiciona- 
do total superior a 1%, continuamente desde 1980 na área 
metropolitana de Porto Alegre, no seu entorno e na aglome- 
ração urbana de Caxias do Sul (Tabela 6). Além dessas áreas, 
Pelotas e Rio Grande, assim como Passo Fundo, Santa Cruz 
do Sul e Santa Maria apresentam o mesmo desempenho 
(Mapa 1). Em 1992, os 21 municípios com participação supe- 
rior a 1% no valor adicionado total somam 67,98%. 

Os movimentos da economia gaúcha, ante a nacio- 
nal, nos anos 8.0 e 90, acabam por reforçar a importância de 
algumas áreas, ao mesmo tempo em que deprimem a posi- 
ção de outros locais que outrora ocuparam posições melho- 
res do que atualmente. Isso significa que no Rio Grande do 
Sul, em nenhum momento da história recente, é possível vis- 
lumbrar a hipótese de uma reversão da polarização, a exemplo 
do que sé imagina para o caso brasileiro. Na verdade, a con- 
centração urbano-industrial que se estabelece, primeiro na 
RMPA, um pouco mais tarde na Aglomeração Urbana da 
Região Nordeste (AURNe), e com menor intensidade em 
Pelotas e Rio Grande, apenas se consolidou nas últimas dé- 
cadas. Diferentemente de uma suposta desconcentração, o 
que se observa é um movimento de espraiamento, ou seja, 
um extravasamento dos limites da RMPA por parte das no- 
vas localizações industriais. Portanto, o que há é um proces- 
so de incorporação de territórios do entorno metropolitano 
ao espaço económico da RMPA, que poderia ser denomina- 
do de área de expansão metropolitana ou zona perime- 
tropolitana. Outra área de concentração que se acentua é a 
AURNe, que tem como pólo a cidade de Caxias do Sul e Ben- 
to Gonçalves em posição de segundo nível na aglomeração. 

A aglomeração Pelotas-Rio Grande também envol- 
ve certo grau de concentração urbano-industrial, apesar 
das crises regional e nacional que se abatem sobre os dois 
centros. Do ponto de vista industrial, essas duas cidades 
têm perdido expressão no contexto do estado, mas essa 
perda tem sido, em parte, compensada pela expansão das 
atividades terciárias que atendem às necessidades de am- 
pla região circunvizinha. 

Outras áreas do estado demonstraram, no período 
estudado, sinais evidentes da formação de eixos de desen- 
volvimento. E o caso do espaço constituído pelas cidades 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



49 



I 



TABELA 6 

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — MUNICÍPIOS COM PARTICIPAÇÃO SUPERIOR A 1% NO VALOR ADICIONADO 

(1980-92) 





Município 1980 1983 












Posição (a) 


1985 


1986 


1989 


1991 


1992 


4 


Bento Gonçalves 












4 


Canoas 












4 


Caxias do Sul 












4 


Esteio 












4 


Gravataí 












4 


Novo Hamburgo 












4 


Passo Fundo 












4 


Pelotas 












4 


Porto Alegre 












4 


Rio Grande 












4 


Santa Maria 












4 


São Leopoldo 












4 


Sapucaia do Sul 












3 


Guaíba 












3 


Farroupilha 












3 


Campo Bom 












3 


Santa Cruz do Sul 












3 


Triunfo 












3 


Uruguaiana 












2 


Santana do Livramento 












2 


Sapiranga 












2 


Lajeado 












2 


Cachoeirinna 


v 










1 


Bagé 












1 


Itaqui 












Número d 


e municípios com particip. > 1 % 19 20 


20 


19 


19 


23 


21 


Participaçã 


o no total do Estado (%) 57,21 55,51 
1992). 


56,16 


60,25 


61,40 


70,75 


67,97 


Fonte: FEE (' 






Nota: 














(a) A posição tem como referência a seguinte relação: 












4 - com 


participação > 1 % continuamente desde 1 980; 












3 - com 


participação > 1 % continuamente desde 1 980, exceto em um ano,- 












2 - com 


participação > 1 % descontinuamente,- 












1 - com 


participação >1% em apenas um ano. 













de Erechim, Passo Fundo e Carazinho e diversos peque- 
nos centros localizados entre elas e no seu entorno, todos 
na parte norte do planalto riograndense. O processo repe- 
te-se no espaço formado e liderado pelas cidades de 
Panambi, Cruz Alta, Ijuí, Santo Angelo, Santa Rosa e 
Horizontina, situadas no noroeste do Rio Grande do Sul. 
Esses dois espaços são parte da chamada região da produ- 
ção de grãos (soja, milho e trigo). 

As demais áreas do estado (mesorregiões centro- 
ocidental, sudoeste e sudeste) podem ser classificadas 
como espaços com baixíssima capacidade de crescimento 
nos anos 80 e 90, consolidando tendências já observadas 



em décadas anteriores (Alonso, 1984; Alonso e Bandeira, 
1990; Alonso, Benetti e Bandeira, 1994). 

Esse é o formato do desenvolvimento regional 
do Rio Grande do Sul na chamada década perdida (déca- 
da de 80) e também nos anos 90 - cujos resultados não 
são muito diferentes, embora haja a perspectiva da 
emergência de um novo ciclo de investimentos indus- 
triais. Esse cenário é caracterizado por perspectivas de 
expansão de investimentos no setor produtivo e pelas 
incertezas introduzidas pela movimentação de capitais 
na esfera financeira. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



50 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Pelo lado da extração mineral e da agropecuária, 
não há nada que indique algum fato relevante a ponto de 
revelar novas espacialidades no estado. A fronteira agro- 
pecuária está esgotada, não há novas áreas férteis a serem 
incorporadas. Nesse setor, só é possível o surgimento de 
áreas com desempenho económico diferenciado median- 
te uma combinação de incorporação de novas tecnologias 
às produções já existentes e/ou mudança do perfil produ- 
tivo (novos produtos). Tal mudança já está ocorrendo, mas 
de forma muito lenta e/ou sofrendo descontinuidade, o 
que tende a inibir o aparecimento de novas espacialidades. 
Portanto, no decorrer deste estudo serão considerados os 
movimentos do capital industrial para desenhar as ten- 
dências de dinamismo ou estagnação relativas das regi- 
ões do estado, pelo menos para um horizonte de médio 
prazo, com maior segurança, e para o longo prazo, com 
maior incerteza. 



2 Caracterização da Rede 
Urbana Regional 



Os anos 70 representam, para a região Sul, um pe- 
ríodo de urbanização intensa e de concentração popula- 
cional em aglomerações urbanas. Essas feições confirmam- 
se nos anos 80 e início dos anos 90, apontando para ten- 
dências de consolidação desse processo. 

As mudanças estruturais na economia rural, com 
modificações profundas nas relações de trabalho, resultam 
em intensos fluxos migratórios, inicialmente em direção às 
fronteiras internas aos próprios estados e, posteriormente, 
externas aos mesmos, fundamentalmente na busca de op- 
ções no mercado de trabalho urbano. No entanto, o acelera- 
do ritmo de crescimento da população urbana - da ordem 
de 5% a.a. nos anos 70 - declina, nos anos seguintes, para 
taxas geométricas inferiores a 3% a.a. A população rural, 
sofrendo fortes declínios, provoca perdas na população to- 
tal dos estados, que, de absorvedores nos anos 60, passam à 
condição de expulsores nos anos subsequentes: o Paraná, 
em declínio acentuado, chega a apresentar taxas inferiores 
a 1% a.a., mostrando sinais de recuperação entre 1991 e 1996, 
quando cresce à taxa de 1,28% a.a.; o Rio Grande do Sul, em 
declínio continuado, atinge nesse período 1,07% a.a.; e San- 
ta Catarina, com reduções menos acentuadas, apresenta a 
taxa de 1,43% a.a. (Tabela 7). 

Os movimentos migratórios, refletindo distintas 
etapas do processo de transformação da estrutura pro- 
dutiva regional, marcam ritmos diferenciados de cres- 
cimento demográfico, ora determinando a elevação das 
taxas de incremento populacional, ora revertendo ten- 



dências. Assim, a intensidade dos fluxos migratórios 
inter-regionais vem sofrendo redução, ainda que no 
Paraná o saldo migratório negativo seja muito elevado. 
A migração de retorno começa a ter impulso nos anos 
80, provavelmente em razão do esgotamento das opor- 
tunidades de inserção produtiva na fronteira agrícola 
do Norte do país e às dificuldades impostas pela crise 
económica, que estreita as possibilidades de sucesso no 
mercado de trabalho urbano-industrial do Centro-sul 
brasileiro. 

Destaca-se a importância dos deslocamentos intra- 
estaduais, com o predomínio de trocas entre áreas do pró- 
prio interior dos estados, responsáveis por novas aglome- 
rações constituídas a partir do reforço de grandes e/ou 
médios centros que se tornam áreas de atração, incluindo 
nessa atratividade seus municípios adjacentes. Mesmo as- 
sim, as aglomerações metropolitanas continuam represen- 
tando importantes focos receptores da imigração inter e 
intra-estadual. 

2.1 Descrição e Evolução do Perfil 
da Rede Urbana 

Embora seja constatada relativa desaceleração no 
processo de urbanização, essa vem mantendo-se concen- 
trada e em grau elevado, levando a maioria da popula- 
ção a viver em cidades, e de forma mais adensada em 
poucos municípios dos estados (Ipardes, 1997a). Isso de- 
corre do fato de que a crise que se abateu no meio rural 
continua expulsando parcelas de população com desti- 
no aos centros urbanos, mesmo que esses tenham perdi- 
do, em termos relativos, a capacidade atrativa dos anos 
anteriores quanto à possibilidade de oferta de melhores 
condições de vida. 

Assim, a principal característica da rede urbana 
sulina, comum nos três estados, é a constituição de 
espacialidades de concentração e de esvaziamento. Em 
um extremo, a conjunção de municípios cada vez mais 
populosos demarca aglomerações - espaços qualifica- 
dos como áreas de concentração tanto populacional 
quanto da atividade económica, constituídos por um 
conjunto de municípios com crescimento elevado (sem- 
pre superior ao crescimento médio do estado) e contí- 
nuo (desde os anos 70 e/ou 80) - reforçando a concen- 
tração da população em determinadas áreas. Em 1991, 
61,3% da população urbana da região Sul vive em cida- 
des com mais de 50 mil habitantes, a maioria integran- 
do as espacialidades de concentração, numa participa- 
ção que cresce, em 1996, para 62,37% (Tabela 8). No mes- 
mo período, a participação desse conjunto de centros 
no total dos municípios da região decresce de 7,33% para 
6,81%, devido à fragmentação territorial que essa vem 
sofrendo. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional ■ 51 



■ 



I 



TABELA 7 

REGIÃO SUL — POPULAÇÃO TOTAL E TAXA DE CRESCIMENTO GEOMÉTRICO ANUAL DA POPULAÇÃO TOTAL, 

URBANA ERURAL(1 970-96) 



Indicadores 




Paraná 


Santa Catarina 


Rio Grande 
do Sul 


Região Sul 


População 












1970 




6.929.868 


2.901.734 


6.664.891 


14.496.493 


1980 




7.629.392 


3.627.933 


7.773.837 


19.031.162 


1991 




8.448.713 


4.541.994 


9.138.670 


22.129.377 


1996 




9.003.804 


4.875.244 


9.637.682 


23.516.730 


Taxa de Crescimento Pop. 


Total 










1970-80 




0,96 


2,23 


1,54 


1,43 


1980-91 




0,93 


2,04 


1,47 


1,37 


1991-96 




1,28 


1,43 


1,07 


1,24 


Taxa de Crescimento Pop. 


Urbana 










1970-80 




5,80 


5,47 


3,91 


4,86 


1980-91 




2,97 


3,62 


2,61 


2,43 


1991-96 




2,47 


2,11 


1,61 


2,03 


Taxa de Crescimento Pop. 


Rural 










1970-80 




-3,32 


-1,16 


-2,08 


-2,48 


1980-91 




-3,03 


-0,90 


-1,48 


-2,00 


1991-96 




-2,41 


-0,35 


-0,81 


-1,32 



Fontes: IBGE (Censos Demográficos 1970/80/91 e Contagem da População 1 996)/lpardes. 



I 



TABELA 8 

REGIÃO SUL — CENTROS URBANOS COM POPULAÇÃO SUPERIOR A 50 MIL HABITANTES, PARTICIPAÇÃO DA 
POPULAÇÃO NO TOTAL DA POPULAÇÃO URBANA DOS ESTADOS E REGIÃO SUL E PARTICIPAÇÃO DO NÚMERO 
DOS CENTROS NO TOTAL DE MUNICÍPIOS (1 970-96) 



Indicadores 

1970 

Centros > 50 mil habitantes 

% na população urbana 

% do total de municípios 
1980 

Centros > 50 mil habitantes 

% na população urbana 

% do total de municípios 
1991 

Centros > 50 mil habitantes 

% na população urbana 

% do total de municípios 
1996 

Centros > 50 mil habitantes 

% na população urbana 

% do total de municípios 

Fontes: IBGE (Censos Demográficos 1970/80/91 e Contagem da População 1 996)/lpardes. 



Paraná 


Santa Catarina 


Rio Grande 
do Sul 


Região Sul 


5 


7 


12 


24 


40,46 


45,71 


53,65 


47,77 


1,74 


3,55 


5,17 


3,35 


14 


9 


24 


47 


52,92 


47,71 


64,30 


57,01 


4,83 


4,57 


10,34 


6,54 


22 


12 


30 


64 


60,47 


51,01 


66,75 


61,30 


6,81 


5,53 


9,01 


7,33 


24 


13 


34 


72 


62,00 


51,20 


67,95 


62,37 


6,47 


5,00 


7,96 


6,81 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



52 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Em outro extremo, é significativo o número de 
municipalidades que se enquadra na categoria de cresci- 
mento menor que 1% a.a. ou com decréscimo de popula- 
ção. No período de 1980-91, esse número chega a repre- 
sentar 76,2% dos municípios do Paraná, 54,9% dos de Santa 
Catarina e 66,6% dos municípios do Rio Grande do Sul. 
Chama a atenção que a grande maioria desses municípios 
vivenciava processo de esvaziamento desde a década de 
70. Ou seja, dos municípios enquadrados nessa categoria 
de crescimento entre 1980 e 1991, no Paraná, 81,7% já per- 
diam população desde a década de 70; em Santa Catarina, 
61,3%; e no Rio Grande do Sul, 59% (Ipardes, 1997a). 

Uma análise das taxas de crescimento da popula- 
ção total dos municípios do Sul aponta para a redução 
da sua intensidade. Até a década de 70, o crescimento da 
população total dos municípios da região associa-se às 
possibilidades de sustentação das próprias áreas rurais, 
com a atividade agropecuária em expansão e uma indus- 
trialização incipiente. Com a modernização da agrope- 
cuária e o incremento da atividade industrial, especial- 
mente nas áreas metropolitanas de Porto Alegre e Curitiba 
entre 1970 e 1980, os municípios do Rio Grande do Sul já 
apresentam sinais generalizados de esvaziamento da 
população total e os do Paraná formam áreas de forte 
evasão, principalmente no norte e noroeste, já os de San- 
ta Catarina mantêm ainda crescimento elevado. Nos três 
estados, os núcleos concentradores já se definem: no Rio 
Grande do Sul, consolida-se a área metropolitana de Porto 
Alegre, os núcleos das regiões de Caxias do Sul, de Ijuí, 
de Passo Fundo e de Pelotas; no Paraná, além da confi- 
guração da área metropolitana de Curitiba, já apontam 
como concentradores os núcleos de Londrina e Maringá; 
e, em Santa Catarina, definem-se os núcleos de Blumenau, 
Joinville e Florianópolis. 

Nos anos 80, o crescimento urbano expande-se as- 
sociado à persistência e à expansão do esvaziamento rural, 
o qual insere maior número de municípios do noroeste do 
Rio Grande do Sul, passa a incluir municípios das regiões 
oeste e sudoeste dó Paraná e tem início no oeste catarinense. 
Consolidam-se as aglomerações metropolitanas e as aglo- 
merações urbanas anunciadas na década anterior, ao redor 
de núcleos concentradores, e insinuam-se novas concentra- 
ções, como as de Cascavel /Toledo e Foz do Iguaçu, no 
Paraná, e Itajaí, em Santa Catarina. Concomitantemente, 
inicia-se a configuração de inúmeras aglomerações contí- 
nuas 2 aos centros urbanos concentradores dos três estados. 
Nessa época, já se verifica crescimento bastante intenso nos 
municípios litorâneos. 

Os anos 90 apontam para a continuidade do esva- 
ziamento populacional de forma generalizada, incorpo- 



rando novas áreas, sem ainda se haver esgotado nas áreas 
iniciais (Mapa 2). Esse fenómeno, em 1991, ocorre em 
78,12% dos municípios da região Sul, significando que 
prossegue seu curso, agora sobre contingentes de popula- 
ção bastante reduzidos. O Paraná é o estado com a maior 
proporção de municípios nessa condição. Para o contexto 
demográfico da região Sul, o início do decréscimo da po- 
pulação urbana em alguns centros pode ser considerado 
um novo fenómeno explicativo do momento de transição. 

As aglomerações reforçam-se com crescimento ex- 
tremamente elevado dos municípios periféricos e peque- 
na redução do crescimento da população dos pólos. A aglo- 
meração metropolitana de Porto Alegre começa a expan- 
dir-se na direção de pequenas aglomerações vizinhas, 
como Lageado/ Estrela, Santa Cruz do Sul e Montenegro, 
inserindo-as numa dinâmica comum. Articulação similar 
ocorre também entre as aglomerações do leste catarinense 
e entre as do norte do Paraná (Mapa 3). 

As taxas de crescimento em ritmo mais intenso são 
observadas em municípios pertencentes às aglomerações 
urbanas, metropolitanas ou não metropolitanas. Registra- 
se também a ampliação de suas áreas de polarização, de 
sua densidade e do conjunto envolvido na contiguidade 
da ocupação (Mapa 4). 

Dentre os poucos municípios com crescimento da 
população rural (a grande maioria não alcançando o pata- 
mar de referência de 1% a.a.), a quase totalidade situa-se 
em áreas de fraca dinâmica rural, podendo estar parcial- 
mente associados à reconversão agrícola, pela proximida- 
de dos centros consumidores, como é o caso de municí- 
pios localizados nas aglomerações urbanas, metropolitanas 
ou não, mas, fundamentalmente, decorrem de crescimen- 
to urbano que extrapola os limites do perímetro urbano 
oficialmente constituído. Acima da média de 1% a.a. entre 
1980 e 1991, encontram-se apenas 16 municípios no Paraná, 
22 em Santa Catarina e 83 no Rio Grande do Sul. 

Nesse período, verifica-se também o aumento do 
grau de urbanização das municipalidades por todo o 
território sulino. 

O comportamento do crescimento da população 
por classe de tamanho foi analisado sob dois recortes: 
classes definidas por análise de cluster, realizada no âm- 
bito da pesquisa (Ipea/IBGE/Unicamp/Nesur, 1999), 
e tipologia dos municípios (IBGE, 1991, atualizada para 
1999 por Ipardes). O recorte por cluster - efetuado so- 
bre os municípios da região Sul, agregando os perten- 
centes às regiões metropolitanas em um grupo específi- 
co - demonstra que o conjunto de municípios do grupo 
A (população total em 1991 de até 16.718 habitantes) 
está perdendo população, com taxas de -0,26% a.a. - 



São contínuas as aglomerações formadas por municípios vizinhos com alta densidade e mancha de ocupação independente, porém 
com tendência a tornar-se única. Ver também nota 5, página 68. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



53 



único grupo nessa condição (Tabela 9). É também o gru- 
po com menor grau de urbanização (44,41%). Essa situ- 
ação de perda está bastante condicionada pelo compor- 
tamento do Paraná, cujo conjunto de municípios perde 
população à taxa de -1,13% a. a.; já nos estados de Santa 
Catarina e Rio Grande do Sul o grupo tem taxas ínfi- 
mas, porém positivas. A maioria dos municípios com 
baixo crescimento ou perda de população total locali- 
za-se nesse grupo. Essa condição aparece em menor 



porporção nos demais grupos, influenciada pela redu- 
ção da população rural. 

Numa ordem crescente, o grupo B (população en- 
tre 16,767 e 27.504 habitantes) apresenta pequeno cres- 
cimento de 0,53% a. a., também condicionado pelo 
Paraná, que registra decréscimo; os demais estados, por 
sua vez, apresentam crescimento próximo às suas res- 
pectivas médias. Seu grau de urbanização é também 
baixo (58,17%). 



I 



TABELA 9 

REGIÃO SUL — PARTICIPAÇÃO PERCENTUAL DOS GRUPOS NA POPULAÇÃO TOTAL, GRAU DE URBANIZAÇÃO E 
TAXA DE CRESCIMENTO GEOMÉTRICO ANUAL DA POPULAÇÃO TOTAL, SEGUNDO CLASSE DE TAMANHO POR 
CLUSTER (1980-91) 

Êm % 



População Total do Estado 



1980 



Estado 

Paraná 

Grupo A 

Grupo B 

Grupo C 

Grupo D 

Metropolitano 
Total 
Santa Catarina 

Grupo A 

Grupo B 

Grupo C 

Grupo D 
Total 
Rio Grande do Sul 

Grupo A 

Grupo B 

Grupo C 

Grupo D 

Metropolitano 
Total 

Região Sul 

Grupo A 

Grupo B 

Grupo C 

Grupo D 

Metropolitano 
Total 



Nota: Classificação por Cluster, segundo a população total: 
Grupo A - 1.047 a 16.718 habitantes; 
Grupo B - 16.767 a 27.504 habitantes,- 
Grupo C - 27.684 a 76.592 habitantes,- 
Grupo D - 76.968 a 390.100 habitantes. 



1991 



26,81 


21,36 


16,13 


13,66 


19,24 


18,96 


18,93 


22,34 


18,88 


23,68 


1 00,00 


100,00 


31,27 


26,83 


12,90 


12,46 


22,90 


24,02 


32,93 


36,69 


1 00,00 


100,00 


20,06 


17,30 


12,01 


11,69 


20,25 


19,33 


1 8,96 


19,70 


28,72 


31,98 


1 00,00 


100,00 


24,91 


20,81 


13,83 


12,60 


20,35 


20,15 


21,62 


24,19 


19,29 


22,25 


100,00 


100,00 


icos e Tabulai 


;ões especiais da pesquisa (Ipea, 



Grau de Urbanização 
1991 

49,52 
53,94 
68,57 
90,38 
93,82 



43,28 
54,10 
78,59 
91,06 



39,45 
64,90 
71,60 
88,02 
96,85 



44,41 
58,17 
72,22 
89,80 
95,62 

IBGE, Unicamp/Nesur) (1998). 



Taxa de Crescimento da 

População Total 

1980-91 

-1,13 
-0,58 

0,80 

2,46 

3,03 



0,65 
1,74 
2,51 
3,07 



0,14 
1,24 
1,06 
1,85 
2,49 



-0,26 
0,53 
1,29 
2,43 
2,70 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 






54 I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 2 

REGIÃO SUL — ÁREAS DE ESVAZIAMENTO POPULACIONAL: TAXAS NEGATIVAS DE CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO 

TOTAL (1970-96) 




DECRÉSCIMO DA POPULAÇÃO TOTAL 

i 7J No período 1991-96 

í ^ Nos períodos de 1970-80 e 1991-96 

i | Nos períodos de 1980-91 e 1991-96 

f I Nos períodos de 1970-80, 1980-91 e 1991-96 

í ^J Municípios com acréscimo entre 1991-96 



Fonte: Ipardes; Censo Demográfico 1991 e Contagem da 

População 1996-IBGE. 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 



144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional I ~> -> 



I 



I 



MAPA 3 

REGIÃO SUL — ÁREAS DE CONCENTRAÇÃO POPULACIONAL (1970-96) 




CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO TOTAL 

■ _ ~ ] Maior que a taxa estadual entre 1 991-96 

Q 7J Maior que a taxa estadual entre 1970-80 e 1991-96 

j __] Maior que a taxa estadual entre 1980-91 e 1991-96 

'"Hl Maior que a taxa estadual entre 1970-80, 1980-91 e 1991-96 

| _ _ ] Menor que a taxa estadual 

TAXAS DE CRESCIMENTO ANUAL DA POPULAÇÃO (em %) 

1970-80 1980-91 1991-96 
Paraná 0,96 0,93 1,28 

Santa Catarina 2,23 2,04 1,43 

Rio Grande do Sul 1.54 1.47 1.07 

Fonte: Ipardes; Censo Demográfico 1991 e Contagem 

da População 1996-IBGE. 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



56 I Redes Urbanas Regionais: Sul 



■ 



I 



MAPA 4 

REGIÃO SUL — CRESCIMENTO DA POPULAÇÃO TOTAL (1 991-96) 




TAXAS DE CRESCIMENTO (em %) 
i _~ J Menor ou igual a 
| ]J De a 1 ,24 
! 7J De 1,25 a 2, 
| | Maior que 2,48 

Nota: 1 .24% a. a. é a laxa geométrica de crescimento anual 
da Região Sul para o período 1991-96. 

Fonte: Ipardes; Censo Demográfico 1991 e Contagem 

da População 1996-IBGE. 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



57 



O grupo C (população entre 27.684 e 76.592 habitan- 
tes) tem seu crescimento em 1,29% a.a. e uma urbanização 
mais expressiva (72,22%). É curioso que o Rio Grande do 
Sul - contrariando a tendência de maior crescimento con- 
forme maior contingente de população - tem nesse grupo 
taxa inferior à do grupo B. No Paraná, é o primeiro grupo 
que tem taxa positiva, porém inferior à média do estado. 
Apenas Santa Catarina tem o crescimento populacional des- 
se grupo superior ao seu crescimento médio. 

Uma das maiores intensidades de crescimento está 
no grupo D (população entre 76.968 e 390.100 habitan- 
tes), que reúne municípios maiores e mais urbanizados. 
Sua taxa de crescimento é de 2,43% a.a. e seu grau de 
urbanização, 89,80%. Tal crescimento é fortemente con- 
dicionado por Santa Catarina, que apresenta a maior taxa 
entre os três estados (3,07% a.a.). Esse comportamento 
resulta da intensificação dos deslocamentos populacio- 
nais, tanto os de origem rural quanto os que procedem 
do próprio meio urbano em direção aos centros com mais 
de 50 mil habitantes na área urbana, provocando incre- 
mento significativo no contingente dessa população. 

Os municípios das áreas metropolitanas - conside- 
rando-se apenas as regiões metropolitanas oficialmente ins- 
tituídas pelas leis federais n os 14 e 20/73 - destacam-se nos 
agrupamentos por cluster por apresentar crescimento ainda 
mais elevado (2,70% a.a.) e grau de urbanização bem superi- 
or ao dos demais (95,62%). Esse comportamento ressalta a 
importância da atratividade exercida por essas regiões no Sul. 
Os pólos dessas aglomerações ainda apresentam crescimen- 
to elevado, especialmente Curitiba, que, entre 1980 e 1991, 
cresceu à taxa de 2,28% a.a., mantendo essa intensidade no 
período de 1991-96 (com 2,31%). Porto Alegre, já com sinais 
de arrefecimento, cresceu 1,06% a.a. entre 1980 e 1991, redu- 
zindo o ritmo para 0,41% entre 1991 e 1996. No entanto, essas 
aglomerações aumentam a participação de sua população no 
total dos respectivos estados - Porto Alegre passa de 28,70%, 
em 1980, para 32,23% em 1996, e Curitiba passa de 18,88% 
para 26,23% -; por outro lado, os pólos metropolitanos têm 
reduzida sua participação no total regional - de 50,44% para 
41,50% e de 71,15% para 62,30%, respectivamente, de 1980 a 
1996 em Porto Alegre e Curitiba (Ipardes, 1997a). 

O padrão concentrador fica explicitado em taxas 
de crescimento mais elevadas para grupos de maior con- 
tingente populacional e na tendência crescente de partici- 
pação desses mesmos grupos no total da população. De 
modo geral, o grupo de municípios de menor tamanho 
vem perdendo participação em favor dos grupos de mai- 
or tamanho. No Paraná e Rio Grande do Sul, somados os 
grupos D e metropolitano, obtém-se participação próxi- 
ma a 50%. Em Santa Catarina, essa concentração dá-se entre 
os grupos C e D. Ressalve-se que, para esse estado, não há 
separação dos municípios metropolitanos, por inexistir, no 
período, região metropolitana oficialmente instituída. 



Esse padrão não rompe, contudo, o equilíbrio da rede 
urbana da região Sul, comparativamente a outras regiões bra- 
sileiras. Em alguns estados do Norte, Nordeste e até mesmo 
no Rio de Janeiro, aproximadamente mais da metade 
da população urbana reside nas capitais no Sul; contu- 
do, Porto Alegre concentra 16,5%, Curitiba, 21,1% e Flo- 
rianópolis, 7% dessa população em 1996 - sendo esta a 
capital brasileira que retém a menor proporção da po- 
pulação urbana do estado. 

Os centros com população superior a 50 mil habi- 
tantes são fundamentais na organização da rede urbana 
regional. Distribuem-se em toda a extensão geográfica 
dos estados do Rio Grande do Sul e Paraná e, em Santa 
Catarina, de forma mais concentrada no eixo leste (Mapa 
5). Muitos deles aglutinam-se nos espaços das aglomera- 
ções urbanas, metropolitanas ou não, mas o arranjo es- 
pacial, ao longo das décadas, reforça também a impor- 
tância de poucos centros isolados, hoje correspondendo 
exatamente aos pólos regionais consolidados do interior. 

Recorrendo ao recorte da tipologia dos municípios, 
na região Sul ainda predominam municípios rurais 
(49,08%), ou seja, com grau de urbanização inferior a 50% 
(Tabela 10), e atividades centradas no setor primário 
(Mapa 6). Grande número de municípios (26,52%) encon- 
tra-se em transição para o urbano, com grau de urbaniza- 
ção já superando os 50%. Os municípios desses dois tipos, 
contendo 33,09% da população da região Sul, estão na gran- 
de maioria inseridos em um processo de esvaziamento. 
Também está submetida a esse processo uma parcela dos 
municípios pequenos, porém com grau de urbanização su- 
perior a 75% e características de ocupação económica tipi- 
camente urbanas (Mapa 7). Esses municípios têm base pro- 
dutiva predominantemente rural e mão-de-obra ocupada 
no mercado de trabalho do setor terciário, dependente mui- 
tas vezes de atividades da administração pública munici- 
pal. A fragilidade de sustentação dessas atividades garan- 
te a permanência de uma população mínima, com níveis 
de crescimento abaixo do vegetativo, ou perda absoluta. 
Porém, há conjuntos de municípios desse tipo, situados 
nas espacialidades de concentração, com tendência dis- 
tinta, integrados à dinâmica das aglomerações, vivendo 
um processo de urbanização crescente com taxas de cres- 
cimento da população bastante elevadas. 

Os municípios urbanos de média e grande di- 
mensão, com população superior a 50 mil habitantes e 
grau de urbanização superior a 75%, com atividades 
centradas principalmente na indústria, comércio e ser- 
viços, são os pólos da rede urbana e os principais inte- 
grantes das aglomerações da região Sul, com tendênci- 
as de continuidade de seu processo concentrador. Há 
exceções em casos de antigos pólos que consolidaram 
uma centralidade mesmo situando-se em área de 
desaceleração da dinâmica da base produtiva (Mapa 8). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA 10 

REGIÁO SUL — TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS (a) (1 996) 



Estado 

Paraná 

Santa Catarina 

R.G.doSul 

Região Sul 



Grande 
Dimensão 



Municípios Urbanos 
Média 
Dimensão 



Pequena 
Dimensão 



N° 

4 

2 

4 

10 



% 

1,00 
0,77 
0,94 
0,92 



N° 

22 
14 
32 
68 



% 

5,51 
5,38 
7,49 
6,26 



N° 

96 

36 

55 

187 



Fontes: IBGE (1 980)/lpardes (1996). 
Notas: 

(a) A tipologia de 1 996 foi adaptada da metodologia do IBGE de 1 980. 

(b) Para o Paraná, inclui os municípios instalados em 1/1/1 997. 



% 

24,06 

13,85 

12,88 

9,42 



Média 
Dimensão 
N' 



Em Transição 



Pequena 
Dimensão 



Rurais 
Pequena 
Dimensão 



% 
0,75 
0,77 
0,70 
0,74 



N° 

140 
58 
82 

280 



% 
35,09 
22,31 
19,20 
25,78 



N° 

134 
148 
251 
533 



% 
33,58 
56,92 
58,78 
49,08 



Total 

399 (b) 

260 

427 

1.086 



2.2 Classificação e Hierarquização 
da Rede Urbana 3 

A definição das escalas da rede urbana (Tabela 11) 
tem como princípio apontar áreas que manifestam 
atratividade por um período relativamente longo e com ten- 
dências de manutenção dessa dinâmica. O indicador-base 
para a identificação e o escalonamento das categorias espa- 
ciais dessa rede urbana, para a região Sul, foram as taxas 
geométricas de crescimento anual dos períodos de 1970-80, 
1980-91 e 1991-96, selecionando como espacialidades de con- 
centração ou principais categorias na escala da rede urbana 
os municípios com crescimento superior à média dos esta- 
dos em dois ou três intervalos. 

Outros indicadores considerados foram: tamanho da 
população; nível de centralidade, principalmente para iden- 
tificação dos pólos das aglomerações e demais centros ur- 
banos que desempenham papel expressivo na rede urbana; 
grau de urbanização; população economicamente ativa ocu- 
pada em atividades urbanas; densidade demográfica; e par- 
ticipação no total do valor adicionado fiscal do estado. Quan- 
do disponíveis, foram considerados os levantamentos de 
fluxos de passageiros e, para o caso das aglomerações, com- 
plementarmente, a mancha de ocupação dos municípios em 
relação ao pólo ou aos subpólos. Com relação à centralida- 
de, foram considerados os níveis estabelecidos pelo estudo 
Regiões de influência das cidades (Regic), desenvolvido pelo 
IBGE, quais sejam: máximo, muito forte, forte, forte para 
médio, médio, médio para fraco, fraco e muito fraco. 

Ressalve-se que os contornos dessas aglomerações 
obedecem exclusivamente aos critérios explicitados, 
desvinculando-se de qualquer recorte institucional oriun- 
do de legislações estaduais e/ou federais que tenham criado 



regiões metropolitanas e/ou aglomerações urbanas - como é 
o caso da Lei federal n Q 14/73, que instituiu as Regiões Me- 
tropolitanas de Porto Alegre e Curitiba, bem como das legis- 
lações estaduais, alterando sua composição original; da Lei 
estadual n Q 162/98, instituindo as Regiões Metropolitanas de 
Florianópolis,, do Vale do Itajaí e do norte e nordeste 
catarinense; Leis estaduais n e 81 /98 e n e 83/98, instituindo as 
Regiões Metropolitanas de Londrina e Maringá; e Lei esta- 
dual n s 10.335/94, instituindo a aglomeração urbana da re- 
gião nordeste do Rio Grande do Sul. 

De acordo com esses critérios, foram definidas como 
principais - categorias na escala da rede urbana da região Sul 
as aglomerações metropolitanas de Porto Alegre e Curitiba 
e a pré-metropolitana de Florianópolis. Além dessas, inte- 
grando níveis inferiores, porém de destaque na rede urba- 
na, foram identificados centros e aglomerações urbanas não- 
merropolitanas, cujo enquadramento em uma escala hierár- 
quica foi concebido a partir de suas diferentes localizações 
geográficas. As aglomerações urbanas não-metropolitanas 
distinguem-se: ora por configurar manchas caracteristica- 
mente de ocupação contínua, ora por guardar uma proxi- 
midade geográfica, serem densas, populosas, porém com 
descontinuidade de mancha de ocupação - sendo, contu- 
do, fortemente articuladas na mesma dinâmica económi- 
ca -, ora por decorrer de eixos menos populosos ou densos 
mas também fortemente articulados numa mesma dinâmi- 
ca económica com relevância na base produtiva dos esta- 
dos. Foram identificados também centros urbanos que não 
constituem aglomeração urbana e que exercem forte atua- 
ção como pólos e subpólos regionais. Nessa escala, integram- 
se ainda ocupações contíguas e/ou contínuas de municí- 
pios com elevado crescimento da população em áreas lito- 
râneas ou em conurbações fronteiriças (Mapa 9). 



Essa classificação da rede urbana da região Sul guarda alguma diferença com relação à classificação final da rede urbana do Brasil, 
apresentada no volume 1 e que se encontra nos Anexos deste volume (Tabelas A.21 a A.25). Na finalização dos trabalhos, o processo 
de análise conjunta das demais redes urbanas das grandes regiões do país, bem como a consideração de outros indicadores e critérios 
resultaram em sua alteração. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional I a" 



I 



I 



MAPA 5 

REGIÃO SUL — CENTROS URBANOS COM MAIS DE 50 MIL HABITANTES (1 970-96) 




POPULAÇÃO URBANA 
(em mil habitantes) em 1 996 



O 


50- 100 


o 


100-200 


O 


200 - 500 


u 


/ Maior que 500 


Nos períodos 


WÊÊk 


Maior que 50 desde 1 970 


■ 


Atingiram 50 entre 1970-80 


I I 


Atingiram 50 entre 1980-91 


I I 


Atingiram 50 entre 1991-96 



Fonte: Ipardes; Censos Demográficos 1970/80/91 

e Contagem da População 1996-IBGE. 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



60 I H Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 6 

REGIÃO SUL — TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS RURAIS E EM TRANSIÇÃO PARA O URBANO (1 996) 




TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS 

i _H Rurais 

| _j Em transição para o urbano com pequena dimensão 

I Em transição para o urbano com média dimensão 
I | Urbanos 

Fonte: Ipardes; IBGE/Degeo (1996). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 1 44 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional I 61 



■ 



I 



MAPA 7 

REGIÁO SUL — TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS URBANOS (1 996) 




TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS 
L_H_ J Em transição para o urbano e rurais 
I Urbanos de pequena dimensão 

i __] Urbanos de média dimensão 

! | Urbanos de grande dimensão 



Fonte: Ipardes; IBGE/Degeo (1996). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



62 H Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 8 

REGIÃO SUL — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 

j | Médio para fraco e médio 

| ] Médio para forte 

I Forte 
| | Muito forte e máximo 
I I Demais níveis 

Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1996). 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional I 6 O 



■ 



I 



MAPA 9 

REGIÀO SUL — ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1 998) 




H Aglomerações urbanas metropolitanas 
H Aglomerações urbanas pré-metropolitanas 
~~] Aglomerações urbanas (maior porte) 
~fl Aglomerações urbanas (menor porte) 

| Aglomerações descontínuas 
■ Eixos articulados 



Fonte: Ipardes. 

Base Cartográfica: IBGE (1997). 

Nota: O tom mais forte corresponde ao núcleo da aglomeração. 



Ocupações contínuas litorâneas 
Ocupações contínuas de fronteiras 
Centros regionais 
Centros sub-regionais 



72 144 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



64 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



1 TABELA 1 1 


























REGIÁO SUL — ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1 980-96) 










D 








População 1 996 


Taxa de 


: Cresc. 


























Anual % 


Evol. cresc. 


Grau de 




Mancha 


Valor 


PEA 


Categoria 


UF 


Tipo 


Regic w 




% no 






1970- 


Urban. 


Densidade 


de 


Adie. 


Urbana 




1 996 (b) 




Total 


Total do 


1980- 


1991- 


96 (d) 


1996 




Ocup. 


1996 (f) 


1991 w 












Estado 


91 


96 








(e) 






Aglomerações Metropolitanas 
























Porto Alegre (MN) (a) 


RS 


1 


8 


1.288.879 


13,37 


1,06 


0,41 





97,38 


2.562,40 


1 


14,052 


99,20 


Alvorada 


RS 


2 


1 


162.005 


1,68 


4,09 


2,71 


4 


99,93 


2.219,20 


2 


0,176 


99,50 


Cachoeirinha 


RS 


2 


1 


96.548 


1,00 


3,08 


1,86 


4 


99,27 


2.194,30 


2 


0,899 


99,60 


Campo Bom 


RS 


2 


1 


52.096 


0,54 


3,22 


1,73 


4 


96,40 


868,27 


2 


1,034 


99,40 


Canoas 


RS 


1 


5 


284.059 


2,95 


2,17 


1,09 


4 


100,00 


2.168,40 


2 


7,022 


98,80 


Eldorado do Sul® 


RS 


5 




22.852 


0,24 


5,10 


5,33 




70,54 


34,62 


2 


0,409 


92,20 


Estância Velha 


RS 


3 


1 


31.374 


0,33 


6,41 


2,20 


4 


93,95 


603,35 


2 


0,570 


98,40 


Esteio 


RS 


2 


2 


75.233 


0,78 


3,00 


1,32 


4 


99,90 


2.686,90 


2 


1,282 


99,40 


Gravataí 


RS 


2 


3 


206.023 


2,14 


5,23 


2,66 


4 


92,28 


430,11 


2 


1,614 


97,80 


Guaiba 


RS 


2 


3 


85.969 


0,89 


5,78 


1,79 


4 


97,74 


228,03 


2 


0,864 


94,00 


Nova Santa Rita 


RS 


6 


1 


12.467 


0,13 


0,00 


4,86 




22,29 


57,19 


2 


0,295 




. Novo Hamburgo 


RS 


2 


5 


226.070 


2,35 


3,80 


1,94 


4 


93,50 


1.046,60 


2 


3,343 


99,00 


São Leopoldo 


RS 


2 


6 


180.617 


1,87 


4,96 


1,50 


4 


98,86 


1.688,00 


2 


2,276 


99,20 


Sapiranga 


■RS 


2 


1 


65.909 


0,68 


5,43 


2,39 


4 


87,16 


387,70 


2 


0,764 


97,60 


Sapucaia do Sul 


RS 


2 


3 


114.012 


1,18 


2,57 


1,71 


4 


99,40 


1.965,70 


2 


1,367 


99,30 


Viamão 


RS 


2 


4 


196.685 


2,04 


3,38 


3,11 


4 ' 


81,09 


132,18 


2 


0,283 


95,80 


Arariçá (h) 


RS 











0,00 


0,00 









3 






Charqueadas' 1 ' 


RS ■ 


3 


1 


27.231 


0,28 


1,76 


1,96 




96,79 


363,08 


3 


0,294 


96,60 


Glorinha' 1 ' 


RS 


6 


1 


4.718 


0,05 


0,99 


0,57 




21,75 


14,00 


3 


0,012 


49,00 


Igrejinha 


RS 


3 


1 


24.503 


0,25 


4,97 


3,68 


4 


94,34 


168,99 


3 


0,419 


93,50 


Ivoti 


RS 


3 


1 


13.199 


0,14 


5,70 


3,50 


4 


82,60 


203,06 


3 


0,231 


85,70 


Parobé» 


RS 


3 


1 


40.480 


0,42 


10,89 


4,90 




96,55 


364,68 


3 


0,550 


97,20 


Portão 


RS 


3 




22.460 


0,23 


5,62 


2,93 


' 4 


83,50 


141,26 


3 


0,387 


90,30 


Rolante 


RS 


3 


1 


16.689 


0,17 


5,82 


4,53 


3 


75,15 


61,81 


3 


0,125 


73,20 


São Jerónimo 


RS 


5 


3 


19.712 


0,20 


0,42 


-0,93 





72,19 


18,17 


3 


0,081 


49,50 


São Sebastião do Caí 


RS 


5 


3 


19.163 


0,20 


2,15 


2,67 


3 


71,11 


149,71 


3 


0,232 


80,90 


Taquara 


RS 


3 


4 


47.574 


0,49 


2,65 


2,34 


4 


82,02 


106,67 


3 


0,213 


89,20 


Três Coroas 


RS 


3 • 


1 


17.276 


0,18 


3,37 


2,79 


4 


82,20 


108,65 


3 


0,277 


87,00 


Triunfo 


RS 


5 


1 


19.536 


0,20 


2,36 


1,77 


3 


58,22 


23,71 


3 


3,245 


71,00 


Bom Retiro do Sul' 1 ' 


RS 


5 


1 


12.626 


0,13 


2,38 


1,97 


3 


66,85 


67,16 


4 


0,127 




Dois Irmãos 


RS 


3 


1 


17.997 


0,19 


4,97 


4,27 


3 


98,57 


246,53 


4 


0,249 


85,80 


Estrela 


RS 


3 


4 


26.425 


0,27 


1,76 


1,57 


4' 


79,76 


143,61 


4 


0,489 


75,80 


Lajeado 


RS 


2 


5 


62.819 


0,65 


2,10 


2,07 


3 


88,54 


170,70 


4 


0,915 


73,90 


Montenegro 


RS 


3 


4 


49.316 


0,51 


3,01 


1,39 


3 


89,94 


111,83 


4 


0,552 


84,30 


Nova Hartz (i) 


RS 


3 


1 


12.917 


0,13 


9,33 


5,32 




76,32 


218,93 


4 


0,147 


94,80 


Teutônia' 1 ' 


RS 


5 


1 


19.969 


0,21 


3,39 


2,63 




70,31 


92,88 


4 


0,408 


69,10 


Sta.GuzdoSul(GR2)«RS 


2 


5 


100.433 


1,04 


1,67 


1,99 


3 


83,03 


162,78 


4 


3,379 


64,70 


Venâncio Aires 


RS 


4 


2 


57.071 


0,59 


2,12 


1,54 


3 


56,13 


75,39 


4 


0,855 


50,70 


Vera Cruz 


RS 


6 


1 


19.557 


0,20 


2,31 


1,80 


4 


41,18 


64,33 


4 


0,354 


49,70 


Subtotal 








3.752.469 


38,94 


2,33 


1,26 




92,84 


321,44 




49,791 




Curitiba (MN) W 


PR 


1 


8 


1.476.253 


16,40 


2,28 


2,31 


4 


100,00 


3.425,20 


1 


25,669 


99,10 


Almirante Tamandaré 


PR 


2 


1 


89.410 


0,99 


6,01 


6,02 


4 


89,54 


167,43 


2 


0,359 


91,20 


Araucária 


PR 


2 


1 


76.684 


0,85 


5,23 


4,29 


4 


89,52 


162,81 


2 


6,794 


84,30 


Campina G. do Sul 


PR 


5 


1 


31.444 


0,35 


6,18 


9,72 


4 


73,10 


58,01 


2 


0,146 


85,30 


Campo Largo 


PR 


2 


3 


82.972 


0,92 


2,54 


2,69 


4 


76,83 


66,06 


2 


0,840 


84,40 


Colombo 


PR 


2 


1 


153.698 


1,71 


5,70 


5,33 


4 


94,98 


966,65 


2 


0,728 


96,20 


Fazenda Rio Grande 


PR 


3 


1 


45.299 


0,50 


0,00 


11,91 


4 


89,40 


374,37 


2 


0,079 




Pinhais 


PR 


2 


1 


89.335 


0,99 


0,00 


3,38 


4 


92,67 


1.464,50 


2 


1,008 




Piraquara 


PR 


4 


1 


52.486 


0,58 


3,76 


10,24 


4 


53,56 


230,20 


2 


0,054 


97,50 


Quatro Barras 


PR 


3 


1 


13.901 


0,15 


5,10 


6,57 


4 


88,28 


77,23 


2 


0,211 


89,50 


São José dos Pinhais 


PR 


2 


1 


169.035 


1,88 


5,37 


5,65 


4 


89,45 


181,37 


2 


2,479 


92,60 


Balsa Nova 


PR 


6 


1 


8.745 


0,10 


3,20 


3,03 


4 


32,35 


25,20 


3 


0,346 


71,60 


Campo Magro (h ' 


PR 


3 









0,00 


0,00 


4 






3 







Continua 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regiona 



I 



65 



1 TABELA 1 1 


























REGIÃO SUL 


— ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1 980-96) 










D 


























Continuação 










População 1 996 


Taxa de 


Cresc. 


























Anual % 


Evol. cresc. 


Grau de 




Mancha 


Valor 


PEA 


Categoria 


UF ,& »■*" 


Total 


%no 
Total do 


1980- 


1991- 


1970- 

96» 


Urban. 
1996 


Densidade 


de 
Ocup. 


Adie. 
1996« 


Urbana 
1991< 3 ) 












Estado 


91 


96 








W 






Bocaiuva do Sul 


PR 


6 




8.583 


0,10 


-1,17 


1,91 


2 


35,66 


10,54 


3 


0,055 


36,50 


Contenda 


PR 


6 




12.332 


0,14 


1,53 


6,43 


3 


44,35 


60,75 


3 


0,066 


51,10 


Itaperuçu 


PR 


5 




17.603 


0,20 


0,00 


9,89 





51,17 


58,68 


3 


0,111 




Mandirituba 


PR 


6 




15.218 


0,17 


8,26 


2,61 


4 


34,98 


37,86 


3 


0,088 


77,20 


Rio Branco do Sul 


PR 


5 




23.212 


0,26 


1,70 


-3,43 





66,35 


28,24 


3 


0,637 


66,40 


Tijucas do Sul 


PR 


6 




11.559 


0,13 


2,24 


2,45 


3 


14,73 


17,33 


4 


0,047 


41,60 


Tunas do Paraná 


PR 


6 




3.426 


0,04 


0,00 


3,65 


2 


30,85 


5,01 


4 


0,005 




Subtotal 








2.381.195 


26,45 


3,03 


3,44 




93,08 


260,13 




39,722 




Aglomerações Pré-metropol 


tanas 
























Florianópolis (CR) W 


SC 


1 


7 


271.281 


5,56 


2,78 


1,24 





92,40 


620,78 


1 


4,169 


97,90 


Biguaçu 


SC 


3 


1 


40.047 


0,82 


4,20 


3,35 


4 


87,67 


132,17 


2 


0,406 


89,70 


Palhoça 


SC 


2 


1 


81.176 


1,67 


5,32 


3,54 


4 


96,84 


251,32 


2 


0,342 


95,10 


São José 


SC 


2 


5 


151.024 


3,10 


4,20 


1,63 


4 


91,15 


589,94 


2 


2,273 


97,70 


António Carlos 


SC 


6 


1 


6.007 


0,12 


0,34 


1,39 





20,14 


24,72 


3 


0,120 


45,50 


Governador Celso RamosSC 


5 


1 


10.864 


0,22 


1,90 


2,48 


1 


72,43 


1,47 


3 


0,017 


49,40 


Santo Amaro da ImperatrizSC 


5 




14.569 


0,30 


1,48 


1,73 


1 


60,26 


41,27 


3 


0,066 


84,10 


Tijucas 


SC 


3 


1 


20.160 


0,41 


2,70 


0,52 





77,09 


72,26 


4 


0,781 


81,10 


Subtotal 








595.128 


12,21 


3,49 


1,75 




89,97 


258,86 




8,174 




Aglomerações Urbanas (maior porte) 
























Londrina (CR) W 


PR 


1 


7 


421.343 


4,68 


2,34 


1,54 


4 


95,00 


197,07 


1 


3,888 


91,60 


Cambe 


PR 


2 


1 


80.867 


0,90 


2,87 


1,82 


4 


91,98 


162,71 


2 


0,664 


89,60 


Ibiporã 


PR 


3 


1 


38.798 


0,43 


2,20 


1,96 


3 


88,79 


129,76 


2 


0,231 


86,20 


Apucarana 


PR 


2 


5 


101.083 


1,12 


1,54 


1,23 





92,59 


181,48 


3 


0,759 


86,20 


Arapongas 


PR 


2 


4 


75.038 


0,83 


1,51 


3,01 


3 


92,79 


202,26 


3 


0,915 


87,50 


Jataizinho 


PR 


3 


1 


12.096 


0,13 


0,79 


2,97 


1 


86,19 


72,00 


3 


0,047 


73,10 


Rolândia 


PR 


3 


3 


44.379 


0,49 


0,50 


1,35 


1 


87,65 


96,48 


3 


0,597 


74,40 


Tamarana <fc) 


PR 


3 


- 










4 






3 






Subtotal 








773.604 


8,59 


2,07 


1,65 




93,29 


172,29 




7,101 




Caxias do Sul (CSR1)«RS 


1 


6 


325.694 


3,38 


2,55 


2,32 


4 


90,18 


205,10 


1 


5,558 


94,60 


Bento Gonçalves 


RS 


2 


5 


83.201 


0,86 


2,66 


2,42 


4 


88,60 


217,80 


2 


1,486 


85,20 


Carlos Barbosa 


RS 


5 


1. 


18.955 


0,20 


2,56 


3,61 


3 


65,76 


96,22 


2 


0,405 


76,90 


Farroupilha 


RS 


4 


3 


52.821 


0,55 


4,15 


3,14 


4 


61,16 


134,06 


2 


1,417 


84,50 


Garibaldi 


RS 


5 


1 


28.296 


0,29 


1,47 


2,05 


3 


63,02 


83,96 


2 


0,883 


78,80 


São Marcos 


RS 


3 


1 


17.359 


0,18 


2,70 


1,86 


4 


77,75 


65,75 


2 


0,179 


86,40 


Flores da Cunha 


RS 


6 


1 


20.559 


0,21 


2,30 


3,25 


3 


49,10 


70,17 


3 


0,321 


61,90 


António Prado 


RS 


5 


1 


11.767 


0,12 


1,78 


1,40 


3 


62,42 


34,31 


4 


0,158 


62,30 


Guaporé 


RS 


3 


3 


18.732 


0,19 


1,00 


1,59 


1 


84,10 


59,85 


4 


0,169 




Nova Prata 


RS 


5 


3 


16.440 


0,17 


2,03 


1,78 


3 


72,28 


63,47 


4 


0,208 


80,50 


Veranópolis 


RS 


5 


3 


18.122 


0,19 


1,83 


1,41 


3 


72,80 


65,42 


4 


0,278 


84,20 


Subtotal 








611.946 


6,35 


1,84 


1,96 




82,00 


131,69 




11,062 




Joinville (CSR 1) w 


SC 


1 


6 


397.951 


8,16 


3,49 


2,82 


4 


93,65 


367,79 


1 


14,567 


98,30 


Araquari 


SC 


5 


1 


17.573 


0,36 


4,61 


7,15 


3 


71,64 


43,61 


2 


0,125 


73,00 


Garuva 


SC 


5 


1 


10.285 


0,21 


4,11 


3,29 


3 


69,28 


20,57 


2 


0,071 


71,70 


São Francisco do Sul 


SC 


3 


1 


27.787 


0,57 


3,29 


-1,27 





89,14 


51,27 


2 


0,473 


91,50 


Itapoá 


SC 


3 


1 


5.830 


0,12 


4,59 


7,92 


3 


89,83 


22,77 


3 


0,034 


70,90 


Jaraguá do Sul 


SC 


2 


4 


93.076 


1,91 


4,20 


3,94 


4 


77,47 


172,36 


3 


5,157 


94,20 


Schroeder 


SC 


5 


1 


9.294 


0,19 


0,00 


7,19 


1 


50,87 


62,38 


3 


0,171 


87,50 


Guaramirim 


SC 


3 


1 


20.830 


0,43 


4,40 


3,44 


3 


81,47 


85,72 


4 


0,545 


85,50 


Subtotal 








582.626 


11,95 


3,77 


2,83 




88,60 


156,83 




21,143 




Pelotas (CSR 1) (l) 


RS 


1 


7 


307.667 


3,19 


1,73 


1,13 


4 


91,89 


1 60,08 


1 


2,575 


88,80 


Rio Grande 


RS 


2 


4 


178.256 


1,85 


1,52 


0,68 





96,17 


62,85 


2 


2,055 


89,90 


Capão do Leão 


RS 


3 


1 


20.978 


0,22 


3,77 


2,15 


■0 


88,64 


26,76 


2 


0,169 


90,30 


Subtotal 








506.901 


5,26 


1,58 


1,00 




93,26 


91,47 




4,799 





Continua 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



66 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



1 TABELA 1 1 


























1 REGIÃO SUL 


— ESCALA DE CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1 980-96) 










D 


























Continuação 






População 1996 


Taxa de 


Cresc. 


























Anual % 


Evol. cresc. 


Grau de 




Mancha 


Valor 


PEA 


Categoria 


UF Tipo 
1 996 (b) 


Regic w 


Total 


%no 
Total do 


1980- 


1991- 


1970- 

96 <d) 


Urban. 
1996 


Densidade 


de 
Ocup. 


Adie. 
1996 (l) 


Urbana 
1991( 3 ) 












Estado 


91 


96 








(e) 






Blumenau (CSR 1) w 


SC 


2 


6 


231 401 


4,75 


2,71 


1,79 


4 


85,94 


453,73 


1 


9,008 


98,50 


Gaspar 


SC 


5 


2 


40.584 


0,83 


3,00 


2,69 


4 


64,21 


109,69 


2 


1,029 


92,80 


Indaial 


SC 


3 


2 


35.340 


0,72 


3,68 


3,28 


4 


94,18 


82,19 


2 


0,911 


94,40 


Timbó 


SC 


3 


3 


26.497 


0,54 


2,59 


2,20 


4 


80,17 


203,82 


2 


1,009 


92,40 


Brusque 


SC 


2 


4 


66.558 


1,37 


3,09 


2,85 


3 


91,20 


236,86 


3 


2,256 


98,40 


Guabiruba 


SC 


5 


1 


11.539 


0,24 


2,96 


3,15 


3 


58,38 


66,70 


3 


0,122 


95,20 


Pomerode 


SC 


3 


1 


21.189 


0,43 


2,44 


2,50 


3 


75,33 


97,20 


3 


0,644 


93,00 


Ilhota 


SC 


5 


1 


10.023 


0,21 


1,45 


1,21 





58,26 


40,91 


4 


0,369 


83,40 


Subtotal 








443.131 


9,09 


2,59 


2,19 




83,20 


188,01 




15,348 




Maringá (CSR 1)<<> 


PR 


1 


7 


267.942 


2,98 


3,24 


2,18 


4 


97,39 


545,71 


1 


2,888 


95,70 


Paiçandu 


PR 


3 


1 


27.119 


0,30 


5,63 


4,01 


3 


97,11 


158,59 


2 


0,111 


86,10 


Sarandi 


PR 


2 


1 


60.212 


0,67 


7,17 


4,54 


3 


95,45 


578,96 


2 


0,148 


94,00 


Marialva 


PR 


3 


2 


25.254 


0,28 


0,87 


2,20 


2 


75,06 


53,05 


3 


0,230 


65,70 


Subtotal 








380.527 


4,23 


3,73 


2,70 




95,58 


306,38 




3,377 




Aglomerações Urbanas (menor porte) 






















Cascavel (CSR 1) w 


PR 


2 


6 


219.652 


2,44 


2,87 


2,59 


4 


93,51 


106,32 


1 


2,324 


90,30 


Santa Tereza do Oeste 


PR 


5 


1 


10.406 


0,12 


-1,46 


10,62 


• 


60,74 


29,82 


2 


0,042 


51,00 


Toledo 


PR 


2 


4 


90.417 


1,00 


2,54 


0,94 





84,19 


75,16 


2 


1,301 


75,40 


Cafelândia 


PR 


5 


1 


10.334 


0,11 


2,39 


4,89 


3 


73,18 


40,37 


3 


0,288 


69,60 


Corbélia 


PR 


3 


2 


15.968 


0,18 


-1,15 


-0,40 





76,53 


29,25 


3 


0,140 


49,50 


Ibema 


PR 


5 


1 


6.756 


0,08 


4,52 


2,02 


3 


61,32 


43,31 


3 


0,054 


58,40 


Subtotal 








353.533 


3,93 


2,38 


1,33 




88,19 


77,26 




4,149 




Criciúma (CSR 2) w 


SC 


2 


5 


159.101 


3,26 


3,33 


1,72 


4 


90,02 


757,62 


1 


2,570 


97,30 


Içara 


SC 


5 


1 


42.096 


0,86 


4,04 


2,05 


• 4 


72,62 


133,22 


2 


0,572 


77,30 


Araranguá 


SC 


2 


4 


55.449 


1,14 


3,27 


2,80 


4 


83,50 


141,45 


3 


0,486 


85,90 


Cocai do Sul 


SC 


3 


1 


12.486 


0,26 


0,00 


0,99 





78,62 


157,05 


3 


0,498 




Maracajá 


SC 


5 


1 


5.352 


0,11 


0,99 


2,94 


1 


56,52 


75,38 


3 


0,090 


72,90 


Forquilhinha 


SC 


6 


1 


16.106 


0,33 


3,83 


2,80 


3 


33,66 


87,53 


3 


0,378 


75,60 


Morro da Fumaça 


SC 


5 


1 


13.389 


0,27 


2,80 


1,62 


4 


67,81 


161,31 


3 


0,210 


87,90 


Sombrio 


SC 


5 


1 


25.532 


0,52 


5,91 


2,84 


3 


66,25 


84,54 


3 


0,183 


75,80 


Subtotal 








329.511 


6,76 


3,34 


2,86 




80,23 


174,62 




4,987 




Itajaí (CSR 2) w 


SC 


2 


5 


134.942 


2,77 


2,95 


2,48 


4 


95,78 


443,89 


1 


4,162 


94,10 


Balneário Camboriú 


SC 


2 


3 


58.188 


1,19 


5,55 


7,75 


4 ' 


98,11 


1.265,00 


2 


0,502 


97,30 


Camboriú 


SC 


3 


1 


34.054 


0,70 


5,51 


5,80 


4 


95,14 


1 60,63 


2 


0,167 


92,20 


Navegantes 


SC 


3 


T 


32.363 


0,66 


5,06 


6,58 


4 


87,54 


271,96 


2 


0,411 


78,20 


Itapema 


SC 


3 


1 


18.222 


0,37 


5,57 


8,55 


4 


94,50 


308,85 


3 


0,100 


91,20 


Porto Belo 


SC 


3 


1 


7.606 


0,16 


2,93 


1,81 


3 


91,24 


80,91 


3 


0,073 


71,20 


Subtotal 








285.375 


5,85 


4,04 


4,11 




95,04 


342,18 




5,415 




Foz do Iguaçu (CSR 1) W PR 


2 


5 


231.627 


2,57 


3,83 


3,95 


4 


98,57 


392,59 


1 


6,065 


97,20 


Santa Terezinha de ItaipuPR 


3 


1 


16.690 


0,19 


1,86 


3,30 


3 


86,45 


57,75 


2 


0,101 


83,40 


Ciudad dei Este (Paraguai)" 


























Puerto Iguazu (Argentina)*' 
























- 


Subtotal 








248.317 


2,76 


3,75 


3,98 




97,76 


282,50 




6,166 




Aglomerações Descontínuas 


























Ijuí 


RS 


2 


6 


75.575 


0,78 


0,53 


0,68 





84,48 


83,23 


1 


0,732 


78,50 


Cruz Alta 


RS 


2 


5 


71.135 


0,74 


1,03 


0,68 





91,32 


29,20 


4 


0,626 


85,60 


Horizontina 


RS 


3 




16.993 


0,18 


0,12 


-0,04 





76,33 


73,56 


4 


0,270 


71,10 


Panambi 


RS 


3 


3 


31.647 


0,33 


1,91 


1,52 


4 


83,21 


64,45 


4 


0,382 


80,60 


Santa Rosa 


RS 


2 


5 


62.553 


0,65 


1,00 


1,45 


2 


85,16 


128,18 


4 


0,633 


84,40 


Santo Angelo 


RS 


2 


5 


75.511 


0,78 


0,64 


0,92 





86,13 


111,54 


4 


0,438 


79,80 


Subtotal 








333.414 


3,46 


0,28 


0,50 




85,91 


63,74 




3,081 




Ponta Grossa (CSR 2] 


i«PR 


1 . 


6 


256.302 


2,85 


2,05 


1,82 


4 


95,32 


115,09 


1 


2,741 


94,20 


Carambeí 


PR 


3 






















2 






Castro 


PR 


4 


2 


67.553 


0,75 


2,29 


1,06 





65,13 


22,31 


3 


1,166 


68,10 


Subtotal 








323.855 


3,60 


2,13 


1,68 




89,02 


61,63 




3,907 





Contir 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



67 



1 TABELA 1 1 

REGIÃO SUL — ESCALA DE 


CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1 980-96) 










B 








População 1996 
















Continuação 




Taxa de 


Cresc. 
















Anual % 


Evol. cresc. 


Grau de 




Mancha 


Valor 


PEA 


Categoria 


UF 


Tipo 


Regic w 




% no 






1970- 


Urban. 


Densidade 


de 


Adie. 


Urbana 




1 996 (b) 


Total 


Total do 


1980- 


1991- 


96< d > 


1996 




Ocup. 


1996 (f) 


1991< 9 ' 












Estado 


91 


96 








(e) 






Passo Fundo (CSR 2) w 


RS 


2 


7 


156.333 


1,62 


2,15 


2,06 


4 


96,08 


205,97 


1 


1,525 


91,90 


Carazinho 


RS 


2 


5 


56.959 


0,59 


0,82 


1,18 


2 


93,52 


62,59 


3 


0,398 


80,40 


Marau 


RS 


3 


3 


25.348 


0,26 


1,95 


2,90 


3 


75,16 


41,42 


3 


0,265 


66,40 


Erechim 


RS 


2 


5 


81.932 


0,85 


1,96 


2,57 


4 


86,69 


107,38 


4 


0,654 


84,80 


Subtotal 








320.572 


3,33 


1,31 


1,10 




91,57 


105,31 




2,842 




Chapecó (CSR 2) w 


SC 


2 


6 


131.014 


2,69 


3,48 


3,09 


4 


87,00 


209,62 


1 


3,150 


77,20 


Xanxerê 


SC 


3 


4 


37.392 


0,77 


2,01 


1,79 


1 


82,96 


86,76 


1 


0,683 


72,30 


Xaxim 


SC 


5 


1 


22.677 


0,47 


2,23 


2,46 


3 


54,68 


73,39 


3 


0,753 


55,00 


Concórdia 


SC 


4 


4 


58.502 


1,20 


1,44 


-0,52 





62,77 


63,94 


4 


2,195 


61,40 


Joaçaba 


SC 


3 


5 


28.346 


0,58 


1,18 


0,15 





85,69 


79,40 


4 


0,692 


80,60 


Videira 


SC 


3 


3 


39.339 


0,81 


2,29 


1,87 


4 


77,18 


81,45 


4 


1,610 


76,90 


Subtotal 








317.270 


6,51 


3,79 


0,44 




78,41 


101,69 




9,083 




Eixos Articulados 




























São Bento do Sul 


SC 


2 


3 


57.098 


1,17 


3,24 


2,60 


4 


86,82 


117,00 


1 


2,406 


95,70 


Rio Negrinho 


SC 


3 


2 


31.611 


0,65 


2,77 


2,16 


4 


90,79 


53,67 


3 


0,665 


92,80 


Mafra 


SC 


5 


4 


49.479 


1,01 


1,33 


1,03 





71,22 


27,67 


3 


0,741 


76,70 


Subtotal ' 










2,83 














3,812 




Piên 


PR 


6 


1 


8.771 


0,10 


2,34 


2,49 


4 


19,74 


33,73 


3 


0,053 


35,20 


Rio Negro 


PR 


3 


1 


27.824 


0,31 


1,76 


1,12 





77,86 


45,99 


3 


0,576 


79,10 


Subtotal ' 










0,41 














0,629 




Subtotal 








174.783 




2,30 


1,80 




78,33 


46,86 








Francisco Beltrão 


PR 


2 


5 


65.730 


0,73 


2,08 


1,40 


4 


79,16 


91,42 


1 


0,480 


68,00 


Pato Branco 


PR 


2 


5 


57.750 


0,64 


1,75 


2,15 


4 


84,71 


106,94 


1 


0,529 


78,80 


Dois Vizinhos 


PR 


5 


3 


32.084 


0,36 


-0,48 


0,57 





67,54 


76,57 


3 


0,355 


48,90 


Subtotal 








155.564 


1,73 


1,25 


Q,83 




78,82 


92,71 




1,364 




Gramado 


RS 


3 


1 


25.118 


0,26 


2,79 


2,64 


4 


82,95 


103,37 


1 


0,158 


82,60 


Canela 


RS 


3 


1 


30.778 


0,32 


2,32 


4,49 


4 


93,55 


121,65 


2 


0,256 


94,10 


Nova Petrópolis 


RS 


5 


1 


15.298 


0,16 


1,74 


3,48 


3 


63,00 


52,21 


3 


0,162 


66,80 


São Francisco de Paula 


RS 


5 


1 


18.631 


0,19 


0,13 


-0,66 





60,56 


5,59 


3 


0,104 


69,80 


Subtotal 








89.825 


0,93 


1,21 


1,61 




78,54 


21,79 




0,680 




Caçador 


SC 


2 


4 


58.620 


1,20 


2,67 


2,97 


3 


81,92 


58,62 


1 


1,244 


84,70 


Fraiburgo 


SC 


3 


1" 


30.265 


0,62 


5,21 


2,62 


4 


80,96 


70,55 


3 


0,686 


70,40 


Subtotal 








88.885 


1,82 


3,51 


2,30 




81,59 


62,20 




1,930 




Ocupações Contínuas de 


Fronteira 
























Uruguaiana (CSR 2) 


RS 


2 


3 


124.881 


1,30 


2,30 


1,25 


4 


90,69 


18,45 


2 


1,276 


85,70 


Paso de los Libres (Argent.)*' 
























Subtotal 








124.881 


1,30 


2,30 


1,25 




90,69 


18,45 




1,276 




Santana do Livramento 


RS 


2 


3 


85.554 


0,89 


1,50 


1,31 


3 


92,89 


12,29 


2 


0,43 


86,70 


Rivera (Uruguai)"' 






















- 


- 




Subtotal 








85.554 


0,89 


1,50 


1,31 




92,89 


12,29 




0,43 




Ocupações Contínuas Litorâneas 
























Capão da Canoa 


RS 


6 


2 


25.629 


0,27 


5,86 


5,75 





99,40 


264,22 


3 


0,039 


97,60 


Osório 


RS 


3 


4 


33.782 


0,35 


1,33 


2,41 


1 


80,72 


50,80 


3 


0,637 


82,40 


Tramandaí 


RS 


3 


1 


27.874 


0,29 


4,88 


6,84 


4 


91,00 


193,57 


3 


0,048 


94,10 


Torres 


RS 


5 


3 


31.124 


0,32 


0,49 


-0,61 





73,80 


78,20 


4 


0,085 


64,90 


Subtotal 








118.409 


1,23 


1,02 


1,04 




85,37 


90,80 




0,809 




Guaratuba 


PR 


3 


1 


31.635 


0,35 


3,55 


11,28 


4 


88,05 


23,79 


2 


0,072 


76,30 


Matinhos 


PR 


3 




18.721 


0,21 


6,29 


10,05 


4 


98,53 


185,36 


3 


0,060 


93,20 


Pontal do Paraná (k) 


PR 


3 


- 







0,00 


0,00 


4 






3 






Subtotal 








50.356 


0,56 


4,61 


11,42 




84,00 


35,19 




0,132 




Barra Velha 


SC 


3 


1 


13.204 


0,27 


1,11 


3,10 


1 


92,08 


92,99 


2 


0,075 


75,70 


Penha 


SC 


3 


1 


15.473 


0,32 


2,51 


3,43 


4 


8-3,76 


257,88 


2 


0,066 


60,00 


Piçarras 


SC 


3 


1 


9.484 


0,19 


3,18 


3,69 


4 


75,14 


110,28 


2 


0,081 


87,10 


Subtotal 








38.161 


0,78 


2,10 


2,17 




84,49 


132,50 




0,222 





Continua 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



68 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



1 TABELA 1 1 


























1 REGIÃO SUL — ESCALA DE 


CLASSIFICAÇÃO DA REDE URBANA (1980-96) 










m 






Populaç 


io 1996 


Taxa de 


Cresc. 












Conclusão 




















Anual % 


Evol. cresc. 


Grau de 




Mancha 


Valor 


PEA 


Categoria UF 


Tipo 


Regic (c) 




%no 






1970- 


Urban. 


Densidade 


de 


Adie. 


Urbana 


1996 (b) 


Total 


Total do 


1980- 


1991- 


96<« 


1996 




Ocup. 


1996 m 


1991 ( '> 










Estado 


91 


96 








(•) 






Centros Regionais 


























Santa Maria (CSR 2) w RS 


2 


7 


233.351 


2,42 


1,79 


1,73 


3 


91,74 


89,34 




1,242 


91,90 


Guarapuava (CSR 2) w PR 


2 


5 


155.835 


1,73 


2,17 


2,02 


4 


85,25 


43,22 




1,527 


75,70 


Paranaguá (CSR 2) w PR 


2 


1 


124.920 


1,39 


2,48 


2,97 


4 


86,48 


121,87 




1,318 


94,40 


Centros Sub-regionais 


























Lages (CSR 2)« SC 


2 


5 


148.860 


3,05 


1,39 


-0,32 





93,15 


28,10 




2,233 


90,80 


Bagé RS 


2 


4 


115.657 


1,20 


1,58 


1,38 


3 


81,88 


20,38 




0,566 


83,30 


Umuarama PR 


2 


5 


90.878 


1,01 


-0,03 


0,44 





84,24 


54,71 




0,490 


73,00 


Cachoeira do Sul RS 


2 


4 


88.612 


0,92 


0,67 


-0,12 





82,39 


22,62 




0,498 


78,10 


Tubarão SC 


2 


5 


83.728 


1,72 


2,13 


1,14 





85,98 


294,82 




1,283 


95,20 


Campo Mourão PR 


2 


5 


79.508 


0,88 


2,59 


0,40 





92,49 


103,53 




0,599 


84,10 


Paranavaí PR 


2 


5 


72.972 


0,81 


0,77 


0,53 





92,96 


60,51 




0,440 


83,50 


Rio do Sul SC 


3 


5 


47.822 


0,98 


2,10 


0,94 





93,27 


183,23 




0,893 


89,30 


União da Vitória PR 


3 


5 


45.945 


0,51 


0,95 


0,86 





92,37 


62,68 




0,501 


90,30 


São Miguel d'Oeste SC 


5 


5 


36.337 


0,75 


1,51 


-1,45 





73,63 


86,11 




0,437 


54,60 



Fontes: Ipardes (1 996)/Degeo-IBGE/IBGE (Censo Demográfico de 1 991 e Contagem da População 1 996,- Sefa/FPM-PR (1 996), SDE/DG/Geres-SC (1 996),- Renda 

Interna Municipal-RS. 

Notas: 

(a) Classes da Escala da Rede Urbana Brasileira: MG (metrópole global), MN (metrópole nacional), MR (metrópole regional), CR (centro regional), CSR 1 (centro 
sub-regional 1) e CSR 2 (centro sub-regional 2). 

(b) Tipologia 1 996: 1 - urbanos grande dimensão; 2 - urbanos média dimensão,- 3 - urbanos pequena dimensão; 4 - em transição média dimensão,- 5 - em transição 
pequena dimensão,- 6 - rural pequena dimensão. 

(c) Regic - nível de centralidade: 8 - máximo, 7 - muito forte,- 6 - forte,- 5 - forte para médio; 4 - médio,- 3 - médio para fraco; 2 - fraco; 1 - muito fraco. 

(d) Crescimento anual da população acima da média do Estado: 4 - desde 1 970; 3 - desde 1 98Q; 2 - entre 1 970-80 e 1 991-96; 1 - após 1 991 ; - menor que 
a média do estado. 

(e) Ocupação: 1 - centro; 2 - contígua; 3 - contínua,- 4 - descontínua. 

(f) Paraná e Santa Catarina, 1 996; Rio Grande do Sul, 1 992. 

(g) Corresponde aos setores secundário e terciário, 
(h) Município criado após 1 996. 

(i) Município criado após 1 980. _ 

(j) Proporções referentes aos respectivos estados. 

(k) Pelo fato de o estudo abranger apenas o território nacional, não foram obtidos dados das cidades situadas além da fronteira do Brasil. 



Centros regionais e/ou sub-regionais isolados que 
não se enquadraram na categoria de crescimento elevado 
foram incluídos no final da escala de classificação quando 
confirmada sua importância na rede urbana local. 

A classificação e hierarquização aqui desenvolvi- 
das (Tabela 11) subsidiaram a composição da Escala da 
Rede Urbana Brasileira, anunciada no capítulo de Intro- 
dução deste Estudo regional. 

2.2.1 Aglomerações urbanas metropolitanas 

As aglomerações urbanas de caráter metropolita- 
no 4 possuem abrangência nacional quanto a sua impor- 
tância económica e funcional. Caracterizam-se por uma 



mancha de ocupação derivada de conurbação e/ou 
periferização, diretamente polarizada pela metrópole, en- 
volvendo municípios limítrofes com contiguidade, conti- 
nuidade e/ou descontinuidade de ocupação 5 . Apresentam 
população urbana e densidade demográfica elevadas, forte 
articulação económica, intensos fluxos de relações 
intermunicipais com comutação diária, complemen- 
taridade funcional e população ocupada em atividades 
urbanas (setores secundário e terciário). 

Na região Sul, as aglomerações metropolitanas de 
Porto Alegre e Curitiba, por seu padrão funcional e 
abrangência da polarização, foram categorizadas como 
aglomerações metropolitanas de nível nacional. A aglome- 
ração urbana de Florianópolis, pelas características de pólo 



Embora reconhecendo como urbanas tanto as aglomerações de caráter metropolitano quanto as de caráter não-metropolitano, para 
efeitos deste estudo, as primeiras serão denominadas aglomerações metropolitanas e as segundas, aglomerações urbanas. 

Consideram-se contíguos os municípios vizinhos com alta densidade e mancha de ocupação única; contínuos, os municípios vizinhos 
com alta densidade e mancha de ocupação independente, porém com tendência a tornar-se única; descontínuos, os municípios próxi- 
mos, com forte articulação económica e social. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



69 



catarinense de maior complexidade, pela função de capi- 
tal administrativa do estado e pelas tendências de 
metropolização, foi classificada como aglomeração pré-me- 
tropolitana. 

Os centros de Porto Alegre e Curitiba sobressaem- 
se por um exercício de funções de alta e média complexi- 
dade - com especialização em serviços de saúde e educa- 
ção superior; no comércio de produtos e equipamentos de 
ponta para as áreas de informática, saúde e educação, e de 
equipamentos de precisão - e pela localização de agências 
de publicidade, escritórios de consultoria, além do desem- 
penho de funções especiais nos meios de comunicação. A 
estrutura ocupacional terciária desses centros apresenta as 
maiores proporções da região Sul quanto a ocupações em 
atividades bancárias e em serviços técnico-profissionais, e 
proporções secundárias no comércio geral e de máquinas 
e veículos. Florianópolis, embora seja uma aglomeração 
pré-metropolitana, apresenta a segunda maior proporção 
da região Sul quanto à ocupação em bancos - posição in- 
termediária entre Porto Alegre e Curitiba - e uma terceira 
posição, pouco inferior à de Curitiba, quanto a ocupações 
em serviços técnico-profissionais. 

• Aglomeração metropolitana de Porto Alegre 

A aglomeração metropolitana de Porto Alegre agru- 
pa em uma mancha urbana comum 39 municípios 6 . Situa- 
da na mesorregião de mesmo nome, engloba, além da re- 
gião metropolitana oficial, os conjuntos de municípios for- 
mados por Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera Cruz; 
Lageado e Estrela e Montenegro, que ocupam o território 
e comandam, respectivamente, duas mesorregiões: a me- 
tropolitana e a centro-oriental riograndense. 

A aglomeração agrega 3.752.469 habitantes, em um 
processo de crescimento com taxas decrescentes de 2,33% 
e 1,26% a. a. entre 1980 e 1991 e entre 1991 e 1996, respec- 
tivamente. Caracteriza-se pela elevada densidade demo- 
gráfica de 321,44 habitantes por quilómetro quadrado. E 
nessa aglomeração que está localizado o principal pólo 
industrial do Rio Grande do Sul, respondendo por 49,79% 
de seu valor adicionado total. Seu principal centro é Por- 
to Alegre, com nível de centralidade máximo, exercendo 
influência sobre toda a rede do estado, adentrando in- 
clusive o oeste catarinense. Outros centros de destaque 
com centralidade de forte para média são: São Leopoldo, 



uma das mais importantes e antigas cidades da região, 
concentrando atividades industriais, comerciais e de for- 
necimento de serviços - como o de educação de nível 
superior, sediando uma das mais importantes universi- 
dades gaúchas fora da capital -; Canoas, desde 1980 in- 
tegrando o conjunto das cinco maiores cidades do esta- 
do, estabelecendo forte intercâmbio com o pólo em ter- 
mos de moradia e trabalho; Novo Hamburgo, a mais im- 
portante cidade do circuito coureiro-calçadista do Vale 
do Rio dos Sinos, também exercendo, junto com São 
Leopoldo, forte influência sobre os demais municípios 
com base económica sustentada por esse setor na aglo- 
meração metropolitana; Lageado e Santa Cruz do Sul, 
tendo sua polaridade limitada pela proximidade do pólo 
metropolitano; esta última tem destacada importância 
económica por constituir o principal pólo exportador de 
fumo do estado. 

• Aglomeração metropolitana de Curitiba 

Localizada na mesorregião de mesmo nome, a aglo- 
meração metropolitana de Curitiba compreende 19 muni- 
cípios. Desses, somente dez se encontram em uma man- 
cha de ocupação contígua a Curitiba 7 , decorrente do 
extravasamento do pólo sobre áreas vizinhas, em um típi- 
co processo de periferização, com alta densidade e eleva- 
do grau de urbanização. Essa ocupação, com o passar dos 
anos, vem alongando-se em um sentido contínuo, abran- 
gendo, na mesma mancha, municípios já não limítrofes ao 
pólo, assim como outros municípios fora dessa mancha 
contínua de ocupação, que já se apresentam em processo 
de inserção regional. A população desse conjunto, em 1996, 
corresponde a 2.381.195 habitantes, com uma densidade 
demográfica de 260,13, tendo apresentado taxas de cresci- 
mento elevadas e crescentes (3,03% e 3,44% a.a., respecti- 
vamente, entre 1980 e 1991 e entre 1991 e 1996). 

A aglomeração metropolitana de Curitiba concen- 
tra 39,72% do valor adicionado fiscal total do estado. Essa 
participação é crescente ao longo dos anos e caracteriza-se 
por uma estrutura industrial diversificada - com a presen- 
ça dos principais segmentos industriais modernos da me- 
tal-mecânica -, assim como por um setor terciário mais com- 
plexo. Nesse conjunto, evidencia-se nítida hegemonia de 
Curitiba, com centralidade de nível máximo abrangendo 
todos os municípios do Paraná e grande parte dos de Santa 



Porto Alegre contiguamente a Alvorada, Cachoeirinha, Campo Bom, Canoas, Eldorado do Sul, Estância Velha, Esteio, Gravataí, Guaíba, 
Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapiranga, Sapucaia do Sul e Viamão; continuamente a Araricá, Charqueadas, 
Glorinha, Igrejinha, Ivoti, Parobé, Portão, Rolante, São Jerónimo, São Sebastião do Caí, Taquara, Três Coroas e Triunfo; e descontinua- 
mente a Bom Retiro do Sul, Dois Irmãos e Nova Hartz, assim como Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera Cruz (contíguas entre si), 
Lageado e Estrela (conurbados) e Montenegro. 

Curitiba contiguamente a Almirante Tamandaré, Araucária, Campina Grande do Sul, Campo Largo, Colombo, Fazenda Rio Grande, 
Pinhais, Piraquara, Quatro Barras e São José dos Pinhais; continuamente a Balsa Nova, Campo Magro, Contenda, Itaperuçu, Mandirituba, 
Rio Branco do Sul e Bocaiuva do Sul; e descontinuamente a Tijucas do Sul e Tunas do Paraná. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



70 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Catarina. Além de Curitiba, apenas destaca-se a centralida- 
de de Campo Largo, com nível médio para fraco, porém 
subpolarizando apenas Balsa Nova. Em sua área metropo- 
litana estão sete municípios com população superior a 50 
mil habitantes - Piraquara, Almirante Tamandaré, Araucária, 
Campo Largo e Pinhais, bem como Colombo e São José do 
Pinhais, esses com mais de 150 mil habitantes. 

• Aglomeração pré-metropolitana de Florianópolis 

A aglomeração urbana de Florianópolis, localizada na 
mesorregião catarinense da grande Florianópolis, agrega oito 
municípios, três em uma mancha contígua ao pólo (São José, 
Biguaçu e Palhoça). Sua ocupação, sofrendo as limitações de 
um substrato natural permeado por áreas inadequadas, 
adensou a porção territorial continental, extravasando-se so- 
bre municípios vizinhos, constituindo, assim, densa aglome- 
ração urbana. Continuamente, inserem-se Governador Cel- 
so Ramos, Santo Amaro da Imperatriz e António Carlos, e, 
mais distante, Tijucas. Sua população é de 595.128 habitan- 
tes, com uma densidade demográfica de 258,86, e vem apre- 
sentando" crescimento em declínio (de 3,49% para 1,75% a. a., 
respectivamente, entre 1980 e 1991 e entre 1991 e 1996). Flo- 
rianópolis, capital aclministrativa, tem a segunda maior po- 
pulação do estado 8 . Seu nível de centralidade é bastante for- 
te, e sua estrutura ocupacional confirma uma seletividade dos 
serviços financeiros e técnicos especializados, com um 
terciário moderno e complexo, reforçado por importantes uni- 
dades de ensino superior, qualificando a aglomeração distin- 
tamente das demais aglomerações catarinenses. Nessa aglo- 
meração, além de Florianópolis, apenas São José apresenta 
nível de centralidade significativo, de forte para médio, com 
características de estreita complementaridade funcional com 
Florianópolis. Essa aglomeração tem forte articulação espa- 
cial com as aglomerações de Itajaí, Joinville e Blumenau. Sua 
participação no valor adicionado total de Santa Catarina, 
quase totalmente advinda de Florianópolis, é pequena, po- 
rém se distingue por um desempenho crescente com ganhos 
percentuais que dobram sua contribuição no período (de 
4,64%, em 1980, para 8,17% em 1996). 

2.2.2 Centros e aglomerações não-metropolitanos 

Nessa categoria é identificada uma escala de seis 
ordens de centros e aglomerações urbanas de caráter não- 
metropolitano: as cinco primeiras, integrando conjuntos 
com elevado crescimento populacional, peculiarizadas 
pela importância económica e pela continuidade ou 
descontinuidade da mancha de ocupação; e a sexta, por 
um grupo de pequenos e médios centros com polaridade 
destacável. 



As duas primeiras ordens são polarizadas por cen- 
tros de reconhecida importância na rede urbana regional e 
têm abrangência da polarização mais restrita ao âmbito de 
seus próprios estados. A especialidade funcional desses cen- 
tros, além da prestação de serviços de média complexida- 
de, está no comércio geral' e de máquinas e veículos, para 
atendimento da demanda regional. Sua estrutura ocupacio- 
nal terciária apresenta as maiores proporções de ocupação 
nas atividades desse comércio e proporções secundárias em 
atividades bancárias e serviços técnico-profissionais. 

2.2.2.1 Aglomerações urbanas de maior porte 

No início da escala estão as aglomerações urbanas 
com abrangência regional, reunindo as mesmas condições 
de uma aglomeração metropolitana mas distinguindo-se 
desta pelo menor contingente populacional, por serem 
polarizadas por centros com nível de centralidade igual 
ou superior a forte para médio e por uma distribuição de 
bens e serviços mais voltada a parcelas da própria região 
Sul ou do estado. 



• Aglomerações urbanas de Londrina e Maringá 

Em um eixo de intensa complexidade, na mesorre- 
gião norte-central paranaense, articulam-se as aglomerações 
de Londrina e Maringá - dois dos principais pólos regio- 
nais do estado, ambos com centralidade forte e grande di- 
mensão. Londrina forma com Ibiporã e Cambe uma man- 
cha de ocupação contígua. Continuamente, sua aglomera- 
ção integra os municípios de Apucarana, Arapongas, Jandaia 
do Sul e Rolândia, com níveis de centralidade significati- 
vos, de forte para médio até médio para fraco, além de 
Tamarana e Jataizinho. Essa mancha contínua descreve um 
vetor de ocupação ao longo da ligação Londrina-Cornélio 
Procópio. A aglomeração de Londrina tem 773.604 habitan- 
tes, com uma densidade de 172,29, e cresce a taxas elevadas 
porém decrescentes (de 2,07% a.a., entre 1980 e 1991, para 
1,65% a.a., entre 1991 e 1996). A aglomeração de Maringá 
agrega continuamente Sarandi e Paiçandu, e continuamen- 
te, Marialva. Possui 380.527 habitantes, com densidade de- 
mográfica de 306,38, em uma das áreas de maior densidade 
de ocupação do norte do estado. Suas taxas de crescimento 
permanecem bastante elevadas (3,73% e 2,70% a.a., nos pe- 
ríodos analisados). Esse conjunto configura a principal aglo- 
meração urbana do Paraná, na qual a polarização concor- 
rente entre Londrina e Maringá exerce grande força em todo 
o interior do estado, penetrando no Mato Grosso do Sul (re- 
gião de Dourados) e São Paulo (regiões de Presidente Pru- 
dente e Assis). Deve-se ressaltar a importância regional de 
Londrina por oferecer funções que se equiparam a Curitiba 



8 A primeira maior população do Estado de Santa Catarina pertence a Joinville (Contagem da População 1996-IBGE). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



71 



no atendimento a demandas de alta e baixa complexidade. 
Concentrando a segunda maior população urbana do esta- 
do, seguramente essas aglomerações vêm exercendo o pa- 
pel de principais absorvedoras interioranas do movimento 
migratório intra-estadual. Um papel que tende a ser manti- 
do, dado o peso de sua economia - detêm a participação de 
10,47% do valor adicionado total (7,10% correspondendo à 
aglomeração de Londrina e 3,37% à de Maringá). O conjun- 
to pode ser considerado como o mais importante do inte- 
rior, com peso elevado de participação das atividades urba- 
nas - especialmente as de comércio e serviços, sediando as 
duas mais importantes universidades estaduais - e um se- 
tor industrial caracterizado por uma estrutura diversifica- 
da, com predominância agroindustrial. 

• Aglomeração urbana de Caxias do Sul 

Na mesorregião nordeste riograndense, a aglome- 
ração de Caxias do Sul detém 611.946 habitantes e uma 
densidade de 131,69. Seu crescimento é intenso, com taxas 
crescentes de 1,84% e 1,96% a.a., nos períodos analisados. 
Caxias do Sul é o principal centro urbano, com centralida- 
de de nível forte e grande dimensão, seguido por Bento 
Gonçalves, com centralidade de nível forte para médio. 
Caxias do Sul apresenta contiguidade de mancha de ocu- 
pação com Farroupilha e São Marcos, sua área de expan- 
são. Abrange continuamente Bento Gonçalves, que tem 
ocupação contígua com Garibaldi, Carlos Barbosa e Flo- 
res da Cunha, e descontinuamente, António Prado, 
Guaporé, Nova Prata e Veranópolis. Com participação de 
11,06% no valor adicionado total do estado, é uma de suas 
áreas mais dinâmicas, tendo elevado sua participação no 
total da produção do Rio Grande do Sul em todos os seto- 
res económicos entre 1980 e 1992. Esse dinamismo é dado 
por uma estrutura industrial relativamente diversificada, 
em que se destaca o pólo metal-mecânico, que, junto com 
a aglomeração metropolitana de Porto Alegre, forma o mais 
importante eixo industrial do estado, estendendo seu raio 
de influência para além da mesorregião onde se localiza. 
É caracterizado também por ampla oferta de serviços, dos 
quais se destaca o ensino superior. 

• Aglomeração urbana de Joinville 

Desenvolve-se a partir do litoral, penetrando nos 
vales em direção ao planalto, na mesorregião norte 
catarinense. Integra-se às aglomerações de Blumenau e 
Itajaí. Agrega oito municípios, compondo 582.626 habitan- 
tes, com uma densidade de 156,83. Sua dinâmica de cres- 
cimento é notória: entre 1980 e 1991, apresenta taxas de 
3,77% a.a., tendo pequena redução entre 1991 e 1996, quan- 
do passa a apresentar 2,83% a.a. O pólo Joinville, num pro- 
cesso de periferização, extravasou seu crescimento sobre 
os municípios de São Francisco do Sul e Araquari, com 



contiguidade de mancha de ocupação, e vem definindo 
vetores de expansão em direção a Schroeder, Garuva, 
Guaramirim e Jaraguá do Sul, num processo intenso de 
comutação. Sua rede de cidades estrutura-se a partir do 
centro principal, Joinville, com nível de centralidade forte 
e grande dimensão. Com nível de centralidade médio, com- 
põe a rede urbana da aglomeração Jaraguá do Sul, média 
dimensão. A aglomeração participa na renda do estado 
com 21,14%, em uma estrutura setorial nitidamente indus- 
trial com um perfil caracterizado por segmentos moder- 
nos. Sedia os pólos metal-mecânico e plástico de Santa 
Catarina. Essa estrutura industrial tem reforço nas unida- 
des de ensino superior e técnico, sediadas principalmente 
em Joinville. 

• Aglomeração urbana de Pelotas 

Localizada na mesorregião sudeste riograndense, 
a aglomeração de Pelotas, composta de três municípios, 
possui 506.901 habitantes e uma densidade de 91,47. Suas 
taxas de crescimento são comparativamente baixas (1,58% 
e 1,00% a.a., respectivamente, nos períodos analisados). 
Pelotas, pólo da aglomeração, com mais de 300 mil habi- 
tantes, tem centralidade de nível muito forte. Contigua- 
mente a Pelotas, como um bairro do município, situa-se 
Capão do Leão. Rio Grande é a mais importante cidade 
portuária do estado. A participação da aglomeração no 
valor adicionado do estado é de 4,79%, oriunda equilibra- 
damente de Pelotas e Rio Grande. Nesses municípios, lo- 
calizam-se importantes unidades de ensino superior, re- 
forçando a polarização da aglomeração como um todo. 

• Aglomeração urbana de Blumenau 

Localizada na mesorregião do Vale do Itajaí, a aglo- 
meração urbana de Blumenau apresenta alta densidade 
populacional e clara definição de sua dinâmica económi- 
ca, integrando-se espacialmente às aglomerações de 
Joinville, Itajaí e Florianópolis. Possui 443.131 habitantes 
e uma densidade demográfica de 188,01. Vem mantendo 
níveis bastante elevados de crescimento, com taxas de 
2,59% a.a., entre 1980 e 1991, e 2,19% a.a., entre 1991 e 1996. 
Forma uma mancha de ocupação contígua com os muni- 
cípios de Blumenau, Gaspar, Indaial e Timbó, e contínua 
com Brusque, Guabiruba e Pomerode, agregando, 
descontinuamente, Ilhota. Seu principal centro é Blumenau, 
com centralidade de nível forte e média dimensão, segui- 
do por Brusque, que apresenta centralidade de nível mé- 
dio. Sua participação no valor adicionado catarinense é de 
15,34%, em uma dinâmica pautada fundamentalmente nas 
atividades da indústria têxtil e de confecção. A polaridade 
regional reforça-se pela presença da Universidade Regio- 
nal de Blumenau (Furb). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



72 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



2.2.2.2 Aglomerações urbanas de menor porte 

Sob as mesmas condições que as de maior porte, 
essas aglomerações diferem por apresentar menor peso 
económico e pela não-obrigatoriedade de contiguidade de 
mancha de ocupação. 

• Aglomeração urbana de Cascavel 

A aglomeração urbana de Cascavel localiza-se na 
mesorregião oeste paranaense, possui 353.533 habitantes 
e uma densidade demográfica de 77,26. Apresenta ritmo 
de crescimento da população em declínio, com taxas de 
crescimento reduzindo-se de 2,38% a.a., entre 1980 e 1991, 
para 1,33% a.a. entre 1991 e 1996. Configura mancha de 
ocupação contígua com Toledo e Santa Tereza do Oeste e 
vetores de expansão definidos na direção de Marechal 
Cândido Rondon. Forma anéis de intenso crescimento de 
população nos municípios vizinhos a Cascavel, como 
Cafelândia, Corbélia e Ibema. Cascavel, com centralidade 
de nível forte, é o pólo regional que se coloca entre as prin- 
cipais cidades paranaenses, reforçando-se na diversidade 
das atividades e funções que desempenha. Sua especi- 
ficidade está na localização estratégica, no fato de ser um 
entroncamento de acesso a fronteiras internacionais e no 
acúmulo de funções de alta e média complexidade para o 
atendimento das demandas regionais. Toledo é o centro 
secundário, com nível de centralidade médio. Essa aglo- 
meração comanda uma região agroindustrial, tendo par- 
ticipação de 4,14%, no valor adicionado do estado, forte- 
mente condicionada por Cascavel e Toledo. Várias unida- 
des de ensino superior localizam-se nesse centros. 

• Aglomeração urbana de Criciúma 

Na mesorregião sul catarinense, a aglomeração ur- 
bana de Criciúma abriga 329.511 habitantes e tem uma den- 
sidade de 174,62. Vem crescendo expressivamente a taxas 
de 3,34% e 2,86% a.a. nos períodos analisados. Seu centro 
principal é Criciúma, com centralidade de nível forte para 
médio e elevada população. Sua importância na econo- 
mia estadual atrai para seu entorno um processo de ocu- 
pação crescente, percebido na ocupação contígua que de- 
senvolve com Içara. É seguido por Araranguá, com cen- 
tralidade de nível médio. Agrega em continuidade Cocai 
do Sul, Forquilhinha, Maracajá, Morro da Fumaça e Som- 
brio. Responde por 4,98% do valor adicionado total do 
estado e é o mais importante parque de cerâmica existente 
no país. 

• Aglomeração urbana de Itajaí 

Também na mesorregião do Vale do Itajaí, a aglo- 
meração urbana de Itajaí agrega quatro localidades con- 
tíguas - Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Nave- 



gantes - e duas contínuas, Itapema e Porto Belo. É forte- 
mente integrada à aglomeração de Blumenau. Possui 
285.375 habitantes e elevada densidade de 342,18. Apre- 
senta taxas de crescimento entre as mais elevadas da re- 
gião Sul e em ritmo crescente: de 4,04% para 4,11% a.a., 
entre 1980 e 1991 e entre 1991 e 1996, respectivamente. 
Itajaí, com centralidade de nível forte para médio e mé- 
dia dimensão, exerce uma função portuária fundamen- 
talmente voltada à exportação de industrializados da con- 
fecção e da metal-mecânica, polarizando a área litorânea 
com importantes balneários, como Camboriú e Itapema. 
Sedia a Univale, uma das mais importantes universida- 
des catarinenses. A aglomeração participa com 5,41% do 
valor adicionado total do estado, plenamente influencia- 
do por Itajaí. 

• Aglomeração urbana de Foz do Iguaçu 

Também localizada na mesorregião oeste para- 
naense, a aglomeração urbana de Foz do Iguaçu, com for- 
te integração socioeconómica e proximidade geográfica à 
de Cascavel, contém 248.317 habitantes e densidade de- 
mográfica de 282,50. Apresenta as maiores taxas de cresci- 
mento entre as aglomerações da região Sul: 3,75% a.a., en- 
tre 1980 e 1991, e 3,98% a.a., entre 1991 e 1996. Com eleva- 
da densidade populacional, configura mancha de ocupa- 
ção contígua a Santa Terezinha do Itaipu, e contínua com 
Ciudad dei Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina). 
Cumpre, dessa forma, o complexo papel de polarizar uma 
aglomeração de fronteira internacional, desempenhando 
funções que ora se complementam, ora concorrem, em um 
movimento de oportunidades regido pela política econó- 
mica e institucional de cada um dos países. Foz do Iguaçu 
é um importante centro na rede urbana paranaense, 
posicionando-se entre os principais centros nacionais. Des- 
taca-se pelas atividades de turismo - devido ao Parque 
Nacional do Iguaçu, das Cataratas e Itaipu - e do comér- 
cio de fronteira. Sua participação no valor adicionado do 
estado é de 6,16%, bastante influenciada pela geração de 
energia de Itaipu. 

2.2.2.3 Aglomerações descontínuas 

Com as características de elevadas população e den- 
sidade, alto grau de urbanização e PE A predominantemen- 
te urbana, difere das categorias anteriores por apresentar 
menor peso económico, inexistência de (ou apenas tendên- 
cia à) formação de manchas contíguas de ocupação, po- 
rém com centros descontínuos fortemente articulados e en- 
volvidos na mesma dinâmica socioeconómica. 

• Aglomeração descontínua de Ijuí 

Na mesorregião noroeste riograndense, Ijuí com- 
põe um conjunto fortemente articulado com mais cinco 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



73 



municípios, sendo três com população superior a 50 mil 
habitantes - Cruz Alta, Santa Rosa e Santo Angelo -, e mais 
Horizontina e Panambi. Tem uma população de 333.414 
habitantes e taxas de crescimento passando de 0,28% para 
0,50% a. a. nos períodos analisados. Ijuí tem nível de cen- 
tralidade forte, distinguindo-se dos demais centros da aglo- 
meração e sediando uma das mais importantes universi- 
dades do interior do estado. Outra importante universi- 
dade gaúcha localiza-se em Santo Ângelo. A aglomeração 
constitui significativo eixo industrial naquela área do es- 
tado, respondendo por 3,08% do valor adicionado do Rio 
Grande do Sul. 

• Aglomeração descontínua de Ponta Grossa 

Localizada na mesorregião Centro-oriental para- 
naense, essa aglomeração reúne Ponta Grossa, Carambeí 
- com a qual compõe um vetor de contiguidade de man- 
cha - e Castro. Agrega 323.855 habitantes, apresentando 
taxas de crescimento da população de 2,13% e 1,68% a.a., 
respectivamente, entre 1980 e 1991 e entre 1991 e 1996. 
Ponta Grossa, principal pólo antigo do Paraná e um dos 
principais recentes, tem nível de centralidade forte e gran- 
de dimensão, sendo o quarto maior município em popu- 
lação. Os limites às especialidades funcionais de Ponta 
Grossa decorrem da proximidade com Curitiba e, embora 
se reforce como pólo regional, está longe de concorrer com 
a metrópole na oferta de funções de média e alta comple- 
xidade e na abrangência da polarização. Participa com 
3,90% do valor adicionado total do estado em função de 
uma indústria diversificada, com forte peso agroindustrial 
na linha de lacticínios. 

• Aglomeração descontínua de Passo Fundo 

Localizada na mesorregião noroeste riograndense, 
Passo Fundo, Carazinho, Erechim e Maraú formam um 
conjunto com forte articulação, que reúne 320.572 habitan- 
tes. Apresenta taxas de crescimento de 1,31% e 1,10% a.a., 
nos períodos de 1980 a 1991 e de 1991 a 1996. Passo Fundo 
é o mais importante pólo regional, com nível de centrali- 
dade forte, sediando uma unidade de nível superior. O con- 
junto compõe importante eixo agroindustrial no estado, 
respondendo por 2,84% do valor adicionado total - muito 
influenciado pelo valor adicionado fiscal agropecuário e 
pelo valor adicionado fiscal do comércio. 

• Aglomeração descontínua de Chapecó 

Chapecó, Xaxim, Xanxerê, Joaçaba, Concórdia e 
Videira, na mesorregião oeste catarinense, articulam-se 
em uma aglomeração pautada no complexo da carne de 
aves e suínos. Chapecó, com nível de centralidade forte, 
é município urbano de média dimensão, distingue-se por 



uma estrutura ocupacional com maior diversificação e 
pelo maior peso em atividades urbanas. Os municípios 
da aglomeração abrigam 317.270 habitantes e vêm cres- 
cendo a taxas de 3,79% e 0,44% a.a., entre 1980 e 1991 e 
entre 1991 e 1996, respectivamente. Participam com 9,08% 
do valor adicionado de Santa Catarina, com forte influ- 
ência de Chapecó, um dos municípios mais importantes 
do estado. 

2.2.2.4 Eixos articulados 

Essa categoria integra centros de menor porte, for- 
temente articulados, em localizações próximas, porém des- 
contínuas, com menor população e menor densidade, in- 
tegrados por uma dinâmica socioeconómica comum. Po- 
dem ser formados a partir de eixos económicos alinhados 
pela presença de algum elemento estruturador natural e/ 
ou construído. 

• Eixo do mobiliário de São Bento do Sul 

Na mesorregião norte catarinense, São Bento do Sul, 
Rio Negrinho e Mafra constituem o eixo da atividade 
mobiliária mais importante da região Sul, incluindo tam- 
bém os municípios paranaenses de Piên e Rio Negro. Des- 
taca-se, como pólo, São Bento do Sul, município urbano 
com nível de centralidade médio para fraco e média di- 
mensão. Reúne em seu conjunto 174.783 habitantes e suas 
taxas de crescimento são elevadas, mas em declínio (2,30% 
e 1,80% a.a.) nos períodos analisados. Participa com 3,81% 
do valor adicionado do estado de Santa Catarina, tendo 
em São Bento do Sul a maior contribuição, e com 0,62% do 
valor adicionado fiscal do Paraná. 

• Eixo da avicultura de Pato Branco/Francisco Beltrão 

Na mesorregião sudoeste paranaense, Pato Branco 
e Francisco Beltrão, e secundariamente Dois Vizinhos, são 
os centros principais de uma região que tem sua base pro- 
dutiva caracterizada predominantemente por uma agro- 
pecuária voltada à agroindústria de aves e suínos, como 
extensão do eixo da agroindústria do oeste catarinense. 
Sua participação no valor adicionado total do estado é de 
1,36%. Juntos somam 155.564 habitantes e apresentam ta- 
xas de crescimento baixas e em queda: de 1,25% a.a., entre 
1980 e 1991, para 0,83% a.a. no período seguinte. Esses cen- 
tros estão próximos entre si e nenhum deles está entre os 
mais fortes na rede urbana do estado. 

• Eixo turístico de Gramado e Canela 

Gramado, Canela, São Francisco de Paula e Nova 
Petrópolis formam importante eixo turístico localizado en- 
tre a aglomeração metropolitana de Porto Alegre e a aglo- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



74 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



meração urbana de Caxias do Sul. Embora possua algumas 
indústrias moveleiras, Gramado tem sua economia bastan- 
te ligada ao turismo. Em seu conjunto, alguns municípios 
crescem a taxas elevadas e, na média, a região apresenta 
taxas crescentes de 1,21% e 1,61% a.a. nos períodos analisa- 
dos. O eixo reúne 89.825 habitantes e responde por 0,68% 
do valor adicionado estadual. 

• Eixo da fruticultura e da madeira de Caçador 

Caçador e Fraiburgo, na mesorregião oeste cata- 
rinense, formam um eixo cuja dinâmica é definida pela 
fruticultura e pela madeira. Possuem 88.885 habitantes e 
taxas elevadas de crescimento (3,51% e 2,30% a.a.) nos pe- 
ríodos analisados. Caçador tem nível de centralidade mé- 
dio. A participação desse eixo no valor adicionado de San- 
ta Catarina é de 1,93%. 

2.2.2.5 Ocupações contínuas 

São contínuas as ocupações formadas por conjun- 
tos- de municípios urbanizados, com crescimento popula- 
cional acima da média dos estados. Correspondem às ocu- 
pações contínuas de fronteira - com contiguidade de man- 
cha de Ocupação em parcelas territoriais de diferentes es- 
tados ou países, apresentando intensos fluxos de relações, 
complementaridade funcional, integração social e econó- 
mica - e às ocupações litorâneas, com contiguidade ou con- 
tinuidade da mancha de ocupação da faixa litorânea e pa- 
drão funcional peculiar de balneários. 

• Centros fronteiriços de Santana do Livramento e 
Uruguaiana 

Localizados na mesorregião sudoeste riograndense, 
Santana do Livramento está conurbado a Rivera, no Uru- 
guai, e Uruguaiana a Paso de los Libres, na Argentina. Cons- 
tituem espaços urbanos contínuos, situados em territórios 
polítíco-administratívos distintos, que se apoiam e se bene- 
ficiam por concentrar um contingente maior de população, 
fortalecendo o mercado local. A importância desses centros 
decorre de sua função estratégica, reforçada pelo comércio 
de fronteira. Ambos têm nível de centralidade médio para 
fraco, mas reúnem significativa população (Santana do Li- 
vramento, 85.554 habitantes, e Uruguaiana, 124.881). 

• Ocupações litorâneas 

No Paraná, tais ocupações correspondem ao eixo 
de ocupação contínua de Matinhos, Guaratuba e Pontal 
do Paraná, com taxas de crescimento superiores a 10% 
a.a. entre 1991 e 1996. Em Santa Catarina, ao eixo de Bar- 
ra Velha, Penha e Piçarras, com taxas superiores a 3% a.a. 
e contiguidade de mancha de ocupação. No Rio Grande 



do Sul, em descontinuidade, correspondem ao eixo Capão 
da Canoa e Tramandaí, com taxas de crescimento popu- 
lacional superiores a 5% a.a., e aos centros já consolida- 
dos de Osório e Torres, com taxas menores. São ocupa- 
ções que se alteram sazonalmente, em termos de densi- 
dade e demandas, mas que, principalmente em Santa 
Catarina e no Paraná, já indicam alterações no perfil das 
cidades, criando uma dinâmica local que extrapola a 
sazonalidade de uso. 

2.2.2.6 Centros regionais e sub-regionais 

Alguns centros regionais e sub-regionais desempe- 
nham importante papel de polarizar regiões com base agro- 
pecuária ou desempenhar atividades terciárias relevantes, 
sem apresentar evidências de aglomeração. 

• Centro regional de Santa Maria 

Na mesorregião centro-ocidental riograndense, o 
centro regional de Santa Maria conta com 233.351 habi- 
tantes e taxas de crescimento compatíveis às dos pólos re- 
gionais (1,79% a.a., entre 1980 e 1991, e 1,73% a.a., entre 
1991 e 1996), e exerce forte centralidade na região como 
provedor de comércio e serviços especializados. Seu setor 
terciário é constituído predominantemente por atividades 
organizadas em bases modernas. A principal especificidade 
dos serviços, nesse município, é dada pela natureza pú- 
blica (estatal) de grande parte desses, onde se destacam o 
ensino superior (Universidade Federal de Santa Maria) e 
a segurança nacional, atendida por diversas unidades do 
Exército Nacional e uma Base Aérea. Situa-se entre os mu- 
nicípios com participação significativa no valor adiciona- 
do estadual (1,24%), sendo o mais importante centro de 
uma região especializada na produção de alimentos. 

• Centro regional de Guarapuava 

Guarapuava, na mesorregião centro-sul para- 
naense, é um centro regional com 155.835 habitantes e ta- 
xas de crescimento expressivas (2,17% e 2,02% a.a.) nos 
períodos analisados. Destaca-se como município urbano 
de média dimensão e nível de centralidade forte para mé- 
dio. Com uma estrutura urbana ainda não consolidada, 
começa a viver a pressão da evasão populacional das pro- 
ximidades. Lidera uma região agroindustrial que integra 
a produção de soja e milho e a indústria de madeira. Res- 
ponde por 1,52% do valor adicionado do estado. 



• Centro regional de Paranaguá 

Situado na porção litorânea da mesorregião metro- 
politana de Curitiba, Paranaguá é o centro portuário mais 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



75 



importante do estado. Possui população de 124.920 habi- 
tantes e vem apresentando expressivo crescimento, com ta- 
xas de 2,48% e 2,97% a.a., nos períodos analisados. Abriga 
um moderno porto especializado na exportação de grãos. 
Sua participação no valor adicionado do Paraná é de 1,31%. 



3 Qualidade da Urbanização 



• Centros sub-regionais 

Enquadram-se nesta categoria aqueles municípios 
cujo crescimento populacional é inferior à média dos esta- 
dos e que não conformam nem se integram a aglomera- 
ções urbanas, exercendo, porém, papel polarizador. 

No Paraná, Campo Mourão, Paranavaí e Umua- 
rama polarizam regiões de base agropecuária, firmando- 
se como centros de comércio e serviços, e União da Vitória 
polariza uma região madeireira, situando-se numa posi- 
ção de divisa entre o Paraná e Santa Catarina, formando 
uma ocupação contígua a Porto União. Todos esses cen- 
tros têm população superior a 50 mil habitantes e nível de 
centralidade forte para médio. 

Em Santa Catarina, São Miguel d'Oeste faz parte 
do complexo agroalimentar; Rio do Sul polariza uma re- 
gião de agricultura de pequenos produtores; Tubarão sedia 
uma usina termoelétrica na porção sul do estado; e Lages 
é o centro tradicional de uma região madeireira, com a 
maior população desses pólos (148.860 habitantes). Todos 
têm nível de centralidade forte para médio. 

No Rio Grande do Sul, Bagé e Cachoeira do Sul, 
embora com nível de centralidade médio, possuem tama- 
nhos populacionais expressivos (115.657 e 88.612 habitan- 
tes, respectivamente). Bagé localiza-se no sul do estado, 
polarizando uma região agropecuária, e Cachoeira do Sul, 
próximo à aglomeração metropolitana de Porto Alegre. 

Essa escala não foi incorporada na hierarquia da 
rede urbana brasileira exatamente conforme sua constru- 
ção original, dado que, na finalização dos trabalhos, o 
processo de análise conjunta das demais redes urbanas das 
grandes regiões do país, bem como a consideração de ou- 
tros indicadores e critérios comparativos resultaram na 
alteração da denominação e das categorias da rede urba- 
na. Com pequenas exceções, foi mantida a classificação 
de Porto Alegre e Curitiba como metrópoles nacionais. A 
inexistência de uma categoria de aglomerações pré-me- 
tropolitanas colocou Florianópolis na escala dos centros 
regionais, juntamente com Londrina, que se destacou 
dentre as aglomerações urbanas da região Sul. Essas e 
Santa Maria classificaram-se entre os centros sub-regio- 
nais de nível 1 e 2. Das aglomerações descontínuas, ex- 
cluindo a de Ijuí, todas foram classificadas como centros 
sub-regionais de nível 2. Também mantiveram-se nesse 
nível os centros isolados de Guarapuava e Paranaguá. Das 
demais categorias originais, Uruguaiana e Lages foram 
denominadas como centros sub-regionais de nível 2. 



As espacialidades de concentração, constituindo 
aglomerações urbanas, têm como característica principal 
a complexificação dos sistemas urbanos regionais, princi- 
palmente no que diz respeito à oferta e implementação de 
serviços públicos de saneamento, atendimento a saúde, edu- 
cação, segurança, habitação e infra-estrutura (transporte 
coletivo, arruamento, iluminação pública etc). A demanda 
por esses serviços não tem sido suficientemente atendida 
pelo poder público, em especial nos bairros mais pobres das 
maiores cidades, onde os problemas assumem contornos 
críticos. 

Intervenções urbanísticas modernizadoras e com 
efeito controlador da ocupação nos municípios-núcleo das 
aglomerações urbanas, em geral, provocam a valorização 
do solo. Passam a incluir municípios periféricos como pro- 
longamentos da expansão de sua ocupação urbana e, mui- 
tas vezes, da localização da atividade económica, favore- 
cendo uma relação de exclusão, à medida que novas áreas 
são alçadas por essa valorização. 

Essas periferias pertencem a municípios quase sem- 
pre financeiramente dependentes de repasses de recursos, 
sofrendo restrições a práticas de políticas e intervenções 
que acompanhem o ritmo e a velocidade das pressões das 
demandas intensificadas, muitas vezes, pelo processo 
concentrador. 

Assim, as aglomerações urbanas, ao mesmo tempo 
em que ampliam as oportunidades, podem revelar o grau 
de carências. Da mesma forma, impactantes estruturas eco- 
nómicas e de serviços, quase sempre localizadas nos mu- 
nicípios-núcleo das aglomerações urbanas, contrastam 
com a ocupação do espaço periférico e com as áreas de 
extrema pobreza. 

Tal constatação revela que o crescimento económi- 
co, associado ao crescimento demográfico, produz sobre o 
meio urbano efeitos positivos, como o incremento de seto- 
res da economia largamente empregadores de mão-de-obra 
(comércio, construção civil e prestação de serviços em ge- 
ral), gerando maiores facilidades para a obtenção de algum 
tipo de ocupação e renda, seja no setor formal ou informal; 
a oferta de relativa melhora nos serviços públicos; e surgem 
algumas oportunidades de acesso à diversificação cultural, 
dentre outros. Quanto aos efeitos negativos, tem-se o au- 
mento da concorrência ante as oportunidades que o merca- 
do de trabalho oferece, com critérios cada vez mais seleti- 
vos; a degradação ambiental; e principalmente as restrições 
em relação ao acesso aos benefícios do meio urbano. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



76 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Essas observações confirmam-se na leitura das con- 
dições sociais, de moradia e ambiente das mesorregiões 
sulinas, principalmente nas suas aglomerações urbanas e 
metropolitanas. 



3.1 Renda e Instrução 

Para a satisfação de um patamar mínimo de quali- 
dade de vida urbana dentro dos parâmetros de cidadania, 
a organização da sociedade torna imperativa a obtenção 
de renda, que passa a ser o elemento determinante do aces- 
so aos bens e serviços urbanos, bem como da apropriação 
do solo mediada pelo mercado. 

A concentração de atividades mais complexas da 
base produtiva dos estados coloca nas aglomerações ur- 
banas e metropolitanas as mais altas faixas de renda fami- 
liar per capita, porém com grandes diferenças internas. As 
capitais têm as mais altas médias de rendimento da região 
Sul. Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, em ordem de- 
crescente, têm faixas superiores em até cinco vezes às me- 
nores faixas ocorrentes em municípios da própria região. 

As mesmas diferenças internas são confirmadas na 
proporção de chefes de domicílio com rendimento de até 
um salário mínimo - corte altamente seletivo das condi- 
ções de pobreza. O pólo metropolitano de Curitiba tem a 
proporção de 12,88% dos chefes de domicílio com esse 
rendimento. Os municípios do entorno imediato, com con- 
tiguidade de mancha de ocupação, elevam essa propor- 
ção para a ordem de 20%; os do entorno mais distante, 
acima de 30% (IBGE/Ipea, 1996, v. 16). O pólo metropoli- 
tano de Porto Alegre tem 15,15% dos chefes de domicílio 
com essa faixa de renda, e seus municípios periféricos re- 
produzem as proporções verificadas na aglomeração de 
Curitiba (IBGE/Ipea, 1996, v. 21). Florianópolis tem a pro- 
porção de 14,66%; outros municípios de sua periferia ime- 
diata, como Palhoça e Biguaçu, apresentam as proporções 
de 23,03% e 32%, respectivamente (IBGE/Ipea, 1996, v. 24). 
Uma leitura dos valores absolutos aponta que, embora os 
pólos metropolitanos tenham as menores proporções, é 
neles que se encontram os maiores contingentes: em Por- 
to Alegre correspondem a 57.614 chefes de domicílio com 
renda de até um salário mínimo; em Curitiba, a 45.160; e 
em Florianópolis, a 10.032. 

Tomando como medida de análise os dados censitá- 
rios dos chefes de domicílio que, em 1991, auferiam uma ren- 
da de até dois salários mínimos mensais, verifica-se que os 
baixos rendimentos disseminam-se por toda a região. O 
percentual médio estadual de chefes de família nessa faixa 
de renda no Rio Grande do Sul é de 53,88%; em Santa Catarina, 
de 49,53%; e no Paraná, o mais elevado do Sul, de 56,02%. Os 
municípios com menor percentual médio são os mais urba- 
nizados, como Curitiba, Caxias do Sul e Maringá. 



Observando como os rendimentos distribuem-se 
nas mesorregiões, foram verificados os menores percen- 
tuais de chefes de domicílio vivendo com condições pre- 
cárias nas aglomerações metropolitanas ou naquelas onde 
se localizam as maiores cidades (grupo D do cluster), bem 
como nos principais aglomerados dos estados e naqueles 
com forte predominância económica nos setores industri- 
ais e de serviços. É o caso da grande Florianópolis (31,36%), 
metropolitana de Curitiba (31,98%), metropolitana de Por- 
to Alegre (36,06%), nordeste riograndense (34,74%), Vale 
do Itajaí (35,54%) e norte-catarinense (37,07%) (Tabela 12). 
As mais elevadas proporções estão em mesorregiões onde 
ocorrem as espacialidades de esvaziamento: centro-ociden- 
tal, norte pioneiro, noroeste, sudoeste, centro-sul e sudes- 
te paranaense - com proporções que crescem de 58,73% 
na primeira para 65,57% na última - e ainda a noroeste 
riograndense e serrana catarinense, com 55,10% e 53,58%, 
respectivamente. São também elevadas as proporções de 
chefes de domicílio com renda de até dois salários míni- 
mos nas cidades de menor porte (grupo A do cluster), com 
tendência à diminuição dessas proporções à medida que 
aumenta o porte urbano. 

Em termos absolutos, é nas mesorregiões metro- 
politanas que se concentra o maior contingente de chefes 
de domicílio com baixa remuneração, e mais particular- 
mente nas aglomerações urbanas e metropolitanas. Vale 
lembrar que, nas metrópoles e centros maiores, o custo de 
vida - incluindo cesta básica, aluguéis, transportes, den- 
tre outros itens essenciais - é mais elevado que nas meno- 
res cidades, fato que atinge de modo particular o contin- 
gente de pessoas que vivem processos de empobrecimen- 
to de longo prazo. 

Como elemento de mobilidade social, a instru- 
ção é fundamental para que indivíduos e grupos sociais 
sejam ou não incluídos entre os que têm acesso aos be- 
nefícios e às vantagens que as cidades podem oferecer. 
Em 1991, na região Sul, aproximadamente 10% da po- 
pulação com mais de 15 anos, ou seja, em idade ativa 
para o trabalho, era analfabeta, o que significa que es- 
tava fora do mercado formal de trabalho. No âmbito de 
suas mesorregiões, as dez maiores proporções de anal- 
fabetos nessa faixa etária (entre 12,51% e 23,10%) 
correspondiam, em ordem decrescente, a sete regiões 
paranaenses (norte pioneiro, centro-ocidental, noroes- 
te, centro-sul, norte-central, sudoeste e centro-oriental), 
duas catarinenses (serrana e oeste) e uma gaúcha (su- 
deste) - esta ocupando a nona posição entre elas (Tabe- 
la 9). Com menos de 10% de analfabetos, além das me- 
tropolitanas de Curitiba e Porto Alegre, enquadram-se 
as mesorregiões da grande Florianópolis, nordeste 
riograndense, além da norte catarinense e da do Vale 
do Itajaí - essas com as menores proporções da região 
Sul (7,35% e 7,33%, respectivamente). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



77 



I 



TABELA 1 2 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL — RENDA MÉDIA FAMILIAR, PROPORÇÃO DE CHEFES DE DOMICÍLIO COM RENDA 

ATÉ DOIS SALÁRIOS MÍNIMOS, POPULAÇÃO ALFABETIZADA DE 1 5 ANOS E MAIS E ESCOLARIDADE MÉDIA 

(1991) 



Mesorregião 


Renda Familiar 


Chefes de Domicílio 
com Renda 


População Alfabetizada 
com 1 5 Anos 


Anos de Estudo 




(Em Cruzeiros) 


até 2 SM 
(%) 


e Mais (%) 




Paraná 










Noroeste Paranaense 


30.694,65 


59,11 


79,18 


3,85 


Centro-ocidental Paranaense 


31.874,42 


58,73 


77,96 


3,77 


Norte-central Paranaense 


35.834,27 


45,96 


83,88 


4,14 


Norte pioneiro Paranaense 


33.133,06 


58,79 


76,90 


4,07 


Centro-oriental Paranaense 


37.939,46 


50,00 


84,45 


4,04 


Oeste Paranaense 


36.200,45 


46,59 


86,20 


4,25 


Sudoeste Paranaense 


30.372,37 


60,74 


84,09 


4,50 


Centro-sul Paranaense 


29.053,88 


63,78 


80,65 


4,03 


Sudeste Paranaense 


27.764,61 


65,57 


87,75 


4,34 


Metropolitana de Curitiba 


38.429,43 


31,98 


91,28 


4,42 


Santa Catarina 










Oeste Catarinense 


35.372,79 


52,82 


87,49 


4,89 


Norte Catarinense 


42.287,88 


37,07 


92,65 


4,69 


Serrana Catarinense 


31.436,27 


53,58 


85,20 


4,48 


Vale do Itajaí 


44.567,21 


35,54 


92,67 


4,85 


Grande Florianópolis 


41.433,65 


31,36 


91,12 


5,12 


Sul Catarinense 


39.331,84 


45,53 


89,03 


4,82 


Rio Grande do Sul 










Noroeste Riograndense 


34.226,31 


55,10 


87,87 


5,01 


Nordeste Riograndense 


50.259,64 


34,74 


91,54 


5,20 


Centro-ocidental Riograndense 


41.680,58 


45,18 


89,45 


5,06 


Centro-oriental Riograndense 


41.039,98 


51,14 


88,62 


4,92 


Metropolitana de Porto Alegre 


48.279,41 


36,06 


91,79 


4,72 


Sudoeste Riograndense 


47.245,74 


52,10 


87,80 


5,00 


Sudeste Riograndense 


38.850,24 


50,70 


87,29 


4,44 


Fonte: IBGE (Censo Demográfico 1991)/Nesur (1991). 









De modo geral, com relação à escolaridade, nova- 
mente as aglomerações metropolitanas apresentam as 
melhores posições dos estados, tendo nos pólos as maio- 
res médias de anos de estudos: Florianópolis, na mais ele- 
vada posição da região Sul, apresenta 7,3 anos em média; 
Porto Alegre, 7 anos; e Curitiba, 6,4. Nas periferias das aglo- 
merações metropolitanas, os municípios chegam a apre- 
sentar médias equivalentes à de municípios rurais, como 
Rio Branco do Sul, na aglomeração de Curitiba, que tem 
3,5 anos em média; Parobé, na de Porto Alegre, 3,9; e Go- 
vernador Celso Ramos, na de Florianópolis, com 4,3 anos. 

No conjunto das mesorregiões, confirma-se, em 
parte, o comportamento dos demais indicadores (Tabela 
12). Em Santa Catarina e no Paraná, as médias de anos 



de estudos nas mesorregiões metropolitanas são, respec- 
tivamente, a primeira e segunda dos estados (5,12 e 4,42); 
já no Rio Grande do Sul, a metropolitana de Porto Alegre 
tem a penúltima menor média (4,72). No entanto, é esse 
o estado que tem o melhor comportamento no cômputo 
geral das mesorregiões, possuindo quatro das sete me- 
sorregiões com mais de cinco anos de estudos em média 
- sudoeste, noroeste, centro-ocidental e nordeste -, esta 
última com a maior média do Sul (5,20). No extremo opos- 
to, o Paraná é único estado da região Sul com mesorre- 
giões apresentando médias pouco superiores e/ou infe- 
riores a quatro anos de estudos (norte pioneiro, centro- 
oriental e centro-sul, com quatro; e noroeste e centro-oci- 
dental, com 3,85 e 3,77, respectivamente). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Esses indicadores demonstram que há grande cor- 
respondência entre o comportamento da renda e da ins- 
trução, assim como enfatizam que, em termos absolutos, 
as aglomerações urbanas e metropolitanas concentram os 
maiores contingentes de população nas mais críticas con- 
dições sociais da região Sul. Essas áreas e as mais industri- 
alizadas potencialmente são as que oferecem maiores opor- 
tunidades de emprego e/ou ocupação. No entanto, o em- 
prego no setor formal tem exigido cada vez mais requisi- 
tos de escolaridade, tornando as condições de analfabeto 
e de baixa escolaridade cada vez mais determinantes da 
exclusão social. 



3.2 Moradia e Ambiente 

O acesso à terra urbana, relacionado às condições so- 
ciais e à localização da moradia, espelha com absoluta clare- 
za a seletividade na apropriação do espaço nas cidades. 

As características locacionais da terra urbana são 
produto histórico da ação conjunta de governos e indiví- 
duos, e seu preço representa as externalidades geradas 
pelos diferentes agentes sociais. Quanto maiores as 
externalidades, maior o preço do solo e da moradia. Essa 
equação está relacionada à estrutura da propriedade da 
terra, tanto voltada à moradia ou local de desenvolvimen- 
to da atividade económica, quanto transformada em ele- 
mento especulativo, como reserva de valor. Os excluídos 
desse mercado têm como alternativa a aquisição de lotes 
distantes, muitas vezes em parcelamentos ilegais, o paga- 
mento do aluguel ou, nas situações extremas, a ocupação 
dos vazios das cidades - sejam propriedades particulares 
à espera de valorização, sejam áreas públicas, ou locais 
ambientalmente impróprios; em qualquer caso, áreas de 
risco, espaços circunscritos, violentos e segregados das ci- 
dades, expressando a exclusão urbana. 

Na ocupação do solo das cidades, vários processos 
simultâneos podem ser evidenciados ao longo das últimas 
décadas, como a expansão das periferias urbanas nas me- 
trópoles ou nos principais centros regionais e o surgimen- 
to de periferias que reproduzem o padrão metropolitano 
em novas áreas e regiões dos estados. Isso quase sempre 
resulta no extravasamento da ocupação dos municípios- 
núcleo das aglomerações urbanas em direção aos municí- 
pios vizinhos, em terras de menor preço. A intensificação 
dos processos de ocupação legal e precária do solo urbano 
em áreas centrais, com a produção de moradias subnormais 
e/ou provisórias, traz em geral consigo os efeitos da de- 
gradação e desvalorização do solo nessas áreas. Concomi- 
tantemente, porções privilegiadas nas mesmas áreas peri- 
féricas - antes destinadas apenas a ocupações de baixa ren- 
da - passam a ser apropriadas por uma ocupação de mé- 
dia e alta renda. As periferias se expandem para regiões 



ainda mais longínquas das áreas de trabalho ou se adensam 
em áreas ambientamente impróprias. 

Com as dificuldades que envolvem o acesso à mo- 
radia, crescem as ocupações e com elas a precariedade 
dos assentamentos humanos e da qualidade de vida. Am- 
plia-se o contingente de subabitações localizadas em 
áreas impróprias, consideradas de risco, como as 
alagadiças e mangues, que colocam em risco a saúde dos 
moradores; encostas de morro sujeitas a deslizamentos; 
sob redes de alta tensão; faixas de domínio do sistema 
viário, como beira de estrada, margens de trilhos de trens; 
e reservas ambientais. Esses núcleos de habitação carac- 
terizam-se, ainda, pela precariedade de oferta de servi- 
ços de saneamento básico e de acesso à energia elétrica, 
cuja solução passa por improvisações, como captação 
clandestina de energia elétrica, água, abertura de valas 
geralmente pelos próprios moradores, com o esgoto a céu 
aberto e instalações sanitárias muito precárias. 

A carência de infra-estrutura, as limitações na ofer- 
ta de serviços sociais essenciais, o custo do transporte e as 
dificuldades de acesso ao trabalho aumentam os proble- 
mas que a população periférica enfrenta. A formação des- 
se modelo de periferias urbanas conforma e acentua o qua- 
dro de desigualdades socioespaciais. 

Há também forte associação entre o crescimento de 
áreas de ocupação ilegal e o movimento migratório, tanto 
originário do campo ou de cidades menores em direção às 
grandes cidades, quanto dos próprios movimentos intra- 
urbanos, resultantes dos efeitos da valorização do solo e 
por vezes do empobrecimento da população. 

No Rio Grande do Sul, existem poucos dados que 
contabilizam com relativa precisão as carências de mora- 
dia para a população de baixa renda. Em termos aproxi- 
mados, dados levantados pela antiga Companhia de Ha- 
bitação do Rio Grande do Sul (Cohab/RS), em 1993, esti- 
mavam que no estado havia carência total em torno de 
433 mil moradias. Desse total, 39% (cerca de 169 mil) situ- 
ava-se na Região Metropolitana de Porto Alegre. Outro 
dado que esse levantamento revela é que mais de 70% das 
carências habitacionais, tanto do estado (70,4%) como da 
região metropolitana (73,4%), atingem a população com 
renda de até cinco salários mínimos. A maior parte do dé- 
ficit habitacional da população com renda abaixo de cinco 
salários mínimos refere-se à categoria dos sem-terra e sem- 
teto (26,6% do total no estado e 23,7% na RMPA), seguida 
da população residente em favelas em áreas passíveis de 
regularização (18,6% e 31,8%, respectivamente) e dos resi- 
dentes em áreas de risco (9% e 12%). Segundo dados mais 
recentes, o déficit habitacional no Rio Grande do Sul é es- 
timado em 700 mil moradias, atingindo 2,8 milhões de 
gaúchos (Prefeitura Municipal de Porto Alegre, 1997). 

Diante desse déficit, as ocupações ilegais tornam- 
se frequentes. Levantamento realizado na Região Metro- 



Caracterizaçáo e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



79 



politana de Porto Alegre aponta que, das ocupações ocor- 
ridas nos anos 80 nessa região, excetuando a capital, 77% 
foram em áreas públicas, 13% em áreas privadas e 10% 
em mistas. O estudo registra aumento de 187% no núme- 
ro de ocupações irregulares na periferia metropolitana, 
passando de uma área ocupada de 677 hectares, em 1980, 
para 1.324 hectares, em 1991. Sua população residente ele- 
va-se de 8,4% da população total dos municípios, em 1980, 
para 14% em 1991, sendo estimada, neste último ano, em 
mais de 230 mil moradores. 

As 167 vilas existentes em 1980 aumentaram para 
480 em 1991, tendo apresentado maior crescimento em 
municípios polarizados pela capital, como Esteio (320%), 
Canoas (270%), Alvorada (260%) e Sapucaia do Sul (250%). 
Porém, em termos absolutos, foi no município de São 
Leopoldo que as vilas irregulares cresceram em maior nú- 
mero, com aumento de 38 vilas. 

O número de domicílios estabelecidos nessas 
ocupações amplia-se na década em torno de 163%, pas- 
sando de 20.835 moradias, em 1980, para 54.874 em 1991. 
No Vale do Rio dos Sinos, Campo Bom é o único muni- 
cípio a ter incremento negativo de domicílios em vilas 
irregulares (-87,62%), explicado pela adoção de políti- 
cas locais de regulação e contenção de entrada de 
migrantes urbanos e medidas locais de regularização 
fundiária. O maior incremento relativo ocorre em 
Sapiranga, com 724,83%. Em Porto Alegre, segundo da- 
dos da Prefeitura Municipal, a situação não é menos 
intensa: em 1980, há 38.093 moradias nessa situação ir- 
regular; em 1991, esse número eleva-se para 96.945, em 
um incremento de 154,50%. 

Em termos populacionais, os dados não são menos 
contundentes. Comparando o crescimento da população 
total nos municípios e o aumento da população residente 
nas vilas irregulares, verifica-se que sua população total 
aumenta em torno de 47% na década; a população das vi- 
las irregulares, por outro lado, aumenta 148%; em Porto 
Alegre, o aumento na população total é de 12,3%, já nas 
vilas irregulares é de 137,5% - uma distância ainda maior 
que a dos municípios periféricos. 

Existem 301 vilas e núcleos irregulares em áreas 
públicas e privadas em Porto Alegre, geralmente em espa- 
ços da periferia, impróprios para morar (áreas de risco). A 
estimativa é de que 250.541 habitantes residam nessas vi- 
las, em cerca de 61 mil moradias. Além delas, há 362 lotea- 
mentos irregulares no município. 

Em Caxias do Sul, segundo dados da Prefeitura 
Municipal, em 1994, a população dos núcleos de subabita- 
ção é de 14.953 habitantes, o que representa aproximada- 
mente 10% da população urbana. Em Bento Gonçalves, 
na mesma aglomeração urbana de Caxias do Sul, a popu- 
lação residente nas vilas localizadas em encostas de mor- 
ros e zonas de domínio público, beirando os trilhos do trem, 



alcança cifra aproximada de 13.500 habitantes, represen- 
tando pouco menos de 20% nos moradores da cidade. 

No Paraná, levantamento realizado em 1997 pela 
Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), relativo 
às favelas existentes nos municípios excluindo a Região 
Metropolitana de Curitiba (oficial) e o município de Lon- 
drina, revela no interior do estado a presença de 184 mu- 
nicípios com favelas e 32 com subabitações esparsas. O 
estudo estima que Londrina tenha 1.896 famílias vivendo 
em barracos. 

As mesorregiões do interior que apresentam o mai- 
or número de favelas são: a centro-oriental, onde Ponta 
Grossa possui o maior número do estado de famílias em 
favelas (4.111), correspondente a 6,69% da população do 
município; e a oeste, onde Foz do Iguaçu detém o segun- 
do maior número do estado, 3.139 famílias com uma po- 
pulação correspondente a 5,57% da do município (obser- 
vando que neste caso o levantamento ainda prossegue e já 
se estima um número de 5.200 famílias) e Cascavel, na dé- 
cima posição, conta com 399 famílias faveladas, correspon- 
dendo a 0,75% de sua população. Essas mesorregiões vêm 
seguidas da centro-ocidental e da sudoeste. 

O levantamento aponta, ainda, que os municípios 
com mais de 100 mil habitantes são os que possuem mai- 
or proporção da população em favelas (3,08%), não des- 
cartando, porém, elevada concentração nos municípios 
com até 20 mil habitantes (2,72%). Dentre eles, chama a 
atenção Campo do Tenente, na mesorregião metropolita- 
na de Curitiba, cuja porcentagem de favelados é de 
10,98% de sua população, correspondendo à maior pro- 
porção do estado. 

Revela ainda esse levantamento que, da popu- 
lação favelada, 58% ganha menos que um salário mí- 
nimo de renda média familiar; 10,23% são desempre- 
gados; 17,96% são bóias-frias; e 13,72%, aposentados 
e pensionistas. O estudo salienta que a maioria das 
áreas consideradas favelas são públicas e de preser- 
vação, principalmente fundos de vale e áreas de ris- 
co. Apenas 18,46% são particulares. 

Para a Região Metropolitana de Curitiba oficial- 
mente instituída, a Coordenação da Região Metropolitana 
de Curitiba (Comec) realizou levantamento de áreas de 
invasões em 1997, que revela a existência de 29.284 domi- 
cílios na região. A grande maioria deles situa-se em muni- 
cípios limítrofes a Curitiba, em áreas próximas às frontei- 
ras administrativas. São 6.253 em Colombo, 4.785 em Al- 
mirante Tamandaré, 4.202 em Piraquara, 3.838 em São José 
dos Pinhais, 2.293 em Pinhais, 1.723 em Campo Largo, 1.557 
em Fazenda Rio Grande e 1.552 em Araucária, formando 
um anel em todo o perímetro de Curitiba. No conjunto, o 
levantamento informa a existência de população aproxi- 
mada de 122.700 habitantes, correspondendo a 12,27% da 
população da região. O mesmo levantamento agrega in- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



80 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



formações fornecidas pelo Instituto de Pesquisa e Plane- 
jamento Urbano de Curitiba (Ippuc): no pólo metropolita- 
no há 180 áreas de invasão, com 32.346 domicílios e popu- 
lação estimada de 121.298 habitantes, ou 8,03% da popu- 
lação do município. 

Em Santa Catarina, estudo do Instituto de Planeja- 
mento Urbano de Florianópolis (Ipuf) identificou 28 áreas 
carentes na ilha e 18 no continente, com estimativa de 
32.202 habitantes, 12,63% da população total do municí- 
pio. O estudo considera como áreas carentes aquelas re- 
sultantes de agrupamentos populacionais, onde cerca de 
70% das famílias têm renda de até três salários mínimos e 
apresentam problemas na habitação, infra-estrutura sani- 
tária e equipamentos urbanos. 

Dados municipais identificam em Palhoça, na gran- 
de Florianópolis, oito áreas carentes com 828 famílias, e 
apenas 5,6% delas sempre moraram no município. 

A Companhia de Habitação do Estado de Santa 
Catarina (Cohab/SC) estima déficit habitacional na Gran- 
de Florianópolis de 21.075 moradias para famílias com 
baixa renda, principalmente em São José e Palhoça, dois 
dos municípios com as maiores taxas de crescimento po- 
pulacional nos últimos anos. 

A carência nessas áreas é crítica no que se refere a 
saneamento, com implicações diretas na saúde dos mora- 
dores. Os indicadores de saneamento básico, reproduzin- 
do o padrão, demonstram que sua qualidade nas aglome- 
rações metropolitanas é bastante heterogénea, com maior 
cobertura apenas no abastecimento de água por rede. Os 
pólos sempre se destacam com o desempenho acima da 
média dos estados. Numa escala decrescente abaixo da 
média está a maioria dos municípios periféricos, reprodu- 
zindo os resultados de um processo de ocupação e atendi- 
mento a demandas conduzido por forte segregação 
socioespacial. Porém, internamente a cada município, as 
piores condições são percebidas nas áreas de favelas e ou- 
tras ocupações precárias. 

A associação entre as condições sociais (medidas 
por domicílios com crianças de 11 a 14 anos analfabetas 
e/ou chefiados por mulheres com até um salário míni- 
mo de rendimento mensal) e o saneamento básico (me- 
dido pela ausência de qualquer forma de esgotamento 
sanitário) sintetizam-se no indicador domicílios e pessoas 
em condição precária (IBGE/Ipea, 1996). Esse indicador 
confirma a exclusão nessas aglomerações e aponta para 
as proporções mais elevadas de domicílios precários nos 
municípios periféricos ao pólo: na aglomeração metro- 
politana de Porto Alegre, o pólo tem a proporção de 
16,94% domicílios precários, e em municípios como 
Viamão, tipicamente dormitório, essa proporção é de 
35,39%; em Parobé, 41,55%; e em Portão, 54,56%. Na 



aglomeração metropolitana de Curitiba, em Mandi- 
rituba, é de 56,87%; em Colombo, 52,15%; em Almiran- 
te Tamandaré, 39,9% - esses considerados dormitórios -; 
já em Curitiba, essa proporção está em 17,72%. Na aglo- 
meração de Florianópolis, o pólo apresenta a propor- 
ção de 16,22%, Biguaçu, 28,27%, e Palhoça, 21,58%. 

Algumas diferenças regionais quanto à qualida- 
de de vida têm sido reveladas por estudos recentes que 
apontam a região Sul como a que apresenta os melho- 
res indicadores. São dessa região os primeiros municí- 
pios do ranking do índice de Desenvolvimento Huma- 
no (PNUD, 1998), assim como as melhores condições 
quanto aos indicadores de pobreza e qualidade de vida 
(Peliano, 1993). No entanto, conforme aponta essa aná- 
lise desagregada, fica claro que as disparidades sociais 
em termos intra-regionais são muito acentuadas, tanto 
no que se refere ao comportamento diferenciado entre 
os três estados da região - desfavorecendo o Paraná -, 
quanto internamente a cada estado, constatando-se si- 
tuações críticas na metade sul do Rio Grande do Sul e 
nas áreas de esvaziamento do Paraná e de Santa 
Catarina. Tais diferenças são ainda mais acentuadas 
quando se penetra no interior das aglomerações urba- 
nas e metropolitanas, onde se encontram situações de 
grande precariedade. 

Em muitas dessas, com médias de atenção às de- 
mandas sociais em proporções mais críticas, e com meno- 
res oportunidades económicas, podem estar contidos os 
municípios mais carentes dos estados. Em qualquer caso, 
onde quer que haja periferias urbanas, essas estarão con- 
tendo carências sociais generalizadas, sintetizadas na fal- 
ta de emprego e na tendência de crescimento da violência, 
tornando-se, portanto, o objeto de prioridade para as polí- 
ticas sociais: 

A característica das periferias é a presença de mo- 
radores de baixos rendimentos, portanto mais necessita- 
dos de atenção. Tais ocupações correspondem a parcelas 
territoriais de municípios menos dinâmicos economica- 
mente e financeiramente dependentes, que nem sempre 
têm condições de atender com recursos próprios às de- 
mandas sociais. 

Essas periferias esbarram, ainda, em estruturas ins- 
titucionais frágeis, incapazes de solucionar os problemas 
jurídico-institucionais - que envolvem processos de regu- 
lamentação da posse da terra e formulação de políticas 
fundiárias em relação ao uso do solo, no âmbito intra-ur- 
bano -, como também, principalmente, a alocação de infra- 
estrutura e serviços sociais básicos com qualidade, em um 
exercício conjunto entre os municípios, para o desempe- 
nho das funções públicas de interesse comum, em áreas 
de ocupação contínua. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



4 Mudanças Económicas e 
Impactos sobre a Rede 
Urbana 



A dinâmica económica da região Sul vem sofrendo 
uma série de transformações nos últimos anos, e seus efei- 
tos são sensíveis na dimensão social e nos arranjos espaci- 
ais, exigindo novos mecanismos institucionais de planeja- 
mento e gestão. 

A inserção dos estados do Sul na dinâmica dos seg- 
mentos modernos da metal-mecânica, até algumas déca- 
das atrás mais restritos ao Sudeste brasileiro, favorece o 
eixo que se estende desde a aglomeração metropolitana de 
Curitiba, passando pelo leste catarinense, que envolve as 
aglomerações de Joinville, Blumenau, Itajaí, Florianópolis e 
Criciúma, até a aglomeração metropolitana de Porto Ale- 
gre, que incorpora a aglomeração urbana de Caxias do Sul. 

Esse eixo, em toda a sua extensão, percorre rodovi- 
as federais, objetos recentes de duplicação. São 1.070 qui- 
lómetros de rodovias ligando São Paulo ao Paraná, pela 
BR 116, e o Paraná a Osório, no Rio Grande do Sul, pela 
BR 101, cruzando todo o leste catarinense. Essa duplica- 
ção, com a melhoria nas condições de segurança e redu- 
ção dos custos de transportes, vai favorecer a região Sul e, 
em particular, fortalecer a integração ao Mercosul. 

Ao longo desse eixo, situam-se os municípios com 
as maiores taxas de crescimento populacional da região 
nas últimas décadas, constituindo extensa área de forte 
concentração económica e demográfica. 

As vantagens comparativas desse eixo fazem com 
que se dirijam para lá os principais investimentos em curso 
ou previstos para o Sul. Embora com políticas de atração e/ 
ou reforço de investimentos diferenciadas entre os três es- 
tados, esse eixo seguramente configurará um complexo eco- 
nómico e social de grandes proporções no cenário da urba- 
nização brasileira. 

Em menor escala, o fenómeno da concentração tam- 
bém ocorre em outras áreas, movido por atividades tanto 
de uma indústria diversificada quanto da agroindústria, 
que exercem importante papel na configuração da rede de 
cidades do interior dos estados. 

Paralelamente à tendência de concentração, o es- 
vaziamento terá seu curso na região, movido pela conti- 
nuidade da modernização do setor agropecuário. Persisti- 
rá em áreas antigas e incorporará novas áreas, em um pro- 
cesso que se intensifica, não se restringindo ao rural, mas 
atingindo também centros urbanos. 



4.1 Tendências e Impactos Económicos 

Os três estados do Sul têm em comum a tendência 
de fortalecimento dos segmentos modernos da metal-me- 
cânica. O Paraná, com uma estrutura embrionária, é 
alavancado por uma política estadual de atração de novos 
investimentos, que concede incentivos fiscais e financeiros 
e investimentos diretos. O montante aproximado de novos 
investimentos ultrapassa os US$ 7 bilhões destinados, em 
elevadas proporções, à metal-mecânica, liderada por três 
montadoras. Além dessa política, contam na atratividade 
as vantagens locacionais da proximidade do mercado do 
Sudeste e do porto de Paranaguá e a oferta de infra-estrutu- 
ra de energia elétrica, telecomunicações, aeroporto interna- 
cional e rodovias, dentre outros fatores. 

A maior das montadoras, a Renault, tem investi- 
mentos de US$ 1,12 bilhão. A Chrysler, com investimen- 
tos de US$ 315 milhões, a Volkswagem/Audi, com US$ 
750 milhões, e mais a expansão das atividades da Volvo, 
New Holland, Krone e Bosch representam um adensa- 
mento do segmento metal-mecânico, em particular do 
género de transporte, no estado. Essas vantagens tam- 
bém estarão atraindo grande número de fornecedores e 
empresas complementares. 

Contudo, mais que das próprias montadoras, a 
densificação do parque automotivo depende de uma 
estruturação dos fornecedores que viabilize a agregação dos 
segmentos locais. A possibilidade desse envolvimento de- 
penderá de uma gestão que articule uma política estadual/ 
regional, já que atualmente o setor se movimenta muito mais 
na dependência da atuação financeira privada que de in- 
centivos e recursos públicos para as empresas locais. 

Os impactos dessas linhas de atuação já são per- 
ceptíveis e confirmam o reforço das áreas de aglomeração 
pela concentração dos investimentos económicos previs- 
tos. Dos novos investimentos, ou dos previstos para o 
Paraná, a grande maioria, na linha da metal-mecânica, des- 
tinam-se à aglomeração metropolitana de Curitiba 
(60,92%), mais precisamente aos municípios de São José 
dos Pinhais, que sedia a localização das duas maiores 
montadoras (Renault e Volkswagem/Audi); Campo Lar- 
go, que sedia a Chrysler; Araucária e Curitiba, dentre ou- 
tros (Tabela 13). 

Santa Catarina, com uma política distinta, centrada 
no esforço de retenção dos grupos existentes e no apoio a 
novos, instituiu o Programa de Desenvolvimento da Em- 
presa Catarinense (Prodec), pautado em incentivos fiscais. 
Nesse programa, entre 1995 e 1998, encontram-se 49 em- 
presas inscritas, cujos investimentos previstos correspon- 
dem a projetos da indústria têxtil (27,08%), da agroindústria 
(20,31%) e dos demais segmentos industriais (52,61%). Es- 
ses investimentos obedecem espacialmente à hierarquia dos 
pólos económicos. O maior montante está destinado à aglo- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



82 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA 1 3 

ESTADO DO PARANÁ 



INVESTIMENTOS PREVISTOS (1996-99) 



















Continuação 


Local 




r-r, Investimentos 
oenero „ ,_ . k , ., , 
(US$ Milhões/ 

Participação %) 


Local 






,-» Investimentos 
oenero 

(US$ Milhões/ 

Participação %) 


Metropolitana de 


Curitiba 




4.137,65 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


1 .000,00 


e Região 






(60,92%) 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


750,00 


Araucária 




Química 


11,43 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


50,00 


Araucária 




Metal-mecânica 


20,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


35,00 


Araucária 




Metal-mecânica 


325,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


35,00 


Araucária 




Metal-mecânica 


30,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


35,00 


Campo Largo 




Bebidas 


3,43 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


50,00 


Campo Largo 




Metal-mecânica 


315,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


8,00 


Campo Largo 




Metal-mecânica 


500,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


25,00 


Campo Largo 




Metal-mecânica 


14,00 


São José dos 


P 


nhais 


Metal-mecânica 


35,00 


Campo Largo 




Metal-mecânica 


10,00 


São José dos 


P 


nhais 


Plásticos 


35,00 


Curitiba (CIC) 




Não-metálicos 


7,00 


Litoral 








54,90 


Curitiba 




Química 


25,00 










(0,81%) 


Curitiba 




Gráfica 


6,00 


Paranaguá 






Alimentos/Química 54,90 


Curitiba 




Alimentos 


11,50 


Aglomeração c 


le 






644,86 


Curitiba 




Metal-mecânica 


130,00 


Ponta Grossa 








(9,49%) 


'Curitiba (CIC) 




Metal-mecânica 


13,71 


Carambeí 






Agroindústria 


41,14 


Curitiba (CIC) 




Plástico 


4,86 


Castro 






Alimentos 


6,00 


Curitiba (CIC) 




Metal-mecânica 


60,00 


Castro 






Alimentos 


33,00 


Curitiba e Almirante 






Ponta Grossa 






Madeira 


74,29 


Tamandaré 




Metal-mecânica 


58,86 


Ponta Grossa 






Papel/Papelão 


50,00 


Fazenda Rio Grande 


Têxtil 


7,71 


Ponta Grossa 






Mecânica 


13,00 


Fazenda Rio Grande 


Metal-mecânica 


14,29 


Ponta Grossa 






Alimentos 


57,43 


Lapa 




Metal-mecânica 


6,50 


Ponta Grossa 






Têxtil 


90,00 


Mandirituba 


. 


Bebidas 


2,00 


Ponta Grossa 






Bebidas 


130,00 


Piên 




Madeira 


30,00 


Ponta Grossa 






Borracha 


150,00 


Piên 




Madeira 


180,00 


Aglomeração do 


Norte 




921,37 


Pinhais 




Plástico 


1,71 










(13,57%) 


Pinhais 




Metal-mecânica 


0,91 


Apucarana 






Bebidas 


5,00 


Pinhais 




Metal-mecânica 


3,14 


Apucarana 






Têxtil 


42,00 


Piraquara 




Plástico 


9,71 


Cambe 






Couro 


30,00 


Piraquara 




Madeira 


10,00 


Cambe 






Metal-mecânica 


4,57 


Quatro Barras 




Bebidas 


4,57 


Cornélio Procópio 


Alimentos 


10,00 


Quatro Barras 




Têxtil 


18,00 


Cornélio Procópio 


Metal-mecânica 


10,00 


Quatro Barras 




Metal-mecânica 


40,00 


Londrina 






Plástico 


5,71 


Quatro Barras/São José 






Londrina 






Bebidas 


9,14 


dos Pinhais 




Metal-mecânica 


30,00 


Londrina 






Plástico 


1,37 


Rio Branco do Sul 


Não-metálicos 


2,29 


Londrina 






Confecções 


1,71 


Sao José dos Pi 


nhais 


Plástico 


6,00 


Londrina 






Plástico 


2,86 


São José dos Pi 


nhais 


Metal-mecânica 


1,03 


Londrina 






Alimentos 


28,00 


São José dos Pi 


nhais 


Metal-mecânica 


6,86 


Londrina 






Papel/Papelão 


65,00 


São José dos Pi 


nhais 


Metal-mecânica 


6,86 


Londrina 






Papel/Papelão 


90,00 


São José dos Pi 


nhais , 


Metal-mecânica 


26,29 


Londrina 






Metal-mecânica 


130,00 


São José dos Pi 


nhais 


Metal-mecânica 


120,00 


Londrina 






Metal-mecânica 


300,00 



Continua 



Continu 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



83 



I 



TABELA 1 3 

ESTADO DO PARANÁ 



INVESTIMENTOS PREVISTOS (1996-99) 



Local 



Londrina 
Maringá 
Aglomeração do Oeste 

Cafelândia 
Cascavel 
Matelândia 
Pólos e Subpólos 

Campo Mourão 

Campo Mourão 

Guarapuava 

Guarapuava 

Guarapuava 

Paranavaí 

Paranavaí 

Paranavaí 

Telêmaco Borba 

Umuarama 

Umuarama 

União da Vitória 



Gêr 



Borracha 
Química 



Agroindústria 

Alimentos 

Alimentos 



Plástico 

Agroindústria 

Bebidas 

Bebidas 

Papel/Papelão 

Têxtil 

Alimentos 

Alimentos 

Papel/Papelão 

Bebidas 

Têxtil 

Alimentos 



Continuação 

Investimentos 
(US$ Milhões/ 
Participação %) 

166,00 

20,00 

98,30 

(1,45%) 

10,30 

32,00 

56,00 

466,00 

(6,86%) 

9,10 

4,60 

2,30 

3,00 

35,00 

50,00 

30,00 

8,00 

206,00 

6,00 

5,00 

107,00 

Continua 







Conclusão 


Local 


Género 


Investimentos 
(US$ Milhões/ 
Participação %) 


Demais Municípios 




468,89 
(6,90%) 


Andirá 


Têxtil 


27,00 


Astorga 


Papel 


0,61 


Irati 


Metal-mecânica 20,00 


Irati 


Metal-mecânica 8,50 


Itaipulândia 


Agroindústria 


3,03 


Itapejara do Oeste 


Alimentos 


17,80 


Ivaté 


Química 


20,00 


Jaguariaíva 


Madeira 


80,00 


Marilena 


Agroindústria 


1,71 


Palotina 


Alimentos 


4,50 


Palotina 


Alimentos 


65,00 


Paranacity 


Química 


20,00 


Prudentópolis 


Têxtil 


38,00 


Prudentópolis 


Têxtil 


38,00 


Prudentópolis 


Têxtil 


38,00 


Rio Azul 


Agroindústria 


4,57 


São Mateus do Sul 


Têxtil 


6,60 


Ta pejara 


Química 


20,00 


Ubiratã 


Alimentos 


23,00 


União da Vitória 


Agroindústria 


32,57 



Fonte: Ipardes - Análise Conjuntural (posição julho de 1 999). 
Notas: Total previsto: US$ 6.791 ,96. 

Para São José dos Pinhais, há ainda 9 empresas no género Metal-mecânica sem valores definidos. 

(a) US$ 50 milhões de reserva. 



meração de Joinville e volumes de recursos um pouco 
menores à aglomeração de Blumenau e ao oeste catarinense 
(Tabela 14). 

Santa Catarina deve beneficiar-se com a proximida- 
de de seu pólo metal-mecânico - situado na aglomeração 
de Joinville - ao da aglomeração de Porto Alegre, bem como 
ao pólo automotivo em implantação na aglomeração de 
Curitiba. A integração desses pólos tem como fator indutor 
a presença de diversas empresas da metal-mecânica e da 
indústria de matéria plástica, com expressão nacional e qua- 
lificadas empresarial e tecnologicamente, já atuando como 
fornecedoras de autopeças no mercado nacional. Além dis- 
so, como segmento automotivo, essas empresas enquadram- 
se como prioridade no Prodec, com direito aos estímulos e 
apoio do Programa que vem gerando seu processo de rees- 
truturação e modernização produtiva. 



Vale observar que, para o mercado de trabalho for- 
mal, em ambos os estados, os segmentos da metal-mecâ- 
nica apresentam o cenário mais positivo, embora reconhe- 
cidamente seletivo e restrito. O Paraná ofereceu, em 1996, 
55.639 postos de trabalho nesse segmento, 18,20% dos 
empregos industriais, com saldo favorável no período 
(3.859 postos). Em Santa Catarina, particularizando o géne- 
ro mecânica e transporte, houve acréscimo de 14.066 pos- 
tos no período, num total de 34.174 empregos ofertados, 
que representam 11,15% dos empregos industriais em 1996 
(Tabelas A.12 e A.13, dos anexos). 

Os demais segmentos estruturantes das aglomerações 
sulinas encontram-se, de modo geral, pressionados por exi- 
gências de reestruturação tecnológica e empresarial, assim 
como de reconversão produtiva e deslocamentos espaciais. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Su 



1 TABELA 14 

1 ESTADO DE SANTA CATARINA - 


- INVESTIMENTOS PREVISTOS PELO PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO DAS 


1 EMPRESAS (PRODEC) (1995-98) 










1 




Investimentos 






Conclusão 

Investimentos 


Local 


Género (R$ 1 .000,00/ 


Local 


Género 


(R$ 1 .000,00/ 




I 


Participação %) 






Participação %) 


Aglomeração Pré-metropo- 




72.312,74 


Ipumirim 


Agroindustrial 


5.168,96 


litana de Florianópolis 




(6,02%) 


Itapiranga 


Industrial 


1.088,25 


Florianópolis 


Industrial 


4.530,55 


Quilombo 


Industrial 


23.516,11 


São José 


Industrial 


62.743,52 


Salto Veloso 


Agroindustrial 


9.386,00 


António Carlos 


Industrial 


5.038,68 


São Lourenço dOeste 


Industrial 


14.660,73 


Aglomeração de Joinville 




439.695,00 


São Lourenço dOeste 


Industrial 


1.813,46 






(36,59%) 


Videira 


Agroindustrial 


69.023,00 


Joinville 


Industrial 


155.449,53 


Xaxim 


Industrial 


2.181,50 


Joinville 


Agroindustrial 


3.348,31 


Xaxim 


Têxtil 


1 .000,00 


Joinville 


Têxtil 


3.913,00 


Aglomeração de Criciúma 




9.446,60 


Jaraguá do Sul 


Industrial 


179.057,17 






(0,79%) 


Jaraguá do Sul 


Têxtil 


85.375,21 


Criciúma 


Industrial 


4.592,36 


Guaramirim 


Industrial 


9.236,23 


Criciúma 


Agroindustrial 


274,00 


Guaramirim 


Têxtil 


3.315,55 


Criciúma 


Têxtil 


1.538,50 


Aglomerações de Blumenau 


266.686,61 


Nova Veneza 


Industrial 


3.041,74 


e Itajaí 




(22,19%) 


Eixo de São Bento do Sul 


58.113,84 


Blumenau 


Industrial 


40.336,15 






(4,84%) 


Blumenau 


Têxtil 


172.109,39 


São Bento do Sul 


Industrial 


27.233,68 


Indaial 


Têxtil 


1.072,26 


São Bento do Sul 


Têxtil 


1.925,70 


Brusque 


Têxtil 


48.231,19 


Rio Negrinho 


Industrial 


954,47 


Guabiruba 


Têxtil 


1.641,80 


Mafra 


Industrial 


28.000,00 


Pomerode 


Industrial 


628,47 


Pólos e Subpólos 




14. 429,11 


Itajaí 


Têxtil . 


2.667,36 






(1,20%) 


Aglomerações do Oeste 




335.057,13 


Lages 


Industrial 


2.690,00 






(27,87%) 


Lages 


Agroindustrial 


5.539,11 


Caçador 


Industrial 


49.261,72 


Lages 


Agroindustrial 


6.200,00 


Capinzal 


Agroindustrial 


58.979,00 


Demais Municípios 




6.039,16 


Chapecó 


Industrial 


5.000,00 






(0,50%) 


Chapecó 


Agroindustrial 


30.108,22 


Agrolândia 


Industrial 


228,82 


Concórdia 


Agroindustrial 


39.479,97 


Praia Grande 


Industrial 


1.216,00 


Guarujá do-Sul 


Agroindustrial 


6.870,22 


Campos Novos 


Industrial 


2.796,59 


Herval d Oeste 


Agroindustrial 


17.520,00 


Porto União 


Industrial 


660,75 






Continua 


Luzerna 


Industrial 


1.137,00 



Fonte: SDE/Secretaria Executiva do Prodec-SC. 
Notas: Posição em 1 3/10/1 998. 

Total previsto: R$ 121.780,22 milhões. 

Nesse contexto, a agroindústria, em suas diferen- 
tes especialidades, deve continuar como o fator de susten- 
tação da economia de grande parte do interior do Paraná 
e de todo o oeste catarinense. Contudo, dificilmente vai 
reproduzir o desempenho anterior. No Paraná, já é nítido 
o esgotamento de sua dinâmica em bases extensivas, sem 
a possibilidade de incorporação de novas áreas ou de 
ganhos expressivos de produtividade que assegurem 
maior oferta. As alternativas de sua expansão são de duas 



ordens: o deslocamento para novas regiões produtoras - 
o que já é evidente em direção ao Centro-oeste brasileiro 
- ou o seu avanço para um novo padrão agroindustrial 
orientado para a produção de bens mais elaborados, con- 
dizentes com a qualidade e a estratégia das grandes in- 
dústrias de alimentos. 

Os indicativos nessa direção têm forte liderança das 
cooperativas e secundariamente das empresas. Ajustan- 
do-se às exigências da competitividade, essas entram em 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



um processo de incorporação e fusão, transferência e aber- 
tura de capitais entre si e com empresas nacionais e multi- 
nacionais. São exemplos o acordo entre a Coamo e a 
Cocamar, quanto ao processamento da produção de grãos, 
estabelecendo a transferência do excedente da primeira 
para processamento pela segunda; a transferência do con- 
trole acionário da Batavo para a Parmalat; a fusão entre a 
Clac e a Witmarsun, na linha láctea, resultando na 
Centralpar, dentre outros. 

Tais modificações sinalizam para uma mudança de 
patamar, com o aumento da competitividade nos merca- 
dos interno e externo e a incorporação de novas tecnolo- 
gias. No plano regional, implicam total desvinculação da 
proximidade da matéria-prima, prescindindo do lugar de 
origem. Da mesma forma, no plano empresarial, passam 
a ser regidas por comandos externos, que atendem a van- 
tagens locacionais de outra ordem, nem sempre em con- 
sonância com os interesses locais. 

Nessa área, no Paraná, os investimentos encontram- 
se distribuídos com certo equilíbrio entre os principais pó- 
los e aglomerações. Para a aglomeração de Ponta Grossa, 
estão previstos quatro novos investimentos em alimentos e 
um na área têxtil; para a de Londrina, dois em alimentos, 
um têxtil e um sucoalcooleiro; para a região de Cascavel, 
três em alimentos; para o pólo da mesorregião noroeste, 
Paranavaí, dois em alimentos e um têxtil. Outras três me- 
sorregiões - a norte pioneiro, a centro-sul e a sudeste - se- 
rão contempladas com cinco investimentos do género têx- 
til; Curitiba e Paranaguá, com dois no género de alimentos. 

O segmento agroindustrial catarinense, diferente- 
mente do Paraná, ostenta o perfil de uma sofisticada in- 
dústria de alimentos. Contudo, sua posição nos mercados 
nacional e internacional depende de aumentos de produ- 
ção e produtividade em todos os segmentos da cadeia pro- 
dutiva do complexo. Assim, ainda que a política estadual 
defina também esse segmento como área prioritária de in- 
centivos fiscais, via Prodec, a retenção de seus reinvesti- 
mentos será limitada. Os planos de expansão dos grandes 
grupos - como Perdigão, Sadia e Cevai - incluem Santa 
Catarina, porém os maiores montantes destinam-se a no- 
vas áreas de atuação no Centro-oeste e em outros países. 

Nesse processo de deslocamento de capitais, pe- 
sam fatores de ordem económica decisivos para elevar o 
grau de competitividade, como as vantagens comparati- 
vas de uma expansão da agropecuária em um novo pata- 
mar produtivo. São visíveis os limites à modernização da 
base produtiva pecuária em território catarinense, com- 
prometendo a elevação da oferta de aves e suínos. Contu- 
do, devem permanecer em Santa Catarina as unidades de 
processamento mais elaborado. 

A produção pecuária, especialmente de aves, tam- 
bém expande seu lado moderno para o Centro-oeste, fi- 
cando no estado o seu tradiconal modelo de produção in- 



tegrado. A produção agrícola continua avançando na mo- 
dernização, com ganhos de produtividade e investimen- 
tos em tecnologia. Isso vai representar a eliminação per- 
manente e contínua das oportunidades que ainda restam 
a pequenos produtores, a exemplo do que ocorre com a 
cotonicultura paranaense, que tende a transformar-se, de 
uma lavoura de pequenos produtores não-proprietários, 
a uma produção mecanizada em grandes extensões. 

O cenário mais crítico da economia catarinense está 
na fragilização do parque produtivo com a crise do com- 
plexo têxtil e de confecção, centrado na aglomeração ur- 
bana de Blumenau. Esse setor passa pela necessidade de 
reestruturação de toda a cadeia produtiva, adaptando-se 
às inovações tecnológicas, intensivas em capital. Através 
do Prodec, têm sido destinados recursos substanciais para 
investimentos; entretanto, a defasagem do parque 
catarinense diante da concorrência mundial é extremamen- 
te elevada. A capacidade de competição, mesmo das em- 
presas de grande porte, diminui consideravelmente nos 
mercados internos e externos e atinge toda a cadeia pro- 
dutiva, a começar pela fiação, profundamente abalada com 
a comoditização do algodão. Mesmo assim, esse segmento 
tem fôlego para recompor-se tanto no Paraná quanto em 
Santa Catarina. 

O segmento da confecção, também na aglomera- 
ção de Blumenau, tem sido menos afetado por avanços 
tecnológicos, sofrendo maior impacto com a abertura do 
mercado. Apresenta grandes desvantagens quanto ao custo 
da mão-de-obra no mercado de trabalho nacional e inter- 
nacional; porém, como importante parque têxtil e de con- 
fecção, dispõe de elevada qualificação. A estruturação des- 
se complexo deverá representar sua especialização em área 
de maior competitividade, ao lado da exploração de ni- 
chos pára artigos mais bem elaborados, o que não deve 
impedir um drástico enxugamento. 

Em torno da dinâmica desses três complexos, são 
geradas as principais oportunidades do mercado de tra- 
balho do estado. Tomando-se como referência o emprego 
formal da indústria, o segmento têxtil e de confecção, com 
80.175 empregos em 1996 - 26,16% do emprego esta- 
dual -, apresenta saldo negativo de 7.625 postos de traba- 
lho em dez anos. Pesquisa da Federação da Indústria de 
Santa Catarina (Fiesc), em uma amostra de 42 empresas, 
informa que, entre 1992 e 1996, o número de demitidos 
chega a 11.600 empregados. 

Aagroindústria, com metade desse número (42.731 
empregos gerados em 1996) e com excelente desempenho 
no período, tem saldo positivo de 2.919 postos, porém di- 
ficilmente deverá manter, no estado, o mesmo ritmo de 
expansão. 

A trajetória dos géneros madeira, mobiliário e pa- 
pel-papelão aponta para um interesse cada vez mais com- 
plementar no uso de madeiras reflorestadas, com resulta- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



dos favoráveis, principalmente para madeira e mobiliário, 
em adaptação à restrição do uso de matas naturais como 
principal fonte de matéria-prima. Destaca-se a moderniza- 
ção tecnológica e gerencial, bastante seletiva na madeira e 
mobiliário e reforçada na arividade papeleira, com pesado 
ónus para o mercado de trabalho, uma vez que esses géne- 
ros são grandes empregadores nos estados do Sul. 

O Rio Grande do Sul tem sido um dos espaços 
privilegiados pelas decisões locacionais do capital indus- 
trial no contexto brasileiro, já há algumas décadas e tam- 
bém por blocos de investimentos de empresas estatais 
(Refinaria Alberto Pasqualini, Aços Finos Piratini e III 
Pólo Petroquímico). Com o advento do Tratado de As- 
sunção e com pesados incentivos decorrentes da guerra 
fiscal e da boa vontade dos governos da União e do esta- 
do, o Rio Grande do Sul reforçou seu credenciamento 
para capturar novos investimentos no verdadeiro leilão 
que se estabeleceu no país. Tomando como referência o 
volume de investimentos industriais incentivados pelo 
Fundo de Operação Empresa do Rio Grande do Sul 
(Fundopem), no período de 1994 a julho de 1997, consta- 
ta-se qué o total atinge US$ 7,33 bilhões (Governo do Es- 
tado..., 1998) (Tabela 15). Somando-se os novos projetos 
anunciados no segundo semestre de 1997, essa cifra ele- 
va-se para algo em torno de US$ 7,6 bilhões. No período 
considerado, alguns desses projetos maturam e outros 
estão em fase de implantação. Isso significa que, defini- 
das suas locações, constituem inversões que apontam 
com nitidez os rumos da espacialidade do estado nos pró- 
ximos anos. 

Do total desses investimentos, 96,55% estão pre- 
vistos para localizar-se em apenas três aglomerações ur- 
banas do estado: RMPA e municípios do entorno, AURNe 
e aglomeração urbana de Pelotas /Rio Grande. Somente 
na primeira, a previsão é de investir 83,06% do total do 
Rio Grande do Sul, sendo 7,7% na extensa área que a cir- 
cunda; na AURNe, 5,15%; e na de AURPelotas/Rio Gran- 
de, 8,34%. Dos 3,45% restantes, parte (2,16%) será distri- 
buída no conjunto de municípios que constitui as aglo- 
merações descontínuas localizadas no Planalto e nas suas 
proximidades, e 1,29% serão dispersos entre os demais 
municípios do estado. 

Essas informações indicam aumento substancial da 
concentração espacial do parque industrial do estado na 
RMPA. Além disso, expressam a tendência ao espraiamen- 
to das localizações industriais para fora dos limites da 
RMPA, acompanhada, no presente, por um movimento de 
reconcentração no interior da mesma, em municípios em 
que se acreditava estarem esgotadas as possibilidades de 
atração de novas plantas por causa dos custos elevados 
do solo e das deseconomiás de aglomeração. Dois aspec- 
tos desse ciclo de investimentos industriais contribuíram 
para superar as restrições a novas indústrias na RMPA. O 



primeiro refere-se à natureza de novos segmentos indus- 
triais no estado, como é o caso do ramo automotivo e de 
toda sua cadeia mais imediata. Sabe-se que esse tipo de 
atividade tem como um de seus requerimentos mais im- 
portantes a existência de economias de aglomeração e ur- 
banização. No Rio Grande do Sul, tal condição está pre- 
sente com maior intensidade ém alguns municípios da 
RMPA, o que torna compreensível a exigência das 
montadoras. O segundo aspecto está ligado aos incenti- 
vos e benefícios proporcionados pelo governo do estado, 
que certamente permitiu a compensação dos custos que 
esses locais imporiam à produção industrial em geral, se 
os mecanismos de localização fossem estabelecidos exclu- 
sivamente pelo mercado. Esse último aspecto vale tam- 
bém para os ramos industriais que já operam na RMPA e 
que têm sua expansão planejada para essa região. Quase 
todos os géneros industriais estão contemplados nessa 
expansão de investimentos na RMPA pelos incentivos do 
Fundopem. 

Contrariando as expectativas, a AURNe oficial ab- 
sorveu apenas 4,16% dos investimentos no período. Atin- 
gem 5,18% se somados aos valores de municípios que 
são, de alguma' forma, uma expansão do aglomerado - 
Vacaria, Cambará do Sul, Vila Flores, Nova Prata, 
Guaporé, António Prado, Nova Araçá e São Francisco de 
Paula, que estão recebendo 1,02% do total dos investi- 
mentos do estado, ou US$ 74,2 milhões. A composição 
desse volume de investimentos é diversificada, com des- 
taque para a consolidação dos géneros que constituem a 
base industrial da aglomeração, como o complexo me- 
tal-mecânico, material de transportes, madeira e móveis, 
produtos de matéria plástica, material elétrico e de co- 
municações, bebidas, dentre outros. O que deve ser 
enfatizado neste caso é justamente a continuação de um 
processo de diversificação industrial calcado em indús- 
trias de bens intermediários e de consumo final que ope- 
ram com alto valor agregado, assegurando para a região 
o lugar de segundo pólo industrial do estado. 

Para a área de expansão metropolitana, está pre- 
visto o recebimento de expressivo volume de investimen- 
tos (em torno de 7,7%, ou US$ 565 milhões). Esses serão 
distribuídos entre Santa Cruz do Sul/Venâncio Aires, 
Lageado/Estrela/Teutônia e Taquari - todos a oeste da 
RMPA -, Três Coroas ao norte, Osório e Mostardas a leste 
e Camaquã e Barra do Ribeiro ao sul. A ideia de que o 
crescimento industrial da RMPA se espraia para áreas 
imediatatamente fora de seus limites - tendência já detec- 
tada nas décadas de 70 e 80 - confirma-se com o movi- 
mento atual. Na verdade, o espaço perimetropolitano é 
uma expansão do campo aglomerativo da própria RMPA. 
Nesse território, aqueles géneros que não exigem, para sua 
reprodução, a existência de alto grau de aglomeração ur- 
bano-industrial podem operar a custos mais baixos, ao 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



■ 



I 



TABELA 1 5 

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — INVESTIMENTOS PREVISTOS PELO FUNDO DE OPERAÇÃO EMPRESA DO 

RIO GRANDE DO SUL (FUNDOPEM) (1994-97) 













Conclusão 


Local 


Investimentos 


Participação 


Local 


Investimentos 


Participação 


(US$ Milhões) 


(%) 




(US$ Milhões) 


(%) 


Aglomeração Metropolitana 




Farroupilha 


8,8 


0,12 


de Porto Alegre 


6.089,6 


83,06 


Flores da Cunha 


7,2 


0,10 


Guaíba 


1.031,8 


14,07 


Garibaldi 


6,9 


0,09 


Cachoeirinha 


863,9 


11,78 


São Francisco de Paula 


5,7 


0,08 


Gravataí 


833,5 


11,37 


Guaporé 


5,4 


0,07 


Triunío 


796,2 


10,86 


Carlos Barbosa 


4,7 


0,06 


Canoas 


606,7 


8,27 


António Prado 


2,4 


0,03 


Charqueadas 


353,1 


4,82 


São Marcos 


1,1 


0,02 


Nova Santa Rita 


350,0 


4,77 


Vacaria 


0,7 


0,01 


Santa Cruz do Sul 


322,8 


4,40 


Aglomeração de Pelotas 


611,1 


8,34 


Viamão 


171,1 


2,33 


Rio Grande 


606,0 


8,27 


Porto Alegre 


155,4 


2,12 


Pelotas 


5,1 


0,07 


Estrela 


72,6 


0,99 


Aglomeração de Ijuí 


57,3 


0,78 


Eldorado do Sul 


45,7 


0,62 


Horizontina 


41,0 


0,56 


Novo Hamburgo 


44,7 


0,61 


Ijuí 


8,8 


0,12 


São Leopoldo 


43,3 


0,59 


Panambi 


7,5 


0,10 


Sapucaia do Sul 


42,9 


0,59 


Aglomeração de Passo Fundo 


101,0 


1,38 


Venâncio Aires 


41,2 


0,56 


Marau 


32,6 


0,44 


Lajeado 


31,5 


0,43 


Erechim 


24,9 


0,34 


Esteio 


23,6 


0,32 


Carazinho 


23,2 


0,32 


Três Coroas 


20,0 


0,27 


Passo Fundo 


15,5 


0,21 


Sarandi 


15,0 


0,20 


Estação 


4,8 


0,07 


Pa robe 


13,7 


0,19 


Demais Municípios 


94,9 


1,29 


Campo Bom 


10,1 


0,14 


Taquari 


43,4 


0,59 


Portão 


6,0 


0,08 


Osório 


16,4 


0,22 


Sapiranga 


5,1 


0,07 


Alegrete 


8,8 


0,12 


Barra do Ribeiro 


4,6 


0,06 


Camaquã 


5,5 


0,08 


Teutônia 


2,6 


0,04 


Candiota 


4,8 


0,07 


Alvorada 


0,6 


0,01 


Mostardas 


4,0 


0,05 


Ivoti 


0,6 


0,01 


Uruguaiana 


3,2 


0,04 


Salvador do Sul 


0,5 


0,01 


Não-Me-Toque 


2,5 


0,03 


Nova Araçá - 


0,4 


0,01 


São Gabriel 


1,8 


0,02 


Vila Flores 


0,4 


0,01 


Espumoso 


1,3 


0,02 


RMPA (sem definição) 


180,0 


2,46 


Encruzilhada do Sul 


0,8 


0,01 


Aglomeração de Caxias do 


Sul 378,0 


5,15 


Barra Funda 


0,7 


0,01 


Caxias do Sul 


215,5 


2,94 


Casca 


0,6 


0,01 


Bento Gonçalves 


60,9 


0,83 


Quaraí 


0,6 


0,01 


Nova Prata 


58,7 


0,80 

Continua 


Cambará do Sul 


0,5 


0,01 


Fonte: Projeto RS2010 Investimentos - Governo do Estado do Rio Grande do Sul ■ 


1998. 






Nota: Total previsto: US$ 7.331,9 milhões. 











Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



mesmo tempo que absorvem as vantagens da proximida- 
de do aglomerado metropolitano. Assim, alguns centros 
localizados nessa área acabam atraindo investimentos in- 
dustriais e com isso se credenciando a ser incorporados à 
RMPA ou se constituir em aglomerado urbano não-metro- 
politano. São os casos de Santa Cruz do Sul/Vera Cruz/ 
Venâncio Aires e Lageado/Estrela/Teutônia e os respecti- 
vos municípios mais próximos. Nessa mesma condição, o 
município de Montenegro foi recentemente incorporado 
à RMPA. 

A AUPelotas/Rio Grande é outro pólo que está re- 
cebendo expressivo volume dos novos investimentos in- 
dustriais (8,34% do total). Todavia, neste caso, é necessá- 
rio esclarecer que os US$ 611,1 milhões estão concentra- 
dos em apenas dois géneros ou dois projetos de grande 
porte: madeira e minerais metálicos. O primeiro concen- 
tra o investimento em uma fábrica de painéis com produ- 
ção semelhante à chapa de madeira compensada, voltada 
aos setores de embalagem, construção civil e moveleiro. Esse 
projeto é o complemento de outras atividades de uma em- 
presa canadense que já dispõe de 21.700 hectares de flores- 
tas de -Pinus elioti e eucalipto em São José do Norte e Rio 
Grande. Portanto, trata-se de um complexo que se verticaliza 
e que tem como objetivo os mercados interno (35% da ven- 
das) e o externo (65% das vendas). O segundo é também 
um complexo verticalizado, constituído por cinco unida- 
des - uma unidade de lavra, uma de separação de mine- 
rais pesados, uma planta de zircônio, uma de rutilo sinté- 
tico e uma de pigmento de titânio -, projetado para a ex- 
tração e o beneficiamento de titânio e zircônio, também 
localizado nos municípios de São José do Norte e Rio Gran- 
de. Trata-se de um projeto importante, mas com caracte- 
rísticas de enclave industrial, com poucas possibilidades em 
termos de atração de empresas, com vistas a formar na 
região toda a sua cadeia produtiva. Os demais projetos 
são de pequena monta e pertencem a ramos já existentes 
nos dois centros mais importantes da aglomeração. O con- 
junto de projetos destinado ao AUPelotas/Rio Grande cer- 
tamente reforçará a importância industrial no contexto do 
sul do estado, mas não será suficiente para alavancar uma 
fase de desempenho económico melhor do que o que vi- 
nha sendo obtido nas últimas décadas. 

A região do Planalto, composta da mesorregião 
noroeste riograndense está recebendo 2,16% dos investi- 
mentos do estado (ou US$ 178,4 milhões), que estão geo- 
graficamente concentrados nas duas aglomerações descon- 
tínuas: Erechim, Passo Fundo e Carazinho e alguns muni- 
cípios de seu entorno, os quais também estão recebendo 
investimentos industriais; Panambi, Cruz Alta, Ijuí, Santo 
Angelo, Santa Rosa e Horizontina, mais o município de 
Espumoso, igualmente privilegiado como local para sediar 
novos investimentos no setor industrial. Essas aglomera- 
ções descontínuas estão consolidando a sua centralidade 



na região, na medida em que já constituem o principal pólo 
de crescimento há duas ou três décadas. É possível que 
venham a formar em futuro próximo novas aglomerações 
urbanas no estado. Para tanto, parecem já existir todas as 
condições prévias, dado que tais centros dispõem de infra- 
estrutura urbana e ofertam grande parte dos serviços mais 
complexos da região. Deve ficar claro, todavia, que estão 
localizadas em uma região tipicamente agropecuária (prin- 
cipalmente lavoureira), portanto seu fortalecimento depen- 
de, em grande medida, da expansão desse setor. 

Os novos investimentos industriais dirigidos à 
mesorregião sudoeste riograndense correspondem a 0,19% 
do total do estado. Esses investimentos somam US$ 14,4 
milhões e estão dispersos por quatro municípios: 
Uruguaiana, Quaraí, Alegrete e São Gabriel. São investi- 
mentos em plantas ligadas à base agropecuária regional, 
que terão repercussão somente local, portanto, sem possi- 
bilidade de alavancagem da renda agregada regional, como 
seria desejável. 

A mesorregião centro-ocidental riograndense, co- 
mandada por Santa Maria, não foi contemplada com ne- 
nhum dos projetos incentivados pelo Fundopem, ficando 
fora do cenário industrial do estado, pelo menos no curto 
prazo. 

O rumo dos investimentos aponta a RMPA, e parte 
dos municípios do seu entorno, e a AURNe como as áreas 
mais dinâmicas da economia gaúcha. Essa afirmação está 
baseada não somente no desempenho dos agregados 
macrorregionais e na crescente diversificação dessas eco- 
nomias, nas últimas décadas, mas também nas preferên- 
cias dos agentes económicos em geral com relação às no- 
vas localizações. Essas aglomerações e seus espaços ime- 
diatos têm sido o receptáculo de atividades industriais que 
operariam com custos crescentes se optassem pelas áreas 
mais congestionadas da RMPA. Fazem parte desse movi- 
mento, desde 1970, diversos géneros, com coureiro- 
calçadista, mobiliário, vestuário, bebidas, metalurgia e 
material de transporte. 

No centro dessas transformações, cresce e consoli- 
da-se na economia do Sul uma abertura comercial aos mer- 
cados interno e externo, tendo como particularidade uma 
pauta com a presença significativa de produtos mais ela- 
borados. 

Os países do Mercosul, pela proximidade geográ- 
fica, tornam-se cada vez mais presentes e considerados nas 
estratégias empresariais. Entretanto, no âmbito de suas 
relações, as oportunidades comerciais não apresentam uma 
particularidade maior para os estados do Sul. Estes en- 
contram-se entre os principais exportadores, porém são 
superados por São Paulo, que lidera com grande vanta- 
gem, e por Minas Gerais. Santa Catarina, ainda que com a 
menor participação nas exportações, é o estado sulino que 
vem apresentando maior avanço nessa relação comercial. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Dinâmica da Economia e da Rede Urbana Regional 



I 



89 



A expansão de algumas empresas para os países 
desse bloco se dá por vantagens locacionais ou de com- 
plementaridade, como estratégia de grandes grupos ou 
cooperativas para fins de ganhos de escala e produtivida- 
de. No entanto, é praticamente inexistente uma perspecti- 
va mais política de integração a partir de relações de com- 
plementação e reforço mútuos interempresariais, visando 
a posições mais competitivas do bloco económico do 
Mercosul ante outros mercados. 



4.2 Tendências e Impactos no 
Arranjo Socioespacial 

O crescimento diferenciado, em grande parte in- 
fluenciado pela localização de oportunidades económi- 
cas, provocará uma distribuição espacial da população 
centrada na urbanização e na concentração. O movimen- 
to de expansão das aglomerações metropolitanas do Sul, 
com a incorporação de áreas adjacentes, exercerá impor- 
tante papel nesse processo. Verdadeiros complexos ur- 
banos passarão a contrastar com regiões que terão como 
característica uma dinâmica lenta ou até de esvaziamen- 
to e estagnação. No entanto, as atividades tradicionais 
ainda exercem grande influência na possibilidade de re- 
tenção populacional no interior dos estados, provocan- 
do até mesmo a configuração de eixos de intenso cresci- 
mento e aglomerações. 

De modo geral, os processos migratórios inter- 
regionais e interestaduais dos estados do Sul devem con- 
tinuar ocorrendo, porém com diferenciações de ritmo e 
de sentido. É de esperar um arrefecimento contínuo da 
evasão populacional para fora da região, uma vez que 
se têm alterado os vetores que orientaram esse movi- 
mento no passado recente. Aumentam os fluxos de cur- 
ta distância, intra-estaduais, tendo continuidade o des- 
tino para as áreas de maior concentração. Passam a ser 
perceptíveis, em maior escala no Rio Grande do Sul, os 
movimentos intra-urbanos das aglomerações metropo- 
litanas, com fluxos de partida dos pólos no sentido dos 
municípios periféricos e de aglomerações adjacentes. Os 
fluxos de migração de retorno que começam a ser vis- 
lumbrados, embora tendam a intensificar-se, não che- 
garão a compensar as perdas de população que a re- 
gião deve continuar sofrendo. 

Assim, é nítida a tendência de concentração da po- 
pulação urbana nas aglomerações, em que deverá haver 
pequena diminuição nas taxas de crescimento dos muni- 
cípios polarizadores e a manutenção do ritmo elevado de 
crescimento dos periféricos, em um movimento que ab- 
sorve municípios cada vez mais distantes dos pólos. Nes- 
sas áreas, a dinâmica de crescimento populacional tam- 
bém será estendida a pequenos e médios municípios. Nas 



ocupações contínuas litorâneas, a mudança do perfil fun- 
cional urbano dos centros, independentemente do tama- 
nho, poderá induzir à manutenção e até à elevação do rit- 
mo de incremento da população. 

Com o declínio e/ou automação das atividades 
industriais, continuará ocorrendo uma regressão do mer- 
cado de trabalho com consequências diretas na remune- 
ração e na estruturação social. Continuará acontecendo, 
também, o aumento da informalidade - com trabalhado- 
res sem carteira assinada e daqueles trabalhando por con- 
ta própria, sob a exigência de maior escolaridade -, as- 
sim como maior concentração de renda, intensificando o 
processo segregador e excludente da ocupação do espa- 
ço urbano. O cenário previsto passa a ser o de cidades 
divididas, onde a polarização e a segmentação socioes- 
pacial resultam no aumento da contradição entre as áreas 
nobres e a periferia. 

Os investimentos em infra-estrutura e serviços 
reorganizam esses espaços para adequá-los às exigên- 
cias urbanas de grandes projetos e então qualificá-los 
para concorrer na atração de atividades económicas 
decorrentes dos novos circuitos de produção. Assim, 
as referências veiculadas sobre a dispersão da ativi- 
dade económica ou a localização de atividades moder- 
nas em municípios do Sul escondem o fato de que ape- 
nas poucos centros, que oferecem melhores vantagens 
comparativas, serão beneficiados, aprofundando o 
desnível na capacidade financeira dos municípios. 
Muitos dos municípios periféricos, preteridos pela es- 
colha da alocação, terão dificuldades em atender às 
demandas sociais agudizadas pelo afluxo populacio- 
nal que busca o emprego anunciado pelos novos in- 
vestimentos. No entanto, as atividades resultantes des- 
ses novos circuitos de produção caracterizam-se por 
um uso seletivo e reduzido de mão-de-obra, não ge- 
rando, dessa forma, empregos compatíveis nem com 
o volume nem com o perfil da demanda que segura- 
mente já está atraindo. 

Deve ficar claro que, mesmo nas áreas consideradas 
dinâmicas ou moderadamente dinâmicas, existem zonas 
deprimidas economicamente, como ocorrem, por exemplo, 
nas cidades-dormitório das aglomerações metropolitanas e 
também de algumas áreas do interior dos estados. 

A reorganização do espaço vai reforçar o aparecimen- 
to de novas - mas secundárias - centralidades e redirecionar 
os vetores de segregação socioespacial, reproduzindo o pro- 
cesso seletivo de ocupação já presenciado: a população mais 
bem empregada e de melhor renda estará localizada no pólo 
e nesses centros regionais inseridos no mapa da metrópole; os 
excluídos buscarão os mesmos municípios empobrecidos 
que sustentam o crescimento da região desde décadas ante- 
riores, e que estarão excluídos do processo modernizante 
ou apenas usufruindo de suas sobras. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



90 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Assim, a elevação dos investimentos moderniza- 
dores das áreas nobres configura áreas diferenciadas e 
cria externalidades incorporadas ao valor dos imóveis, 
definindo a seletividade no acesso e na localização espa- 
cial e contribuindo para ampliação das periferias pela falta 
de acesso dos pobres ao mercado fundiário. Ao mesmo 
tempo, a retração na oferta de moradia nas áreas centrais 
e dos lotes populares nas periféricas pode conduzir à 
favelização e contribuir para ocupação ilegal nas áreas 
públicas e privadas. 

Decorrente do mesmo processo de mudança do 
perfil económico e da valorização do solo das áreas cen- 
trais, é possível haver deslocamentos de segmentos de 
renda média e alta para a periferia, levando a população 
pobre para áreas ainda mais distantes. Dessa forma, a 
modernização das periferias, seja por ocupações resi- 
denciais, seja pela presença de atividades comerciais de 
grande porte, como shoppings e supermercados, convi- 
verá com a informalidade da produção da moradia de 
baixa renda, alternativa restante quando da ausência de 
políticas habitacionais. As desigualdades sociais entre 
centro e periferia reforça a manutenção da polaridade 
do centro ao mesmo tempo em que recria polaridades e 
intensifica a fragmentação das áreas periféricas. 

A forma espacial que a cidade encontra para en- 
frentar os efeitos das contradições desse espaço frag- 
mentado é a busca de proteção em enclaves, ou seja, na 
conformação de espaços de moradia e/ou trabalho, mu- 
rados ou sob forte aparato de segurança, tanto nas ocu- 
pações legais - compondo condomínios verticais ou 
horizontais - quanto nas ocupações ilegais ou bairros 
protegidos. 

Esse processo é também perceptível nos centros 
urbanos que não constituem aglomerações urbanas, situ- 
ados no interior dos estados, que, pela diversificação de 
suas funções que valorizam heterogeneamente o solo, tam- 
bém estarão induzindo à segregação socioespacial. 

No inverso do processo de concentração, as áreas 
de esvaziamento também mesclam características espaci- 
ais contraditórias. Ao lado de um rural moderno, conectado 
às novas relações económicas, persiste um rural arcaico, 
que não viabiliza dinamismo que garanta as condições para 
a retenção de sua população, confirmando também a 
seletividade e a exclusão. 



5 Considerações Finais 



As aglomerações, em suas diferentes escalas, são a 
marca da morfologia da rede urbana da região Sul. Em 



torno delas giram as questões centrais relativas às trans- 
formações socioespaciais dessa região. Portanto, priorida- 
des e recomendações devem estar voltadas para adminis- 
trar e maximizar as vantagens comparativas e, ao mesmo 
tempo, superar suas contradições. Nesse sentido, algumas 
ações devem ser destacadas: 

• implementar um processo de planejamento que defina 
as referências nacionais em termos de prioridades se- 
toriais e locacionais para os grandes investimentos ur- 
banos, articulado a uma discussão local que inclua os 
vários agentes intervenientes na gestão urbana, do go- 
verno e sociedade, com garantia de maior contraparti- 
da da iniciativa privada; 

• regulamentar as políticas de incentivos como estratégi- 
as ao fortalecimento de centralidades, sem tornar pre- 
cário o atendimento às demandas sociais e comprome- 
ter a coesão regional/nacional, minimizando os efeitos 
da guerra dos lugares; 

• dirigir uma política compensatória aos municípios-dor- 
mitório, preteridos pelo investimento económico, po- 
rém absorvedores de grande contingente de população 
e sob pressão de crescente demanda, fragilizados em 
sua capacidade financeira; 

• reconhecer a precarização do emprego, oriunda da rees- 
truturação e modernização das atividades económicas, 
criando instrumentos que facilitem o desenvolvimento 
de atividades alternativas e priorizem programas de aten- 
ção às demandas sociais ampliadas - políticas para as 
áreas de educação, saúde, habitação e saneamento bási- 
co - e de oferta de equipamentos urbanos sociais; 

• viabilizar e implementar instrumentos de controle do 
uso e ocupação do solo que garantam o cumprimento 
da função social da propriedade e da cidade e a 
sustentabilidade ambiental; 

• agilizar a institucionalização de legislações adequadas 
às aglomerações urbanas e metropolitanas, pautadas em 
critérios nacionais, bem como a constituição de canais 
de representação que amenizem os conflitos entre a au- 
tonomia municipal, os interesses regionais e os da 
pluralidade dos segmentos; 

• estabelecer pactos territoriais que rediscutam as priori- 
dades de investimentos e redirecionem políticas públi- 
cas, efetivando a redistribuição da renda e da receita, 
respeitando e reforçando as funções regionais de cada 
município. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



APITULO II 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



1 Introdução 



2 Mesorregiões do Estado 
do Paraná 



A análise mesorregional para os estados do Paraná, 
Santa Catarina e Rio Grande do Sul serviu de base às ca- 
racterizações da economia e da rede urbana regional, apre- 
sentadas anteriormente. 

Tal análise apoiou-se em um conjunto de infor- 
mações sintetizadas em tabelas que se encontram nos 
Anexos (A.l a A.20), as quais subsidiaram a leitura do 
comportamento dos fenómenos demográficos, económi- 
cos - neste caso, desagregando setores da economia, gé- 
neros industriais e produtos agrícolas -, sociais e do ar- 
ranjo territorial. 

Pelo fato de os textos não obedecerem a uma mes- 
ma sequência na análise dos temas, evitaram-se remis- 
sões a essas tabelas, que se encontram ordenadas tema- 
ticamente. 

Um quadro sucinto sintetiza, em cada mesorregião, 
as principais características da morfologia da rede urbana 
regional. 

Um mapa da região Sul espacializa as mesorre- 
giões, enumerando-as em uma sequência para cada esta- 
do (Mapa 10). Para facilitar a localização dos municípios 
que integram as mesorregiões, foram individualizados 
mapas com sua composição poHn^o-administrativa, apon- 
tando as principais centralidades, segundo o estudo Regiões 
de Influência das Cidades (Regic) (Mapas 11 a 33). 



Os indicadores de saneamento básico, educação e 
renda referem-se ao Censo Demográfico de 1991. 

2.1 Noroeste Paranaense 

A mesorregião noroeste, com uma área de 24.600 
quilómetros quadrados, compõe-se de 61 municípios. Em 
1996, possui 628.840 habitantes, representando 6,98% da 
população do estado e uma das menores densidades de- 
mográficas dentre as mesorregiões paranaenses (25,56 ha- 
bitantes por quilómetro quadrado). 

Seu grau de urbanização (74,86%, em 1996) resulta 
de um processo intenso, já que em 1970 a região ainda 
detém quase 75% de sua população na área rural. Atual- 
mente, apenas 13,11% de seus municípios são rurais de 
pequena dimensão. A grande maioria (52,46%) é de pe- 
quena dimensão e em transição para o urbano. 

Seus centros principais são Paranavaí e Umuarama, 
com nível de centralidade forte para médio, e Cianorte 
(Mapa 11), com centralidade de nível médio, todos urba- 
nos de média dimensão. Esses centros estão equilibrada- 
mente distribuídos no território regional. Nenhum deles 
está entre os. mais fortes na rede urbana do estado, e seu 
pólo imediato é Maringá. O papel desses centros é susten- 
tar localmente as atividades da base produtiva regional, 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



92l 



edes Urba 



Sul 



mais municípios da região. Paranavaí distingue-se como 
centro regional, com maior número de funções que 
Umuarama, embora este apresente uma área de abrangência 
de polarização maior, atraindo demandas até mesmo do 
Mato Grosso do Sul. 

A dinâmica populacional da região vem apresentan- 
do, ao longo das últimas décadas, um dos menores cres- 
cimentos do estado. Sua população urbana cresceu à taxa 
de 1,3% a.a., entre 1991 e 1996, praticamente metade do 
que cresceu a do Paraná. A rural segue entre as duas me- 
sorregiões com maiores perdas (-5,94% a.a.), tendo apre- 
sentado declínio absoluto de 551.191 habitantes, o cor- 
respondente a 77,71% de sua população atual, entre 1970 
e 1996. Cerca de 70% de seus municípios perdem popu- 
lação total entre 1991 e 1996; metade já vinha perdendo 
desde 1970. 

Esse esvaziamento decorre fundamentalmente das 
mudanças nas atividades da base produtiva rural, com a 
erradicação da cultura cafeeira - intensiva no uso de mão- 
de-obra - que dá lugar a pastagens, extinguindo as rela- 
ções de trabalho que sustentavam uma estrutura fundiá- 
ria de pequenos estabelecimentos de parceiros arrendatá- 
rios. A forte incidência dessa evasão associa-se ainda ao 
solo altamente erodível (arenito caiuá) e que demonstra 
sinais de esgotamento para usos agrícolas. 

Algumas áreas cafeeiras mantêm-se, e ainda hoje a 
região detém o maior parque cafeeiro do estado, com 
34,17% da área colhida do período de 1992-94. No entan- 
to, a expansão da atividade pecuária passa a ser a especi- 
alidade regional, concentrando um dos maiores rebanhos 
para corte e leite, porém em um padrão extensivo de cria- 
ção, que reflete as condições de seu solo degradado. Em- 
bora seja a região que compreenda a maior área de ativi- 
dades agropecuárias do estado, com nítida predominân- 
cia de pastagens, é a terceira quanto à participação no va- 
lor da produção pecuária (14,68%) e está entre aquelas com 
menor participação no valor da produção agrícola (6,81%). 

Além do café, uma cultura peculiar dessa região é 
o algodão, com a expressividade de 18,21% da área colhi- 
da do estado, porém já apresentando sinais de declínio, 
dada a crise da cotonicultura tradicional. 

A reestruturação agrícola da região está pautan- 
do-se na intensificação da produção da mandioca e na in- 
serção da cana e da laranja, estreitamente associadas ao 
processamento agroindustrial. Isso tem garantido sua po- 
sição, embora com um desnível considerável, entre as qua- 
tro mesorregiões com maior participação no valor adicio- 
nado do setor primário do Paraná (9,05% em 1996). 

Entretanto, seu desempenho agrícola, com pouca 
expressão nas commodities, não tem sustentado sua parti- 
cipação na formação da renda total do estado. Em 1975, a 
região participava com 11,21% do valor adicionado total - 
quarta posição entre as mesorregiões paranaenses -, quan- 



do se inicia um período de forte queda, com pequena re- 
cuperação em 1985, prosseguindo o fluxo de declínio que 
se estende até o presente. Em 1996, a região participa com 
apenas 3,8% do valor adicionado total do estado - quinta 
posição -, revelando-se a mais frágil das áreas cafeeiras. 
Da mesma forma, essa base agrícola não impulsiona uma 
agroindustrialização com a mesma força exercida em ou- 
tras regiões do estado, como as mesorregiões oeste e nor- 
te-central. 

A região tem uma das menores participações tam- 
bém no valor adicionado do setor secundário do Paraná 
(2,28% em 1996). No entanto, destaca-se no cenário da in- 
dústria com notada participação em alguns géneros, porém 
aqueles com menor expressividade; dentre eles, estão con- 
fecção e têxtil (12,38% e 7,19%, respectivamente). Suas ati- 
vidades e a presença de algumas das principais empresas 
do estado constituem um pólo que abrange principalmente 
Cianorte, Paranavaí e Umuarama e, secundariamente, 
Jussara e Mariluz. Esse pólo de confecção e têxtil reforça-se 
na revitalização da sericicultura e na reativação da Kanebo 
Silk, uma das mais importantes empresas nesse setor. 

Outro segmento industrial que se mantém expres- 
sivo no estado, com participação de 4,88% do total do gé- 
nero, é o da indústria química. Está pautado no complexo 
sucroalcooleiro, viabilizado com os incentivos do Proálcool 
como forma de controle da erosão na área do arenito caiuá. 
As principais empresas estão nos municípios de Cidade 
Gaúcha, Paranacity, São Carlos do Ivaí, São Tomé, Tapejara 
e Jussara. 

A região também se evidencia no género alimen- 
tos, com a participação de 4,47% do total. Essa atividade, 
voltada à produção da fécula in natura e modificada, está 
ancorada em duas grandes empresas - a Cooperativa Agro- 
pecuária Três Fronteiras (Cotrefal) e a Lorenz - e na pro- 
dução de sucos, associada à expansão da citricultura como 
parte de um projeto da Cooperativa de Cafeicultores e 
Pecuaristas de Maringá (Cocamar). Já a agroindústria de 
carnes e laticínios, embora ainda seja representativa na base 
produtiva regional, não acompanha a dinâmica de cresci- 
mento do género no estado. Como tendência regional, a 
indústria do couro sinaliza um potencial de ascensão. 

Essas atividades vêm possibilitando o crescimento 
do emprego formal da indústria. Embora a participação 
regional na formação da renda da indústria paranaense 
esteja na ordem de 2%, a mesorregião detém 5,17% dos 
empregos industriais do estado. Entre 1986 e 1996, a me- 
sorregião é uma das que mais crescem no Paraná, com in- 
cremento de 6,7%, praticamente dobrando o número de 
postos de trabalho nesse setor de atividade - um cresci- 
mento praticamente garantido pelos géneros têxtil, con- 
fecção, alimentos e bebidas. 

Do total dos empregos formais do estado, a mesor- 
região contribui com a pequena parcela de 4,1%. Em sua 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



93 



I 



MAPA 1 

REGIÃO SUL — MESORREGIÕES GEOGRÁFICAS (1 996) 



1 - NOROESTE PARANAENSE 

2 - CENTRO-OCIDENTAL PARANAENSE 

3 - NORTE-CENTRAL PARANAENSE 

4 - NORTE PIONEIRO PARANAENSE 

5 - CENTRO-ORIENTAL PARANAENSE 

6 - OESTE PARANAENSE 

7 - SUDOESTE PARANAENSE 

8 - CENTRO-SUL PARANAENSE 

9 - SUDESTE PARANAENSE 

10 - METROPOLITANA DE CURITIBA 



1 - OESTE CATARINENSE 

2 - NORTE CATARINENSE, 

3 - SERRANA CATARINENSE 

4 - VALE DO ITAJAÍ 

5 - GRANDE FLORIANÓPOLIS 
6 -SUL CATARINENSE 




1 - NOROESTE RIOGRANDENSE 

2 - NORDESTE RIOGRANDENSE 

3 - CENTRO-OCIDENTAL RIOGRANDENSE 

4 - CENTRO-ORIENTAL RIOGRANDENSE 

5 - METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE 

6 - SUDOESTE RIOGRANDENSE 

7 - SUDESTE FIIOGRANDENSE 



Fonte: Contagem da População 1996-IBGE. 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



72 1 44 km 



A 



Caracterização e Tendências oa Rede Urbana do Brasil 



I 



94M I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 1 1 

NOROESTE PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 

I Médio para fraco e médio 
I I Médio para forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (19! 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



95 



cujas características são predominantemente agropecuá- 
rias. Sua estrutura ocupacional, pautada em atividades ur- 
banas, é bastante diversificada, comparativamente aos de- 
estrutura interna, a distribuição setorial do emprego for- 
mal apresenta maior proporção nos serviços (38,8%), em 
que o emprego está fundamentalmente ligado à adminis- 
tração pública, seguido da indústria (30,7%). Apenas 11 
municípios apresentam mais de 40% de seus empregos no 
setor industrial, dentre os quais destacam-se - com mais 
de 60% do emprego na indústria do açúcar e álcool - Ivaté, 
Tapejara, Paranacity, Paraíso do Norte e São Carlos do Ivaí. 
São poucos os municípios com preponderância do empre- 
go formal nas atividades comerciais. Tal predominância 
coincide com as centralidades mais importantes, como 
Paranavaí e Umuarama (25,22% e 22,03%, respectivamen- 
te, de seu emprego no comércio). 

Da ótica da ocupação da mão-de-obra regional, não 
restrita ao mercado formal, as atividades agropecuárias 
continuam sendo as que proporcionalmente mais absor- 
vem a força de trabalho - correspondem a mais de 50% do 
emprego regional, sendo a atividade principal na ocupa- 
ção do trabalhador em mais de 70% dos municípios. Den- 
tre as atividades ocupacionais urbanas, há predominân- 
cia do setor terciário, porém, nos municípios com grau de 
urbanização superior a 75%, é predominante a conjunção 
de atividades do terciário e do secundário. 

Mesmo considerando o desempenho positivo da 
economia da região nos anos recentes, a noroeste 
posiciona-se entre as outras quatro mesorregiões com os 
indicadores mais críticos de renda. Sua renda per capita 
familiar é relativamente baixa e a proporção de chefes de 
domicílios com rendimento de até dois salários mínimos 
é de 59,11%. Percebe-se rendimento médio superior nos 
centros principais e baixo nos municípios de base agrope- 
cuária, com um gradiente de variação amplo, expressando 
situações sociais bastante heterogéneas. A região também 
apresenta a menor proporção de adultos alfabetizados den- 
tre as mesorregiões paranaenses (apenas 79,18%). Confirman- 
do esse fraco desempenho, é também uma das duas regiões 
com menor escolaridade (média de 3,9 anos de estudo). 

Da mesma forma, a qualidade da urbanização, 
medida por alguns indicadores de saneamento básico, 
também não a coloca entre as melhores do estado. Em- 
bora apresente 90,28% dos domicílios ligados à rede de 
água, o esgotamento sanitário e a coleta de lixo são pre- 
cários, com 14,73% e 79,39%, respectivamente, dos do- 
micílios atendidos. 

2.1.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

Caracterizada como uma região de base agropecuá- 
ria, os padrões de seu desenvolvimento não vêm garantin- 
do a capacidade de sustentação da população por seus cen- 



tros, inserindo-a na espacialidade de esvaziamento. A con- 
figuração de sua rede urbana caracteriza-se por apresentar: 

• um conjunto de centros de médio e pequeno porte sem 
condições de reter os fluxos de evasão rural, o que se con- 
firma pelas reduzidas taxas de crescimento da população 
urbana, verificadas nos pólos de Paranavaí e Umuarama, 
a despeito de seu relativo dinamismo económico; 

• crescimento urbano elevado (3,02% a.a.) apenas em 
Cianorte, o menor dos pólos, que constitui o núcleo da 
indústria têxtil e de confecção regional; 

• reduzido número de municípios de pequeno porte - 
Cidade Gaúcha, São Tomé, Tapejara, Ivaté e Rondon - 
com crescimento populacional urbano elevado (acima 
de 3% a.a.), integrado às atividades da indústria quími- 
ca, que associa ao emprego industrial o trabalho tem- 
porário na atividade agrícola; 

• elevado crescimento da população urbana em peque- 
nos municípios contíguos aos limites do pólo Paranavaí 
- Tamboara, Amaporã, Guairaçá e Nova Aliança do 
Ivaí -, com o crescimento da população urbana próxi- 
mo ou superior a 3% a.a.; 

• número significativo de sete núcleos urbanos com cres- 
cimento negativo da população urbana no período de 
1991-96. 

Esses comportamentos demonstram e apontam res- 
trita possibilidade de retenção populacional na região. A 
atividade económica em desenvolvimento não viabiliza a 
ampliação na oferta de postos de trabalho nem a geração 
de efeitos multiplicadores na economia da região, já que 
seu processo de reestruturação modernizadora passa por 
padrões sujeitos a maior seletividade e exclusão. Isso apon- 
ta como tendência para as cidades a manutenção de sua 
estrutura urbana, com aumento do grau de urbanização, 
porém sem avanços em termos de qualidade, complexi- 
dade e sofisticação funcional. 

2.2 Centro-ocidental Paranaense 

A mesorregião centro-ocidental tem uma área de 
11.942 quilómetros quadrados e uma das menores densi- 
dades demográficas dentre as mesorregiões paranaenses 
(29,83 habitantes por quilómetro quadrado). Compõe-se 
de 25 municípios e, em 1996, possui 356.191 habitantes, 
representando 3,96% da população do estado. 

Mesmo com grau de urbanização não muito eleva- 
do (67,72% em 1996), a ocupação de suas cidades é repen- 
tina: em 1970, a região ainda detém na área urbana pouco 
mais de 100 mil habitantes e um grau de urbanização de 
19,02%. Sua população urbana dobra em 20 anos, estando 
mais de 30% concentrada em Campo Mourão. Porém, de 
modo geral, a região guarda fortes relações com uma es- 
trutura predominantemente agropecuária, mantendo 44% 
de seus municípios de pequena dimensão. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



96 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Campo Mourão, município urbano de média di- 
mensão e com nível de centralidade forte para médio, tem 
sua dinâmica urbana estruturada principalmente em fun- 
ção da Cooperativa Agropecuária Mourãoense (Coamo), 
que é a maior cooperativa do Paraná tanto em termos de 
valor comercializado quanto em número de associados. 
Sua estrutura ocupacional destaca-se em atividades urba- 
nas diversificadas, comparativamente aos demais muni- 
cípios da região, sendo nitidamente um centro regional de 
comércio e serviços. Além desse, o único centro que se des- 
taca é Goio-Erê, município urbano de pequena dimensão 
e nível de centralidade médio (Mapa 12). Possui uma es- 
trutura ocupacional com relevância ao mesmo tempo em 
atividades do setor terciário e do setor agropecuário. O 
principal papel desses centros é sustentar localmente as 
atividades da base produtiva regional. Campo Mourão dis- 
tingue-se como centro regional com maior e mais diversi- 
ficado número de funções que Goio-Erê, e com uma área 
de abrangência de polarização maior. Ambos são polari- 
zados por Maringá. 

A região vem apresentando uma das mais altas ta- 
xas de evasão da população, tanto total quanto rural. En- 
tre 1991 e 1996, sua taxa geométrica de crescimento é de - 
1,70% a.a., repetindo o declínio já verificado nos anos 70. 
Inicialmente, o urbano absorve parte dessa evasão, tendo 
apresentado taxas de crescimento entre 3% e 5% a.a. entre 
1980 e 1991. Atualmente, é a região com menor crescimen- 
to da população urbana no estado (0,43% a.a.). Nenhum 
município apresenta crescimento acima da média do esta- 
do, e 21 municípios. (84% do total) apresentam crescimen- 
to negativo já desde os anos 70. Entre 1970 e 1991, a região 
perde 172.543 habitantes, o correspondente a 48,44% de 
sua população atual. Essa perda está associada à evasão 
rural; no entanto, recentemente, avança na direção da eva- 
são urbana. Entre 1991 e 1996, 40% dos municípios da re- 
gião perdem população também na área urbana. 

Tal comportamento demográfico resulta de mu- 
danças que vêm ocorrendo na base produtiva rural. A 
região, uma das. mais importantes produtoras de grãos 
(soja e trigo), também apresenta um sistema de explora- 
ção da terra com pequenos parceiros e arrendatários no 
café e principalmente no algodão, do qual é a principal 
produtora do estado. As oscilações da produção cafeeira, 
e fundamentalmente a crise cotonicultora, explicam o 
processo de esvaziamento que ainda deve manter a 
extinção dessas relações, assim como intensificar os flu- 
xos de partida da região. 

Mesmo com uma área relativamente pequena ocu- 
pada por atividades agropecuárias, a participação da re- 
gião no valor da produção agrícola do estado está entre as 
maiores (9,11%). As áreas cultivadas com trigo e soja - cul- 
tura que coloca a região entre as três mais importantes - 
no período de 1992-94 correspondem a 16,39% e 22,86% 



da área cultivada do estado, respectivamente. O algodão 
ocupa 24,16% da área cultivada no período. 

E no setor primário que a região tem maior parti- 
cipação na composição do valor adicionado setorial do 
Paraná (8,6%). Acompanhando o comportamento de ou- 
tras regiões agrícolas, vem reduzindo gradativamente a 
participação no valor adicionado total do estado - de 
4,95% em 1975 para 2,72% em 1996. Vale observar que a 
região tem desempenho destacado na produção de 
commodities e insumos, com expressão mínima em outros 
produtos, revelando sua inserção numa estrutura comer- 
cial moderna. 

Na indústria, destacam-se os segmentos têxtil e de 
confecção como uma expansão física dos plantios de 
Cianorte (mesorregião noroeste), com importantes empre- 
sas localizadas em Campo Mourão, Goio-Erê, Janiópolis, 
Ubiratã e Terra Boa. Essa atividade representa 14,56% do 
valor adicionado do género no estado. São também regio- 
nalmente importantes os géneros alimentos e química, com 
álcool processado pela Coamo, em Campo Mourão e En- 
genheiro Beltrão, bem como mobiliário, que tem em 
Araruna uma das maiores indústrias do setor. 

A presença da Coamo na região, com atuação no 
segmento agroalimentar, desempenha papel importante na 
diversificação da produção agrícola, pelo amplo espectro 
de produtos comercializados in natura e pela verticaliza- 
ção no processamento de vários deles, como cana, soja, 
algodão, seda, dentre outros. Como tendência, vem im- 
plementando uma estratégia de expansão e diversificação 
industrial, com a instalação de fábrica de margarina, moi- 
nho de trigo, indústria de álcool anidro, bem como a du- 
plicação da indústria de óleo de soja, no Porto de 
Paranaguá. Contudo, pelo fato de essa indústria regional 
ainda estar ancorada na geração de valor a partir de pri- 
meiros beneficiamentos - tanto no caso do segmento ali- 
mentar como no da fiação - seu desenvolvimento implica 
um processo de transição que sofre limites em função dos 
elevados investimentos necessários. Além disso, essa nova 
indústria dispensa as vantagens comparativas da proxi- 
midade da matéria-prima. 

A mesorregião centro-ocidental tem um dos meno- 
res contingentes de empregados no setor formal do Paraná 
(2,5%). No emprego industrial, embora possua participa- 
ção inexpressiva na estrutura ocupacional do estado, é uma 
das que mais cresce. De 1986 para 1996, passa de 3.411 para 
6.631 empregados no setor, alcançando uma participação 
de 2,17% no total do emprego industrial formal. Quem 
sustenta esse crescimento é a indústria de alimentos, que 
mantém crescimento, ao longo do período, de 16,9%. O 
segundo género com elevada absorção é o têxtil, que cres- 
ce no período 5,6%; porém, a partir de 1993, há indicativos 
de que começa a perder posição. Mantendo ainda elevado 
número de empregos formais, o setor mobiliário vem de- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 97 



I 



I 



MAPA 1 2 

CENTRO-OCIDENTAL PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 

i _) Médio para fraco e médio 

I | Médio para forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



9 18 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



98 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



monstrando sinais de estagnação, tendo crescido no pe- 
ríodo apenas 0,8%. 

O setor de serviços concentra 48,4% dos empregos 
formais da região, o que confirma a importância da atua- 
ção da Coamo em atividades terciárias. Essa estrutura de 
cooperativas vem sustentando uma agricultura familiar 
das mais expressivas do estado, com uma importância que 
pode ser constatada em quase 80% dos municípios da re- 
gião, que detêm a maior proporção da população ocupa- 
da em atividades agropecuárias. A predominância do 
terciário na oferta dos empregos, em atividades ligadas à 
Coamo, é verificada apenas nos municípios com maior 
grau de urbanização. Em termos de ocupação em ativida- 
des urbanas, independentemente do grau de urbanização, 
são poucos os municípios que conjugam a ocupação em 
atividades do setor secundário com as do setor terciário, 
apontando para uma inexpressividade da atividade indus- 
trial na região. Apenas três municípios distinguem-se pela 
oferta de emprego na indústria: Araruna, por sediar uma 
das maiores empresas do setor mobiliário; Engenheiro 
Beltrão, onde se localiza uma destilaria de álcool; e Terra 
Boa, com duas grandes empresas da indústria da confec- 
ção. A grande maioria dos municípios tem o emprego ur- 
bano no setor terciário, sendo, nos de menor porte, em ati- 
vidades da administração pública municipal. 

Com uma dinâmica das atividades urbanas menos 
complexa, a região, nos anos recentes, mantém-se entre aque- 
las com elevada proporção de chefes de domicílio com ren- 
dimento de até dois salários mínimos (58,73%). Sua renda 
média familiar per capita, em 1991, é relativamente baixa en- 
tre as regiões paranaenses, apresentando uma variação bas- 
tante acentuada entre seus municípios, concentrando as mé- 
dias mais elevadas nos centros principais. Também apre- 
senta as mais baixas proporções de adultos alfabetizados 
(77,96%), e é a mesorregião paranaense com menor indica- 
dor de anos médios de estudo, apontando apenas 3,8. 

A qualidade de sua urbanização também pode ser 
avaliada como precária se medida por alguns indicadores 
de saneamento básico. Sua cobertura de água está na mé- 
dia do estado, com 86,52% dos domicílios atendidos; o es- 
gotamento sanitário, contudo, cobre apenas 10,11%, a me- 
nor proporção entre as mesorregiões. A coleta de lixo, com- 
preendendo 78,69% dos domicílios urbanos, também está 
entre as menores proporções. 



2.2.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

Essa região caracteriza-se pela elevada presença de 
pequenos produtores, principalmente na cultura do algo- 
dão tradicional. Com a crise algodoeira e com as mudan- 
ças em seu padrão produtivo - em grandes extensões e 
mecanizado -, passa a sofrer mais intensamente os efeitos 



do esvaziamento. Assim, a configuração de sua rede urba- 
na peculiariza-se por: 

• ser uma região de fluxos de saída, a despeito de possuir 
importante estrutura de serviços agropecuários prestados 
principalmente pela Coamo, assim como pela relevância 
dos segmentos têxtil e de confecção, dentre outros; 

• ter crescimento muito baixo também nos centros com 
expressão industrial - exceto em Araruna e Terra Boa -, 
que registram crescimento urbano positivo (2,38% e 
1,52% a.a., respectivamente); 

• apresentar taxas de crescimento da população urbana 
inferior a 1% a.a., mesmo em seus centros mais impor- 
tantes - Campo Mourão e Goio-Erê -, que não vêm de- 
monstrando capacidade de reter minimamente um cres- 
cimento vegetativo; 

• reproduzir o fenómeno do crescimento elevado ao re- 
dor de pólos, sem constituir mancha de ocupação con- 
tínua, o que se verifica em Luiziana e Corumbataí do 
Sul, localizados adjacentemente a Campo Mourão; 

• apresentar muitos municípios inseridos no processo de 
esvaziamento urbano, associado a um inexpressivo 
desempenho económico local, reforçando o fenómeno 
dos fluxos de saída. 

Com fraca possibilidade de retenção populacional e 
restrita capacidade de ampliação na oferta de empregos, a 
tendência para a região é de forte esvaziamento rural e da 
manutenção dos padrões de urbanização, sem indicativos 
de formação de áreas de concentração, o que se confirma no 
baixo crescimento populacional de seus municípios. 



2.3 Norte-central Paranaense 

A mesorregião norte-central tem área de 24.556 
quilómetros quadrados, sendo uma das mais extensas do 
estado. Compõe-se de 79 municípios - também é a de 
maior número de unidades administrativas. Representa 
a segunda maior concentração populacional e densida- 
de demográfica do estado - 70,21 habitantes por quiló- 
metro quadrado. Sua população em 1996 é de 1.724.115 
habitantes, o que corresponde a 19,15% do total do 
Paraná. Em 1970, a região já ultrapassa 1 milhão de habi- 
tantes, sendo nessa época a mais populosa do Paraná. 
Esses dados caracterizam seu avançado processo de ocu- 
pação e urbanização. 

Seu grau de urbanização em 1996 é de 84,79%, supe- 
rado apenas pelo da Região Metropolitana de Curitiba (RMC). 
Em 1970, com esse indicador em 39,93%, a região era uma 
das mais urbanizadas do estado, com um tamanho de popu- 
lação urbana também muito próximo ao da RMC. A partir de 
então, perde elevado contingente da população rural - da 
ordem de 640 mil habitantes até 1996, o correspondente a 
37,22% de sua população total em 1996. Entretanto, mantém- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas 



I 



99 



se como a segunda maior população rural do estado e tam- 
bém como a segunda maior população urbana, com um in- 
cremento de 754.426 habitantes nas áreas urbanas. 

Seus municípios são predominantemente urbanos 
ou em transição para o urbano, sendo insignificante o nú- 
mero de municípios rurais. Desses, a maioria localiza-se 
ao sul da mesorregião, umaárea com características e di- 
nâmica incomparáveis ao restante da região, de agricultu- 
ra fraca e grandes extensões de áreas subutilizadas. 

Nessa mesorregião estão dois dos maiores pólos 
regionais do estado - Londrina e Maringá - ambos com 
centralidade muito forte, urbanos e de grande dimensão 
(Mapa 13). Aglomeram-se próximos os municípios de 
Apucarana, com nível de centralidade forte para médio, 
município urbano de média dimensão, e Arapongas, com 
nível de centralidade médio, urbano e de média dimen- 
são. No mesmo eixo de aglomeração estão ainda os cen- 
tros de Jandaia do Sul, nível médio de centralidade e tipo 
urbano de pequena dimensão, Mandaguari, Nova Espe- 
rança e Rolândia, de nível médio para fraco, os primeiros 
em transição para urbano de pequena dimensão e o últi- 
mo, urbano de pequena dimensão. Além desses, ao norte 
está Colorado, com nível de centralidade médio para fra- 
co e urbano de pequena dimensão, e, ao sul, Ivaiporã, com 
nível de centralidade médio e em transição para o urbano 
com pequena dimensão. 

Essa rede de centros configura a principal aglome- 
ração urbana do estado, estendendo-se para além dos li- 
mites da mesorregião, na direção leste - incorporando 
Jataizinho e Cornélio Procópio, municípios da mesorre- 
gião norte pioneiro - e insinuando-se na oeste. Sua polari- 
zação, na qual concorrem Londrina e Maringá, é muito 
forte em todo o interior do estado, adentrando o Mato 
Grosso do Sul (região de Dourados) e São Paulo (regiões 
de Presidente Prudente e Assis). Deve-se ressaltar a im- 
portância regional de Londrina, por possuir grande nú- 
mero de municípios na área de abrangência de sua polari- 
zação - praticamente o dobro de Maringá, que também é 
polarizado por Londrina - e por oferecer uma gama de 
funções que se aproxima da de Curitiba no atendimento a 
demandas de alta complexidade. 

É uma região onde coexistem os fenómenos de con- 
centração e de esvaziamento populacional: 54,43% de seus 
municípios vêm perdendo população, sendo a grande 
maioria desde 1970; porém 21,52% vêm crescendo mais 
que a média do estado (alguns também desde 1970 - Lon- 
drina, Maringá e Cambe -, outros desde 1980 -Arapongas, 
Ibiporã, Paiçandu e Sarandi). 

Esse complexo urbano, cuja estrutura remonta ao 
projeto de colonização que previa uma rede linear de cen- 
tros e pequenos núcleos de apoio, sofre forte adensamen- 
to a partir dos anos 70. O crescimento intenso dos pólos - 
crescimento que não vive ainda um arrefecimento - e o 



extravasamento de sua ocupação em direção ao território 
de seus municípios vizinhos têm início em Londrina, que 
incorpora em uma mancha urbana única Cambe e Ibiporã, 
reproduzindo-se posteriormente em Maringá, que incor- 
pora Sarandi e Paiçandu. Concomitantemente, outros cen- 
tros de expressão regional passam a apresentar dinâmica 
de crescimento acima da média do estado, consolidando 
o fenómeno da constituição de uma aglomeração que reú- 
ne em seu conjunto cinco centros com população urbana 
superior a 50 mil habitantes em 1996. 

Espacialmente, as áreas de esvaziamento são sepa- 
radas pelo eixo de aglomeração bipolarizado por Londri- 
na e Maringá, localizando-se tanto ao norte quanto ao sul 
da mesorregião. 

O crescimento geométrico anual da população vem 
apresentando evolução positiva no período. Entre 1970 e 
1980, a região apresenta perda da população total, com 
taxas de -0,28% a.a. Na década de 80, passa a crescer em 
níveis iguais ao estadual (0,93% a.a.), intensificando-se 
após 1991, quando passa a 1,04% a.a. No período, a popu- 
lação rural tem redução menor nas taxas de crescimento, 
embora permaneça apresentando fluxos de saída substan- 
ciais. Entre 1970 e 1980, a região perde população rural 
com a taxa geométrica de -5,58% a.a.; entre 1991 e 1996, 
tais perdas reduzem-se para taxas de -2,98% a.a. As taxas 
de crescimento da população urbana também diminuem 
durante o período - de 4,74% entre 1970 e 1980 para 1,87% 
entre 1991 e 1996 -, provocando mesmo assim elevados 
acréscimos, considerando que incidem sobre grande con- 
tingente populacional. 

Independentemente desse arrefecimento, deve-se 
ressaltar a importância de seu complexo urbano, salien- 
tando que é nessa aglomeração que se situam os municí- 
pios com as mais elevadas taxas de crescimento da popu- 
lação: Sarandi e Paiçandu (com crescimento superior a 4% 
a.a.); Marialva e Mandaguaçu, no entorno de Maringá; e 
Cambe, Ibiporã, Arapongas e Mauá da Serra, no entorno 
de Londrina, todos com taxas superiores à média do esta- 
do. Desvinculados da dinâmica que adensa esse comple- 
xo, nos espaços ao norte e ao sul, encontram-se 24 municí- 
pios perdendo população urbana entre 1991 e 1996. Um 
fenómeno que não desqualifica o papel concentrador des- 
sa mesorregião, mas circunscreve-a a uma espacialidade 
dinâmica. 

Concentrando a segunda maior população urbana 
do estado, seguramente a região vem exercendo o papel 
de principal absorvedora no interior do movimento mi- 
gratório inter-regional, papel que tende a ser mantido, dado 
o peso de sua economia. Embora venha perdendo partici- 
pação relativa no valor adicionado - decréscimo provoca- 
do pela concentração da atividade económica na Região 
Metropolitana de Curitiba -, a região detém a segunda 
maior participação dentre as mesorregioes do Paraná 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



100 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



(14,74%). Em 1975, tem a principal participação, perden- 
do essa primazia em favor da RMC, que passa a contar 
com a implantação de segmentos modernos da indústria. 
Em 1985, a região apresenta sinais de recuperação mas con- 
tinua a trajetória de declínio relativo, atingindo seu nível 
mais baixo de participação em 1996. Mesmo assim, conso- 
lida-se como a mais importante do interior, participando 
no total do estado com 11,20% do setor secundário, 18,39% 
do comércio e 17,95% dos serviços. Essa participação 
setorial do valor adicionado reforça o caráter urbano de 
suas atividades principais. 

O setor industrial caracteriza-se por certa diversi- 
dade, porém pautada nos géneros mais tradicionais. Tem 
as maiores participações no total do estado nos géneros 
mobiliário (47,82%), confecção (45,2%), alimentos (27,71%) 
e têxtil (27,65%). Com uma defasagem significativa em 
relação à Região Metropolitana de Curitiba, a mesorregião 
detém a segunda maior participação nos segmentos da in- 
dústria mais moderna, como mecânica, comunicação e 
transporte. Internamente, seu perfil vem modificando-se 
com pequeno declínio dos géneros tradicionais, como ali- 
mentos; química e madeira, 

A distribuição espacial dessas atividades ocorre 
preferencialmente em torno dos dois pólos regionais, es- 
tendendo-se em direção a municípios próximos. Londri- 
na e o conjunto por ela polarizado apresentam indicado- 
res de uma dinâmica mais forte que a de Maringá, parti- 
cularmente na produção de alimentos - dividindo a pro- 
dução com Rolândia, Arapongas, Apucarana e Porecatu. 
O segmento mais forte é o do café solúvel, seguido por 
lacticínios - sem indicativos de processamentos mais 
avançados - e frigoríficos, estes em retração. A indústria 
de confecção em Londrina é'marcadamente mais forte, 
porém a atividade também se desenvolve em Apucarana 
e Rolândia. Nos géneros da metal-mecânica, Londrina e 
os municípios do entorno centralizam as atividades es- 
pecificamente em Cambe, Rolândia, Ibiporã e Apucarana. 
A indústria química, fundamentalmente de óleos vege- 
tais, tem sua atividade dividida entre os dois conjuntos 
de municípios, desenvolvendo-se também em Colorado 
e Florestópolis, ao norte, e Jandaia do Sul e Mauá da Ser- 
ra, mais ao sul. Londrina, Cambe e Arapongas partici- 
pam expressivamente nesse género. Maringá, Marialva 
e Sarandi detêm a maior capacidade ligada ao processa- 
mento de soja e refino de óleo do estado, com empresas 
de grande porte, como a Cooperativa Agropecuária de 
Maringá (Cocamar) e a Cevai. 

Além da indústria química, Maringá e, secundaria- 
mente, Mandaguari têm as maiores participações no géne- 
ro têxtil, com grande capacidade quanto à fabricação de fios 
a partir do algodão e da seda; já em Londrina essa ativida- 
de restringe-se ao primeiro beneficiamento do algodão. 
Maringá tem também expressiva participação no género 



mobiliário, porém é Arapongas que se destaca com a parti- 
cipação de 31,64% do género no estado, constituindo o se- 
gundo maior parque de fabricação de móveis do país. 

As possibilidades para a indústria da região vêm 
sendo sinalizadas, por um lado, pelo esgotamento de ati- 
vidades tradicionais e, por outro, pelo reforço da diver- 
sificação económica, com projetos de implantação de ati- 
vidades de maior agregação de valor e/ou base tecnoló- 
gica, como evidenciam os investimentos da Dixie Toga 
(embalagens plásticas), Kumho (pneus) e da Atlas Ele- 
vadores, assim como a valorização do Serviço de Comu- 
nicações Telefónicas de Londrina (Sercomtel), para a cons- 
trução de um centro de excelência em telecomunicações 
nesse município. 

Alguns municípios, como Astorga, Colorado e 
Nova Esperança, têm seu destaque económico a partir de 
atividades desenvolvidas por cooperativas ligadas ao pro- 
cessamento de soja, sericicultura e seus desdobramentos 
agroindustriais. 

Caracterizada por uma industrialização intensiva em 
mão-de-obra e pela predominância de pequenas e médias 
indústrias, a região - com 11,2% do valor adicionado do se- 
tor secundário do estado - emprega 66.116 trabalhadores 
no mercado formal da indústria em 1996; a RMC, por sua 
vez, com uma participação cinco vezes maior no mesmo 
valor adicionado, não chega a empregar o dobro de traba- 
lhadores no setor industrial. Também, ao contrário da RMC, 
o desempenho de sua atividade industrial sustenta, no pe- 
ríodo de 1986-96, crescimento do emprego de 2%, e a RMC 
reduz sua oferta de trabalho em -0,1%. 

O género que mais emprega é o de alimentos, res- 
ponsável por quase um terço do mercado, com 18.471 pos- 
tos de trabalho formal, seguido do têxtil, com 14.652 pos- 
tos, e do mobiliário, com 10.055. Os segmentos mais mo- 
dernos apresentam crescimento significativo, embora ge- 
rando pequeno número de empregos. 

Quanto à estrutura ocupacional, nos municípios 
com menor grau de urbanização, o emprego está majori- 
tariamente no setor agropecuário e, no âmbito de suas ati- 
vidades urbanas, no terciário. Nos municípios urbaniza- 
dos, o setor agropecuário continua prevalecendo na ab- 
sorção da força de trabalho. Em suas atividades urbanas, 
o terciário divide com o secundário a ocupação na maio- 
ria dos municípios. É importante observar que, mesmo nos 
municípios com grau de urbanização superior a 75%, as 
oportunidades de trabalho do setor agropecuário ainda 
são significativas. Porém, naqueles localizados na aglome- 
ração urbana de Londrina e Maringá, as principais ativi- 
dades absorvedoras estão no setor terciário, em sete mu- 
nicípios, e, na indústria, em Arapongas, Cambe, Porecatu 
e Paiçandu. Percebe-se um comportamento padrão no de- 
sempenho das atividades do setor terciário, sediando nos 
municípios-núcleo das aglomerações de maior complexi- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 1101 



I 



I 



MAPA 1 3 
NORTE-CENTRAL PARANAENSE — HERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



níveis de hierarquia 

1 Médio para fraco e médio 
í _J Médio para forte 
! I Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 




15 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



102 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



dade, como venda de máquinas e equipamentos, serviços 
bancários e atividades profissionais especializadas. Os mu- 
nicípios periféricos são os que apresentam maiores pro- 
porções de emprego nos transportes e nos serviços gerais 
e domésticos. Nos pequenos municípios, a atividade de ad- 
ministração municipal emprega em proporções elevadas. 

Essa estrutura ocupacional ressalta a importância 
do setor agropecuário na região, o qual participa com 
18,07% do valor adicionado setorial do estado - pratica- 
mente equiparando-se à participação da mesorregião oes- 
te, a maior em 1996. Tal importância aponta para uma es- 
trutura de complementaridade agroindustrial, consolidan- 
do sua dinâmica tanto nas atividades urbanas quanto nas 
agropecuárias. 

Os produtos agrícolas dominantes são os referen- 
tes às commodities soja, trigo, milho e café, que represen- 
tam 63,8% do valor dos principais produtos da região. Se- 
guem os insumos algodão e cana, colocando a região como 
a maior produtora do estado (25,4%). A cana tem efeitos 
importantes, associados à agroindústria do açúcar e do 
álcool. Já o algodão vem apresentando acentuado recuo 
na produção, dada a crise da cotonicultura, sem sinais de 
retomada, a partir de um novo padrão produtivo. O café 
conserva certa importância, ainda que a região tenha sido 
afetada fortemente pela crise do setor, com a erradicação 
das culturas e, mais recentemente, as oscilações dos pre- 
ços internacionais. Entretanto, pode vir a retomar sua im- 
portância no contexto do novo padrão de cultivo do café 
adensado. 

A produção animal tem importância interna divi- 
dida entre a pecuária e a avicultura, porém sem indicativos 
de maior especialização na produção de proteína animal. 

Ao contrário do padrão das atividades industriais, 
que ainda mantêm relativo nível de emprego, a agricultu- 
ra já apresenta proporção menor de ocupação, se compa- 
rada com outras mesorregiões. Acentua essa trajetória a 
redução da cultura do algodão, uma das principais 
absorvedoras de mão-de-obra agrícola, reforçada pela ten- 
dência do novo padrão produtivo em grandes extensões e 
com colheita mecanizada. 

Essa dinâmica consolida a periferização, reforçando 
um processo de urbanização caracterizado por expressivas 
contradições sociais. Tomando a renda média familiar per 
capita, a média regional para 1991 situa-se entre as maiores 
das mesorregiões paranaenses. Porém, internamente, seus 
municípios apresentam considerável desnível, uma vez que 
os indicadores dos maiores centros são cinco vezes mais ele- 
vados que os dos menores. A proporção comparativamente 
reduzida (45,96%) de chefes de domicílio com rendimento 
de até dois salários mínimos aproxima a região do compor- 
tamento de áreas metropolitanas. 

A região não apresenta bons indicadores de alfabe- 
tização e escolaridade. A proporção de adultos alfabetiza- 



dos, 83,88%, é comparativamente baixa, assim como a mé- 
dia de anos de estudo, 4,1 anos. Nesse caso, verifica-se tam- 
bém grande diferença entre os municípios, com extremos 
de 2,9 a 5,7 anos de estudo, favorecendo os pólos e princi- 
pais centros. 

A qualidade da urbanização medida por alguns in- 
dicadores de saneamento básico coloca-a dentre as melho- 
res do estado apenas no que se refere ao abastecimento de 
água e coleta de lixo, com cobertura de 93,53% e 90,58% dos 
domicílios, respectivamente. Quanto ao esgotamento sani- 
tário, sua cobertura coloca-se entre as mais baixas (37,7%). 

2.3.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião norte-central combina uma base agro- 
pecuária com atividades do setor terciário e da indústria. 
Seu padrão de desenvolvimento acarretou uma das maio- 
res evasões de população do estado, porém, paradoxalmen- 
te, consolidou um complexo urbano, cuja dinâmica vem ga- 
rantindo a capacidade de sustentação dos centros inseridos 
nessa espacialidade, assim como absorvendo a evasão do 
interior. Sua rede urbana caracteriza-se por: 

• apresentar aglomeração urbana bipolarizada por Lon- 
drina e Maringá, com intensa e complexa rede de rela- 
ções, agrupando os principais centros regionais, esten- 
dendo-se além dos limites da mesorregião; 

• destacar Londrina como o principal pólo regional, a 
despeito da bipolaridade, pela abrangência de sua po- 
larização e diversidade de funções desempenhadas; 

• configurar duas áreas com forte processo de extra- 
vasamento da ocupação e ampliação da contiguidade 
da mancha de ocupação urbana: Londrina, sobre Cambe 
e Ibiporã; e Maringá, sobre Sarandi e Paiçandu - muni- 
cípios periféricos que apresentam as mais elevadas ta- 
xas de crescimento populacional da região; 

• apresentar crescimento urbano intenso em municípios 
que integram a aglomeração, independentemente do 
tamanho ou centralidade; 

• ter pequenos municípios ao sul da mesorregião com 
crescimento urbano muito elevado e baixo grau de ur- 
banização, situados em áreas de evasão recente; 

• exibir crescente número de municípios perdendo po- 
pulação urbana. 

Esses comportamentos caracterizam essa mesor- 
região por apresentar processos que constituem duas 
espacialidades distintas: a de esvaziamento, distinguin- 
do áreas de evasão antiga ao norte - nas quais essa eva- 
são atinge atualmente o núcleo urbano - de áreas de eva- 
são recente ao sul, nas quais ocorre ainda crescimento acen- 
tuado dos núcleos urbanos; e a espacialidade de aglome- 
ração, reunindo as ocupações contíguas a Londrina e 
Maringá, bem como, em continuidade, os principais cen- 
tros urbanos da região. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas 



I 



103 



Essa aglomeração, que compõe um fenómeno es- 
pacial único, foi objeto da institucionalização, por lei es- 
tadual, de duas regiões metropolitanas: a de Londrina e 
a de Maringá. Tal institucionalização traduz a concorrên- 
cia entre os dois pólos, oficializando uma ruptura da com- 
plementaridade e comprometendo uma integração fun- 
cional histórica, o que poderá dificultar a solução de pro- 
blemas comuns entre municípios e de âmbito regional. 
Além disso, não incorpora a totalidade dos municípios 
que conformam a aglomeração, ignorando até mesmo 
municípios limítrofes a esses pólos e que com eles esta- 
belecem forte processo de comutação diária. Por último, 
faz uma leitura parcial de conceitos ao instituir unida- 
des metropolitanas em espaços nos quais, isoladamente, 
ainda não se confirmam características que os tipifiquem 
nessa categoria. 

2.4 Norte Pioneiro Paranaense 

A mesorregião do norte pioneiro, com 46 municí- 
pios em 1996, tem população de 540.178 habitantes, o cor- 
respondente a 6% da população paranaense. Ocupa uma 
área de 15.799 quilómetros quadrados e tem densidade 
populacional de 34,19 habitantes por quilómetro quadra- 
do. De modo geral, essa mesorregião vem perdendo po- 
pulação desde os anos 70, evasão originada fortemente no 
âmbito rural, que sofre uma perda de 333.616 habitantes 
entre 1970 e 1996. Nesse período, a área urbana vem apre- 
sentando crescimento, pela absorção de parte dessa po- 
pulação. Seu grau de urbanização (69,73%) não reproduz 
a intensidade do processo urbanizador das demais regi- 
ões do norte do estado. Em 1970, com 29,78%, era supera- 
da por apenas três mesorregioes - atualmente é a quinta 
em grau de urbanização no Paraná. 

Todos os seus municípios são pequenos, estan- 
do 52,17% em transição para o urbano, e um número 
considerável deles é rural de pequena dimensão. 

Os principais centros distribuídos pelo território re- 
gional são Cornélio Procópio, Jacarezinho e Santo António 
da Platina, todos com nível de centralidade médio, não se 
integrando entre os mais representativos da rede urbana do 
estado (Mapa 14). Fazem parte da região de influência de 
Londrina, com destaque para Cornélio Procópio, que man- 
tém relações mais intensas com a aglomeração urbana da 
mesorregião norte-central. Essas relações conferem a esse 
município um leque de funções mais diversificado que o 
dos demais centros regionais. Na área de abrangência de 
sua polarização está Bandeirantes, com nível de centralida- 
de médio para fraco. Santo António da Platina, que concor- 
re com Jacarezinho, subpolariza Ibaiti e Wenceslau Brás, 
apresentando melhor estruturação funcional e servindo 
como centro de referência regional; Jacarezinho sustenta sua 
centralidade na função de educação de nível superior. 



Apesar do crescimento de 1,09% a.a. da população 
urbana no período de 1991-96 - a segunda menor taxa do 
estado -, a dinâmica do crescimento populacional apre- 
senta taxas geométricas que confirmam ritmo contínuo de 
esvaziamento, com perdas de -3,85% a.a. na área rural e 
-0,56% a.a. na população total - em ambos os casos repre- 
sentando maior evasão ainda que no período de 1980-91. 
De seus municípios, 60,71% vêm perdendo população des- 
de os anos 70, e 35% estão perdendo população urbana, 
incluindo nesse caso Cornélio Procópio. 

Essa tendência de esvaziamento deve ser compre- 
endida pelo fato de que esta foi a primeira região do esta- 
do a sofrer os impactos da crise cafeeira, com a desvanta- 
gem de não contar com condições edafogeomórficas favo- 
ráveis à substituição por culturas mais competitivas. Em 
sua estrutura fundiária, prevalecem grandes propriedades 
que foram reorientadas para uma atividade pecuária com 
baixo rendimento e pouca expressão no estado, como con- 
firma a participação de 6,71% da região no valor bruto da 
produção pecuária. Na atividade agrícola, sua participa- 
ção também não é muito expressiva - a sexta entre as dez 
mesorregioes do Paraná. 

Dois produtos principais garantem essa posição: 
a cana, que já vem perdendo participação e apresentan- 
do forte tendência à mecanização, deve reforçar a con- 
tinuidade de expulsão populacional na região; e o café, 
que ainda coloca a região entre as três principais pro- 
dutoras, com o emprego de técnicas de plantio 
adensado, pode continuar sendo uma possibilidade res- 
trita a alguns produtores. 

A fruticultura começa a desenvolver-se na região, 
especialmente com o plantio de laranja. Essa atividade 
pode ser uma alternativa para o setor agropecuário, po- 
rém ainda ocorre de forma incipiente. Embora em sua es- 
trutura interna de produção as commodities representem 
mais que 50% do valor de produção regional, seu peso é 
pequeno no âmbito do estado e não há sinais de avanços 
na produtividade, tornando esgotadas as possibilidades 
de expansão de área. Ao lado de uma estrutura de gran- 
des propriedades, existe um número elevado de peque- 
nos produtores voltados à cultura de alimentos, sem per- 
der, entretanto, posição tanto na estrutura interna da re- 
gião quanto no estado. 

A região tem uma participação no valor adiciona- 
do total decrescente, situando-se entre as menores do es- 
tado (3,47%), e nenhum de seus municípios se distingue 
com participação superior a 1%. Tem no setor primário a 
principal contribuição na composição de sua renda, repre- 
sentando 8% do valor setorial do estado em 1996. Não há 
na região presença significativa da atuação de cooperati- 
vas, e sua agroindústria está ligada aos primeiros benefi- 
ciamentos do algodão, o que lhe confere participação ele- 
vada no valor adicionado da indústria têxtil (15,67%), es- 



Caracterizaçáo e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



1 04 I I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



I 



MAPA 1 4 

NORTE PIONEIRO PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEL DE HIERARQUIA 

I I Médio para fraco e médio 

Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



10 20 km 



à 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas 



I 



105 



tando entre as principais do género no estado. Essa ativi- 
dade desenvolve-se nos municípios de Andirá e Assai, e 
com uma qualidade diferenciada em Cornélio Procópio, 
onde atua a Kanebo Silk. 

Na agroindústria, também se destaca o processa- 
mento do café, distinguindo-se a Café Solúvel Iguaçu, em 
Cornélio Procópio. Verifica-se o desdobramento dessa ati- 
vidade com a instalação da Macsol, também de café solú- 
vel liofilizado. 

A cana reforça a atividade da indústria alimentar e 
da química em Jacarezinho, Bandeirantes, Ibaiti, Cambará 
e Andirá - este município, com importante desempenho 
também na indústria do mobiliário. 

O reforço económico de Cornélio Procópio está em 
sua participação (0,92%) no total do género mecânica, em 
parte devido à sua integração na aglomeração urbana 
do norte do estado, atuando complementarmente na li- 
nha de supridor de empresas do ramo. Existe, ainda, a 
possibilidade de reforço no género, dada a expansão de 
algumas empresas, como sinaliza a presença da Tormec. 
Além disso, há expectativa de ampliação da atuação do 
Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) na re- 
gião, modernizando a formação de mão-de-obra especi- 
alizada. A metal-mecânica apenas tangencia a região, mes- 
mo assim a atividade metalúrgica ocorre em Assai e Ban- 
deirantes. 

Essa mesorregião possui um dos menores merca- 
dos formais da indústria de transformação do estado, e 
sua mão-de-obra concentra-se no género alimentos, segui- 
do do têxtil e madeira, que, no período de 1986-96, apre- 
sentam sinais de crescimento. 

A estrutura ocupacional tem em apenas cinco dos 
46 municípios o principal mercado absorvedor em ativi- 
dades do setor terciário. Nos demais, independentemente 
do grau de urbanização, prevalece o emprego em ativida- 
des agropecuárias. As atividades urbanas dos municípios 
com menor grau de urbanização são fundamentalmente 
decorrentes do setor terciário, na maioria dos casos com 
alta dependência da administração municipal. Nos muni- 
cípios mais urbanizados, o terciário passa a dividir com a 
indústria a absorção da força de trabalho. 

A região acompanha o padrão de renda média das 
regiões menos dinâmicas do norte do estado, estando 
mesmo assim em situação de superioridade em relação às 
menos dinâmicas do sul do estado. A proporção de chefes 
de domicílio com rendimentos de até dois salários míni- 
mos é de 58,79% - proporção próxima à média das mesor- 
. regiões paranaenses. Internamente, seus municípios apre- 
sentam grande variação nos níveis médios de renda fami- 
liar per capita, estando associados os municípios menores 
e menos urbanizados a rendas muito baixas, e os maiores 
- Cornélio Procópio e Jacarezinho - aos melhores rendi- 
mentos. O mesmo ocorre com a escolaridade. A região tem 



em média 4,1 anos de estudo; os municípios onde preva- 
lecem as características rurais não alcançam quatro anos, 
e os maiores e urbanizados ultrapassam os cinco anos de 
estudo. De sua população adulta, 76,9% é alfabetizada - o 
menor indicador entre as mesorregioes paranaenses. 

Os indicadores de saneamento básico também co- 
locam a região em uma posição próxima à das demais 
mesorregioes menos dinâmicas do estado: possui 85,63% 
dos domicílios ligados à rede de água, 42,89% com esgo- 
tamento sanitário, e 86,58% com coleta de lixo. 

2.4.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

Notadamente, a mesorregião norte pioneiro está 
inserida na espacialidade de esvaziamento, não havendo 
nenhum fator que modere e/ou reverta esse processo. As 
principais características de sua rede urbana são: 

• apresentar centros com pequena expressividade na rede 
urbana do estado; 

• não configurar fenómenos característicos de concentra- 
ção, salvo a inclusão de Cornélio Procópio e Jataizinho 
na dinâmica da aglomeração urbana da mesorregião 
norte-central, confirmada pelo elevado crescimento ur- 
bano de Jataizinho (4,34% a.a. entre 1991 e 1996), prati- 
camente integrado à contiguidade da mancha de ocu- 
pação de Londrina e Ibiporã; 

• possuir centros urbanos em esvaziamento, embora al- 
guns pequenos municípios - caracterizados por ativi- 
dades pontuais agropecuárias - ainda venham demons- 
trando capacidade de sustentação de sua população 
urbana e até apresentando crescimento; 

• ter alguns municípios com crescimento elevado da po- 
pulação rural, vinculado à presença de assentamentos. 

As características de sua base produtiva e a restrita 
perspectiva de investimentos para essa mesorregião indi- 
cam que sua condição de esvaziamento tende a perdurar 
nas áreas rurais, atingindo núcleos urbanos. 

2.5 Centro-oriental Paranaense 

A mesorregião centro-oriental compõe-se de 14 
municípios, sendo a de menor número de unidades ad- 
ministrativas no Paraná. Possui área de 21.952 qui- 
lómetros quadrados, população total em 1996 de 581.143 
habitantes, correspondendo a 6,45% da população total 
do estado, e densidade de 26,47 habitantes por quilóme- 
tro quadrado. 

Com 77,71% de sua população vivendo nas áre- 
as urbanas, a região consolida um processo de urbani- 
zação significativo já desde os anos 70, quando era a 
única do interior do estado a ultrapassar os 50% de grau 
de urbanização. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



106 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Ponta Grossa, centro principal da mesorregião 
(Mapa 15), durante muito tempo foi o mais importante 
pólo do estado do Paraná, operando como ponto de con- 
fluência das relações entre Sul e Sudeste brasileiros e da 
penetração para o interior do estado. Mantém-se como um 
dos principais municípios do estado, com nível de centra- 
lidade forte, sendo urbano de grande dimensão e o quarto 
maior do Paraná. Telêmaco Borba é urbano de média di- 
mensão, e Jaguariaíva, urbano de pequena dimensão, am- 
bos com nível de centralidade muito fraca. Castro, embo- 
ra esteja em processo de transição para o urbano com média 
dimensão e nível de centralidade fraco, pode ser conside- 
rado, dentre os principais centros da região, integrante da 
aglomeração descontínua de Ponta Grossa. Outros cinco 
municípios estão em processo de transição para o urbano 
com pequena dimensão e apenas três são rurais com pe- 
quena dimensão. 

Com uma população rural rarefeita e pequena, a 
região não pode ser caracterizada como área de esva- 
ziamento. Apenas após 1980 passa a apresentar pequeno 
decréscimo nas taxas de crescimento da população rural, 
generalizado em todos os seus municípios, tendo no 
conjunto a taxa de -1,99% a.a. entre 1991 e 1996. Por outro 
lado,, a população urbana vem crescendo de forma 
acentuada também em todos os municípios, com alguns 
apresentando as taxas mais elevadas do estado. O 
crescimento da população urbana, entre 1991 e 1996, é 
2,26% a.a., e o da população total, 1,22% a.a., esse apenas 
superado pelo da Região Metropolitana de Curitiba. 

A região mantém, ao longo do período, na forma- 
ção da renda estadual, participação de aproximadamente 
7%, quarta posição entre as mesorregiões do estado. Três 
de seus municípios - Ponta Grossa, Castro e Telêmaco 
Borba - estão entre os 14 que apresentam maior participa- 
ção no valor adicionado fiscal do Paraná (2,74%, 1,17% e 
1,08%, respectivamente). Setorialmente, a região está en- 
tre as quatro maiores do interior, com 7,05% no setor se- 
cundário e 9,49% no primário. 

Com uma estrutura industrial diversificada e 
centrada em Ponta Grossa, tem como particularidade in- 
tegrar três municípios que respondem pela maior produ- 
ção de papel /papelão do estado, concentrando nessa me- 
sorregião 61,86% desse género. Em Telêmaco Borba, com 
37,48% do género no estado, localiza-se a Klabin; em 
Jaguariaíva, com 11,66%, a Pisa; e, em Arapoti, com 7,51%, 
a Inpacel. Como pólo papeleiro, agrega a participação de 
Sengés (1,98%), Palmeira (1,52%) e Pirai (1,38%). Em uma 
tendência de complementaridade, pelo uso comum da ma- 
deira reflorestada, o género madeira, com 12,66% do total 
no estado, é mais expressivo em Sengés, Castro, Palmeira 
e Ponta Grossa, e apenas neste último avança para o mo- 
biliário, no qual participa com 5,70% do total do género 
no estado. 



Ponta Grossa é, ainda, o município com maior par- 
ticipação no valor adicionado do género têxtil, com 17,14%, 
particularmente pela presença da COT Kurashiki do Bra- 
sil - multinacional com sede em São Paulo atuando em 
fios mais finos, o que não a submete às exigências de rees- 
truturação do género -, porém não apresenta nenhum en- 
cadeamento com a indústria da confecção. 

E expressiva sua participação na indústria meta- 
lúrgica (9,32%) e na mecânica (1,12%), únicos géneros que 
integram sua indústria na dinâmica moderna. Sua especi- 
alidade está na fabricação de implementos agrícolas. No 
género transportes, embora não tenha participação rele- 
vante, já que a mesorregião metropolitana absorve quase 
a totalidade das atividades, sedia algumas das mais im- 
portantes empresas do género (Shiffer, Santa Cecília, Rede 
Ferroviária Federal e outras). 

No género bebidas, Ponta Grossa tem a segunda 
maior participação (9,65%) e tende a aumentar a partir do 
efetivo funcionamento de plantas em implementação, 
como a da Kaiser. 

É no segmento agroalimentar que ainda reside a 
principal dinâmica económica da região. Representa 
14,35% do género alimentos e 2,82% do género química 
no estado, situando-se entre as quatro maiores mesor- 
regiões no setor. Ressalve-se que Ponta Grossa está en- 
tre os municípios com maior participação nesses géne- 
ros, com 8,22% e 12,12%, respectivamente. O género ali- 
mentos é sustentado por duas grandes bases: uma mo- 
derna produção agrícola e uma forte expressão na pro- 
dução de lácteos. 

De sua produção agrícola - a mais elevada dentre 
as mesorregiões do estado -, 83,4% provém da soja, trigo e 
milho (uma produção de commodities que representa 9,2% 
da produção do estado). Tem uma atuação de empresas 
que lhe garantem a maior capacidade de moagem e de 
produção de óleo de soja do Paraná. As principais empre- 
sas atuantes nesse setor, situadas dentre as maiores no ramo 
em nível nacional, são a Cargil, Moinho Santista e Sanbra. 

A região é a mais importante bacia leiteira do esta- 
do e tende a consolidar-se como o principal pólo de deri- 
vados lácteos. Essa atividade desenvolve-se na produção 
cooperativada, destacando-se a atuação de renomadas 
cooperativas: Batavo e Castrolanda, em Carambeí, e 
Witmarsum, em Palmeira, e, com menor porte, a Capai, 
em Arapoti. Com exceção da Witmarsum, as demais são 
formadoras da Cooperativa Central de Lacticínios do 
Paraná (CCLPL), que industrializa os produtos da marca 
Batavo. A atividade vem sofrendo processos de expansão 
e de fusão, incluindo cooperativas de outros estados, com 
o objetivo de atender às exigências de competitividade do 
mercado. Nesse processo de expansão, recentemente a 
Parmalat adquiriu o controle acionário da CCLPL, para 
fins de uso da marca Batavo. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 11 07 



I 



I 



MAPA 1 5 

CENTRO-ORIENTAL PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



Ortigueira J 

) l 

<% Telêmaco Borba 



\ 



Ventania / 



Arapoti 



< 



X 



Sengés 



-J- J 



Imbaú 



<T 



Jaguariaíva 



r^ 



Pirai do Sul 



Reserva 



Tibagi 



> V 



Carambeí 



Castro 



NÍVEL DE HIERARQUIA 
B Forte 



Ponta Grossa 



Palmeira 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15^ 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



108 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Esse conjunto responde por 55,9% da produção de 
leite e derivados da produção cooperativada do estado e é 
dominante na economia estadual. No caso de aves e suí- 
nos, o setor cooperativo é bem menos expressivo, mas as 
cooperativas dessa região são responsáveis por quase 50% 
da produção cooperativada. 

Trabalhando com produtores altamente tecnifi- 
cados e selecionados, essas cooperativas diferenciam-se 
por possuir capacidade de operar no segmento de lácteos 
em elevados e competitivos padrões tecnológicos. Secun- 
dariamente, incluem a produção de aves e suínos, tam- 
bém nas mesmas bases. Há que se destacar que essas coo- 
perativas, com nuanças étnicas consideráveis, constituem 
terri-torialidades demarcáveis no âmbito da agropecuária 
do estado pelo padrão produtivo alcançado. 

Na maioria dos municípios, a mão-de-obra é pre- 
ponderantemente ocupada na agropecuária, porém veri- 
fica-se nas atividades urbanas grande parte da sua ocupa- 
ção. Apenas em Telêmaco Borba e Jaguariaíva, a indústria 
papeleira absorve maior proporção de trabalhadores que 
os demais setores. 

No mercado formal da indústria, os segmentos 
madeira e papel respondem por aproximadamente 50% 
dos empregos gerados, ambos com decréscimo no perío- 
do, em função da forte reestruturação tecnológica e 
organizacional que atinge esses segmentos. Em 1996, a 
mesorregião integra o quarto mercado de trabalho do es- 
tado, com 21.120 empregos, correspondendo a 6,91% dos 
postos da indústria do Paraná. 

O padrão do emprego no setor terciário da região 
reforça a centralidade de Ponta Grossa e, secundariamen- 
te, de Castro. 

A renda per capita regional é uma das mais elevadas 
do estado, próxima à da mesorregião metropolitana de 
Curitiba. No entanto, internamente, reproduz diferenças que 
mostram que seus principais centros - Ponta Grossa e Castro 
- têm renda duas vezes maior que a de municípios que não 
se integram à dinâmica económica regional - como Ortigueira 
e Reserva. Na região, a proporção de chefes de domicílio com 
rendimento de até dois salários mínimos é de 50%, e a de 
analfabetos maiores de 15 anos é de 84,45% - indicadores des- 
favoráveis considerando-se o alto grau de urbanização. A es- 
colaridade média é de quatro anos de estudo (dentre as mais 
baixas do estado), apontando para situações internas extre- 
mas: Ponta Grossa apresenta mais de cinco anos; Sengés, 
Tibagi e Reserva, contudo, ficam em torno de três. 

A proporção de domicílios ligados à rede de água, 
com esgotamento sanitário e com coleta de lixo, é também 
relativamente baixa (84,37%, 57,5% e 84,14%, respectiva- 
mente), considerando seu grau de urbanização. 



2.5.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A proximidade com a mesorregião metropolitana 
de Curitiba imprime peculiaridades à rede urbana regio- 
nal da centro-oriental. Se geograficamente a região está 
para Curitiba assim como Campinas está para São Paulo, 
e Caxias do Sul para Porto Alegre, percebem-se apenas 
ténues relações de complementaridade socioeconómica e 
institucional que a definem como participante de um pro- 
cesso de expansão da economia metropolitana, com inte- 
gração dos ramos industriais ou como vetor de localiza- 
ção de um processo desconcentrador da metrópole de 
Curitiba. A diversidade de atividades económicas e prin- 
cipalmente os segmentos mais modernos ainda são em- 
brionários e centrados apenas em Ponta Grossa, com pou- 
cos vestígios de desenvolvimento de atividades com 
caráter de integração metropolitana com os demais muni- 
cípios. Assim, distinguem-se como principais característi- 
cas da rede urbana regional: 

• os limites às especialidades funcionais de Ponta Gros- 
sa, que, embora se reforce como pólo regional, está lon- 
ge de concorrer com a metrópole na oferta de funções 
de média e alta complexidade e na abrangência da po- 
larização, dada sua proximidade com ela; 

• a constituição de uma aglomeração descontínua forma- 
da por Ponta Grossa, Castro e Carambeí, com forte arti- 
culação entre os municípios; 

• a inexistência do fenómeno de contiguidade de man- 
cha de ocupação entre seus municípios - exceto de for- 
ma esparsa entre Ponta Grossa e Carambeí; 

• a não-formação de continuidade de ocupação na dire- 
ção de Curitiba, seja pela distância entre as sedes mu- 
nicipais, pela grande extensão territorial dos municí- 
pios, pela presença da escarpa do segundo planalto 
entre os limites da mesorregião metropolitana de 
Curitiba e Ponta Grossa, e pela própria expansão da 
ocupação metropolitana, que caminhou para a direção 
leste, muito em função do custo da terra. A infra-estru- 
tura viária, que poderia ser elemento indutor de uma 
ocupação contínua, apenas facilitou um fluxo de tro- 
cas, favorecendo a Ponta Grossa o acesso às vantagens 
oferecidas por Curitiba; 

• um crescimento urbano nitidamente associado a ativi- 
dades da indústria papeleira, como o reflorestamento e 
o corte da madeira, verificadas em Sengés (7,63% a.a. 
de crescimento da população urbana) e Arapoti (5,84% 
a.a.) - atividades que, a médio prazo, não tendem a sus- 
tentar esse crescimento; 

• um crescimento urbano ligado à evasão rural de áreas 
contíguas, como em Tibagi (3,96% a.a.), também sem 
sinalizar capacidade de sustentação, pelo perfil das ati- 
vidades económicas que a área desenvolve; 

• a emergência de territorialidades decorrente do exercí- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



109 



cio de poder do setor cooperativo, confirmada pelo pro- 
cesso emancipatório de Carambeí e futuramente de 
Castrolanda. 

Amesorregião apresenta espacialidades de esvazi- 
amento e de aglomeração descontínua, reforçando Ponta 
Grossa como pólo regional. Sua localização estratégica in- 
tegra-a no eixo de maior complexidade do estado, unindo 
o oeste ao porto de Paranaguá, passando pela aglomera- 
ção metropolitana de Curitiba. 



2.6 Oeste Paranaense 

A mesorregião oeste, composta de 50 municípios, 
possui área de 22.840 quilómetros quadrados e população 
de 1.078.584 habitantes em 1996 que lhe atribuem densi- 
dade demográfica de 47,22 habitantes por quilómetro qua- 
drado. Sua participação no total da população do Paraná 
é de 11,98% - terceiro maior contingente populacional do 
estado. 

Entre 1970 e 1996, essa mesorregião passa por pro- 
cesso intenso de urbanização, saltando do grau de 19,87% 
para 77,2%. Esse processo provoca grande transformação 
na distribuição geográfica de sua população: com a área 
rural da mesorregião alcançando 357.023 habitantes e 
incrementando suas áreas urbanas com um contingente 
de 683.175 habitantes, caracterizando-a como uma região 
receptora de fluxos interiores e exteriores aos seus limites. 
Vale observar que essa região foi a última fronteira de ocu- 
pação do estado, integrando-se à dinâmica estadual ape- 
nas a partir dos anos 70, quando coincidem fatores como a 
expansão da agricultura moderna e o início da construção 
da Usina Hidrelétrica de Itaipu. 

Esses fatos ocasionam crescimento geométrico da 
população, com características distintas das demais me- 
sorregiões interioranas: sua evasão rural acentua-se ape- 
nas mais recentemente, porém seu crescimento urbano já 
é intenso desde os anos 70. Entre 1970 e 1980, o crescimen- 
to da população total de alguns de seus municípios situa- 
se dentre os mais altos do estado, como Foz do Iguaçu 
(14,91% a.a.) e Cascavel (6,16% a.a.). Esses municípios, que 
em 1996 representam 41,84% do total da população regio- 
nal, continuam crescendo nos anos seguintes a taxas su- 
periores à média do estado (3,95% e 2,59%, respectivamen- 
te, entre 1991 e 1996). O fenómeno que se destaca é a con- 
figuração, em suas áreas vizinhas, de conjuntos de muni- 
cípios que reproduzem esse elevado crescimento. Limítro- 
fes a Foz do Iguaçu, Santa Terezinha do Itaipu cresce a 
3,3% a.a. e São Miguel do Iguaçu, a 2,43% a.a. Além des- 
ses, Ciudad dei Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argenti- 
na) compõem com Foz do Iguaçu uma mancha de ocupa- 
ção contínua. Limítrofes a Cascavel, crescem Santa Teresa 
do Oeste (10,62% a.a.), Cafelândia (4,89% a.a.) e Ibema 



(2,02% a.a.). Entre 1991 e 1996, o crescimento da popula- 
ção total da região é de 1,21% a.a. 

Como contraponto dessa concentração, evidencia- 
se um fenómeno generalizado de forte esvaziamento ru- 
ral, perceptível até mesmo no comportamento da popula- 
ção total dos municípios: 90% têm taxas de crescimento 
da população total inferiores a zero entre 1991 e 1996 - 
muitos desde o período de 1970-80. Percebe-se, também, 
o esvaziamento dos núcleos urbanos (11 municípios per- 
dem população urbana). 

Do conjunto de seus municípios, 44% são rurais e 
38% em transição para o urbano, todos de pequena dimen- 
são. Apenas três municípios são urbanos de média dimen- 
são: Cascavel, com centralidade de nível forte, Foz do 
Iguaçu, de nível forte para médio, e Toledo, com nível de 
centralidade médio (Mapa 16). Além desse, outros centros 
também apresentam níveis de centralidade médios: Assis 
Chateaubriand, Guaíra e Medianeira - urbanos com pe- 
quena dimensão -, e Marechal Cândido Rondon e Palotina, 
em transição para o urbano com pequena dimensão. 

Esse conjunto de centros distribui-se no território da 
região, tendo Cascavel como pólo regional, estrategicamente 
situado no acesso a fronteiras internacionais. Esse pólo des- 
taca-se pelo desempenho de funções de alta e média com- 
plexidade para o atendimento das demandas regionais. 

Diferentemente, Foz do Iguaçu peculiariza-se 
como pólo turístico - devido à existência do Parque Na- 
cional do Iguaçu, das Cataratas e Itaipu - e centro co- 
mercial de fronteira. Como aglomeração internacional, 
Foz do Iguaçu divide com Ciudad dei Este e Puerto 
Iguazu o desempenho de funções que ora se complemen- 
tam, ora concorrem, em um movimento de oportunida- 
des regido pela política económica e institucional de cada 
um dos países. Em determinadas conjunturas, essa aglo- 
meração movimenta recursos que a aproxima dos gran- 
des centros fronteiriços comerciais internacionais. Foz do 
Iguaçu, mais que um pólo regional, é um centro impor- 
tante na rede urbana paranaense e cumpre papel de des- 
taque dentre os centros nacionais. 

Esse perfil turístico-comercial pode ser estendido a 
outros municípios da região, lindeiros ao lago de Itaipu, 
pelos resultados da implementação de projetos voltados ao 
turismo ecológico e à realização de eventos. Esses municí- 
pios têm ainda uma estrutura de arrecadação fortalecida 
pelos repasses dos royalties de compensação financeira pe- 
las terras alagadas para a geração de energia elétrica. 

Guaíra, localizada no extremo norte do lago de 
Itaipu, pode vir a fortalecer-se com a ponte sobre o rio 
Paraná, ligando esse estado ao Mato Grosso do Sul e 
Paraguai, o que intensificará os fluxos de exportação 
da produção -agrícola em direção ao Porto de Para- 
naguá. Os demais centros, embora com restrita 
abrangência de sua polarização, reforçam-se por com- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



no! 

1 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



por uma aglomeração regida pela dinâmica do desen- 
volvimento agroindustrial. 

Amesorregião oeste tem participação no valor adi- 
cionado total do Paraná que cresce no final dos anos 80, 
até atingir 14,68% em 1996. É a terceira maior participação 
do estado, bastante influenciada pela produção e distri- 
buição de energia elétrica de Itaipu. Cascavel, Toledo e Foz 
do Iguaçu destacam-se dentre as 14 maiores participações 
do estado em 1996, com 2,32%, 1,3% e 6,06%, respectiva- 
mente, no valor adicionado total. 

Setorialmente, a região tem a maior participação 
no valor adicionado do setor primário (21,75%) e está den- 
tre as três maiores participações no secundário (13,83%), 
com 11,8% no comércio, e 12,23% em serviços. 

Caracteriza-se por uma especialização na produ- 
ção de grãos (soja, trigo e milho), respondendo por 23,6% 
do valor da produção de grãos comercializados no Paraná, 
bem acima das demais regiões produtoras. Possui as maio- 
res participações no valor da produção agrícola (25,35%) e 
pecuária (18,47%); a maior proporção de terras ocupadas 
por lavouras (52,67%), em grande parte em terras consi- 
deradas de melhor qualidade para o cultivo mecanizado. 

Internamente, predomina a produção de com- 
modities, com 82% do total de suas principais culturas. Em 
termos de produtividade, esse grupo de produtos apresen- 
ta desempenho positivo que revela o nível de especia-lização 
dessa produção e de seus produtores. Sinaliza também para 
o aumento da produção de insumos e para maior diversifi- 
cação, com a expansão das culturas de algodão e mandioca, 
ambas a partir de -um novo padrão de produção, introdu- 
zindo uma moderna cotonicultura em grandes áreas meca- 
nizadas, a exemplo do Centro-oeste brasileiro. A mandioca 
insere-se na perspectiva de novos processos de agroindus- 
trialização para usos mais nobres, a exemplo da indústria 
farmacêutica, papeleira e alimentar, implicando uma 
seletividade dos produtores. Completando essa diversifi- 
cação, começa a ter representatividade a cultura cafeeira em 
sua nova modalidade de cultivo adensado. 

Juntamente com a agricultura, a região especializa- 
se na produção de aves e suínos, e também de leite, com 
alto nível tecnológico e forte integração agroindustrial, 
mediante o regime de cooperativas. 

São várias cooperativas singulares, seis delas com 
sede em municípios da região. A Cooperativa Agrícola 
Consolata (Copacol), sediada em Cafelândia, e a Coope- 
rativa Agropecuária Cascavel (Copavel), sediada em Cas- 
cavel - terceira e sexta maiores do estado, respectivamen- 
te, em termos de valor comercializado -, são relevantes 
regio-nalmente, porém com receitas muito distantes das 
principais cooperativas paranaenses situadas na região de 
Ponta Grossa e especializadas em leite e derivados. A Co- 
operativa Central Regional Iguaçu (Cotriguaçu), sediada 
em Cascavel, responde por 10,27% das receitas totais das 



cooperativas centrais, oriundas fundamentalmente da 
agroindústria de esmagamento e farelo de soja. As ativi- 
dades dessas cooperativas estão ligadas aos processamen- 
tos iniciais, convivendo com as limitações comuns para 
avançar a um patamar de maior diversificação da estrutu- 
ra industrial. 

A particularidade da ação cooperativada na eco- 
nomia da mesorregião está em sua disseminação pela 
maioria dos municípios e produtores regionais. Dos pro- 
dutores cooperativados do Paraná, quase 50% estão nes- 
sa região. 

Industrialmente, é uma das regiões que apresen- 
tam maior grau de concentração de atividades na 
agroindústria (64%) e, dentro dessa, na produção de ali- 
mentos. Esse fato coloca-a como a terceira maior partici- 
pação no género alimentos, com 17,06% do total do esta- 
do. Os principais municípios envolvidos nessa atividade 
são: Toledo, com 4,75% do valor adicionado do género, 
sustentado quase em sua totalidade pela empresa 
Frigobrás; e Cascavel, com 4,39%, pela atuação de coope- 
rativas com várias unidades de processamento. 

O conjunto formado por Cafelândia, Medianeira, 
São Miguel do Iguaçu, Palotina e Marechal Cândido 
Rondon tem uma participação menor, porém significati- 
va, no género alimentos, atuando com unidades de pro- 
cessamento de médias cooperativas e entrepostos. 

Tendo algum nível de agroindustrialização - 
fecularia, laticínios, moinhos, algodoeiras ou entrepostos 
de cooperativas -, ainda se destacam Céu Azul, Guaíra, 
Santa Terezinha do Itaipu, Maripá, Nova Aurora, Santa 
Helena, Terra Roxa e Tupãssi. 

Com relativa expressão, a mesorregião participa na 
indústria da madeira, apresentando 5,3% do género, com 
atividades em Cascavel e Ibema. No mobiliário, participa 
com 3,98%, desenvolvendo atividades em Cascavel e 
Medianeira, porém sem empresas de grande expressão no 
setor. Nos géneros têxtil e confecção, a participação regio- 
nal é de 3,17% e 4,9%, respectivamente, tendo maior peso 
no município de Toledo, na fiação de algodão - Fiasul -, 
porém com pequena capacidade instalada, respondendo por 
6,26% do total da capacidade do estado. 

As atividades do género metal-mecânica têm parti- 
cipação restrita de Cascavel e bastante secundária de Toledo. 

Essas atividades da indústria de transformação re- 
percutem no emprego formal, gerando 22.310 postos de 
trabalho, a terceira maior concentração do estado. Acom- 
panhando o crescimento das mesorregiões com dinâmica 
agroindustrial, o género alimentos é o principal emprega- 
dor, respondendo por 46% do mercado de trabalho regio- 
nal. Apresentou um dos crescimentos mais expressivos do 
género no estado, agregando 3.620 postos, número supe- 
rior ao total dos novos empregos gerados pelos demais 
géneros na região, no período de 1986-96. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I Ml 



I 



I 



MAPA 1 6 

OESTE PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1998) 



Guaíra 



Formosa 
do Oeste 




Três 
Barras 
do Paraná 



L Diamante 
, do Sul 



1 



Guaraniaçu 



NÍVEIS DE HIERARQUIA 

| Médio para fraco e médio 
[j Médio para forte 
Forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



112 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A madeira, segundo género com maior absorção, 
apresenta queda até 1993, com pequena reação posterior, 
porém sem recuperar os níveis do início do período - com- 
portamento que é observado na maioria das mesorregiões 
do estado. 

Na estrutura ocupacional, a atividade industrial 
apresenta o menor grau de absorção. Em apenas um pe- 
queno município (Ibema), com atividade madeireira, a 
proporção de ocupados no setor secundário chega a ser 
superior à do terciário. Em seis municípios, a participação 
da indústria pode ser considerada expressiva (acima de 
9%): Cascavel, Foz do Iguaçu, Toledo, Medianeira, Santa 
Terezinha e Cafelândia. Em 69% dos municípios ainda pre- 
valece a ocupação no setor primário e em 61%, esse setor 
absorve mais de 50% da população ocupada. Cascavel 
apresenta estrutura ocupacional mais diversificada, com 
grande peso de absorção nas atividades de comércio em 
geral e de máquinas e veículos, e primazia regional na ofer- 
ta de serviços técnicos e profissionais. Em um segundo 
nível de diversificação e peso nas atividades urbanas, equi- 
param-se Foz do Iguaçu, Medianeira, Palotina, Toledo e 
Santa-Terezinha do Itaipu. Nova Santa Rosa, Campo Boni- 
to e Tupãssi são municípios pequenos nos quais as ativi- 
dades públicas da administração municipal têm peso re- 
levante em sua estrutura ocupacional. 

A renda per capita regional está dentre as mais ele- 
vadas do estado, próxima à da mesorregião metropolita- 
na. No entanto, internamente, apresenta diferenças per- 
ceptíveis nos níveis de seus principais centros - Cascavel 
e Foz do Iguaçu -, que têm esses indicadores três vezes 
acima do de municípios menores e rurais - como Boa Vis- 
ta da Aparecida e Diamante D'Oeste. A região apresenta a 
segunda menor proporção do interior para chefes de do- 
micílio com rendimento de até dois salários mínimos 
(46,6%), e a segunda maior para adultos alfabetizados 
(86,2%). Da mesma forma, é elevada a escolaridade média 
(4,2 anos), apontando, porém, para situações extremas in- 
ternas: enquanto Campo Bonito, Braganey e Ibema têm 
menos de 3,5 anos, Palotina, Marechal Cândido Rondon e 
Cascavel ultrapassam os cinco anos de estudos. 

As proporções de domicílios ligados à rede de água 
e com coleta de lixo - 86,5% e 86,7%, respectivamente - 
encontram-se na média do estado. O esgotamento sanitá- 
rio tem uma das menores proporções de domicílios aten- 
didos (24,9%). 

2.6.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

O perfil agroindustrial da mesorregião, ainda pau- 
tado na dependência da proximidade da matéria-prima, 
cria uma articulação generalizada entre as unidades ad- 
ministrativas a partir de sua base produtiva. No entanto, 
a atividade da indústria concentra-se num conjunto de mu- 



nicípios que, embora bem distribuídos na região, mantêm- 
se com certa proximidade geográfica. Nessa dinâmica, a 
rede urbana regional caracteriza-se pela: 

• configuração de uma aglomeração urbana incluindo 
Cascavel, Toledo, Santa Tereza do Oeste e Cafelândia, 
com vetores de expansão definidos na direção de Ma- 
rechal Cândido Rondon; 

• formação de anéis de intenso crescimento de popula- 
ção nos municípios contíguos a Cascavel, como 
Cafelândia, Corbélia, Ibema e Santa Teresa do Oeste; e 
em torno de Foz do Iguaçu, com Santa Terezinha do 
Itaipu, São Miguel do Iguaçu e Itaipulândia; em alguns 
casos com nítida tendência de continuidade de man- 
cha de ocupação com os pólos; 

• consolidação da aglomeração internacional de Foz do 
Iguaçu, unindo em um mesmo conjunto seus municí- 
pios vizinhos e as cidades de Puerto Iguazu e Ciudad 
dei Este; 

• presença de Cascavel como pólo regional, reforçado pela 
diversidade das atividades e funções que desempenha; 

• quantidade de municípios com o crescimento urbano 
elevado, especialmente aqueles que desenvolvem ati- 
vidades agroindustriais ou que desempenham o papel 
de cidades-dormitório de centros maiores, como Cas- 
cavel e Foz do Iguaçu; 

• existência de elevado número de municípios perdendo 
população urbana, dentre os quais se destaca Assis 
Chateaubriand, com nível de centralidade médio. 

Esses fenómenos caracterizam a mesorregião oeste 
por apresentar espacialidades de concentração e de forte 
esvaziamento. Suas áreas concentradoras apontam sinais 
de expansão no eixo da BR 277, com potencial de integra- 
ção geográfica e articulação funcional entre as aglomera- 
ções urbanas de Cascavel e de Foz do Iguaçu, em um con- 
junto de maior complexidade. 

2.7 Sudoeste Paranaense 

A mesorregião sudoeste, com a menor área dentre 
as mesorregiões paranaenses (11.687 quilómetros quadra- 
dos) compõe-se de 37 municípios. Em 1996, possui 472.425 
habitantes, representando 5,25% da população do estado, 
e densidade demográfica de 40,42 habitantes por quiló- 
metro quadrado - elevada considerando seu reduzido grau 
de urbanização (53,86%). Atualmente, 70,27% de seus 
municípios são rurais de pequena dimensão, muitos com 
grau de urbanização entre 20% e 30%. 

Seus centros principais são Pato Branco e Francis- 
co Beltrão, com níveis de centralidade forte para médio 
(Mapa 17), concorrentes no que se refere à abrangência 
da polarização, mas guardando especificidades. Pato 
Branco, por oferecer uma gama de funções mais especia- 
lizadas, com uma unidade regional de ensino médio e 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



114 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



de terceiro grau do Centro Federal de Educação Tecnoló- 
gica (Cefet), reforçando-se com a instalação do Labora- 
tório Central de Pesquisa e Desenvolvimento (Lactec), 
em uma parceria entre a Copei e a Universidade Federal 
do Paraná, no intuito de criar um centro tecnológico vol- 
tado ao setor eletrônico. Francisco Beltrão, com funções 
de comércio e serviços mais voltadas a dar apoio às ati- 
vidades da indústria e agropecuária. Além desses, Dois 
Vizinhos, com centralidade de nível médio, reforça sua 
centralidade em função das atividades de uma unidade 
do grupo Sadia que opera no município. Os dois primei- 
ros são urbanos de média dimensão; em 1991, Francisco 
Beltrão atinge o patamar de 50 mil habitantes na área 
urbana. Esses centros estão localizados com grande pro- 
ximidade geográfica, compondo um eixo económico for- 
temente articulado. Nenhum deles está entre os princi- 
pais na rede urbana do estado, e ambos são polarizados 
por Curitiba. O papel desses centros é sustentar local- 
mente as atividades da base produtiva regional com ca- 
racterísticas predominantemente agropecuárias. Vale res- 
saltar a intensidade de trocas que se estabelecem entre 
essa região e a região oeste catarinense, sendo Pato Bran- 
co o pólo principal no território paranaense. 

Essa mesorregião está entre as que apresentam as 
menores taxas de crescimento do estado ao longo das últi- 
mas décadas. Sua população total teve uma perda de - 
0,24% a.a., entre 1991 e 1996, e mais de 75% de seus muni- 
cípios vêm registrando decréscimo populacional nos últi- 
mos anos, em um quadro de evasão que tende a intensifi- 
car-se. Essa tendência confirma-se nas taxas de crescimento 
da população rural (-2,94% a.a.) em níveis similares desde 
os anos 80, generalizando-se em todos os municípios da 
região, que apresentam crescimento da população rural a 
taxas menores que zero. O crescimento de sua população 
urbana em inflexão é de 2,47% a.a. entre 1991 e 1996. Al- 
guns municípios já começam a apresentar leve redução 
no crescimento da população urbana entre 1991 e 1996. Os 
centros de Pato Branco e Francisco Beltrão, com crescimen- 
to urbano de 2,86% e 2,63% a.a., respectivamente, são os 
únicos com essas taxas superiores às da média paranaense 
desde 1970. 

Esse comportamento populacional tem estreita re- 
lação com a estrutura fundiária centrada na pequena pro- 
priedade e com um processo produtivo capaz de resistir à 
modernização intrínseca da agricultura e ao empobreci- 
mento da pequena produção, fragilizando-se apenas mais 
recentemente. 

A mesorregião manteve, ao longo do período de 
análise, uma das menores participações na formação da 
renda estadual (3,56% do valor adicionado em 1996), sem 
integrar nenhum de seus municípios dentre os que chega- 
ram a contribuir nesse período com mais de 1% na renda 
do estado. 



Seu perfil económico é especializado em uma pro- 
dução agropecuária de numerosos pequenos e médios 
produtores, diversificados e com utilização intensiva de 
mão-de-obra familiar. Produz com grande desvantagem, 
comparativamente a outras mesorregiões do estado, já 
que seu relevo é mais acidentado e seu clima, mais frio. 
Isso não impede que se encontre inserida no moderno 
mercado do agribusiness, com produtores integrados a 
grandes empresas ou associados a cooperativas, princi- 
palmente na produção de aves - atividade que coloca a 
região entre as principais produtoras do estado - e, se- 
cundariamente, na de suínos e leite - atividade que vem 
ganhando importância. Essas condições definem uma 
participação da região no valor adicionado do setor pri- 
mário estadual também muito pequena (7,56%), 
registrando-se apenas uma mesorregião com percentual 
mais baixo (a sudeste paranaense). 

Quanto à agricultura, participa com 10% do valor 
da produção dos principais cultivos do estado, distinguin- 
do-se no grupo de alimentos e de commodities, porém mais 
restrita à produção do milho. 

No que se refere à atividade industrial, possui uma 
das menores participações na indústria de transforma- 
ção: 2,33% do valor adicionado fiscal do setor secundá- 
rio em 1996. Na base dessa estrutura, estão as atividades 
do género alimentos, que representam 49,79% da indús- 
tria regional. Compreendem basicamente dois segmen- 
tos. O primeiro insere a mesorregião como parte do pólo 
agroindustrial do oeste de Santa Catarina, onde atuam 
algumas das principais empresas do setor, voltando-se 
ao abate e industrialização de aves. Destacam-se as uni- 
dades do grupo Sadia nos municípios de Francisco 
Beltrão e Dois Vizinhos (ambas chamadas Moinhos da 
Lapa). Além dessas, constam unidades de esmagamento 
de oleaginosas e da produção de ração e concentrados. 

O segundo segmento é formado por unidades de 
pequeno porte, tendo nas cooperativas uma participa- 
ção importante, principalmente na produção do leite. 
Essas atuam no fortalecimento da bacia leiteira regional 
com melhoramento genético do rebanho e organizam-se 
em centrais, criando marcas próprias e ampliando espa- 
ços de mercado. As principais cooperativas desse seg- 
mento são a Cooperativa Agropecuária Guarani (Capeg), 
em Pato Branco, a Cooperativa Agropecuária de 
Capanema (Coagro), em Capanema, e vários laticínios 
localizados em Francisco Beltrão, Chopinzinho, Verê, 
Coronel Vivida, Capitão Leônidas Marques e Nova Prata 
do Iguaçu. 

Os demais segmentos atuam em atividades simila- 
res, como pequenos frigoríficos, laticínios, moinhos de 
milho, de trigo, concentrados e rações, e encontram-se dis- 
tribuídos em vários municípios, porém estando a maior 
parte em Francisco Beltrão e Dois Vizinhos, únicos muni- 



Caracterizaçào e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorresioes Geográficas 



I 



115 



cípios da região que integram o conjunto do estado com 
maior participação no género alimentos (1,46% e 2,43%, 
respectivamente, do total do género). 

Dentre as demais atividades da indústria, cabe des- 
tacar a confecção, com núcleo significativo em Ampere, que 
concentra 6,57% do total do género no estado e se posiciona 
entre os seis municípios com maior participação. Tal impor- 
tância pode representar a possibilidade de futura amplia- 
ção regional da atividade. A indústria moveleira vem cres- 
cendo como alternativa ao esgotamento da madeira, porém 
sem sinais de uma complementaridade interindustrial. Faz- 
se presente em vários municípios da região, mas apenas 
Francisco Beltrão está dentre aqueles com participação mais 
significativa (2,33%). Também pode ser destacada a partici- 
pação de Pato Branco na indústria metalúrgica, com 4,32% 
do género, produzindo fogões e carrocerias. 

Esse nível de atividade traduz-se em um dos me- 
nores mercados de trabalho industrial do estado. A região 
participa com 3,56% dos empregos formais da indústria e 
apresenta pequeno crescimento no período 1886-96, asse- 
gurado pelo género confecções. Reproduz o perfil da maio- 
ria das mesorregiões do interior, com maior proporção dos 
empregos na indústria de alimentos, seguido da madei- 
ra/mobiliário e têxtil /confecções. 

Na estrutura ocupacional como um todo, o setor 
primário é responsável por mais de 50% da ocupação em 
quase todos os municípios. Apenas Pato Branco possui 
estrutura ocupacional nitidamente terciária e com peque- 
no peso da indústria, caracterizando-se como o principal 
centro de atividades terciárias da região e destacando-se 
no comércio em geral e de máquinas e veículos. Francisco 
Beltrão e Dois Vizinhos têm peso significativo na indús- 
tria, mesmo assim inferior ao do terciário. 

A renda média familiar per capita regional e a alta pro- 
porção de chefes de domicílio com rendimento de até dois 
salários mínimos (60,74%) posicionam o sudoeste paranaense 
dentre as quatro mesorregiões do Paraná com esses indica- 
dores mais críticos. Constata-se rendimento médio muito su- 
perior nos centros principais - como Pato Branco - e muito 
baixo nos demais municípios, com uma variação de quase 
duas vezes e meia entre o maior e o menor valor, expressan- 
do situações bastante heterogéneas. A região também apre- 
senta uma proporção baixa de adultos alfabetizados (84,09%). 
Dentre seus municípios, a escolaridade é também mais ele- 
vada em Pato Branco, com a média de 5,4 anos de estudo por 
habitante, e muito baixa em pequenos municípios, chegando 
a 3,9 em Nova Prata do Iguaçu. 

A mesorregião coloca-se dentre aquelas com me- 
nores proporções de domicílios ligados à rede de água 
(82,48%), servidos por esgotamento sanitário (30,89%) e 
com coleta de lixo (73,52%). Todos esses indicadores são 
inferiores à média do Paraná. 



2.7.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião sudoeste paranaense possui baixo 
grau de urbanização na maioria de seus municípios, inse- 
rindo-se basicamente na espacialidade de esvaziamento, 
porém com as áreas urbanas ainda absorvendo os fluxos 
rurais mais próximos. De modo geral, não se constatam, 
nessas áreas urbanas, elementos que justifiquem condições 
de atratividade, mas apenas uma opção de destino, imedia- 
ta e certamente de curto prazo. A configuração de sua rede 
urbana caracteriza-se pela: 

• consolidação dos pólos regionais de Pato Branco e 
Francisco Beltrão, com funções concorrentes e espe- 
cializadas, constituindo uma aglomeração descontínua 
com outros centros da região, como Dois Vizinhos e 
Ampere; 

• elevado crescimento da população urbana (próximo 
ou superior a 2,5% a.a.), em municípios de pequeno 
porte, sem indicativos de maior inserção económica 
que o justifique, situados contiguamente aos pólos de 
Francisco Beltrão (Renascença, Marmeleiro, Salgado 
Filho e Nova Esperança do Sudoeste) e Pato Branco 
(Vitorino e Mariópolis) - também influenciado por si- 
tuar-se em um entroncamento, na fronteira Paraná/ 
Santa Catarina -, beneficiando-se das oportunidades 
de maior concentração regional; 

• influência das áreas fronteiriças à Argentina no cresci- 
mento elevado de municípios como Planalto, Santo 
António do Sudoeste, Pranchita e Barracão; 

• expressividade do crescimento urbano de municípios 
com assentamentos de trabalhadores rurais, como ocor- 
re em Salgado Filho (3,52% a.a.), Renascença (3,15% a.a.) 
e Marmeleiro (2,55% a.a.) - esse último também 
sediando reassentamentos da Eletrosul; 

• incipiente esvaziamento de centros urbanos nos muni- 
cípios de Chopinzinho (com mais de 20 mil habitantes) 
e Enéas Marques. 

Esses comportamentos apontam para uma peque- 
na possibilidade de retenção populacional da região, dado 
que a atividade económica em desenvolvimento não se 
traduz como grande geradora de postos de trabalho nem 
como multiplicadora de oportunidades. A região apresen- 
ta apenas espacialidades de fraca concentração, confirman- 
do-se como uma região de esvaziamento. 

2.8 Centro-sul Paranaense 

A mesorregião centro-sul possui uma área de 26.506 
quilómetros quadrados e a menor densidade demográfica 
dentre as mesorregiões paranaenses (19,88 habitantes por 
quilómetro quadrado). Compõe-se de 29 municípios e, em 
1996, possui 526.914 habitantes, em num comportamento 
estável, representando 5,85% da população do estado. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



116 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A região supera o grau de 50% de urbanização ape- 
nas em 1996, quando atinge 54,8%. É uma região de cam- 
pos naturais, que se caracteriza até os anos 80 pela pecuá- 
ria extensiva e pelas reservas naturais de madeira em gran- 
des propriedades. Sua inserção na modernização agrícola 
dos anos 70 foi mais lenta, tendo atuado como fronteira 
interna de ocupação, absorvendo parte dos fluxos rurais, 
particularmente do norte e oeste do estado. 

Entre 1970 e 1980, registrou a maior taxa de cresci- 
mento da população total do interior do Paraná (2,97% 
a.a.), tendo constituído, com a mesorregião centro-orien- 
tal, a exceção na dinâmica de decréscimo da população 
rural, apresentando crescimento positivo, embora mínimo. 
Continuou diferenciando-se por taxas positivas de cresci- 
mento da população total, sendo uma das últimas a sina- 
lizar uma evasão rural ainda pequena, no período de 1991- 
96 (-1,74% a.a.). Essa evasão é perceptível em grande nú- 
mero de seus municípios, que apontam para uma concen- 
tração nas áreas de Laranjeiras do Sul e Guarapuava, com 
crescimento de 5,67% e 2,02% a.a., respectivamente. 
Guarapuava vem mantendo crescimento acima da média 
do estado desde os anos 70. 

A maioria de seus municípios é rural e de pequena 
dimensão, alguns em transição para o urbano. Guarapuava 
destaca-se como município urbano de média dimensão e 
é também o único que apresenta nível de centralidade re- 
levante (Mapa 18) - forte para médio -, atuando como pólo 
regional com relações muito estreitas com os municípios 
de seu entorno, cujas sedes são bastante próximas. Pal- 
mas e Laranjeiras do Sul, com nível de centralidade mé- 
dio, também se destacam, porém com padrão funcional 
bastante diferenciado: Laranjeiras do Sul atende a um pe- 
queno número de municípios como centro de referência 
sub-regional com funções diversificadas; Palmas, pela ofer- 
ta de ensino superior e pós-graduação, polariza elevado 
número de municípios do Paraná e de Santa Catarina. 

Chama a atenção o elevado número de des- 
membramentos que vem ocorrendo na região. Dos 29 
municípios, sete são criados entre 1970 e 1991 e nove 
após 1991. 

Seu ritmo de crescimento económico é significati- 
vo e revela capacidade de acompanhar as mudanças da 
base produtiva. Se por um lado, as regiões mais dinâmi- 
cas do estado perdem posição relativa diante da concen- 
tração económica na aglomeração metropolitana de 
Curitiba, por outro, essa região, dentre as menos expressi- 
vas em 1975, alcança ganhos relativos que a posicionam 
em quinto lugar dentre as dez do estado, com 5,06% do 
valor adicionado total. Seu principal município, Guara- 
puava, mantém-se ao longo do período com participação 
entre as mais elevadas no valor adicionado. 

Da ótica setorial, conserva forte participação de ati- 
vidades do setor primário (7,99% do total do estado) e tam- 



bém do secundário (5,47%). Contudo, os efeitos no terciá- 
rio ainda são bem pouco expressivos, com 2,71% e 2,82%, 
respectivamente, nos setores de comércio e serviços. Sua 
estrutura ocupacional confirma a incipiência do terciário, 
exceto em Guarapuava, onde esse setor é o maior 
absorvedor e o único que reúne funções mais complexas e 
diversificadas. 

Sua base produtiva rural conserva uma divisão de 
uso herdada da atividade pecuária e madeireira, que se 
desenvolveram em grande parte nas terras ocupadas ain- 
da com matas naturais e plantadas e extensas áreas de pas- 
tagens. Porém, integra a produção agrícola de soja e mi- 
lho, com elevado padrão tecnológico, situando-se dentre 
as mais importantes regiões produtoras do estado, com 
7,69% da área colhida de soja e 14,39% da de milho. A pe- 
culiaridade da agricultura dessa mesorregião está nos gran- 
des e médios produtores de origem europeia, organizados 
em uma forte cooperativa, a Cooperativa Agrária Mista En- 
tre-Rios Ltda. Localizada em Guarapuava, é a quarta do 
estado em receita e opera com soja e milho, agroin- 
dustrializando mais de 50% do produto recebido, incluin- 
do-se dentre as grandes indústrias de alimentos no Paraná. 
Uma especialidade desse grupo é a produção de cevada e 
a fabricação do malte com a Agromalte, também em 
Guarapuava. 

A Ferroeste tem papel importante na infra-estiutu- 
ra da região, particularmente para a referida Cooperativa 
Agrária, que tem uma unidade esmagadora de grãos mon- 
tada junto ao terminal ferroviário. Essa Cooperativa tem 
um poder económico que, de certa forma, articula a repre- 
sentação política regional. 

A atuação cooperada de pequenos produtores é res- 
trita à produção de feijão e desenvolvida por uma peque- 
na cooperativa, a Cooperativa Agropecuária Mista de La- 
ranjeiras do Sul Ltda. (Camilas). 

A industrialização dessa mesorregião persiste 
centrada na indústria da madeira, uma atividade que res- 
ponde por 15,04% do valor adicionado do género, no esta- 
do, em 1996. Essa atividade, das mais tradicionais do 
Paraná, vem perdendo participação relativa na indústria 
de transformação estadual, com queda de valor adiciona- 
do de 10,09% para 6,95%, entre 1980 e 1982 e entre 1994 e 
1996, respectivamente. Mesmo assim, ainda tem grande 
expressividade na pauta de exportações do estado, quali- 
ficando-se como o segundo principal segmento exporta- 
dor, respondendo, em 1995, por 7,87% do total do valor 
exportado. 

No perfil produtivo desse segmento, ainda predo- 
minam atividades de desdobramento da madeira, porém 
com progressivo ganho dos grupos com maior agregação 
de valor, como placas, compensados e aglomerados. Nes- 
sa mesorregião, vários municípios estão dentre os mais im- 
portantes na formação do valor adicionado desse género, 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas I 1117 



■ 



I 



MAPA 1 8 

CENTRO-SUL PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 

l J Médio para fraco e médio 

I I Médio para forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



118 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



como Guarapuava (4,76%), Quedas do Iguaçu (3,21%) e 
Palmas (2,53%). Várias das maiores empresas do estado 
ligadas a grandes reservas florestais estão também nessa 
região. Dentre elas, a Giacomete Marodin, em Quedas do 
Iguaçu, ocupando extensas parcelas do território de vá- 
rios municípios; a Manasa, em Guarapuava; a Camifra, 
em Clevelândia; além de outras em Palmas e Man- 
gueirinha. Cabe notar que a atividade madeireira não evo- 
luiu para a indústria do mobiliário. 

O segmento papeleiro representa 11,77% do valor 
adicionado do género, porém é restrito a algumas empre- 
sas de pasta mecânica e celulose, com processos produti- 
vos bem simplificados. Distribui-se por vários municípios, 
como Candói, Inácio Martins, Pinhão, Turvo e Palmas. Há 
indicativos de reforço nessa tendência, com projetos para 
a região, a exemplo da Ibéria - uma fábrica de papel. 

Dentre essas atividades, verificam-se indícios de 
uma complementaridade que deve ser reforçada no futu- 
ro, isso porque as mudanças que se vêm impondo à in- 
dústria da madeira, no que se refere às restrições legais 
para uso das reservas naturais, tornam essa atividade cada 
vez mais dependente de reflorestamento. Esse fato tem 
aproximado a exploração madeireira das atividades do 
papel e celulose, no interesse de compatibilizar o uso co- 
mum de reflorestamentos, aumentando a oferta da ma- 
deira de boa qualidade de forma a atender às maiores exi- 
gências da atividade madeireira simultaneamente à ofer- 
ta de matéria-prima para as necessidades da produção de 
papel e celulose. 

O domínio da atividade madeireira na economia 
expressa-se com a mesma intensidade no mercado de tra- 
balho formal da indústria. Aproximadamente 80% dos 
empregos estão predominantemente na indústria da ma- 
deira e, secundariamente, na de papel e celulose. No pe- 
ríodo de 1986-96, as perdas do segmento madeireiro 
(-1,8%) são compensadas com os ganhos dos segmentos 
papel e alimentos, que crescem, respectivamente, 2,6% e 
2,7%. O conjunto dos empregos na indústria de transfor- 
mação representa 4,04% do total do estado, um dos me- 
nores mercados. 

A estrutura ocupacional demonstra a predominân- 
cia da absorção pelo setor primário na maioria dos muni- 
cípios, tendo como segundo mercado de trabalho a indús- 
tria - em Palmas, Pinhão, Guarapuava, Clevelândia, Que- 
das do Iguaçu e Turvo. O terciário, apenas predominante 
e diversificado em Guarapuava, assume alguma impor- 
tância nos mercados de Clevelândia e Palmas. 

Com uma dinâmica das atividades urbanas pouco 
complexa, a mesorregião tem sido nos últimos anos a se- 
gunda do estado com elevada proporção de chefes de do- 
micílio com rendimento de até dois salários mínimos 
(63,78%). Tem a mesma posição quanto à renda média fa- 
miliar per capita, que, em Guarapuava, é o dobro da renda 



de pequenos municípios, como Inácio Martins e Cantagalo. 
Também apresenta uma das mais baixas proporções de 
adultos alfabetizados (80,65%). Sua escolaridade média 
está na faixa de quatro anos de estudo, com uma variação 
favorável para Guarapuava, Laranjeiras do Sul e Man- 
gueirinha, que apontam médias superiores a 4,5 anos. No 
outro extremo, com médias próximas a 3,5 anos, encon- 
tram-se Cantagalo, Quedas do Iguaçu e Palmital. 

Também pode ser avaliada como precária, compa- 
rando-se às demais mesorregiões a qualidade do sanea- 
mento básico na região. Sua cobertura de abastecimento 
de água é a mais baixa do estado, com 73,95% dos domicí- 
lios atendidos. O esgotamento sanitário cobre apenas 
34,91% dos domicílios, e a coleta de lixo, compreendendo 
74,17% dos domicílios urbanos, também está dentre as 
menores proporções. 

2.8.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião centro-sul paranaense, com grau de 
urbanização muito baixo e elevado contingente de popu- 
lação rural, apenas começa a dar sinais de evasão. Essa 
tende a acentuar-se, dada a fraca dinâmica económica de 
seu interior, que não garante bases de sustentação. A 
inexistência de fronteiras agropecuárias internas e a pro- 
ximidade da aglomeração metropolitana de Curitiba po- 
dem indicar a intensificação de fluxos de saída nessa dire- 
ção. A configuração de sua rede urbana caracteriza-se pela 
existência de: 

• um único centro urbano, com estrutura urbana pouco 
consolidada, que começa a viver a pressão da evasão 
populacional das proximidades; 

• uma associação entre o crescimento da população total 
de alguns municípios e a presença de assentamentos 
rurais na região, como ocorre em Nova Laranjeiras 
(5,92% a.a. entre 1991 e 1996) e Laranjeiras do Sul (5,67% 
a.a.); 

• municípios com elevado crescimento da população ur- 
bana, em um comportamento de retenção provisória do 
esvaziamento rural, entre 1991 e 1996, como Inácio 
Martins (10,19% a.a.), Rio Bonito do Iguaçu (7,05% a.a.), 
Turvo (5,26% a.a.), Mangueirinha (8,24% a.a.) e Palmital 
(7,51% a.a.), verificando-se em todos a presença de as- 
sentamentos rurais; 

• grande número de municípios começando a perder po- 
pulação total, inserindo-se em um processo de esvazia- 
mento associado a uma modernização intrínseca da 
base produtiva agropecuária, reforçando o fenómeno 
dos fluxos de saída. 

Esses comportamentos evidenciam o esgotamento 
de um modelo de uso e produção, com tendência ao esva- 
ziamento. Também apontam para a necessidade de refle- 
xão sobre o fracionamento político-territorial elevado que, 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



das Me 



, Geogr< 



I 



119 



em um curto espaço de tempo, deu origem a inúmeros 
desmembramentos e, devido à extensão das áreas dos mu- 
nicípios da região, tende a ter continuidade. 

2.9 Sudeste Paranaense 

A mesorregião sudeste paranaense ocupa área de 
16.977 quilómetros quadrados, possui uma das menores 
densidades demográficas dentre as mesorregiões para- 
naenses (21,26 habitantes por quilómetro quadrado) e uma 
das menores populações do estado. Em 1996, possuía 
360.914 habitantes, que representavam 4,01% da popula- 
ção do Paraná. Compõe-se de 21 municípios, predominan- 
temente de pequena dimensão e em sua maioria rurais 
(61,90%). Apenas Irati, município em processo de transi- 
ção para o urbano, tem mais de 50 mil habitantes em 1996. 

Essa predominância caracteriza a região como pou- 
co urbanizada. Seu grau de urbanização, de apenas 49,40%, 
em 1996, é o mais baixo dentre as mesorregiões para-naenses. 
Somente seis de seus municípios superam os 50% de grau 
de urbanização, ficando, porém, muito próximos a esse 
percentual. Desses, distingue-se União da Vitória, que é o 
principal centro da região, com nível de centralidade forte 
para médio (Mapa 19). Seu centro urbano compõe com Por- 
to União, em Santa Catarina, uma mancha contínua de ocu- 
pação. A população desses dois municípios forma um con- 
junto populacional com tamanho considerável, sendo União 
da Vitória pólo dessa área fronteiriça. Irati, com nível de 
centralidade médio, é um subcentro regional, reforçado pela 
distância geográfica de outros centros mais fortes. 

É uma mesorregião de grande estabilidade no que 
se refere ao crescimento populacional. Não se apresenta 
nem como área de absorção nem de esvaziamento, mas 
lentamente vem sofrendo redução no ritmo de crescimen- 
to, já pequeno, relacionada ao declínio da população ru- 
ral, como resultado de um processo de sustentação frágil 
de sua economia. As taxas de crescimento da população 
total no período de 1970-96 permanecem em torno de 1% 
a.a. (1,23%, 1,30% e 0,71%, respectivamente, entre 1970 e 
1980, 1980 e 1991 e 1991 e 1996). A população rural, come- 
çando a diminuir, apresenta a taxa de -1,28, o menor de- 
créscimo do estado. Em contrapartida, a população urba- 
na vem crescendo com maior intensidade nos últimos cin- 
co anos, generalizadamente em quase todos os seus mu- 
nicípios, dada a absorção da migração rural da própria 
região. As taxas mais elevadas estão os municípios de Ge- 
neral Carneiro e Bituruna, que têm população pouco maior 
que 10 mil habitantes - um crescimento relacionado à ati- 
vidade madeireira. 

A mesorregião sudeste tem as maiores áreas de flo- 
restas naturais do Paraná, com grandes reservas de 
araucária que abrigam também a erva-mate. Essas ativi- 



dades vêm sustentando historicamente a base económica 
da região. 

Sendo uma das regiões mais tradicionais do esta- 
do, foi colonizada por migrantes eslavos (russos, polo- 
neses e ucranianos), que, sob o regime de pequenas pro- 
priedades desde a ocupação, vêm desenvolvendo uma 
agricultura alimentar, enfrentando dificuldades em fun- 
ção das características impróprias de suas terras para a 
agricultura. 

A região vem mantendo uma das menores partici- 
pações no valor adicionado do estado (2,74%, em 1996), 
embora com pequenos ganhos no período após 1975. Ne- 
nhum de seus municípios está dentre aqueles com mais 
de 1% de participação do valor adicionado do Paraná. 

Tem a menor participação no valor adicionado do 
setor primário (4,19% do total do estado), já no secundá- 
rio tem a mais alta dentre as cinco menores, com partici- 
pação de 3%. Seu terciário, também com a menor partici- 
pação, é bem pouco expressivo, com 1,59% e 1,30%, res- 
pectivamente, nos setores de comércio e serviços. 

Apesar disso, responde por 17,6% da produção de 
alimentos, colocando-se dentre as principais participações 
do estado, com base na produção do feijão, arroz e batata. 
Na produção do feijão, destacam-se Irati e Prudentópolis 
e, na da batata, São Mateus do Sul, Teixeira Soares, Antó- 
nio Olinto e Rebouças. 

Ao lado da produção alimentar, o fumo é uma im- 
portante cultura, representando 57,20% da área colhida no 
Paraná, entre 1992 e 1994. Desenvolve-se em praticamen- 
te todos os municípios, porém de forma mais intensa em 
Rio Azul, Imbituva, Ipiranga, São João do Triunfo e 
Prudentópolis. 

Com atuação restrita à comercialização do feijão e 
do milho, destacam-se três pequenas cooperativas na re- 
gião: a Cooperativa Agrícola Mista de Prudentópolis 
(Camp), a Cooperativa Agrícola de Bituruna (Coabil) e a 
Cooperativa Agrícola Irati (Cooperati). A Cooperativa Pro- 
dutora de Leite de Irati (Lactisul) comercializa pequena 
produção leiteira. 

Como particularidade na' região e significativa im- 
portância na complementação da renda agrícola, a extra- 
ção da erva-mate ocorre sob sistemas de produção de 
faxinais, ou seja, sob a conservação conjunta e o uso co- 
mum de áreas de mata nativa. Essas reservas são usadas 
também como áreas comuns de pastagem. 

A atividade industrial, associada ao extrativismo, 
responde por 13,6% do valor adicionado da indústria da 
madeira no estado em 1996, integrando a mesorregião às 
importantes áreas madeireiras do Paraná. Cinco de seus 
municípios têm expressiva participação no valor adicio- 
nado do género: União da Vitória (4,92%), Bituruna (1,6%), 
General Carneiro (1,46%), Irati (1,4%) e Imbituva (1,48%). 
A grande disponibilidade de matéria-prima representou 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



120 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



uma defasagem no desenvolvimento tecnológico da indús- 
tria da madeira. Hoje, sob pressão da legislação ambiental, 
a região sofre com as desvantagens comparativas. Ainda 
assim, abriga 14 das 50 principais madeireiras do estado, 
concentradas no município de União da Vitória (Selectas, 
Thomasi, Miguel Fortes, Dissenha, dentre outras) e também 
em Irati, Prudentópolis e General Carneiro. Embora predo- 
minem os desdobramentos e beneficiamentos iniciais, já são 
importantes os processamentos de maior agregação de valor, 
como placas, compensados e outros. A indústria do mobiliá- 
rio, contudo, não tem expressividade na região. Destaca-se 
apenas uma importante empresa em Bituruna, a Randa. 

A atividade papeleira representa 6,02% do valor 
adicionado do género no estado. Compõe-se de pequenas 
unidades de produção, principalmente voltadas à fabrica- 
ção de pasta mecânica e alguns artefatos. As principais 
indústrias estão em União da Vitória, Irati, Rio Azul e 
Prudentópolis. Sua importância na região está na possi- 
bilidade do desenvolvimento de áreas de reflorestamento 
de pinus, que, bem conduzidas, permitem produção de 
madeira de boa qualidade, valorizando o uso comum para 
fins da indústria de madeira e de papel. 

A mesorregião tem a peculiaridade de sediar uma 
usina de extração e refino do xisto, no município de São 
Mateus do Sul, que se distingue no estado com a participa- 
ção de 7,29% no género dos não-metálicos. E uma atividade 
com poucos desdobramentos, e uma única empresa de 
maior porte - a Incepa, que fabrica ladrilhos cerâmicos - 
tem uma unidade instalada apropriando-se da energia ge- 
rada pelo xisto. 

O atraso tecnológico dos segmentos industriais 
madeireiros tem como contrapartida um mercado de tra- 
balho favorável. Comparativamente à mesorregião centro- 
sul, a sudeste tem apenas a metade do valor adicionado 
industrial, porém emprega no mercado formal da indús- 
tria número superior de postos de trabalho (12.977). 

A atividade madeireira dessa mesorregião tem o 
segundo maior mercado de trabalho do interior do estado 
no género, com 8.387 postos e redução no período de 1986- 
96 comparativamente menor. Outros quatro géneros ain- 
da são expressivos na absorção de mão-de-obra: papel- 
papelão, alimentos, minerais não-metálicos e têxtil - esse 
último sobretudo pelo crescimento elevado no período e 
pela perspectiva de reforço com investimentos previstos 
de três importantes empresas têxteis no município de 
Prudentópolis (Covolan, Acetatos Argentinos e Malharia 
Iracema). 

A estrutura ocupacional demonstra a predominân- 
cia da absorção pelo setor primário na maioria dos muni- 
cípios, com exceção de União da Vitória e General Carnei- 
ro, que têm a maior ocupação nos serviços e na indústria. 
O terciário é pouco expressivo, e o emprego urbano tem 
peso na atividade industrial em mais da metade dos mu- 



nicípios. Apenas Irati e União da Vitória têm um terciário 
mais forte e relativamente diversificado. As principais ocu- 
pações do setor estão no comércio em geral, nos serviços 
gerais e domésticos e, nos menores municípios, nas ativi- 
dades da administração pública municipal. 

A mesorregião possui a menor renda familiar mé- 
dia per capita, dada a predominância, ainda nos períodos 
mais recentes, de atividades rurais tradicionais. Compa- 
rativamente às demais mesorregiões, a disparidade nesse 
aspecto entre seus municípios não é muito significativa: 
União da Vitória e São Mateus do Sul possuem as maiores 
médias, que não chegam a constituir o dobro das médias 
mais baixas verificadas em São João do Triunfo e António 
Olinto. Essa região tem a maior proporção de chefes de 
domicílio com rendimento de até dois salários mínimos 
(65,57%). Por sua colonização - de origem europeia 
eslava -, a importância dada à escolarização reflete-se em 
uma média de anos de estudos comparativamente eleva- 
da (4,3) e na proporção mais elevada de adultos alfabeti- 
zados do interior do Estado (87,75%). União da Vitória, 
São Mateus do Sul e Prudentópolis têm maior número de 
anos de estudos: aproximadamente cinco anos. António 
Olinto, General Carneiro e Porto Vitória, por sua vez, apre- 
sentam o menor número (3,5 anos). 

Suas condições de saneamento básico, comparati- 
vamente ao estado, demonstram precariedade dos servi- 
ços, em termos da cobertura de abastecimento de água - 
uma das mais baixas do estado, com 76,59% dos domicíli- 
os atendidos -, de esgotamento sanitário - que atende ape- 
nas a 57,37% dos domicílios - e de coleta de lixo - que abran- 
ge 71,79% dos domicílios urbanos, a menor proporção. 

2.9.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião sudeste paranaense, com fraca ur- 
banização e economicamente frágil, por basear sua econo- 
mia em atividades pouco competitivas, começa a dar si- 
nais de um esgotamento que incita lento movimento mi- 
gratório rural em direção a suas áreas urbanas, bem como 
contínua migração seletiva para outras regiões, principal- 
mente para a mesorregião metropolitana de Curitiba, dada 
sua proximidade. A configuração de sua rede urbana ca- 
racteriza-se pela: 

• inexistência de centros de destaque na rede urbana 
paranaense; 

• presença de um centro (União da Vitória) fortalecido 
pela ocupação contínua de fronteira que estabelece com 
Porto União (SC); 

• existência de municípios com elevado crescimento da 
população urbana, em um comportamento de retenção 
provisória do esvaziamento rural, como Prudentópolis 
(7,97% a.a. entre 1991 e 1996), Irati (7,08%), Cruz Ma- 
chado (5,82% ) e Paula Freitas (4,01% ); 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I B 1 2 1 



■ 



I 



MAPA 1 9 

SUDESTE PARANAENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




níveis de hierarquia 

[ I Médio para fraco e médio 

| j Médio para forte 



Fonte: Ipardes: IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



13 26 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



122 



I 



Redes Urbanas Resionais: Sul 



• associação de crescimento elevado da população total à 
presença de assentamentos rurais, como ocorre em Ge- 
neral Carneiro (2,56% a.a. entre 1991 e 1996) e Bituruna 
(1,58%); 

• perda de população total por alguns municípios já des- 
de os anos 70, dado o esgotamento das oportunidades 
locais. 

É uma região onde não ocorrem espacialidades de 
concentração e que ainda não se insere nas espacialidades 
de esvaziamento. Sua capacidade de sustentação da po- 
pulação, no entanto, encontra limites no tipo de atividade 
económica que desenvolve, com pequenas possibilidades 
de efeitos que desencadeiem outras atividades. 

2.10 Metropolitana de Curitiba 

A mesorregião metropolitana de Curitiba compõe- 
se de 37 municípios. Duas paisagens recortadas pela bar- 
reira natural da Serra do Mar conformam seu espaço: a 
aglomeração urbana metropolitana de Curitiba, circunda- 
da por extensa área caracteristicamente rural, no planalto, 
e a ocupação contínua litorânea. 

Possui 2.734.500 habitantes, em 1996 (30,37% da 
população do Paraná), numa área de 22.863 quilóme- 
tros quadrados, o que lhe confere densidade de 119,60 
habitantes por quilómetro quadrado. A maior parte des- 
sa população está concentrada em Curitiba (1.476.253 
habitantes) e seus arredores imediatos. Em sua área me- 
tropolitana estão sete municípios com população supe- 
rior a 50 mil habitantes - Piraquara, Almirante 
Tamandaré, Araucária, Campo Largo e Pinhais, bem 
como Colombo e São José do Pinhais, esses com mais 
de 150 mil habitantes. 

Ponto de convergência da migração rural do es- 
tado, após 1970 a região praticamente dobra sua po- 
pulação, agregando 1.683.687 habitantes. Seu proces- 
so de ocupação é intenso, rápido, transpondo as fron- 
teiras administrativas do município de Curitiba e cri- 
ando áreas contíguas de ocupação nos municípios vi- 
zinhos, inicialmente muito distantes das sedes muni- 
cipais. Ao longo desses anos, vem apresentando as 
mais elevadas taxas de crescimento geométrico den- 
tre as mesorregiões do estado (4,95%, 2,84% e 3,4%, 
respectivamente, entre 1970 e 1980, 1980 e 1991 e 1991 
e 1996) -, fato considerável dado o contingente popu- 
lacional sobre o qual recaem. 

Na década de 70, os municípios que mais fortemen- 
te recebem o impacto de seu processo de ocupação foram 
Piraquara, Almirante Tamandaré, Araucária, Campo Lar- 
go, Colombo, São José dos Pinhais e Curitiba, todos apre- 
sentando crescimento com taxas superiores a 5% a.a. Na 
década seguinte, exceto Curitiba e Campo Largo, esses 
municípios continuam crescendo intensamente e outros 



municípios são incorporados nessa dinâmica, como Qua- 
tro Barras, Mandirituba e Campina Grande do Sul, ampli- 
ando a área de ocupação contínua da metrópole. No pe- 
ríodo de 1991-96, em uma extensão desses vetores, pas- 
sam a agregar o conjunto urbano Contenda e Itaperuçu, 
que, juntamente com Fazenda Rio Grande - desmembrado 
de Mandirituba e contíguo à mancha de ocupação de 
Curitiba -, mantêm uma dinâmica de crescimento com 
taxas superiores a 5% a.a. Desse conjunto, destacam-se 
municípios que apresentam as maiores taxas de crescimen- 
to anual entre 1991 e 1996 no Paraná: Fazenda Rio Grande 
(11,91%), Piraquara (10,24%) e Itaperuçu (9,89%). 

A consolidação e densificação da área metropolita- 
na de Curitiba vem destacando-a dentre as regiões metro- 
politanas brasileiras como uma das que mantêm as mais 
altas taxas de crescimento populacional. Destaca também 
Curitiba como um pólo que não demostra sinais efetivos 
de arrefecer seu crescimento, sendo ainda considerado um 
dos que mais crescem dentre os pólos das regiões metro- 
politanas oficiais. 

Independentemente do fenómeno de expansão 
metropolitana, os balneários litorâneos também apresen- 
tam, no período, taxas de crescimento elevadas. Marinhos 
e Guaratuba apontam, entre 1991 e 1996, taxas superiores 
a 10% a.a., dentre as mais elevadas do Paraná - o primei- 
ro já com crescimento de 6,29% a.a. entre 1980 e 1991. Es- 
sas taxas são decorrentes de um crescimento periferizado, 
repleto de invasões, e indicam mudança no perfil dessas 
áreas. 

A continuidade dessa dinâmica intensa comprova- 
se pelo fato de que, dos 37 municípios da mesorregião, 19 
vêm crescendo mais que a média do estado desde 1970, e 
três, desde 1980. Embora alguns municípios apresentem 
taxas de crescimento negativas em determinados momen- 
tos do período, essas sempre se fazem seguir por uma re- 
tomada do crescimento. Apenas Adrianópolis, em função 
do encerramento da produção de chumbo - sua base de 
sustentação económica -, pode não apresentar uma recu- 
peração a curto prazo. 

Nessa dinâmica, cabe ressaltar o crescimento da 
população rural da maioria dos municípios, em uma de- 
monstração de reconversão de suas atividades ditada pe- 
las oportunidades do mercado metropolitano. A região 
concentra hoje a maior população rural do estado e é a 
única a apresentar essa população em crescimento desde 
1980, com a taxa de 2,62% a.a., entre 1991 e 1996. 

A mesorregião possui um grau de urbanização de 
89,8% e apresenta-se como a segunda mais urbanizada 
dentre as mesorregiões do Sul - a primeira é a metropoli- 
tana de Porto Alegre, cujo grau é de 90,24%. No entanto, 
em seu conjunto encontram-se estágios diferenciados de 
urbanização. Ao lado de municípios fortemente urbaniza- 
dos, permanece ainda um expressivo grupo (40,54%) de 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



123 



municípios rurais de pequena dimensão. Apenas Curitiba 
é urbano de grande dimensão, sete são urbanos de média 
dimensão e oito, urbanos de pequena dimensão. 

Apenas dois municípios destacam-se pela centra- 
lidade: Curitiba, com nível de centralidade máximo, que 
estende sua polarização às demais regiões do Paraná e 
grande parcela do estado de Santa Catarina, oferecendo 
ampla diversidade de funções, incluindo as mais comple- 
xas, e Campo Largo, com nível de centralidade médio para 
fraco, que subpolariza apenas Balsa Nova (Mapa 20). 
Paranaguá, mesmo enquadrado no nível fraco de centrali- 
dade, distingue-se pelo atendimento às demandas dos 
municípios litorâneos com funções de alta e baixa com- 
plexidade. Destaca-se, ainda, Rio Negro, que configura 
uma mancha de ocupação contínua com Mafra (SC), cons- 
tituindo uma espacialidade de fronteira cuja gestão é bas- 
tante dificultada. 

Parte significativa da atividade económica para- 
naense concentra-se na mesorregião metropolitana de 
Curitiba e, dentro dela, com bastante intensidade, no mu- 
nicípio de Curitiba. No início dos anos 70, a messoregião 
metropolitana divide, em desvantagem, com a mesorre- 
gião norte-central a maior participação na renda do esta- 
do. Com as mudanças no perfil industrial paranaense, for- 
temente centradas em Curitiba, a mesorregião passa a apre- 
sentar uma participação crescente, superando, já em 1980, 
todas as demais do estado, quando responde por 37,34% 
da renda estadual. Essa trajetória acentua-se e, em 1996, já 
alcança 42,33%. Mais da metade dessa renda é gerada por 
Curitiba, que se destaca como o pólo industrial e de servi- 
ços do Paraná. 

Poucos municípios da região inserem-se nesse pro- 
cesso e apenas alguns acompanham a mudança do perfil 
industrial. Curitiba, ao longo de duas décadas, dobra sua 
participação na renda - de 13,47% em 1975 para 25,67% 
em 1996. As condições favoráveis no quadro nacional, ali- 
adas às possibilidades abertas pelos mecanismos institu- 
cionais de estímulo do Fundo de Desenvolvimento Eco- 
nómico do Estado/foram capazes de atrair para o Paraná 
alguns segmentos modernos da metal-mecânica, com em- 
presas de grande porte - como é o caso da Volvo, New 
Holland, Bosch, dentre outras. Essas empresas estão 
sediadas na Cidade Industrial de Curitiba - empreendi- 
mento que também resulta das gestões de reforço da polí- 
tica de industrialização do estado. 

O desempenho de Curitiba envolve tangencialmen- 
te alguns dos demais municípios da região. Araucária, a 
segunda maior participação da região no valor adiciona- 
do estadual, tem a particularidade de beneficiar-se com a 
localização do pólo petroquímico, perdendo rapidamente 
as vantagens relativas - em 1980, sua participação é de 
13,16%, caindo para 6,79% em 1996. Não há grandes des- 
dobramentos em novos investimentos, como era espera- 



do, nas atividades desse pólo petroquímico. Contudo, a 
criação da Cidade Industrial de Araucária (Ciar), naquele 
momento, favorece a agregação de outras atividades que 
garantem para o município posição de destaque na parti- 
cipação da renda. 

Os demais municípios com participação económi- 
ca relevante na composição da renda do estado podem ser 
divididos em dois grupos: aqueles que já possuíam estru- 
tura produtiva, nos moldes tradicionais, e que incorpo- 
ram novos segmentos - como Campo Largo (0,84% do 
valor adicionado paranaense em 1996) e São José dos Pi- 
nhais (2,48%, em 1996, mantendo participação em ritmo 
crescente superior a 1% desde 1985); e aqueles que incor- 
poram essas atividades como extensão física de Curitiba - 
caso de Pinhais (1,01%) e Colombo (0,73%), cuja ocupação 
e usos decorrem de um extravasamento do pólo. 

Rio Branco do Sul (0,64% em 1996), diferentemen- 
te, pauta sua representatividade económica na fabricação 
do cimento, em associação à presença da matéria-prima. 
Em uma situação similar está Rio Negro (0,57%), com ati- 
vidades pouco articuladas à dinâmica metropolitana, in- 
serindo segmentos tradicionais da indústria com predo- 
minância dos géneros fumo, madeira e mobiliário, inte- 
grando-se no eixo catarinense polarizado por São Bento 
do Sul. 

Com participação expressiva na renda e articulado 
à dinâmica económica metropolitana, Paranaguá, em sua 
função portuária, é especializado na exportação agroin- 
dustrial e qualifica-se para responder às novas exigências 
da produção regional, especialmente no que se refere a 
comercialização e escoamento de grãos. Entretanto, sua 
posição não se vem sustentando ao longo do período: em 
1980, apresenta sua participação mais elevada (3,44%), di- 
minuindo progressivamente, até atingir 1,32% em 1996. 

Esses índices confirmam a primazia de Curitiba e a 
inclusão de forma restrita de alguns municípios de seu 
entorno imediato na dinâmica económica recente. 

A mesorregião metropolitana de Curitiba responde 
por 51,74% do valor adicionado do setor secundário do 
Paraná. Sua indústria tem participação dominante em quase 
todos os principais géneros do estado, e são expressivos tam- 
bém os géneros papel-papelão, têxtil, confecções e alimentos. 

A implantação, nas últimas décadas, de segmentos 
importantes da metal-mecânica na região, principalmente 
do grupo transportes, garantiu um perfil no qual os seg- 
mentos modernos representam 42,46% do valor adiciona- 
do de sua indústria de transformação em 1996. Na área de 
transporte (respondendo por 98,31% do valor adicionado 
do género), das 50 principais empresas do Paraná, 19 es- 
tão localizadas na área metropolitana, sendo 14 em 
Curitiba. Dentre elas, destacam-se Bosch e Volvo, em 
Curitiba, Marco Polo, em São José dos Pinhais, e outras 
secundárias. em Pinhais, Araucária e Quatro Barras. No 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



124Í 

II 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



género comunicações, a região participa com 93,68% do 
total do valor adicionado do estado, sediando 28 das 50 
principais indústrias do ramo, sendo 19 em Curitiba (como 
Equitel, Furukawa e Inepar), e outras de menor porte em 
Araucária, Pinhais, Colombo e São José dos Pinhais. No 
género mecânica, a participação em 1996 é de 91,1%, com 
38 das 50 principais empresas do Paraná, sendo 27 em 
Curitiba (como Eletrolux e New Holland) e quatro em Pi- 
nhais, destacando-se a Brasholanda, além de outras em 
São José dos Pinhais, Araucária e Colombo. A metalurgia 
ainda se caracteriza por segmentos pequenos e médios e 
está mais distribuída no estado, com apenas 67,39% na 
mesorregião Metropolitana de Curitiba, onde se localizam 
34 das principais empresas, 12 na capital. 

A indústria química regional responde por 76,04% 
do valor adicionado do género no estado. Diferentemente 
da associação da atividade à agroindústria do interior do 
Paraná, essa mesorregião é dominada pelo pólo petro-quí- 
mico de Araucária e por algumas empresas pequenas lo- 
calizadas em Curitiba, Paranaguá, Quatro Barras, 
Colombo, Almirante Tamandaré e Campina Grande do Sul. 
Balsa Nova distingue-se por possuir uma unidade ligada 
à produção alimentar (Refinações de Milho Brasil). 

• Dentre os segmentos tradicionais da região, o gé- 
nero minerais não-metálicos tem grande expressividade 
no estado, com 79,37% do valor adicionado do género em 
1996. Essa atividade está ligada à indústria do cimento, 
cal e demais matérias-primas para a construção civil e, 
secundariamente, à indústria cerâmica. Grande número 
de municípios está envolvido nessas atividades, destacan- 
do-se Rio Branco do Sul, que responde por 25,14% do va- 
lor adicionado do género, com a Cimento Portland; 
Colombo, respondendo por 8,83%, com a Eternit e inúme- 
ras outras; Balsa Nova, respondendo por 8,5%, com a Ci- 
mentos Itambé; e Campo Largo, respondendo por 13,82%, 
com várias indústrias cerâmicas. Participam com menor 
expressão Almirante Tamandaré, Itaperuçu e São José dos 
Pinhais. 

Resistem' ainda géneros tradicionais do estado, 
como madeira e mobiliário (45,53% e 26,49%, respectiva- 
mente, do valor adicionado do género), com 17 das 50 prin- 
cipais empresas paranaenses, concentrando 13 em Curitiba 
e as demais em Araucária, Piên, Rio Negro e São José dos 
Pinhais, dentre outros municípios. Correspondem a indús- 
trias com tecnologias e processamentos que resultam em 
maior agregação de valor, a exemplo da Placas Paraná, que 
atua expressivamente na linha de aglomerados, e da 
Selectas e Trevo, com laminados - essas em Curitiba. Piên 
e Rio Negro atuam articulados às atividades do eixo ma- 
deira e mobiliário catarinense, com reconhecimento nacio- 
nal na produção de móveis. 

Pontualmente, a indústria do fumo, com 98,78% do 
valor adicionado gerado na região em 1996, liga-se à Phillip 



Morris, em Curitiba - empresa que encerrou suas ativida- 
des no estado no início de 1999 -, e à Souza Cruz, em Rio 
Negro. 

Também se encontram presentes na região a in- 
dústria de alimentos, têxtil e confecção, embora seja no 
interior do estado que tenham a preponderância no de- 
sempenho. 

Dentre os investimentos de maior porte anuncia- 
dos para o Paraná, a grande maioria destina-se para a área 
metropolitana de Curitiba, particularmente aos municípios 
de São José dos Pinhais e Campo Largo. As perspectivas 
para a indústria da região estão centradas fundamental- 
mente na metal-mecânica, cujo adensamento de relações 
inter-setoriais pode estar na vinda de empreendimentos 
de perfil e porte dos novos investimentos automotivos. 
Além das montadoras, o peso de fato dessas atividades 
virá a ocorrer pelos efeitos nos segmentos fornecedores, 
tanto na atração de novos, quanto na qualificação dos já 
existentes. 

Dos empregos formais da indústria, a mesorregião 
metropolitana de Curitiba oferece 126.554 postos de tra- 
balho, 41,42% do mercado do Paraná. Os segmentos tradi- 
cionais respondem pela grande maioria desses empregos 
e vêm demonstrando desempenho de crescimento (os gé- 
neros alimentos e bebidas crescem 2,6% entre 1986 e 1996, 
o têxtil e confecção, 5,7%, e papel-papelão, 0,3%), com ex- 
ceção da madeira e mobiliário, que, apesar do decréscimo 
de -3,1%, -são os principais absorvedores, com 14,7% dos 
empregos formais da indústria regional. 

Os segmentos modernos respondem por 29,4% dos 
empregos na região, em um desempenho em que as in- 
dústrias mecânica e de transporte crescem, respectivamen- 
te, 1,1% e 2,6% entre 1986 e 1996, e material elétrico, co- 
municações e metalurgia perdem no período, respectiva- 
mente, -2,0% e -0,6%. A química, com grande oferta de 
empregos, também tem comportamento de queda (-0,5%). 

Com tendência de industrialização pautada em seg- 
mentos mais modernos, a mesorregião, com 51,74% do va- 
lor adicionado do setor secundário do estado, dispõe de 
pouco mais que o dobro dos empregos gerados na mesor- 
região norte-central - a segunda principal do estado, com 
segmentos ainda fortemente ligados à agroindústria -, cuja 
participação no valor adicionado é de 11,2%. Entre 1986 e 
1996, a mesorregião norte-central é acrescida de 12.050 pos- 
tos, a mesorregião metropolitana, porém, tem reduzidos 
1.551 de seus postos de trabalho. 

A estrutura ocupacional distingue os municípios 
integrantes da dinâmica metropolitana - fundamental- 
mente ligada a atividades urbanas do terciário e indús- 
tria - de uma área com atividades predominantemente 
rurais. Na espacialidade metropolitana, três municípios 
são eminentemente industriais: Araucária, Campo Lar- 
go e Rio Negro. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas I 125 



I 



MAPA 20 

METROPOLITANA DE CURITIBA — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1998) 



I 



Adrianópoíis 




Rio Branco 
L ItaperuçuV, do Sul 



Bocaiuva ^ / 

do Sul J ( 

/Campina * 



' Porto 
Amazonas-^O 



Lapa 




f*^ r/J f J ~ Campo do 7; 



NÍVEIS DE HIERARQUIA 

i | Médio para fraco e médio 

I I Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



126 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Dentre aqueles municípios com o terciário predo- 
minante, Marinhos, Guaratuba e Antonina caracterizam- 
se por ocupações decorrentes de funções de balneário e/ 
ou turismo, e Paranaguá, por sua especialidade portuá- 
ria. Almirante Tamandaré, Piraquara e Quatro Barras, 
com predominância do terciário, e Campina Grande, 
Colombo e São José dos Pinhais, dividindo as ocupações 
em atividades da indústria e do terciário, são extensões 
do uso e ocupação de Curitiba e têm como característica 
principal a função de dormitório. Essa função faz com 
que seja possível considerá-los parte de Curitiba - a des- 
peito dos limites territoriais -, particularmente no que se 
refere ao mercado de trabalho, que é o elemento 
unificador desse conjunto. 

O município de Curitiba, embora apresente forte 
peso de atividades na indústria, tem o dobro dessa ocupa- 
ção em um setor terciário bastante diversificado, porém 
seletivo, com concentração de empregos no sistema ban- 
cário e em serviços técnico-profissionais. De modo geral, 
é expressivo o índice de ocupação em atividades de trans- 
portes em todos os municípios metropolitanos, evidenci- 
ando a "desconcentração da atividade com empresas bem 
distribuídas espacialmente. 

. Confirmando a seletividade mencionada, as ativi- 
dades de serviços gerais e de serviços domésticos têm 
maior peso na estrutura ocupacional dos municípios peri- 
féricos, muito associada à grande mobilidade espacial de 
trabalhadores entre os municípios da mesorregião, princi- 
palmente na sua comutação com Curitiba. 

A importância da região nas atividades do setor 
terciário paranaense é evidente, já que responde, em 1996, 
por 48,98% do valor adicionado do comércio e por 49,66% 
dos serviços. Curitiba responde, respectivamente, por 
32,61% e 31,41%. 

Há grande número de municípios com predominân- 
cia da ocupação no setor primário, que participa com 5,31% 
do valor adicionado setorial do estado, em 1996, estando 
dentre as menores participações. As principais atividades 
são o cultivo da batata - da qual a mesorregião é a principal 
produtora do estado -, basicamente em Contenda, Lapa, 
Araucária e Campo Largo; da laranja, em Cerro Azul; e do 
fumo, em Piên e Rio Negro. Já se percebe a formação de 
uma atividade olerícola em vários municípios do entorno 
do pólo metropolitano, atingindo Morreres, no litoral. 

A mesorregião é considerada uma das mais impor- 
tantes bacias leiteiras do estado, com a produção de leite e 
derivados centrada em São José dos Pinhais. Destaca-se a 
atuação da Centralpar, resultado da fusão entre a Coopera- 
tiva de Lacticínios Curitiba (Clac), uma das maiores na área, 
e a Witmarsun, acompanhando a dinâmica cooperativista, 
no objetivo de elevar os padrões de competitividade. 

A mesorregião também se particulariza pelo 
extrativismo mineral, que responde por 55,59% do valor 



adicionado dessa atividade no estado. A atividade minei- 
ra está centrada na extração do calcário para a fabricação 
de cimento e cal, principalmente nos municípios de Almi- 
rante Tamandaré e Rio Branco do Sul; da fluorita, para ati- 
vidades da metalurgia, em Cerro Azul; e de granitos, 
sienitos, mármores, brita e areia para a construção civil, 
oriundos de vários municípios. Em Campo Largo, há mi- 
neração de ouro associada a veios no granito. 

Atividades rurais de lazer estão expandindo-se na 
mesorregião - porém, são ainda pouco significativas. 

Essa concentração de atividades proporciona à 
mesorregião metropolitana de Curitiba a mais alta renda 
familiar per capita do Paraná, posicionando-a, porém, abai- 
xo da maioria das mesorregiões catarinenses e gaúchas, 
principalmente em relação à mesorregião metropolitana 
de Porto Alegre. A desigualdade é visível nas diferenças 
internas que conferem a Curitiba uma renda média cinco 
vezes maior que a de municípios rurais, como Cerro Azul, 
com a menor faixa de rendimento. 

As mesmas diferenças internas, apontando para 
uma situação de forte segregação socioespacial, são con- 
firmadas na proporção de chefes de domicílio com rendi- 
mento de até úm salário mínimo - observa-se que, para 
essa mesorregião, o corte de análise separa um grupo de 
maior vulnerabilidade em relação às demais (dois salá- 
rios). O pólo metropolitano tem a proporção de 12,88% 
dos chefes de domicílio com rendimento de até um salário 
mínimo. Os municípios do entorno imediato, com conti- 
guidade de mancha de ocupação, elevam essa proporção 
para a ordem de 20%; os do entorno mais distante, acima 
de 30%; os rurais, desintegrados do processo metropolita- 
no, para a ordem de 55% (Moura, 1988). Os municípios 
litorâneos reproduzem a mesma segregação verificada na 
Região Metropolitana de Curitiba: Paranaguá apresenta a 
menor proporção (21,96%), e os municípios balneários, 
proporções que atingem 25%. Já os municípios litorâneos 
com base rural têm essa proporção entre 38% e 54%. 

A mesorregião tem a segunda maior posição no 
nível de escolaridade do estado (4,4 anos em média), po- 
rém menor que a média das mesorregiões gaúchas e 
catarinenses. Curitiba lidera como o município com a mais 
elevada escolaridade na região (6,4 anos), já Rio Branco 
do Sul tem pouco mais que a metade (3,5 anos em média). 
A proporção de alfabetização em maiores de 15 anos é de 
91,28%, a mais elevada do Paraná, equiparando-se às mais 
elevadas da região Sul. 

A qualidade do saneamento básico da mesorregião está 
dentre as melhores posições dos estados do Sul do país, em 
termos de abastecimento de água e coleta de lixo, com propor- 
ções de 90,23% e 92,35%, respectivamente. Porém, análise por- 
menorizada dos indicadores de abastecimento de água por 
rede, instalação sanitária e coleta de lixo destaca apenas Curitiba 
com o desempenho acima da média do estado. Em uma escala 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das MesorregiÕes Geográficas 



I 



127 



decrescente, abaixo da média estão três grupos: o primeiro, in- 
cluindo Araucária e Piraquara, da área metropolitana, e 
Paranaguá, Antonina e Rio Negro; o segundo, incluindo quase 
somente municípios metropolitanos; e o terceiro, referente às 
condições mais críticas desses indicadores, agregando junta- 
mente com os municípios rurais alguns da periferia imediata 
do pólo - como Almirante Tamarídaré e Colombo. 

A associação entre as condições sociais (medidas 
por domicílios com crianças de 11 a 14 anos analfabetas e/ou 
chefiados por mulheres com até um salário mínimo de ren- 
dimento) e saneamento básico (medido pela ausência de 
qualquer forma de esgotamento sanitário) compõe o indi- 
cador precariedade do domicílio. Esse indicador confir- 
ma a heterogeneidade da região e aponta para as propor- 
ções mais elevadas nos municípios periféricos ao pólo - 
como Colombo, com 52,15%, Mandirituba, 56,87% e Al- 
mirante Tamandaré, 39,9% - em Curitiba essa proporção 
está em 17,72%. 

Esses indicadores refletem que o processo de ocu- 
pação, da forma intensa como ocorre na área metropolita- 
na de Curitiba, não se faz acompanhar de planejamento e 
gestão que viabilizem o atendimento às novas e crescen- 
tes demandas. Uma situação que se agrava, dado o 
extravasamento da ocupação de Curitiba para periferias, 
caracterizadas pela presença de moradores com menor 
rendimento, portanto mais necessitados de atenção por 
parte das políticas públicas. Tais ocupações correspondem 
a parcelas territoriais de municípios menos dinâmicos eco- 
nomicamente e dependentes financeiramente, muitas ve- 
zes em áreas ambientalmente vulneráveis e de mananci- 
ais de abastecimento hídrico de toda a região. 

2.10.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião metropolitana de Curitiba é a mais 
dinâmica do estado. Concentra um terço da população 
paranaense e manifesta fortes indicativos de continuida- 
de. Embora com diversidades em sua paisagem, é coman- 
dada por um processo de intenso crescimento, que, dife- 
rentemente das demais mesorregiões paranaenses, decor- 
re de atividades dos segmentos modernos de produção. 
Sua rede urbana caracteriza-se por apresentar: 

• um município-núcleo da aglomeração metropolitana 
(Curitiba), que ainda passa por forte crescimento po- 
pulacional e que estende sua centralidade à maior par- 
cela do estado de Santa Catarina; 

• uma aglomeração metropolitana que, ao mesmo tem- 
po, se densifica e se expande horizontalmente, envol- 
vendo em uma mancha contígua de ocupação São José 
dos Pinhais, Colombo, Pinhais, Campo Largo, Arau- 
cária, Almirante Tamandaré, Campo Magro, Piraquara, 
Fazenda Rio Grande, Campina Grande do Sul, Mandi- 
rituba, Balsa Nova, Contenda e Quatro Barras; e, em 



uma continuidade de ocupação, Itaperuçu, Rio Branco 
do Sul, Bocaiuva do Sul, Tijucas do Sul e Tunas do 
Paraná; 

• uma ocupação contínua litorânea, envolvendo Parana- 
guá, Guaratuba, Marinhos e Pontal do Paraná; 

• uma ocupação contínua de fronteira, composta de Rio 
Negro e Mafra (SC); 

• a integração dos municípios de Piên e Rio Negro num 
eixo descontínuo e fortemente articulado pelas ativida- 
des da madeira e mobiliário, polarizado por São Bento 
do Sul (SC); 

• uma parcela da área rural inserida na aglomeração ur- 
bana metropolitana, com forte crescimento e importân- 
cia económica conferida pelo mercado metropolitano; 

• uma parcela da área rural no entorno da aglomeração 
urbana metropolitana ainda sem sinais de articulação 
com sua dinâmica. 

A Região Metropolitana de Curitiba, instituída pela 
Lei federal n Q 14/73, consolidou-se dentre as regiões me- 
tropolitanas brasileiras e tem hoje abrangência, no país, 
sul-regional de polarização. O fenómeno estadual de sua 
concentração tende a intensificar-se diante da elevada pro- 
porção de investimentos previstos para a área, privilegi- 
ando-a comparativamente ao restante do estado. 



3 Mesorregiões do Estado 
de Santa Catarina 



3.1 Oeste Catarinense 

A mesorregião oeste catarinense possui área de 
27.251 quilómetros quadrados e compõe-se de 99 muni- 
cípios, sendo a maior do estado, tanto em área quanto 
em número de municípios e população. Em 1996, possui 
1.077.901 habitantes, representando 22,11% da população 
do estado, com umadas menores catarinenses: 39,55 habi- 
tantes por quilómetro quadrado. 

Seu grau de urbanização em 1996 é de 56,27%, 
representando pouco mais que o dobro de 1970 (23,81%), 
evidenciando características rurais ainda fortes. Em 
1996, 76,77% de seus municípios são rurais de pequena 
dimensão. 

Seu principal centro é Chapecó, com nível de cen- 
tralidade forte, sendo urbano de média dimensão (Mapa 
21). Complementam a hierarquia urbana São Miguel 
D'Oeste e Joaçaba, com nível de centralidade forte para 
médio. Esses centros distinguem-se por uma estrutura ocu- 
pacional com maior diversificação e pelo maior peso em 
atividades urbanas, com proporções elevadas de sua po- 
pulação ocupada nos segmentos comerciais mais comple- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



128 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



xos, como máquinas e equipamentos, e uma participação 
significativa no sistema bancário e nos serviços em geral, 
mas com destaque para serviços técnicos e profissionais 
especializados. Caçador, Concórdia e Xanxerê apresentam 
nível de centralidade médio e uma estrutura ocupacional 
que melhor qualifica Caçador, por apresentar peso rele- 
vante da mão-de-obra na indústria e oferecer oportunida- 
des no ramo de transportes e comunicações. Concórdia é 
um município nitidamente agroindustrial - destacando- 
se ainda por sediar serviços centrais da Sadia -; Xanxerê, 
por sua vez, divide suas principais ocupações entre os se- 
tores agropecuário e industrial, com uma estrutura terciária 
bastante diversificada. 

Com centralidade de nível médio para fraco estão 
Maravilha, Palmitos e Videira, tendo este último elemen- 
tos que o qualificam diferenciadamente por ser o núcleo 
de origem da empresa Perdigão, conservando várias uni- 
dades de serviços mais sofisticados. Esse conjunto de cen- 
tros, com diferentes graus de importância na rede urbana 
mesorregional, distribui-se equilibradamente no território. 

Sua população rural bastante numerosa começa a 
apresentar sinais de evasão a partir dos anos 80, porém 
em um ritmo pouco acelerado (-1,19% a.a. entre 1980 e 1991 
e -1,91% a.a. entre 1991 e 1996). Concomitantemente, con- 
solida-se sua urbanização, sendo registradas taxas geomé- 
tricas de crescimento da população urbana bastante ele- 
vadas (2,66% a.a. entre 1991 e 1996). 

Grande número de municípios vem crescendo mais 
que a média do estado, alguns desde os anos 70. Esses 
municípios com elevado crescimento compõem eixos con- 
tínuos ao longo das BR 282, 283 e 153, como se constata no 
alinhamento Chapecó (3,09% a.a.), Xaxim (2,46% a.a.), Cor- 
dilheira Alta (2,81% a.a.), Xanxerê (1,79% a.a.), Faxinai dos 
Guedes (1,96% a.a.), Vargeão (4,88% a.a.), Ponte Serrada 
(4,04% a.a.) e Passos Maia (2,67% a.a.). São os caminhos de 
escoamento da produção regional para os portos de São 
Francisco do Sul - principal porto graneleiro do estado - e 
Paranaguá (PR). Outro eixo, mais a leste da região, é for- 
mado por Caçador (2,97% a.a.), Fraiburgo (2,62% a.a.), Vi- 
deira (1,87% a.a.) e Pinheiro Preto (2,5% a.a.), aproximan- 
do-se da BR 116. Destacam-se Chapecó, do primeiro con- 
junto, e Videira e Fraiburgo, do segundo, que estão cres- 
cendo mais que a média do estado desde 1970. Esses eixos 
dinâmicos são de importância relevante ao arranjo espaci- 
al urbano de Santa Catarina. 

Seus centros têm uma dinâmica definida pela eco- 
nomia assentada na agroindústria, predominantemente li- 
gada à comercialização e processamento da soja, como 
parte do complexo de aves e suínos. Secundariamente, a 
região integra municípios importantes dos eixos da fruti- 
cultura e da madeira. 

E na mesorregião oeste que se estende por completo 
o eixo especializado nas atividades agroalimentares de Santa 



Catarina, compreendendo Videira, Concórdia, Chapecó e 
São Miguel D'Oeste, na fronteira do estado com a Argenti- 
na. Esse eixo caracteriza-se pelo sistema integrado de pro- 
dução, a partir do milho, aves e suínos, que sustenta uma 
estrutura fundiária de médios e pequenos produtores. Tal 
estrutura vem conseguindo assegurar um ritmo menor de 
evasão rural e, ao mesmo tempo, garantir que o modelo de 
produção se qualifique para uma competitividade interna- 
cional. Atualmente, a região responde por 90% das exporta- 
ções de suínos e 60% das exportações de frango do Brasil, 
sendo o principal pólo do país nessas atividades. 

Esse complexo agroindustrial reúne os principais 
grupos económicos da indústria alimentar de aves e suí- 
nos, como o grupo Sadia, com sede em Concórdia, o gru- 
po Perdigão, com base industrial em Videira, e a Cevai 
Agroindustrial, que, embora não esteja sediada na região, 
possui nela diversas unidades. Esta última, que detém a 
primazia no processamento de soja no Brasil, destaca-se 
pela produção de óleos e farelo de soja, além da criação, 
abate, industrialização e comercialização de aves, suínos, 
rações e concentrados proteicos. 

O que prevalece na economia regional é o desem- 
penho dos grandes grupos do setor, deixando às coopera- 
tivas uma atuação mais modesta. Entretanto, é importan- 
te destacar a Cooperativa Central Oeste Catarinense, com 
estrutura verticalizada de porte similar ao dos grupos 
empresariais. Operando na linha de comercialização di- 
versificada, com milho, feijão, leite e frutas, encontram-se 
duas importantes cooperativas, a Cooperativa Alfa Ltda. 
e a Coopercampo. 

Fraiburgo e Videira fazem parte do eixo catarinense 
da fruticultura, produzindo uva e principalmente maçã, 
da qual Santa Catarina é o maior produtor do país. Gran- 
des grupos estão sediados em Fraiburgo, como a Renar, 
Portobello e Vinícola Fraiburgo. 

Outra atividade importante para a mesorregião é a 
indústria da madeira, sediada basicamente em Caçador, 
que se integra ao eixo madeireiro do estado, estendendo- 
se de Lages - mesorregião serrana - até Mafra e Rio 
Negrinho - mesorregião norte catarinense. 

E necessário ressaltar que, setorialmente, a região 
aumenta sua participação no valor adicionado do setor pri- 
mário, reforçando-se na sua especialização agropecuária - 
contribui com 50,53% em 1980, passando em 1996 a 57,42%. 
Na década de 80, e ainda nos anos 90, a atividade agroin- 
dustrial apresenta dinamismo acentuado, confirmando suas 
condições de competitividade no mercado mundial. Reve- 
la um dos melhores desempenhos do setor industrial, com 
expansão crescente e contínua da produção física. Contu- 
do, por não integrar o segmento metal-mecânico, responsá- 
vel pelo novo vetor da industrialização catarinense, reduz 
a participação relativa no total do valor adicionado do esta- 
do (de 27,23% em 1980, cai para 22,2% em 1996). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 1129 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



130 



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Redes Urbanas Regionais: Sul 



A região possui 15,65% do emprego formal da in- 
dústria do estado, tendo apresentado pequena queda em 
1993, recuperando a posição anterior em 1996. Esse empre- 
go decorre fundamentalmente da produção de alimentos, 
com mais de 20 mil postos de trabalho, praticamente man- 
tidos no período de 1986-96. As atividades dos géneros ma- 
deira e mobiliário representam o segundo maior mercado 
de trabalho formal na região, com mais de 12 mil empregos, 
porém em lento declínio. Apresentam crescimento expres- 
sivo os segmentos da química e têxtil e de confecção - cres- 
cendo 13,9% e 10,5%, respectivamente -, ambos com pe- 
quena participação no mercado de trabalho formal. 

Tomando por referência a estrutura ocupacional de 
modo geral, os empregos industriais ainda são bastante re- 
presentativos dentre as atividades urbanas. Nos municípios 
com menor grau de urbanização, prevalece a atividade agro- 
pecuária, porém, nas atividades urbanas, a combinação ex- 
pressiva da indústria com o setor terciário responde pela 
maioria dos empregos em mais da metade dos municípios 
desse grupo. Para a maioria dos municípios mais urbaniza- 
dos, a-combinação das atividades da indústria com o setor 
terciário forma seu principal mercado de trabalho. 

A mesorregião oeste é uma das que apresentam, 
em 1991, nível de renda mais baixo dos chefes de domi- 
cílio em Santa Catarina. Aproximadamente 50% dos che- 
fes têm rendimento até o limite de dois salários míni- 
mos. A renda média familiar per capita confirma esse bai- 
xo desempenho social entre as regiões do estado. Inter- 
namente, há médias mais elevadas da renda nos centros 
mais dinâmicos, como Chapecó, Concórdia e Joaçaba, 
desfavorecendo pequenos municípios como Águas de 
Chapecó, Campo Erê e Caxambu do Sul, com as meno- 
res médias. São esses mesmos municípios que apresen- 
tam os menores indicadores de escolaridade, abaixo de 
4,4 anos de estudo, os maiores apresentam indicadores 
superiores a 5,5. A proporção da população alfabetizada 
é de 87,5% para maiores de 15 anos, relativamente uma 
das menores dó estado. 

Da mesma forma, seu patamar de atenção por sa- 
neamento básico é comparativamente baixo - apenas 78,6% 
dos domicílios estão ligados à rede de água, 49,2% possu- 
em esgotamento sanitário e 82,07% são atendidos por co- 
leta de lixo. 

3.1.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A região oeste catarinense tem a particularidade de 
compreender os principais eixos da agroindústria no esta- 
do: da carne, da soja, das frutas e da madeira. Essa diver- 
sificação de atividades do setor primário tem garantido 
um ritmo de crescimento populacional no qual a evasão 



rural ainda vem sendo, em boa parte, absorvida pelo con- 
junto de cidades que sustenta essa dinâmica. As princi- 
pais características de sua rede urbana são: 

• o crescimento da população urbana, entre 1991 e 1996, 
superior ao crescimento geométrico anual médio do 
estado na grande maioria dos municípios; 

• a ocorrência desse crescimento em seu conjunto de cen- 
tros, independentemente do tamanho de sua popula- 
ção, com exceção de Concórdia, cuja população urbana 
cresce menos que a média do estado; 

• a presença dos demais municípios com crescimento ele- 
vado nas aglomerações descontínuas polarizadas por 
Chapecó e Caçador, fazendo parte de sua dinâmica e ten- 
do na indústria um mercado de trabalho importante; 

• o alto crescimento de municípios limítrofes a Chapecó 
(Nova Itaberaba, Cordilheira Alta, Coronel Freitas e 
Seara), compondo um vetor de aglomeração; 

• o processo de evasão da população rural, mais recente 
a partir dos anos 80, já confirmado na região; 

• o fenómeno do esvaziamento de núcleos urbanos ain- 
da sem grande expressividade, no qual quatro municí- 
pios já apresentam crescimento da população urbana 
inferior a zero. 

Esses comportamentos indicam o reforço da for- 
mação das aglomerações urbanas descontínuas em pa- 
ralelo ao esvaziamento de áreas rurais. Dois dos eixos 
que sustentam sua atividade económica (o da madeira 
e o da agroindústria da carne) apontam para tendên- 
cias de reestruturação produtiva associada ao seu des- 
locamento parcial para outras regiões do país. Isso im- 
plicaria, a médio prazo, esgotamento da capacidade de 
sustentação do crescimento populacional, com o pro- 
cesso de evasão passando a não se restringir às áreas 
rurais. 



3.2 Norte Catarinense 

Amesorregião norte catarinense tem área de 15.996 
quilómetros quadrados e compõe-se de 25 municípios. Sua 
população em 1996 é de 935.716 habitantes, representan- 
do 19,2% da população de Santa Catarina - participação 
em crescimento -, com densidade demográfica de 58,5 ha- 
bitantes por quilómetro quadrado. 

Seu grau de urbanização em 1996 é de 80,36% - 
apenas superado pelo da Grande Florianópolis -, consoli- 
dando um processo moldado em bases urbanas, pois, já 
em 1970, a mesorregião apresenta grau de urbanização de 
55,61%. De seus municípios, 72% são predominantemente 
urbanos ou em transição para o urbano, sendo pequeno o 
número de municípios rurais. 

Sua rede urbana estrutura-se com a influência de 
dinâmicas distintas, conformando três conjuntos de cida- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorresiões Geográficas 



I 



131 



des. Com maior dinamicidade, impulsionada pela indús- 
tria metal-mecânica, desenvolve-se a principal aglomera- 
ção urbana do estado, tendo como pólo Joinville, municí- 
pio com nível de centralidade forte e urbano de grande 
dimensão (Mapa 22). Integra essa aglomeração Jaraguá do 
Sul, com nível de centralidade médio e tipo urbano de 
média dimensão. Essa aglomeração conjuga-se com as 
aglomerações de Itajaí, Blumenau e Florianópolis, esten- 
dendo-se em um continuum na porção leste do estado. 

Os demais conjuntos alinham-se nos limites admi- 
nistrativos do norte do estado, fortemente polarizados por 
Curitiba. Configuram distintos eixos como o do mobiliá- 
rio - que inclui São Bento do Sul, com nível de centralida- 
de médio para fraco, sendo um município urbano de mé- 
dia dimensão, e Rio Negrinho, além de Rio Negro e Piên, 
no Paraná -, e o da madeira e papel, incluindo Canoinhas 
e os municípios de seu entorno. Mafra e Porto União con- 
figuram com municípios paranaenses manchas de ocupa- 
ção contínuas, tendo reforçada sua condição de centrali- 
dade. Canoinhas, Mafra e Porto União, urbanos de peque- 
na dimensão, destacam-se por apresentar centralidade de 
nível médio. 

O comportamento regional do crescimento apresen- 
ta a taxa geométrica de 2,26% a.a. para a população total, 
sendo a segunda mais elevada do estado. No entanto, esse 
crescimento não reflete a heterogeneidade de sua dinâmi- 
ca. A área compreendida por Canoinhas e municípios vi- 
zinhos apresenta taxas entre zero e -1,3% a.a., em um pro- 
cesso de esvaziamento recente, e as áreas compreendidas 
por Mafra, Porto União e municípios vizinhos apresen- 
tam crescimento positivo, porém abaixo de 1,5% a.a. Os 
municípios que mais crescem na região se situam no en- 
torno de Joinville e Jaraguá do Sul, ou no eixo de São Ben- 
to do Sul, com crescimento superior ao da média do esta- 
do, alguns desde 1970, outros desde 1980, destacando-se, 
entre 1991 e 1996, Joinville (2,82%), Jaraguá do Sul (3,94%), 
Rio Negrinho (2,16%) e São Bento do Sul (2,60%). A popu- 
lação urbana cresce em 2,06% a.a., em ritmo bem inferior 
ao das décadas anteriores, porém expressivo em função 
do elevado contingente populacional - o segundo maior 
do estado. No entanto, alguns municípios já apresentam 
taxas negativas de crescimento da população urbana, como 
Canoinhas (-0,36% a.a.). O crescimento da população ru- 
ral é o mais elevado do estado (3,13% a.a.), em um ritmo 
que se vem mantendo desde os anos 70, sendo sustentado 
pelos municípios vizinhos a Joinville e São Bento do Sul. 

Assim como a população, o valor adicionado re- 
gional vem crescendo em participação desde os anos 80, 
mantendo-se sempre acima de 20% do total do estado, atin- 
gindo 27,76% em 1996. Divide essa ordem de participação 
com as mesorregiões oeste e Vale do Itajaí, apontando para 
um processo de mudança do perfil económico de Santa 
Catarina, onde passam a prevalecer os segmentos moder- 



nos da metal-mecânica. Os municípios que mais contribu- 
em para o desempenho da mesorregião desde 1990 são 
Joinville (14,57%), Jaraguá do Sul (5,16%) e São Bento do 
Sul (2,20%). 

A estrutura setorial do valor adicionado é nitida- 
mente industrial e de serviços, setores que compõem 
93,89% da renda regional, representando ambos 30,39% 
do valor adicionado setorial catarinense em 1996. 

A indústria tem um perfil caracterizado por seg- 
mentos modernos. Sedia os pólos metal-mecânico e de 
plástico de Santa Catarina e ainda uma estrutura bastante 
diversificada, com participação expressiva da indústria têx- 
til, do vestuário e mobiliária. Em 1985, tinha a maior par- 
ticipação no valor da transformação industrial dos géne- 
ros metalurgia (72,17%), mecânica (70,64%), material elé- 
trico (61,91%), transporte (53,46%), mobiliário (77,67%) e 
plásticos (85,57%); e a segunda posição da indústria do 
vestuário (30,33%) e da têxtil (19,51%). Além desses, a in- 
dústria da madeira ainda representa uma dinâmica consi- 
derável para grande número de municípios. 

Joinville concentra as atividades da metalurgia, 
mecânica e plástico. Polariza uma aglomeração que 
sedia grandes empresas especializadas nas linhas de 
compressores-refrigeradores, com a Embraco e 
Multibrás em Joinville, ambas com expressão mundi- 
al, encadeando significativo número de fornecedores 
com graus de avanço diferentes; a linha de motores 
elétricos com a Weg, principal produtora de motores 
elétricos da América Latina, em Jaraguá do Sul, segui- 
da pela Kohlbach, no município de Schroeder, também 
encadeando uma rede considerável de fornecedores. 
Na linha de fundição, destaca-se a Tupi, em Joinville, 
com planos de expansão, e, na de carrocerias de ôni- 
bus, a Nielsen, dentre outras na linha de metais. No 
segmento dos plásticos, a região tem liderança nacio- 
nal na produção especializada de tubos e conexões, 
com a Tigre/Hansen, sediada em Joinville. Essas ati- 
vidades vêm sendo desenvolvidas com bom nível de 
atualidade tecnológica e organizacional e alta compe- 
titividade no mercado. 

O eixo do mobiliário é polarizado por São Bento 
do Sul e Rio Negrinho, com 266 empresas cadastradas - 
entre elas uma das maiores empresas nacionais do mobili- 
ário, a Móveis Rudnik - e um mercado exportador que 
absorve 30% da produção local. É um segmento que tem 
conseguido acompanhar os avanços tecnológicos e apre- 
senta significativa rede de relações entre as empresas, o 
que permite manter dinâmico o setor e garante abertura 
ao mercado externo. 

As indústrias têxtil e de confecção ingressaram 
em uma fase de baixo dinamismo em face da retração 
do mercado interno e da perda de competitividade nas 
exportações. Esse segmento vem sofrendo os impactos 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



132 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



da abertura de mercado e tem dificuldades para 
reestruturar-se, dada a elevada defasagem tecnológica 
e organizacional, principalmente entre pequenas e mé- 
dias empresas. Cabe observar que a atividade de con- 
fecção, mais fragmentada que a têxtil, é também mais 
prejudicada com a abertura de mercado. Algumas das 
mais importantes empresas localizam-se na região - 
Marisol e Marcato, em Jaraguá do Sul, e Lepper e Dohler, 
em Joinville. 

Nos géneros papel e madeira, a possibilidade de 
maior complementaridade entre si vem alimentando a 
continuidade do setor madeireira em uma área onde as 
reservas florestais naturais já se encontram em esgotamen- 
to. A atividade conta com a maioria das unidades médias 
e pequenas em crise, possuindo ainda algumas empresas 
importantes integradas ao mercado exportador e em pro- 
cesso de reestruturação tecnológica e organizacional, como 
a Procopiack, em Canoinhas, e a Rauen e Indústrias de 
Madeira Mafra, em Mafra. Na liderança da atividade 
papeleira na mesorregião está a Rigesa, no município de 
Três Barras. 

A indústria alimentar tem como principal represen- 
tante a Cevai, que atua no beneficiamento de soja, com 
plantas em Jaraguá do Sul e São Francisco do Sul, onde 
localiza-se o principal porto exportador de grãos do esta- 
do, sendo o canal escoador da produção do oeste 
catarinense. 

A agricultura da região é pouco expressiva. O ar- 
roz e a banana são as únicas atividades com maior repre- 
sentatividade estadual e desenvolvem-se nos municípios 
adjacentes a Joinville. O arroz, em Guaramirim e Mas- 
saranduba, e a banana, em Corupá, Garuva, Guaramirim, 
Jaraguá do Sul e Joinville. A criação de frango e a produ- 
ção do leite complementam a atividade dos pequenos pro- 
dutores. Nos demais municípios, a pauta de produtos é 
diversificada, porém inexpressiva no âmbito estadual. 

Esse perfil económico faz com que esta possa ser 
considerada uma região nitidamente industrial, na qual a 
estrutura ocupacional da maioria dos municípios tem o 
setor secundário como principal absorvedor, com uma 
proporção que aumenta à medida que se eleva o grau de 
urbanização. Em 25 municípios, 12 têm na indústria o 
mercado preponderante. Nos nove municípios que têm o 
emprego preponderantemente nas atividades agropecuá- 
rias, o peso da conjugação entre indústria e setor terciário 
em suas atividades urbanas muitas vezes se sobrepõe ao 
das agropecuárias. 

Dos empregos no mercado formal da indústria de 
transformação em 1996, a mesorregião detém o maior 
mercado absorvedor, centrado principalmente em Joinville 
e Jaraguá do Sul. Responde por 98.444 postos de trabalho 
industriais, 31,63% do total do estado, sendo metade na 
metal-mecânica. Outros dois grandes mercados estão nas 



indústrias têxtil e de confecção, com 20.668, e na de ma- 
deira, com 19.630 empregos. 

Mesmo com essa diversidade e expressão no setor 
industrial, a região apresenta crescimento do emprego for- 
mal negativo no período de 1986-96 (-0,9%), de certa for- 
ma condicionado pelo desempenho dos géneros têxtil, 
metalúrgico, madeira e material elétrico. 

Essa dinâmica mantém a região com a segunda 
maior renda média familiar do estado, embora haja am- 
plo desnível entre seus municípios, favorecendo os mais 
industrializados - Joinville e Jaraguá do Sul. Da mesma 
forma, mantém a região dentre as com menores propor- 
ções de chefes de domicílio com rendimento de até dois 
salários mínimos (37,07%). O nível de escolaridade de suas 
áreas industrializadas também é superior, embora a mé- 
dia regional esteja dentre as mais baixas do estado, com 
4,7 anos de estudos. A proporção de população adulta al- 
fabetizada é de 92,65%, estando entre as maiores das me- 
sorregiões catarinenses. 

Mesmo sendo uma região altamente urbanizada, a 
qualidade dessa urbanização é insatisfatória comparada 
às demais messoregiões do estado no abastecimento de 
água, que liga apenas 81,43% dos domicílios à rede geral, 
sobretudo se comparada com a elevada proporção do es- 
gotamento sanitário, cobrindo 79,21% dos domicílios. A 
coleta de lixo atende a 87,74% dos domicílios, acompa- 
nhando os indicadores das regiões com nível de atendi- 
mento mais elevado. 

3.2.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião norte catarinense apresenta duas fei- 
ções bastante distintas. Integra, ao mesmo tempo, os mu- 
nicípios mais industrializados do estado e também os mais 
deprimidos. Isso reflete-se em uma rede de pólos que cres- 
cem a taxas elevadas e que envolvem nesse crescimento 
amplo conjunto de municípios, consolidando aglomera- 
ções. Em contrapartida, reflete-se na sobrevida de centros 
que mal sustentam seu próprio crescimento. Assim, as 
principais características de sua rede urbana são: 

• a configuração da aglomeração urbana polarizada por 
Joinville, com alta densidade populacional e clara defi- 
nição de sua dinâmica económica, espacialmente inte- 
grada às aglomerações de Blumenau e Itajaí; 

• a periferização do pólo Joinville sobre os municípios 
de São Francisco do Sul, Araquari e Garuva, com conti- 
guidade de mancha de ocupação e vetores de expan- 
são em direção a Schroeder, Guaramirim, Itapoá e 
Jaraguá do Sul - em um processo intenso de comuta- 
ção - e, mais além, a Massaranduba, Barra do Sul e São 
João do Itaperiú; 

• a conformação dos eixos articulados de São Bento do 
Sul e Rio Negrinho, com vetores a Corupá e Campo 
Alegre; 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



133 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



134 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



• a integração em uma mancha de ocupação contígua 
interestadual dos centros de Mafra e Rio Negro (PR), e 
de Porto União e União da Vitória (PR); 

• a confirmação do elevado crescimento populacional 
total e urbano em todas essas espacialidades, de forma 
mais acentuada em alguns municípios da aglomeração 
urbana de Joinville - tais como Schroeder (6,04% a.a. 
da população urbana entre 1991 e 1996), Guaramirim 
(4,11% a.a.), Araquari (3,80% a.a.), Garuva (3,65% a.a.) 
e Jaraguá do Sul (2,88% a.a.) - relacionado ao dinamis- 
mo de segmentos modernos industriais; 

• o elevado crescimento de balneários, como Itapoá, que 
teve a maior taxa anual de crescimento da população 
urbana entre 1991 e 1996 (9,2% a.a.); 

• a identificação de Canoinhas - município com centrali- 
dade de nível médio, perdendo população urbana e 
anunciando a continuidade do esvaziamento dos mu- 
nicípios vizinhos. 

A aglomeração de Joinville foi objeto da insti- 
tucionalização de região metropolitana, por lei esta- 
dual. Seus limites configuram extensa área, que incor- 
pora municípios de espacialidades distintas dada sua 
dinâmica económica e populacional. Essa institucio- 
nalização esbarra em uma inconveniência conceituai 
ao conceber como metropolitana uma unidade onde 
apenas se confirmam características típicas de aglome- 
ração urbana. 

3.3 Serrana Catarinense 

A mesorregião serrana catarinense ocupa área de 
22.495 quilómetros quadrados e, em 1996, possui 372.262 
habitantes, representando 7,64% da população do estado, 
com densidade demográfica de 16,55 habitantes por qui- 
lómetro quadrado. É a mesorregião menos populosa e 
menos densa de Santa Catarina. 

Compõe-se de 23 municípios, grande parte do tipo 
em transição para o urbano. Apenas cinco são urbanos 
(quatro com pequena e um com média dimensão) e oito 
são rurais de pequena dimensão. 

Com grau de urbanização de 75,37% em 1996, está 
dentre as mais urbanizadas do estado. Seu principal cen- 
tro é Lages, com centralidade de nível forte para médio 
(Mapa 23). Secundariamente, destacam-se Campos Novos 
e Curitibanos, com centralidades de nível médio para fra- 
co. Lages, localizado no centro geográfico da região, colo- 
ca-se dentre os municípios mais populosos do estado. 
Cumpre papel de centro regional, bastante fortalecido pela 
distância que guarda dos demais centros de Santa Catarina. 
Além disso, posiciona-se em uma confluência rodoviária 
com a ligação norte-sul pela BR 116; leste-oeste, via BR 
282, em direção a Florianópolis, no leste, e ao subcentro 
regional de Campos Novos, no oeste; sudeste, via BR 475, 



alcançando a BR 101, nas proximidades do município de 
Tubarão. 

É uma região com certa homogeneidade socioe- 
conómica, sofrendo os efeitos do esgotamento das reser- 
vas florestais naturais que sustentaram um relativo e anti- 
go dinamismo. Pode ser considerada espacialidade de 
grande esvaziamento. O crescimento de sua população 
total tem sido um dos menores desde os anos 70, passan- 
do, após 1991, a apresentar taxas negativas (-0,16% a.a.). 
Metade de seus municípios vem perdendo população to- 
tal, alguns desde 1970, e os demais apresentam taxas posi- 
tivas, porém tão baixas que não revelam capacidade de 
sustentação dos fluxos de saída. Seus principais centros 
reproduzem o baixo crescimento da população total, che- 
gando ao extremo, em Lages, de apresentar a taxa de -0,32% 
a.a. entre 1991 e 1996. É a região que mais perde popula- 
ção rural no estado (-3,24% a.a.), em um processo crescen- 
te de esvaziamento com pequena absorção pela área urba- 
na, cujas taxas também se reduzem atingindo 0,99% a.a. 
entre 1991 e 1996 - a menor taxa regional de crescimento 
urbano no estado. 

O crescimento mais elevado da população urbana 
(entre 2,5% e 4% a.a.) ocorre nos municípios localizados 
nos limites da mesorregião, praticamente integrados a pro- 
cessos económicos de outras mesorregiões, excluindo 
Lages e seus municípios próximos. É o caso de Bom Retiro 
e Rio Rufino, no eixo de ligação com Florianópolis, e de 
Santa Cecília, mais ao norte, no eixo madeireiro de Lages/ 
Canoinhas (mesorregião norte). Campos Novos e Curiti- 
banos são centros que apresentam crescimento elevado, 
com tendência de maior concentração no primeiro, que tem 
em suas áreas adjacentes elevado crescimento urbano: 
Anita Garibaldi (2,68% a.a. entre 1991 e 1996), Celso Ra- 
mos (2,94%) e Abdon Batista (8,13%). 

A economia da mesorregião desenvolve-se com 
atividades das indústrias do papel e celulose e da ma- 
deira, a qual sempre teve importância na economia da 
região e do estado. Com o esgotamento dos recursos na- 
turais e as exigências da legislação ambiental, essa ativi- 
dade passa a apresentar uma retração que repercute na 
distribuição espacial da população e em seu peso relati- 
vo na economia. Contudo, essa mesorregião continua 
entre as principais na atividade madeireira do estado, 
representando 25,72% do valor da transformação indus- 
trial do género. Dado seu caráter pioneiro na exploração 
da madeira e a itinerância da atividade, houve avanço 
do eixo madeireiro em direção ao norte de Santa Catarina, 
onde atuam hoje os grandes grupos do setor que logra- 
ram melhorias nas condições tecnológicas e uma diver- 
sificação industrial. Permanece na região um número 
expressivo de empresas de médio e pequeno porte. 

A atividade papeleira é a mais importante na re- 
gião e tem grande peso no estado. Também é dependente 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 1135 



I 



I 



MAPA 23 

SERRANA CATARINENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



Santa Cecília 



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do Norte 

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do Sul 



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NÍVEIS DE HIERARQUIA 

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| _ ~ ] Médio para forte 



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Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 



30 km 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



136 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



dos recursos naturais, porém com aplicações em tecnolo- 
gia na exploração florestal com grandes reflorestamentos. 
O papel é um segmento competitivo e constituído em Santa 
Catarina por grandes grupos nacionais e estrangeiros, den- 
tre os quais a Klabin e a Igaras em Otacílio Costa e Correia 
Pinto, respectivamente, além de outras empresas menores 
que se situam em Lages, Curitibanos, Campos Novos e 
Santa Cecília. A atividade representa 40,93% do valor da 
transformação industrial do género no estado. 

Essas duas atividades respondem por elevada pro- 
porção da geração de renda da indústria regional. Entre- 
tanto, são géneros menos dinâmicos da economia, o que 
implica participação bem menor da região, que contribui 
com apenas 5,9% do valor adicionado da indústria e do 
comércio e com 6,02% do valor adicionado total do estado 
- as menores participações dentre as mesorregiões 
catarinenses. O município de Lages participa com mais de 
1% no valor adicionado total do estado desde 1990, apre- 
sentando em 1996 a participação de 2,23%. 

A região tem também a menor participação no 
emprego formal da indústria. Oferta 13.687 postos de tra- 
balho, -correspondendo a 4,4% do total do estado. No pe- 
ríodo de 1986-96, é a região que apresenta maior queda no 
número de empregos ofertados (-2,5%). O emprego está 
concentrado na indústria da madeira, em grande declínio 
(-3,6%). O segundo mercado mais importante é represen- 
tado pela indústria papeleira, um setor que, em razão dos 
investimentos em inovações tecnológicas, organizacionais 
e de gestão, também vem apresentando generalizado qua- 
. dro de desemprego. 

No setor primário, a mesorregião contribui com 
6,78% do valor adicionado. Na área rural, os gigantescos 
reflorestamentos da indústria de papel e celulose, parale- 
lamente a uma pecuária extensiva, não contribuem para 
aliviar a crise da região. Na atividade agrícola, tem como 
principais produtos o alho, a maçã e a batata, porém são 
poucos os municípios cuja produção é mais significativa. 
Na produção de alho, destacam-se Curitibanos, Campos 
Novos, Monte Çarlo, Ponte Alta e Correia Pinto; na de 
batata, Campos Novos e Santa Cecília; na de maçã, São 
Joaquim, que é o segundo maior produtor do estado. Esse 
setor é o responsável pela maior parte da ocupação na 
maioria dos municípios da região, com exceção de Otacílio 
Costa, Correia Pinto e Santa Cecília - onde as atividades 
na indústria do papel e da madeira absorvem a maior par- 
te da força de trabalho local - e de Lages e Curitibanos, 
que se caracterizam por um setor terciário relativamente 
mais complexo e absorvedor de mão-de-obra. 

A mesorregião serrana é a que apresenta, em 1991, os 
mais críticos indicadores de renda e educação. Tem a maior 
proporção de chefes de domicílio com rendimento de até dois 
salários mínimos (53,58%); a menor renda média familiar per 
capita, com os maiores valores - em Lages e Otacílio Costa - 



cerca de 50% menores que os verificados nas mesorregiões 
mais dinâmicas do estado; uma proporção baixa de adultos 
alfabetizados (85,20%); assim como o mais baixo grau de es- 
colaridade do estado (4,5 anos de estudo). 

No saneamento básico destaca-se apenas o abaste- 
cimento de água, com um número elevado de domicílios 
ligados à rede geral (86,68%), contrastando com as pro- 
porções do esgotamento sanitário (59,95%) e da coleta de 
lixo (74,49%), das mais baixas do estado. 

3.3.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião serrana integra-se na espacialidade 
de esvaziamento, com uma dinâmica econômico-social 
bastante homogénea entre seus municípios, pautada em 
atividades tradicionais ligadas à madeira e papel, ambas 
liberando mão-de-obra e, portanto, induzindo movimen- 
tos populacionais. Sua rede urbana caracteriza-se por: 

• baixo crescimento populacional nos principais centros, ve- 
rificando-se crescimento negativo no pólo regional (Lages); 

• núcleos com população urbana em decréscimo na con- 
tiguidade de Lages, como Correia Pinto (-3,48% a.a.) e 
Urupema (-0,67% a.a.); 

• elevado crescimento urbano em pequenos municípios ao 
redor de Campos Novos -Anita Garibaldi, Celso Ramos 
e Abdon Batista -, indicativo de absorção do esvaziamen- 
to rural de áreas próximas e de uma possibilidade de 
inserção económica articulada a outras mesorregiões. 

É uma região onde preponderam características de 
uma atividade extrariva e pecuária de grandes extensões, 
com população rarefeita e em decréscimo, com tendência 
ao reforço do esvaziamento. 

3.4 Valedoltajaí 

A mesorregião do Vale do Itajaí tem área de 13.025 
quilómetros quadrados e a segunda maior densidade de- 
mográfica dentre as mesorregiões catarinenses: 81,16 ha- 
bitantes por quilómetro quadrado. Compõe-se de 53 mu- 
nicípios e, em 1996, possui 1.057.132 habitantes, represen- 
tando 21,68% da população catarinense. 

Reúne a maior concentração de população do esta- 
do, com grau de urbanização de 78,1% em 1996, dentre as 
mais urbanizadas desde os anos 70. Seus principais centros 
são Blumenau, com centralidade de nível forte, e Itajaí, com 
centralidade de nível forte para médio (Mapa 24), ambos 
urbanos de média dimensão. Rio do Sul também se destaca 
com centralidade de nível forte para médio e urbano de 
pequena dimensão. Brusque, município urbano de média 
dimensão, apresenta centralidade de nível médio. 

Distribuindo-se geograficamente na região, esses 
centros guardam peculiaridades. Blumenau e, secundari- 
amente, Brusque polarizam a área industrializada; Itajaí, 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



137 



com função portuária fundamentalmente voltada à expor- 
tação de industrializados da confecção e da metal-mecâ- 
nica, polariza a área litorânea; e Rio do Sul polariza uma 
extensa área com expressão agropecuária. 

Pode ser considerada uma região onde convivem 
processos muito diferenciados. Ao mesmo tempo que agre- 
ga alguns dos principais centros do estado, com alto grau 
de urbanização e elevado crescimento - 12 deles acima da 
média estadual desde 1970 -; quase 50% dos municípios 
são rurais de pequena dimensão, em sua maioria perden- 
do população, muitos desde 1970. 

De modo geral, entre 1991 e 1996, a mesorregião 
vem apresentando a mais alta taxa de crescimento da po- 
pulação total e urbana de Santa Catarina (2,34% e 2,88% 
a.a., respectivamente), com um comportamento que se 
mantém desde os anos 70. A população rural, que já apre- 
sentou sinais de evasão mais fortes, ainda perceptíveis em 
um grande número de municípios, na média regional cres- 
ce à taxa de 0,54% a.a. no período. 

Alinham-se continuamente em sua faixa litorânea 
os municípios balneários com as mais elevadas taxas de 
crescimento da população total, entre 1991 e 1996, como 
Piçarras (3,69%), Penha (3,43%), Navegantes (6,58%), Bal- 
neário Camboriú (7,75%), Camboriú (5,8%), Itapema 
(8,55%) e Bombinhas (4,54%), além de São João do Itaperiú 
(10,77%). 

É importante destacar que esses centros urbanos 
configuram aglomerações urbanas, estabelecendo fortes 
inter-relações entre si e com as aglomerações de Joinville/ 
Jaraguá do Sul e Florianópolis, constituindo extensa área, 
cuja dinâmica socioeconómica tem pontos comuns que 
reforçam essa unidade espacial. 

Tal dinâmica pauta-se fundamentalmente nas ati- 
vidades da indústria têxtil e de confecção e na metal-me- 
cânica, com a particularidade de que as primeiras são pre- 
ponderantes em Blumenau e a última em Joinville. 

Nos anos 80, delineia-se novo padrão de crescimen- 
to da indústria catarinense, com uma reação dos segmen- 
tos da metal-mecânica, cada vez mais concentrados em 
Joinville. Isso leva a uma perda relativa de importância 
dos géneros tradicionais da indústria têxtil e de confec- 
ção, resultando em queda de representatividade da me- 
sorregião do Vale do Itajaí. Em princípios dos anos 80, essa 
mesorregião supera, com pequena diferença, a mesorre- 
gião norte catarinense na geração do valor adicionado to- 
tal do estado. 

Nos anos 90, é nítida a liderança dos segmentos da 
metal-mecânica em Joinville e Jaraguá do Sul, superando a 
importância relativa tanto do segmento agroindustrial do 
oeste catarinense como do têxtil e de confecção do Vale do 
Itajaí. Em 1996, a mesorregião do Vale do Itajaí participa com 
25,07% do valor adicionado total de Santa Catarina, ocupan- 
do a segunda posição, precedida pela mesorregião Norte. 



O perfil industrial da região, embora altamente es- 
pecializado nas indústrias têxtil e de confecção - que re- 
presentam, respectivamente, 79,18% e 58,81% do valor da 
transformação industrial do género em 1985 - é ao mesmo 
tempo diversificado, com inserção expressiva na metalo- 
mecânica - material elétrico e comunicações (34,30%), 
material de transporte (33,62%) e mecânica (14,91%). É sig- 
nificativo também no género fumo, no qual concentra qua- 
se 100% do valor da transformação industrial do género 
no estado. 

No complexo têxtil /confecção, atuam grupos lo- 
cais que se qualificam dentre as grandes empresas nacio- 
nais, com elevado grau de abertura para o mercado exter- 
no. Em Blumenau, concentra-se a maioria dessas empre- 
sas, como a Cremer, Hering e Maju - a Sul Fabril, a despei- 
to do peso apresentado no período, encerra suas ativida- 
des em 1999 -, dentre as mais importantes; em Brusque, 
as empresas Renaux e Buettner; em Gaspar, a Leopoldo 
Schmalz; e, em Apiúna, a Brandili. 

Esse complexo também insere um grupo de muni- 
cípios com estruturas integradas, a exemplo de seções de 
costuras de grandes malharias, em Ascurra, Benedito 
Novo, Ibirama e Rodeio. 

Na metal-mecânica, destacam-se as empresas 
Metisa, Linshalm e Múeller, em Timbó; a Aço Altona, Mega 
e a Weg Transformadores, em Blumenau; a Netzsch, em 
Pomerode; a NH, em Rio do Sul; a Zen, em Brusque; den- 
tre outras. A indústria cristaleria também se concentra em 
Blumenau, com três grandes empresas: Hering, Blumenau 
e Strauss. 

A indústria alimentar localiza-se principalmente em 
Gaspar, com a Cevai atuando na produção de óleo e farelo 
de soja, e em Ilhota, com a Refinadora Catarinense, na re- 
finação de açúcar, além de Itajaí e Rio do Sul. 

Os municípios da região com maior expressão na 
composição da renda estadual são Blumenau, que em 1996 
participa com 9% do valor adicionado total - segunda mai- 
or participação do estado -, Itajaí (4,16%), Brusque (2,25%), 
Gaspar (1,02%) e Timbó (1,01%). Já alcançaram participa- 
ção superior a 1% os municípios de Rio do Sul e Indaial, 
porém não sustentaram essa posição ao longo do período. 

A mesorregião tem a segunda maior concentração 
de empregos formais da indústria catarinense, com 94.957 
postos, correspondendo a 30,51% do total do estado. Me- 
tade deles está no complexo têxtil /confecção; na metal- 
mecânica estão 15%; e o restante, dentre os géneros tradi- 
cionais em que ainda predomina a madeira (9,51%), ali- 
mentos (7,62%) e química (6%). 

Os segmentos têxtil e de confecção encontram-se 
em um cenário muito crítico, com retração do mercado in- 
terno e externo. No caso do têxtil, algumas empresas rea- 
lizam, com dificuldades, investimentos em reconversão e 
modernização, exigidos para acompanhar o acelerado rit- 



ÇaRacterizaçâo e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



138 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



mo de inovação tecnológica e de expansão produtiva que 
se verifica no plano mundial. Na confecção, caracterizada 
pelo uso intensivo de mão-de-obra, a indústria catarinense, 
assim como a brasileira, sofre os impactos da concorrên- 
cia mundial, que se reorienta para zonas com custo de pes- 
soal extremamente inferior. Além disso, as maiores indús- 
trias locais também tendem a expandir-se ou transferir-se, 
em especial para o Nordeste brasileiro, na busca de vanta- 
gens comparativas. 

Certamente, nesse contexto, alguns segmentos têm 
sido mais afetados, sinalizando uma tendência de especi- 
alidade de áreas de produção, em que a malharia detém 
vantagens no parque têxtil catarinense. Em ambos os ca- 
sos, é alarmante o número de dispensa de mão-de-obra já 
verificado. O complexo têxtil /confecção, no período de 
1986-96, apresenta queda de mais de 8 mil postos de tra- 
balho. Os poucos segmentos que vêm apresentando cres- 
cimento não chegam a compensar as perdas existentes, que 
no total regional significam -1,2%. 

Na estrutura ocupacional como um todo, mais de 
um terço dos municípios da região tem na indústria o prin- 
cipal setor de absorção da força de trabalho. O setor terciário 
desponta como preponderante em poucos municípios, to- 
dos com função básica de balneários ou com a função por- 
tuária, no caso de Itajaí. Nos demais municípios, o mercado 
de trabalho urbano está equilibradamente dividido entre as 
atividades do setor terciário e as do secundário. 

Evidencia-se em Blumenau maior diversidade na 
ocupação das atividades do terciário, principalmente as mais 
especializadas, e, secundariamente, em Itajaí, Brusque, Rio 
do Sul e Timbó. Destaca-se o Balneário Camboriú, também 
com alta diversidade na ocupação das atividades urbanas, 
dado seu papel de principal balneário regional. 

As atividades do setor primário são preponderan- 
tes na estrutura ocupacional de alguns municípios que res- 
pondem pela produção agrícola da região. A importância 
dessa produção é pequena na formação da renda regional, 
porém sustenta numeroso conjunto de pequenos produto- 
res. Esses municípios localizam-se na porção oeste da re- 
gião, que tem características tipicamente agrícolas, respon- 
dendo por dois dos principais produtos de Santa Catarina, 
mandioca e cebola, além da batata e do arroz. O principais 
produtores de mandioca são: Trombudo Central, Taió, Rio 
do Oeste e Pouso Redondo. Essa cultura vem sendo substi- 
tuída por fumo e cebola em função da transferência das 
fecularias para o estado do Paraná. A cebola é produzida 
principalmente em Ituporanga e municípios adjacentes. 

Para um conjunto grande de municípios das áreas 
próximas a Ituporanga e principalmente Rio do Sul, sobres- 
sai-se a cultura do fumo, que se caracteriza como fonte sig- 
nificativa de renda. Predomina a cultura da cana e do arroz 
em Ilhota, Itajaí e Navegantes, e os dois últimos particulari- 
zam-se pela produção de pescado. Entretanto, essas ativi- 



dades vêm desenvolvendo-se com pequena absorção tec- 
nológica e sem possibilidades de expansão, dada a forte res- 
trição de área, no caso da agricultura. 

A mesorregião Vale do Itajaí é uma das que apre- 
sentam, em 1991, um dos melhores níveis de renda dos 
chefes de domicílio. Apenas 35,54% têm rendimento de 
até dois salários mínimos. A renda média familiar per capita 
confirma esse desempenho, sendo a mais elevada dentre 
as mesorregiões do estado. Internamente, no entanto, ve- 
rifica-se grande heterogeneidade, pois o Balneário 
Camboriú apresenta faixa de rendimento médio quase 
quatro vezes superior à do município com menor rendi- 
mento - Dona Ema. Além desses extremos, as maiores ren- 
das associam-se aos municípios mais industrializados e 
as menores, aos agropecuários. O mesmo desempenho re- 
gional não se repete no caso da escolaridade. A média de 
anos de estudos da região é de 4,85 - terceira posição do 
estado - e as diferenças internas estão associadas às ren- 
das dos municípios, demonstrando uma desigualdade em 
que a distância entre o maior e o menor indicador é de 
quase o dobro. Contrariamente, a proporção de popula- 
ção alfabetizada é de 92,67% para maiores de 15 anos, re- 
lativamente á mais alta da região Sul. 

Seu patamar de atenção por saneamento básico 
revela uma fragilidade: apenas 79,77% de seus domicí- 
lios estão ligados à rede geral de água, uma proporção 
entre as mais baixas das mesorregiões catarinenses. Já 
a coleta de lixo, atendendo 88,16% dos domicílios, é das 
mais elevadas. 

3.4.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião de Vale do Itajaí, com elevado cres- 
cimento urbano na grande maioria dos municípios, carac- 
teriza-se por três diferentes unidades: uma porção forte- 
mente industrializada, uma porção litorânea - ambas in- 
tensamente urbanizadas - e uma porção nitidamente agro- 
pecuária. Seu conjunto de centros bem estruturados e so- 
lidamente articulados induzem à formação de uma rede 
urbana com as seguintes características: 

• existência de duas aglomerações urbanas, nas quais 
Blumenau e Itajaí são os respectivos municípios-núcleo, 
com alta densidade populacional e clara definição de 
sua dinâmica económica, espacialmente integradas às 
aglomerações de Joinville e Florianópolis; 

• formação de mancha contígua de ocupação agregando 
os municípios de Blumenau, Gaspar, Indaial e Timbó, 
com vetores de continuidade incluindo Brusque, 
Guabiruba e Pomerode; 

• formação de mancha contígua de ocupação agregando 
Itajaí, Navegantes, Camboriú e Balneário Camboriú, 
com vetores de continuidade a Itapema e Porto Belo; 

• conformação de ocupação litorânea contínua com in- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I I 1 39 



I 



I 



MAPA 24 

VALE DO ITAJAÍ — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



Vítor Meireles 

Rio do Campo ? [_ 

J r^~ — Witmarsum / \ 

Salete \ cr\\ \ 

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Cedros 



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vj Agronómica 



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Brusque 






Camboriú^ 



BaWeano 
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Porto 

Bel ° J<(nSj 



NÍVEIS DE HIERARQUIA 

31 Médio para fraco e médio 
(_ 7 J Médio para forte 
B Forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



14oH 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



tenso crescimento da população urbana entre 1991 e 
1996, englobando os municípios de Barra Velha (3,67% 
a.a.), Piçarras (5,52%) e Penha (4,27%), com alta densi- 
dade de ocupação, num continuum com a aglomeração 
urbana de Itajaí; 
• presença de centros urbanos com elevado crescimento 
da população em áreas notadamente agropecuárias, 
como Vitor Meireles (8,5% a.a.), José Boiteux (4,63%) e 
Atalanta (4,6%), evidenciando sinais de movimentos 
internos de migração do rural para a área urbana. 
Dessa forma, é uma região onde preponderam 
espacialidades concentradoras com tendências de conso- 
lidação e expansão. Sua área agrícola não sinaliza mudan- 
ças significativas, apenas a continuidade de movimentos 
migratórios, não muito intensos, dirigidos aos centros mais 
dinâmicos da própria região. 

A aglomeração urbana de Blumenau foi recente- 
mente institucionalizada como região metropolitana, por 
lei estadual. 

3.5 Grande Florianópolis 

Amesorregião da grande Florianópolis ocupa área 
de 6..978 quilómetros quadrados e, em 1996, possui 668.561 
habitantes, representando 13,71% da população catari- 
nense, uma concentração populacional bem inferior à das 
mesorregiões do Vale do Itajaí e do norte-catarinense. Sua 
densidade demográfica é de 95,81 habitantes por quiló- 
metro quadrado, a mais elevada do estado. Compõe-se de 
20 municípios. 

Desde 1970, é a região mais urbanizada de Santa 
Catarina, com taxa de 84,69% em 1996. Mesmo assim, 50% 
de seus municípios ainda têm fortes características ru- 
rais. Dentre os municípios urbanos, distingue-se Florianó- 
polis, capital político-administrativa, com grande dimen- 
são e o segundo maior contingente populacional do es- 
tado, superado apenas por Joinville. Seu nível de centrali- 
dade é muito forte e sua estrutura ocupacional confirma 
uma seletividade qualitativa dos serviços financeiros e 
técnicos especializados, já que ocorrem em maior pro- 
porção que em Joinville e Blumenau. Essas peculiarida- 
des fazem de Florianópolis um pólo com tendências me- 
tropolitanas, distinguindo-a das demais aglomerações ur- 
banas catarinenses. 

Sua ocupação, sofrendo as limitações de um 
substrato natural permeado por áreas inadequadas, adensa 
a porção territorial continental, extravasando-se sobre 
municípios vizinhos. Constitui, assim, uma densa ocupa- 
ção com contiguidade de mancha urbana, englobando Pa- 
lhoça e São José - municípios urbanos de média dimen- 
são -, Biguaçu e, em seU vetor de expansão, Tijucas, am- 
bos urbanos com pequena dimensão. Além de Florianó- 
polis, apenas São José apresenta nível de centralidade sig- 



nificativo - mesmo assim, forte para médio (Mapa 25). Essa 
aglomeração tem forte articulação espacial com as aglo- 
merações de Itajaí, Joinville e Blumenau. 

Em 26 anos (1970-96), a região tem incremento de 
340.520 habitantes em suas áreas urbanas, crescimento que 
se dá com mais intensidade até 1991. No período de 1991- 
96, sua população total cresce a 1,57% a.a., bem abaixo do 
verificado nas duas mesorregiões mais urbanizadas do es- 
tado. Se os pólos das demais aglomerações ainda crescem 
em ritmo elevado, Florianópolis demonstra arrefecimento; 
porém, desde 1970, seus municípios vizinhos apresentam 
taxas acima da média do estado: Palhoça, 3,54% a.a. entre 
1991 e 1996, Biguaçu, 3,35% a.a. e São José, 1,63% a.a., esse 
último também já com relativo arrefecimento. Os vetores 
de ocupação mais recentes apontam na direção de Gover- 
nador Celso Ramos (com crescimento de 2,48% a.a.) e de 
Santo Amaro da Imperatriz (1,73 % a.a.), já quase integra- 
do à mancha contínua de ocupação. 

E surpreendente que municípios localizados mui- 
to proximamente a essa aglomeração venham apresen- 
tando taxas negativas de crescimento da população total 
e alguns até mesmo da população urbana. Esse compor- 
tamento pode ser explicado pela dependência de uma 
atividade agrícola que, embora fundamental para o mu- 
nicípio - com a maior parte da população ocupada em 
atividades do setor primário -, representa uma contri- 
buição mínima para a produção estadual. São sete muni- 
cípios desenvolvendo cultivos principalmente da cana e 
da cebola, os quais, somados à produção da agricultura 
regional, compõem apenas 1,6% do valor adicionado do 
setor agropecuário catarinense. Verifica-se apenas que a 
presença desse centro consumidor de dimensões signifi- 
cativas vem estimulando o surgimento de atividades 
olerícolas, porém ainda de reduzida importância. 

A mesorregião de Florianópolis tem pequena par- 
ticipação no valor adicionado total do estado, porém se 
distingue por desempenho crescente, tendo quase dobra- 
do sua contribuição - de 4,64% em 1980 para 8,67% em 
1996. Essa dinâmica é dada principalmente por Florianó- 
polis e São José, situados dentre os municípios que vêm 
mantendo participação no valor adicionado do estado aci- 
ma de 1%, destacando-se por acentuada ascensão nesse 
ranking - Florianópolis ocupa, em 1990, a 8 ê posição; em 
1996, chega à 4 â ; e São José passa da ll â para a 9-. 

O turismo, com seus efeitos no setor de serviços, 
é a atividade principal na economia da mesorregião en- 
volvendo Florianópolis e adjacências litorâneas. Essa ati- 
vidade é, provavelmente, uma das grandes responsáveis 
pelo crescimento dessa mesorregião na participação na 
renda estadual. 

Em termos industriais, a grande Florianópolis apre- 
senta pequena participação no valor da transformação in- 
dustrial dos principais géneros, com algumas atividades 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas I M 1 4 1 



■ 



I 



MAPA 25 

GRANDE FLORIANÓPOLIS — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 
| I Médio para forte 

| Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



8 16km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



142 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



pontuais sobressaindo-se na dimensão estadual. Dentre 
elas, destaca-se o segmento de minerais não-metálicos, com 
participação de 11,85% no valor da transformação total do 
género, ainda assim com grande diferença em relação à 
mesorregião sul catarinense, que lidera a produção cerâ- 
mica de pisos e azulejos do estado. Cabe notar que sua inclu- 
são na atividade se deve à instalação de uma grande unidade 
de pisos cerâmicos da Portobello - uma das grandes empre- 
sas desse ramo - no município de Tijucas, como expansão do 
segmento. A cerâmica, porém, restrita à linha de olaria, cons- 
titui atividade industrial importante para o município de 
Canelinha, com algumas empresas de pequeno porte. 

A atividade têxtil e de confecção, que se propaga em 
todas as mesorregiões de Santa Catarina, também está pre- 
sente na grande Florianópolis, com a participação diminuta 
de 1,05% do total do género têxtil e 1,33% do total da confec- 
ção. Constitui um pólo secundário a partir de pequenas em- 
presas. Destaca-se uma única de maior porte, a Hoepcke, in- 
dústria de rendas e bordados instalada em São José. 

O segmento alimentar, da mesma forma, inclui-se 
com pequena expressão, participando com 7,55% do total 
do género, destacando-se a localização de uma unidade 
importante de abate de aves, a Macedo Koerich. 

Pontualmente, cabe citar ainda como significativas 
a indústria Olsen, de equipamentos odontológicos, em 
Palhoça; a Inplac, de embalagens plásticas, em Biguaçu; a 
Intelbrás, em São José; e o segmento calçadista em São João 
Batista. 

O que vem sinalizando mudanças no perfil indus- 
trial da região é.a crescente atividade da indústria de 
informática e automação industrial, que concentra diversos 
grupos articulados a empresas, universidades e estado, já 
assumindo um patamar de pólo tecnológico. Além de em- 
presas menores, Florianópolis conta com a Digitro, que opera 
com sistemas para telecomunicação. No âmbito estadual, 
Florianópolis caracteriza-se como o pólo mais diversifica- 
do, comparativamente a Joinville e Blumenau - duas ou- 
tras áreas importantes no desenvolvimento tecnológico do 
estado. A presença da Universidade Federal assegura-lhe 
vantagens comparativas que devem reforçar a consolida- 
ção e concentração dessa atividade na região. 

Mesmo considerando a fragilidade do setor primá- 
rio regional, é esse que responde por mais de 50% da ocu- 
pação em metade dos municípios. A indústria é predomi- 
nante em apenas quatro municípios - Tijucas e Canelinha 
(cerâmica), Nova Trento (vinho) e São João Batista (calça- 
dos). Na capital e nos municípios periféricos - Biguaçu, 
Palhoça, São José e Santo Amaro da Imperatriz -, o terciário 
tem o papel de principal absorvedor. 

Essa mesorregião compreende 5,57% dos empregos 
formais da indústria do estado e é a única com esse merca- 
do em expansão. Entre 1986 e 1996, tem acréscimo de 2,5% 
nos postos de trabalho. Com exceção do género alimentos, 



todos os demais crescem. Os principais mercados de traba- 
lho são gerados pelas indústrias de alimentos e bebidas, 
minerais não-metálicos, têxtil e de confecção e madeira, que 
respondem por mais de 60% dos empregos existentes. 

A mesorregião da grande Florianópolis apresenta, 
em 1991, o terceiro melhor nível de renda familiar per capita 
em Santa Catarina e uma das maiores desigualdades regi- 
onais. Florianópolis tem a mais alta renda do estado, Ma- 
jor Gercino, entretanto, apresenta renda cinco vezes me- 
nor, estando entre as mais baixas de Santa Catarina. Ape- 
nas 31,36% dos chefes de domicílio têm rendimento de até 
dois salários mínimos, posição favorável que privilegia 
socialmente a mesorregião no contexto sul-regional. O 
mesmo desempenho é verificado no caso da escolaridade. 
A média de anos de estudos da região é de 5,1 - a primeira 
posição do estado e a segunda da região Sul -, e Florianó- 
polis apresenta a maior escolaridade do Sul, com média 
de 7,3 anos de estudo. A despeito dessas diferenças inter- 
nas, mesmo onde ocorrem as mais baixas médias, essas 
suprem as quatro primeiras séries do primeiro grau, o que 
é pouco comum no âmbito da região Sul. Sua proporção 
de população alfabetizada é de 91,12% para maiores de 15 
anos, também dentre as mais altas da região Sul. 

Na atenção por saneamento básico, a região desta- 
ca-se de outras do estado, com 84,14% de seus domicílios 
ligados à rede geral de água, e com 89,09% atendidos por 
coleta de lixo. 

3.5.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião da grande Florianópolis, diferente- 
mente de outras áreas que reúnem características metro- 
politanas, sofre a influência de uma rede urbana estadual 
forte. Faz parte de um conjunto de quatro aglomerações 
de elevado porte populacional e importância económica, 
praticamente contínuas, que dividem com a capital fun- 
ções que peculiarizam a primazia de outras metrópoles 
brasileiras, consolidadas ou em consolidação. Mais recen- 
temente, Florianópolis tem-se beneficiado de sua condi- 
ção de capital administrativa e pólo turístico nacional e 
constituído um terciário mais complexo, passando a acu- 
mular vantagens locacionais com indicativos de atrati- 
vidade para atividades de alta tecnologia. No conjunto da 
mesorregião, os efeitos dessas condições são ainda muito 
restritos à periferia imediata ao centro, o que faz com que 
seja uma região de contrastes. Tem como principais carac- 
terísticas na rede urbana: 

• a consolidação da aglomeração pré-metropolitana de Flo- 
rianópolis, incluindo Biguaçu, Palhoça e São José em uma 
mancha de ocupação contígua e com elevado crescimento 
populacional; Santo Amaro da Imperatriz, Governador Cel- 
so Ramos e António Carlos, continuamente; e Tijucas em 
uma mancha descontínua porém fortemente articulada; 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



143 



• o estreitamento de relações dessa aglomeração com as 
demais aglomerações catarinenses e a confirmação da 
posição de Florianópolis como principal centro da rede 
urbana estadual; 

• a configuração de espacialidades de transição, por mu- 
nicípios economicamente frágeis, com decréscimo po- 
pulacional, inclusive de pequenos centros urbanos, dis- 
tanciados da dinâmica da aglomeração. 

A aglomeração urbana de Florianópolis, juntamente 
com outras aglomerações do estado, foi objeto de institu- 
cionalização como região metropolitana, por lei estadual. 

3.6 Sul Catarinense 

A mesorregião sul ocupa área de 9.705 quilóme- 
tros quadrados e, em 1996, possui 763.672 habitantes, re- 
presentando 15,66% da população do estado, com densi- 
dade demográfica de 78,69 habitantes por quilómetro 
quadrado. 

Compõe-se de 40 municípios: mais da metade 
(52,5%) são rurais de pequena dimensão, oito são urba- 
nos, porém nenhum com grande dimensão. Seu grau de 
urbanização é de 69,96% em 1996, ficando dentre as me- 
nos urbanizadas do estado. Tem como principais centros 
Criciúma e Tubarão, localizados no eixo da BR 101, com 
centralidade de nível forte para médio, seguidos por 
Araranguá, com centralidade de nível médio (Mapa 26). 
Desses, destaca-se Criciúma, seja pelo número bem mais 
elevado de população, seja pela importância na economia 
estadual, atraindo para seu entorno um processo de ocu- 
pação crescente que o inclui como uma das aglomerações 
urbanas brasileiras. 

O crescimento de sua população total, embora 
apresentando taxas relativamente baixas e em declínio, 
demonstra sinais de capacidade de sustentação. A po- 
pulação rural, com taxas de crescimento negativas nos 
anos 70 e 80, reduz esse ritmo entre 1991 e 1996, pas- 
sando a apresentar taxas de 0,31% a.a. Entretanto, al- 
guns de seus municípios, a maioria com atividades li- 
gadas à agricultura de pequenos produtores, mantêm 
decréscimo acentuado da população total, desde os anos 
70. Um conjunto de municípios cresce mais que a mé- 
dia do estado desde 1970 ou 1980, em torno de Criciúma, 
como Forquilhinha (2,80% a.a. entre 1991 e 1996), Içara 
(2,05% a.a.), Morro da Fumaça (1,62% a.a.) e Araranguá 
(2,8% a.a.). Mais distantes dessa aglomeração, vale des- 
tacar Braço do Norte, São Ludgero e Sombrio - os pri- 
meiros com as mais elevadas taxas de crescimento ur- 
bano da mesorregião. 

Essa aglomeração polarizada por Criciúma tem sua 
formação associada à peculiaridade da reconversão da base 
produtiva mesorregional em um curto espaço de tempo. 
Com o declínio da atividade extrativa do carvão, acentua- 



do nos anos 80, a economia evolui para a indústria cerâ- 
mica de revestimento - pisos e azulejos -, viabilizada pela 
qualidade da argila existente na região. Atualmente, é o 
mais importante parque de cerâmica existente no país, re- 
presentando cerca de 40% da produção nacional e 70% das 
exportações brasileiras do setor. 

Contudo, esse desempenho regional não tem ga- 
rantido a permanência de sua expressão na estrutura de 
renda do estado. Participa, em 1996, com 10,26% dessa ren- 
da, metade da contribuição das mesorregiões mais impor- 
tantes, com declínio de 2,28%, em relação a 1980. 

Dois de seus municípios destacam-se dentre os 
que participam com mais de 1% no valor adicionado de 
Santa Catarina nos anos 90: Criciúma, com 2,57% em 
1996, a 7 a posição no ranking do estado, e Tubarão, com 
1,28%. 

Sua estrutura produtiva, predominantemente in- 
dustrial, está concentrada no género minerais não-metáli- 
cos, que responde por 51,44% do valor da transformação 
industrial catarinense do género em 1985, e por 26% do 
total da indústria de transformação regional. Criciúma, 
Tubarão, Urussanga e Imbituba são os principais contri- 
buintes dessa indústria. Os principais grupos são: Cecrisa, 
Eliane (Gardzinski) e Cesaca, já incluídos dentre os maio- 
res grupos económicos do estado. São empresas que vêm 
expandindo seus investimentos para outras áreas e seto- 
res, a exemplo do grupo Eliane, que se particulariza por 
atuar também na produção de máquinas e equipamentos 
especializados para a indústria cerâmica e na linha de car- 
nes e suínos, com a Agroeliane. 

A atividade carvoeira, também centrada em Tuba- 
rão, Urussanga e Imbituba, atende à demanda da 
termoelétrica Jorge Lacerda, localizada em Tubarão. Além 
disso, alguns derivados do carvão resultam de beneficia- 
mentos pela indústria química, porém com atividades em 
declínio, dadas as restrições ambientais. 

A indústria do vestuário já participava em 1985 com 
8,54% no valor da transformação industrial da mesorre- 
gião e vem configurando um pólo secundário de confec- 
ção. Da mesma forma, a indústria de alimentos, a química 
e a de plásticos ganham expressão regional. A indústria 
de alimentos destaca-se com uma unidade da Cevai, em 
Forquilhinha; e a de plásticos, em Urussanga, com o gru- 
po Zanatta, em Içara, com a Copasa, e, em Criciúma, com 
a Imbralit. 

A agricultura apresenta uma complementaridade 
significativa na economia, respondendo por 16,61% da ren- 
da regional e 11,97% do setor agropecuário do estado - a 
segunda dentre as mesorregiões, porém com grande defa- 
sagem em relação à primeira (oeste catarinense). Inclui as 
áreas de grande produção de arroz, mandioca, banana e 
fumo. A maioria dos municípios com maior produção está 
concentrada ao sul. Para um conjunto de municípios do 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



144 HB Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



MAPA 26 

SUL CATARINENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



"1 Grão Pará 




Orleans 



Lauro Múller 



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) Braço do f 

(, Norte j 

~"\\ f Armazém "~T 

TJ /^ Imarui 

(' São \/" Gravatal 
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Morra ^ Nova Veneza / Criciúma 
Grande 



f ' ) / Captvari 

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Siderópolis \ \ / Treze de ^~, \_, 

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K®\ Sangao< ^ 



Timbé do Sul 




Içara 



Jacinto 
Machado 



São João X ^ N j 
do Sul A. 



Passo de/ 



NÍVEIS DE HIERARQUIA 

I I Médio para fraco e médio 

I I Médio para forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



10 20 km 



 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



145 



litoral, como Imaruí, a atividade pesqueira, que já foi de 
grande importância, sofre hoje declínio em função da po- 
luição ambiental carvoeira. 

A importância do setor primário é perceptível na 
estrutura ocupacional. Em quase metade dos municípios 
ainda é o setor dominante, em 12 municípios, suas ativi- 
dades absorvem mais de 50% da população ocupada. 
Dentre os municípios que apresentam preponderância de 
ocupação no setor secundário, seis são da aglomeração 
urbana de Criciúma. Além desses, destaca-se Sombrio, 
por seu papel na extensão da indústria calçadista gaú- 
cha; Garopaba, pela produção de equipamentos esporti- 
vos, e Jaguaruna. Nos municípios onde as funções turís- 
tica ou portuária são significativas - Araranguá, Gravatal, 
Laguna, Tubarão e Imbituba -, prevalecem ocupações no 
setor terciário. Criciúma é o centro com maior diversida- 
de na estrutura ocupacional da região, confirmando sua 
polaridade. 

O mercado de trabalho formal da indústria respon- 
de por 38.124 empregos, 12,25% do total de Santa Catarina, 
concentrados nas atividades do género minerais não-me- 
tálicos e têxtil - que, juntamente com alimentos, vem con- 
seguindo compensar as perdas ocorridas com os não-me- 
tálicos. Outros segmentos com importante absorção cor- 
respondem a madeira, extrativismo mineral e calçados - 
esses últimos apresentando queda substancial no período 
de 1986-96. 

Da perspectiva social, essa mesorregião situa-se na 
média das mesorregiões no que se refere à proporção de 
chefes de domicílio com rendimento de até dois salários mí- 
nimos (45,53%) e à renda média familiar per capita. Apresen- 
tam os maiores valores em Criciúma e Morro da Fumaça; 
com metade do valor, São Martinho, Lauro Múller e 
Garopaba. A escolaridade média da região é de 4,8 anos de 
estudo - a quarta posição do estado -, com diferenças inter- 
nas que favorecem Rio Fortuna, São Martinho, Tubarão e 
Gravatal, situando em outro extremo Jaguaruna e Forqui- 
Ihinha, o que demonstra uma desigualdade em que a dis- 
tância entre o maior e o menor indicador é de quase o do- 
bro. A proporção da população alfabetizada é de 89,03% para 
maiores de 15 anos, dentre as mais altas de Santa Catarina. 

Apresenta indicadores de saneamento básico den- 
tre os mais baixos das mesorregiões: 80,27% de seus do- 
micílios estão ligados à rede geral de água; 78,40%, à rede 
de esgotos; e 79,05%, servidos por coleta de lixo. 

3.6.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião sul catarinense divide seu território 
entre pequenas espacialidades de esvaziamento, ligadas às 
atividades agrícolas, e uma espacialidade de concentração, 
associada à indústria cerâmica, ao subpólo do vestuário e à 
produção de alimentos. Sua rede urbana caracteriza-se por: 



• uma aglomeração urbana na qual Criciúma é o municí- 
pio-núcleo, envolvendo os municípios de Içara - com 
quem desenvolve uma mancha de ocupação contí- 
nua -, Forquilhinha, Araranguá e Morro da Fumaça, 
todos com elevado crescimento populacional, e vetor 
de expansão para Cocai do Sul e Maracajá; 

• municípios com atividades económicas pontualmente 
relevantes e elevado crescimento populacional, como 
Sombrio, Garopaba, São Ludgero e Braço do Norte; 

• núcleos com população urbana em decréscimo, como 
Imaruí (-1,45% a.a. entre 1991 e 1996) e Lauro Múller 
(-0,48% a.a.). 

A peculiaridade dessa mesorregião é desenvolver 
pouca integração com a base económica de outras regiões 
do estado, muito pela realização de atividades dependen- 
tes da proximidade da matéria-prima. 



4 Mesorregiões do Estado 
do Rio Grande do Sul 



4.1 Noroeste Riograndense 

A mesorregião noroeste riograndense (Mapa 27), 
constituída por 192 municípios em 1996, possui popula- 
ção de 1.956.758 habitantes, correspondente a 20,3% da po- 
pulação do Rio Grande do Sul e densidade demográfica 
de 30,02 habitantes por quilómetro quadrado. Seu grau de 
urbanização é de 60,47% e apresenta crescimento da po- 
pulação total inferior a 1% a.a. desde os anos 80, caracteri- 
zando-se como área de fluxos de saída do meio rural. 

Sua estrutura agrária é baseada predominantemen- 
te na pequena e média propriedades, que apresentam um 
perfil de produção tipicamente lavoureiro (trigo, soja e 
milho), embora conte também com pecuária de pequenos 
animais (suínos e aves). É a mesorregião que possui o maior 
produto agrícola do estado, situando-se em torno de 40% 
do total em 1990. Todavia, cabe ressaltar que o produto 
resultante das atividades urbanas (indústria e serviços) tem 
elevado sua participação na composição do produto re- 
gional. Em 1980, o produto da indústria e dos serviços so- 
mados representam 70,62% do PIB regional, passando para 
74,17% em 1990. 

O parque industrial desenvolvido nessa área do es- 
tado também é formado por pequenos e médios estabele- 
cimentos, disseminados por toda a região, vinculados à 
base agropecuária. Sua participação no total da indústria 
riograndense pode ser considerada pequena, ligeiramen- 
te menor que 7%, em 1990. Participa com 14,64% do total 
do PIB regional. Os géneros mais expressivos - produtos 
alimentares, mecânica, com a produção de máquinas e 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



1 46 I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



I 



MAPA 27 

NOROESTE RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



Tenente W* 



Portela 



1 Vh 



Alecrim 



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" / Santo Cristo a^ 
, Porto n '"W7 .> 

(^.Lucena ^7 v ^-v-^ ^-^ santa Rosa 



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Derrubadas X vista, do 
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do Sul N , 

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^Xavier [g ão Pau | =., das 1 Go doi 

^^t^S rW d . a P._,^Jvlissoesl_ 



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^ Independência^-'' A 00 ^ 



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iranó ' /~~i Rnnup r«tJi->-ir_ Cr" 



Pirapo 1/7 Roque S^pedro ^fS- 

r^Gonzales L do èutiM Cerro Làtgcn-L, 

&7f. 7 Tsafyador „ "-A 

a U <A rwiyiiçsões J Guaran ! 

Sã0 \ Dezesiseis 7 ^» «^ Mas Missoes_ 

Nicolau ( de lembro 



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Santo Ângelo 



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Catuípe 



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São Luiz Gonzaga 



Santo António 
das Missões 



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\ Missões í 



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das Missões ^ v 



Entre-ljuís i^ 
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/Eugênio I Pestana 

de Castro-Hs. 



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Pejuç 






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Cruz 



Jóia 



NÍVEIS DE HIERARQUIA 

I Médio para fraco e médio 
I I Médio para forte 

í _M Forte 
[ _J Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Cedes Urbanas Regionjis Sul 



I 



MAPA 27 

NOROESTE RIOGRANDENSE - 



HIERARQUIA DA CENTRALIDADE ( 1 998) 



Análise das Mesofegiões Geosráljc 



I 




Caracterização t Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Caracte.kizac.ao e Tendências da Rede Urbana do Bíasil 



148 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



implementos agrícolas, e bebidas - com participação aci- 
ma de 3% no faturamento total do género no estado, estão 
localizados em apenas quatro cidades: Horizontina, 
Panambi, Passo Fundo e Santa Rosa. Trata-se de um par- 
que industrial absolutamente vinculado aos movimentos 
da agropecuária, particularmente os dois primeiros ramos. 

Nos anos 60 e 70, principalmente no período do 
milagre, o Rio Grande do Sul vincula-se favoravelmente à 
expansão e à modernização da agropecuária no país, tor- 
nando-se o noroeste uma das áreas do estado que modifi- 
cam substancialmente o seu perfil agropecuário. Nessa 
mesorregião, que é bastante heterogénea, desenvolve-se 
originalmente uma economia baseada na policultura e na 
pecuária de corte. Sua porção norte, constituída por mu- 
nicípios próximos ao rio Uruguai, chega a ter nos anos 60 
certa predominância da soja, enfraquecida após a intensi- 
ficação dos cultivos do trigo e do milho, bem como da cria- 
ção de suínos e de gado leiteiro. Em sua porção sul, com- 
posta de Carazinho, Passo Fundo, Cruz Alta e arredores, a 
mudança mais significativa consiste na redução do papel 
da pecuária de corte na formação da renda interna regio- 
nal, cedendo lugar às culturas de trigo, soja e milho. Nes- 
sa porção do território, o boom agrícola ocorre com maior 
intensidade, elevando substancialmente a participação da 
região no produto agrícola do estado, no período de 1939- 
80. Diversos fatores contribuem para esse avanço, como a 
introdução do trigo, soja e milho produzidos com o uso 
intensivo de insumos modernos e mecanização, em razão 
das condições ecológicas mais favoráveis nessa do que em 
outras regiões do estado. A infra-estrutura regional tam- 
bém facilitou a expansão dessas culturas, assim como a 
capacidade empreendedora diferenciada por parte dos 
agentes económicos regionais, além de um forte sistema 
de cooperativas (multicooperãtivas) surgido no estado a 
partir dessa região, exercendo relevante papel no desem- 
penho económico regional. 

Esse aumento da produção, com a modernização 
ocorrida, exigiu ampliação e diversificação da oferta de 
serviços, além de ter criado uma demanda considerável 
por máquinas, implementos agrícolas e insumos moder- 
nos (fertilizantes, sementes, pesticidas etc). Essas ativida- 
des de comércio e serviços são tipicamente urbanas, razão 
pela qual se constituíram em fator de crescimento das ci- 
dades da região, que já contavam com uma rede urbana 
bastante densa (158 cidades) constituída por pequenas e 
médias aglomerações. O crescimento económico regional, 
a partir da agropecuária, no período anterior a 1980, ser- 
viu para que algumas cidades consolidassem a centrali- 
dade que já exerciam historicamente. 

Observando o valor adicionado fiscal no período 
de 1980-92, percebe-se uma participação oscilante, mas com 



tendência declinante, o que significa que a região cresce a 
taxas menores que a média estadual. Em 1980, a participa- 
ção relativa da região no valor adicionado fiscal estadual 
é de 16,99% e, em 1992, cai para 14,32%, comportamento 
explicado pelos fatores que determinaram o desempenho 
da agropecuária regional nesse período. 

Os anos 80 e 90 são adversos para a economia des- 
sa mesorregião. Em primeiro lugar, deve-se considerar que 
a crise se torna explícita já nos primeiros anos do período. 
Nesse sentido, a política económica reduz substancialmen- 
te o apoio ao setor, cortando subsídios, reduzindo financi- 
amentos, modificando a política de comercialização (pre- 
ços mínimos) e adotando políticas monetárias restritivas e 
taxas de juros elevadas. Esse procedimento, atingindo di- 
retamente uma economia cuja base depende fundamen- 
talmente do desempenho do setor agrícola, reduz suas 
possibilidades de crescimento quando comparada com as 
demais regiões do estado. Em segundo lugar, alguns pro- 
dutos importantes da região, como a soja, por exemplo, 
têm seus preços reduzidos no mercado internacional. Esse 
quadro tem influência direta no desempenho do setor pri- 
mário riograndense, que, entre 1980 e 1996, sofre oito anos 
de crescimento negativo, com grande participação da agro- 
pecuária dessa mesorregião. O desempenho da agropecuá- 
ria regional nesse período propaga-se para os demais se- 
tores, resultando em uma queda na economia da região 
no contexto estadual. Além disso, as condições climáticas, 
principalmente nos anos 80, são adversas. A estiagem al- 
ternando-se com o excesso de chuvas impõe perdas 
irrecuperáveis para muitas linhas de produção, fazendo 
com que muitos produtores abandonem a atividade. Ou- 
tro fator a ser considerado como determinante do fraco 
desempenho do setor primário é a crise que se abate sobre 
o sistema cooperativista sediado na região, que prestava 
importante apoio aos produtores rurais, principalmente 
aos pequenos e médios. Nos anos 90, o estado e a região 
são atingidos pelas medidas de abertura comercial, juros 
elevados e câmbio apreciado" (Plano Real), que inviabili- 
zam muitos segmentos da agricultura e da indústria vin- 
culados ao setor externo. 

O setor industrial do noroeste do Rio Grande do 
Sul mantém sua participação no total do produto indus- 
trial do estado, entre 1980 (7,24%) e 1990 (6,95%). Embo- 
ra não se disponha de informações anualizadas sobre pro- 
duto da indústria por região, é possível inferir que o com- 
portamento do emprego também foi oscilante, mas não 
cadente como o produto, tendo apresentado ligeira ex- 
pansão entre 1986 e 1996, segundo o Relatório de Infor- 
mações Sociais (Rais). Todavia, deve ser enfatizado que, 
no mesmo período, ocorrem modificações importantes 
na composição do emprego industrial da região, como 



Câmbio apreciado é o contrário de câmbio depreciado, ou seja, é câmbio valorizado. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiôes Geográficas 



I 



149 



se verifica no género mecânica (máquinas e implementos 
agrícolas), que cai verticalmente (de 12.326 empregos em 
1986 para 6.795 em 1996). Essa queda tem pelo menos duas 
causas: a primeira está ligada à intensa crise que se abate 
sobre o setor agropecuário do estado e, por consequência, 
da região nos últimos anos; a segunda relaciona-se à rees- 
truturação imprimida pelas firmas, inclusive com associa- 
ção a capitais internacionais, resultando na redução dos 
postos de trabalho. O género da eletrônica e comunicações 
também reduz de forma significativa os postos de traba- 
lho (de 1.164 em 1986 para 829 em 1996). Outros segmen- 
tos elevam seus níveis de emprego, o que de alguma for- 
ma compensa a queda dos demais. Destacam-se, nesse sen- 
tido, os géneros de alimentos e bebidas (de 9.002 empre- 
gos em 1986 para 12.781 em 1996), calçados (de 1.372 em- 
pregos para 2.938) e têxtil (de 1.625 para 2.361). A expan- 
são da produção industrial de alimentos parece confirmar 
uma tendência de períodos anteriores que apontava para 
interiorização da agroin-dústria. Já o crescimento do seg- 
mento calçadista deve-se ao fato de que as empresas desse 
setor, tradicionalmente localizadas no Vale do Rio dos Si- 
nos (RMPA), nesse período, passam a buscar novas locali- 
zações em outras regiões do estado e do país, principal- 
mente em busca de mão-de-obra. 

Os demais géneros, como extrativismo mineral, 
minerais não-metálicos, metalurgia, madeira e mobiliário, 
papel e gráfica, borracha, fumo e couro, registram varia- 
ções menos significativas na região. 

Do ponto de vista do arranjo espacial, o desenvol- 
vimento económico das últimas décadas acaba por conso- 
lidar algumas centralidades em meio a uma rede urbana 
constituída por pequenas e médias cidades que ocupam 
toda a região. Tais centralidades tendem a compor aglo- 
merações descontínuas e/ou eixos, agregando pólos e 
subpólos com dinâmica comum complementar associada 
a atividades agropecuárias, integradas com agroindústrias 
e com atividades terciárias razoavelmente desenvolvidas. 

Uma análise dos fluxos de passageiros por ôni- 
bus intermunicipal, no período de janeiro a novembro 
de 1997, indica a existência de dois eixos nessa parte do 
estado, configurando aglomerações descontínuas. O pri- 
meiro, localizado mais ao centro e nordeste da mesorre- 
gião, é constituído por Erechim, Passo Fundo e Carazi- 
nho, municípios que estão ligados pela RS 135 e BR 285/ 
377, respectivamente. O segundo, localizado mais ao sul 
e a oeste, é constituído pelos municípios de Panambi, 
Cruz Alta, Ijuí, Santo Ângelo, Santa Rosa e Horizontina, 
todos ligados por rodovias federais e estaduais asfalta- 
das - Cruz Alta-Ijuí, RS 342; Ijuí-Santo Ângelo, BR 285; 
Santo Ângelo-Santa Rosa, RS 344; e Santa Rosa- 
Horizontina, RS 305. O delineamento desses dois con- 
juntos decorre de menor intercâmbio de fluxo de passa- 
geiros entre eles, em relação ao verificado entre as cida- 



des de cada eixo. Vale lembrar que, ao longo das rodovi- 
as que ligam essas cidades, existem outras de menor por- 
te, também importantes na constituição desse eixo. Entre 
Erechim e Passo Fundo estão Getúlio Vargas, Erebango, 
Sertão, Estação e Coxilha; entre Ijuí e Santo Ângelo estão 
Coronel Barros e Entre-Ijuís; entre Santo Ângelo e Santa 
Rosa está Giruá; e entre Santa Rosa e Horizontina estão 
Tuparendi e Tucunduva. 

A consolidação da liderança dos principais centros 
formadores dos eixos deu-se mediante o avanço das ativida- 
des terciárias nesses locais. Tomando por base as informa- 
ções da estrutura ocupacional do Censo de 1991, é possível 
concluir que a magnitude das atividades terciárias é maior 
nas cidades que integram os eixos do que na média da me- 
sorregião. Nessa, apenas 16,4% das ocupações estão nos ser- 
viços, já nos dois eixos esse percentual atinge, aproximada- 
mente, o dobro - Erechim-Passo Fundo (33,97%) e Ijuí-Santo 
Ângelo (31,13%). Além das atividades terciárias convencio- 
nais (comércio, transportes e comunicações, intermediários 
financeiros, educação e saúde), cabe fazer um registro do pa- 
pel das universidades comunitárias, em funcionamento há 
várias décadas em algumas cidades da região. 

E o caso da Universidade Regional do Noroeste do 
Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí), cuja sede é a cidade 
de Ijuí, e oferece cursos em outras cidades do eixo, como 
Santa Rosa e Panambi; da Universidade de Passo Fundo 
(UPF) e da Universidade Regional Integrada (URI), ambas 
com sede em Santo Ângelo, esta última resultante da fu- 
são de cursos isolados existentes nos municípios de Santo 
Angelo, Frederico Westphalen e Erechim; e da Universi- 
dade de Cruz Alta, com sede em Cruz Alta. Observe-se 
que todas elas têm suas administrações em cidades que 
constituem os eixos definidos neste trabalho, reforçando a 
centralidade e a intensidade da relação entre eles. 

O desempenho das economias dos municípios dos 
eixos, medidos pelo valor adicionado fiscal, entre 1980 e 
1993, é ligeiramente declinante com relação ao estado, a 
exemplo do que ocorreu com a mesorregião, embora essa 
última tenha experimentado queda mais acentuada. A me- 
sorregião gerava 16,99% do valor adicionado fiscal estadual 
em 1980, passando a 14,32% em 1992, por sua vez, os eixos 
Erechim, Passo Fundo e Carazinho, e Cruz Alta, Ijuí, Santo 
Ângelo, Santa Rosa e Horizontina passaram de 3,38% e 
2,88% em 1980 para 2,69% e 2,57% em 1992, respectivamen- 
te. O exame desses dados, no entanto, deve considerar que 
os municípios dos eixos perdem áreas rurais e distritos com 
núcleos urbanos devido às emancipações que, entre 1982 e 
1988, dão origem a nove municípios, o que contribui para o 
rebaixamento do valor adicionado fiscal, particularmente o 
relativo às atividades agropecuárias. 

Para o futuro, esses centros tendem a manter sua 
hegemonia no âmbito mesorregional, sendo possível, toda- 
via, que haja a emergência de outros espaços com caracte- 



Caracterizacão e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



150 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



rísticas semelhantes. Nesse sentido, é provável a emergên- 
cia de novo eixo, na porção central e noroeste da mesorre- 
gião, constituído pelos municípios de Palmeira das Missões, 
Três Passos e Frederico Westphalen - possibilidade que só 
será materializada se houver novo ciclo de expansão agro- 
pecuária no país e se houver uma política que contemple as 
pequenas e médias propriedades rurais. As perspectivas 
para essa mesorregião apontam para um cenário urbano 
constituído por pequenas e médias cidades que continua- 
rão desenvolvendo funções de apoio às atividades agríco- 
las predominantes. Alguns poucos centros serão sedes de 
plantas agroindustriais vinculadas à lavoura de grãos e à 
criação de pequenos animais (suínos e frangos). 

4.1.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião noroeste riograndense, com base pro- 
dutiva pautada nas atividades agropecuárias, pode ser con- 
siderada uma região de fluxos de partida das áreas rurais e 
de reforço de algumas áreas urbanas de determinados con- 
juntos de cidades. Sua rede urbana caracteriza-se por: 

• dinâmica populacional de pouca intensidade, com a 
população urbana apresentando crescimento, porém 
com taxas que se reduzem de 2,22% para 1,91% a.a. en- 
tre 1980-91 e 1991-96, pouco compensando as perdas 
da população rural (taxas de -1,82% a -2,26% a.a.); 

• extensas áreas de esvaziamento, com grande número de 
municípios perdendo população total desde os anos 70; 

• grande número de municípios apresentando crescimen- 
to urbano negativo, alguns já desde os anos 80, como 
Áurea, Irai e Marcelino Ramos; 

• pequenas áreas de concentração, tendo nos municípios 
de maior nível de centralidade o crescimento da popu- 
lação total acima da média do estado repetindo-se des- 
de os anos 70; 

• crescimento da população rural apenas em municípios 
integrados às aglomerações descontínuas, como 
Erechim, Panambi e Jóia; 

• conformação de duas aglomerações urbanas descontí- 
nuas a partir dos eixos Erechim, Passo Fundo e 
Carazinho; e Santo Ângelo, Ijuí, Cruz Alta, Santa Rosa, 
Horizontina e Panambi (estas duas últimas participam 
da aglomeração devido às suas funções industriais), 
com atividades económicas tendo peso relevante no 
setor terciário; 

• tendência de formação do eixo Palmeira das Missões, 
Três Passos e Frederico Westphalen, caso se incremente 
a atividade agropecuária na região. 

Esses fenómenos apontam para o reforço dos cen- 
tros urbanos que apoiam a atividade agropecuária, assim 
como para a diversificação das atividades terciárias, com 
aumento da atratividade dos centros articulados das aglo- 
merações descontínuas. 



4.2 Nordeste Riograndense 

A mesorregião nordeste riograndense (Mapa 28) é 
formada por 47 municípios, com população total de 855.752 
habitantes em 1996, correspondendo a 8,88% da população 
do Rio Grande do Sul. Seu grau de urbanização é de 74,53% 
e tem baixa densidade demográfica (33,13 habitantes por 
quilómetro quadrado). Nos períodos de 1980-91 e de 1991- 
96, vem mantendo o crescimento de sua população total a 
taxas de 1,75% e 1,78% a.a. Sua população urbana cresce 
mais de 2% a.a., e a rural, que se mantém em queda entre 
1980 e 1991, passa a crescer 0,56% entre 1991 e 1996. 

Pode-se afirmar que a economia dessa região tem 
duas origens distintas, apresentando consequentemente 
dois cenários diversos. De um lado, a área que abrange 
grande parte dos campos de cima da serra, formada por mu- 
nicípios de grande extensão territorial - Bom Jesus, 
Cambará do Sul, Esmeralda, Lagoa Vermelha, São Fran- 
cisco de Paula e Vacaria -, com predominância de grandes 
e médias propriedades. Essa área tem uma economia fun- 
damentalmente agropecuária, tendo mudado seu perfil ao 
longo da história (em 1980, o setor primário representa 
41,09% de seu PIB, tendo passado para 36,76% em 1990, 
ainda um nível elevado se comparado com o PIB total da 
mesorregião nordeste, em que esse setor participa com 
14,12% em 1980 e com 10,56% em 1990). No passado, sua 
economia teve como base a bovinocultura e a extração de 
madeiras a partir das reservas nativas de araucária. No 
boom agrícola dos anos 60 e 70, os grãos (soja e trigo) ga- 
nham destaque em diversos municípios dessa parte do 
estado, sem que isso tenha sido suficiente para elevar a 
renda regional, em termos relativos. Nos anos 80, impor- 
tante mudança processa-se com a expansão da cultura da 
maçã, em bases empresariais, não só pela expansão da área 
plantada como pelo expressivo aumento da produtivida- 
de, vindo a substituir grande parte das importações que o 
país realizava anteriormente. Essa experiência permitiu 
que a participação da região nessa cultura tenha aumen- 
tado de 20,7% do total do estado em 1980 para 66,7% em 
1988, porém não foi capaz de fazer com que o valor adici- 
onado fiscal da agropecuária local crescesse a taxas maio- 
res que a média do estado. 

No restante da mesorregião, a formação inicial de- 
senvolve-se a partir da pequena propriedade, que preside 
todo o processo de assentamento da imigração europeia 
no estado ainda no século passado. Resulta desse proces- 
so uma economia mais diversificada e uma rede urbana 
mais densa, incluindo cidades de médio porte como Caxias 
do Sul e Bento Gonçalves. Desde o início, nessa parte da 
mesorregião, desenvolve-se uma agropecuária com perfil 
diversificado, a partir da suinocultura, pecuária de leite, 
diversas lavouras (com destaque para a fruticultura, em 
especial para a vitivinicultura) etc. Simultaneamente a esse 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas I 151 



■ 



I 



MAPA 28 

NORDESTE RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 
[ 3] Médio para fraco e médio 
! __J Médio para forte 
H Forte 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



152 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



processo, se estabelece importante estrutura agroindustrial 
que durante muito tempo constitui o carro-chefe da in- 
dústria regional. Essa estrutura, todavia, sofre importan- 
tes transformações mediante a introdução e/ou expansão 
de géneros industriais mais dinâmicos, assegurando para 
a mesorregião a segunda posição no contexto industrial 
do Rio Grande do Sul. 

Nos anos da crise (80 e 90), os indicadores apon- 
tam um avanço relativo da economia dessa mesorregião 
no cenário estadual, do ponto de vista dos agregados eco- 
nómicos. Observa-se uma flutuação na participação rela- 
tiva, mas com tendência ligeiramente crescente. Nos pri- 
meiros quatro anos (1980-83), a economia regional ressen- 
te-se da recessão que assola a economia brasileira e ape- 
nas mantém sua participação no valor adicionado fiscal 
estadual, em torno de 11%, tendo no último ano caído para 
9,5%. A partir do ano seguinte, insere-se favoravelmente 
na recuperação ensaiada pela economia brasileira que cul- 
mina com o Plano Cruzado em 1986, tendo elevado sua 
participação no valor adicionado fiscal de 9,7% em 1984 
para 13% em 1986. Nos anos de inflação crónica e tentati- 
vas de estabilização, o desempenho da economia mesor- 
regional continua crescendo a taxas maiores que a do es- 
tado, tendo atingido 13,6% em 1989, a melhor marca obti- 
da no período de 1980-92. A partir de 1990, a participação 
da mesorregião cai ligeiramente para 13,4% (1990 e 1991) 
e 12,8% (1992). Contribuem significativamente para o seu 
desempenho positivo o segmento exportador e o produ- 
tor de bens intermediários, vinculado à indústria do Su- 
deste brasileiro. Embora não se disponha de informações, 
é possível especular sobre os resultados de 1993, conclu- 
indo-se preliminarmente que deve ter havido um ganho 
relativo da mesorregião, devido ao alto resultado obtido 
pelo estado no setor industrial (15,9%), do qual boa parce- 
la deve-se a seu desempenho: Os anos relativos ao Plano 
Real (1994-96) são desestimulantes em termos de resulta- 
dos. Mesmo que os dados de 1997 apontem melhor de- 
sempenho, ainda assim não indicam necessariamente uma 
fase de recuperação prolongada, apenas um ano de taxas 
de crescimento positivas, como muitas vezes aconteceu ao 
longo da história recente. 

Esse processo de desenvolvimento económico es- 
tabelece as bases para a formatação da rede urbana regio- 
nal, resultando na formação de uma aglomeração urbana 
constituída por sete municípios que desempenham papel 
importante nessa mesorregião e no estado, por sediarem 
expressivo volume de investimentos industriais e 
ofertarem grande parte dos serviços da região. Tais aspec- 
tos conferem a esses centros urbanos graus de centralida- 
de mais elevados que o dos demais. 

Essa aglomeração caracteriza-se por três espaços 
urbanos, que guardam intensa relação de complementari- 
dade: os municípios de Bento Gonçalves, Carlos Barbosa 



e Garibaldi, cujas malhas urbanas estão conturbadas; Caxias 
do Sul, Farroupilha e São Marcos, igualmente com malhas 
contíguas, e Flores da Cunha, sem conurbação mas em 
continuidade de mancha urbana. 

A aglomeração urbana de Caxias do Sul é uma das 
áreas mais dinâmicas do estado, tendo elevado sua parti- 
cipação no total da produção do Rio Grande do Sul em 
todos os setores económicos entre 1980 e 1992. As infor- 
mações relativas ao PIB indicam que entre 1980 e 1990 esse 
aumento é de 7% para 8,7%, tendo o setor industrial pas- 
sado de 12,6% para 13,6%, e os serviços, de 4,4% para 6,3%. 
Até mesmo a agropecuária da aglomeração eleva sua par- 
ticipação de 3,1% para 4,5%. Os dados do valor adiciona- 
do fiscal anualizados para o período de 1980-92 corrobo- 
ram essa tendência, demonstrando um aumento da parti- 
cipação de 8,8 em 1980 para 10,2% em 1992, uma partici- 
pação oscilante, tendo atingido valores como 7,5% em 1983 
e o pico com 11% em 1987, mantendo tendência ascenden- 
te. Esse dinamismo é dado por uma estrutura industrial 
relativamente diversificada em que se destacam o pólo 
metal-mecânico, os ramos de minerais não-metálicos, ma- 
terial elétrico e comunicações, madeira, papel-papelão, 
matérias plásticas, têxtil, vestuário, calçados, material de 
transportes, mobiliário e bebidas (vinhos e champanhas). 
Boa parte desses segmentos são ligados ao setor externo, 
tendo-se beneficiado com as políticas de estímulo às ex- 
portações, que visavam a assegurar saldos comerciais para 
o país nos anos 80. 

Dois aspectos importantes devem ser destacados 
com relação à matriz industrial da aglomeração urbana 
de Caxias do Sul. O primeiro refere-se à passagem de uma 
estrutura industrial baseada em poucos géneros, em que 
predominam os ramos considerados tradicionais (como ali- 
mentos, bebidas, têxtil e madeira), para um parque mais 
diversificado, inclusive com introdução e/ou expansão de 
segmentos mais dinâmicos (material de transporte, materi- 
al elétrico e de comunicações, metalurgia e mecânica). O 
segundo está ligado à modernização que os diversos seg- 
mentos industriais dessa aglomeração procedem nas últi- 
mas décadas, o que lhes assegurou maior capacidade com- 
petitiva, não somente nos anos de expansão (década de 
70), mas também nos anos de crise (80 e 90). 

Mesmo os segmentos industriais mais tradicionais 
da região modernizam-se nos últimos 30 anos. Um exem- 
plo é o de bebidas (vinicultura). Até os anos 60, a indústria 
vinícola não apresenta alterações profundas em sua base 
técnica. Seu baixo padrão tecnológico aliado a matérias- 
primas também de baixa qualidade (cepas híbridas e ame- 
ricanas) resulta em um produto de qualidade mediana. A 
partir dos anos 70, passam a ser produzidos os vinhos 
varietais, originados de videiras mais apropriadas para a 
vinificação. Esse movimento ocorre em meio ao ingresso 
de capitais internacionais no setor. Nos anos 80 e 90, a 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



153 



agroindústria vinícola é atingida por uma crise profunda 
(de mercado e gerencial), que leva muitas ao desapareci- 
mento. As que sobraram partiram para um processo de 
reestruturação, na tentativa de sobreviver em um merca- 
do global cadente e altamente competitivo. O processo de 
ajuste no setor vinícola gaúcho parece começar a apresen- 
tar alguns resultados positivos. Entre 1985 e 1995, o nú- 
mero de vinícolas no estado passa de 179 para 346. Atual- 
mente as pequenas vinícolas investem em tecnologia e 
melhoram a qualidade do produto nacional. 

A afluência de diversos géneros industriais a essa 
parte do estado, com mais frequência do que ocorre em 
outras mesorregiões, dá-se em razão de uma série de 
fatores aí presentes. Em primeiro lugar, à própria for- 
mação histórica estabelecida a partir de uma distribui- 
ção da propriedade rural mais igualitária, que resulta 
em um mercado consumidor regional viabilizando o 
primeiro esforço industrializante (alimentos, bebidas, 
têxtil, cutelaria etc). Outro fator determinante é a acu- 
mulação progressiva de economias externas na região, 
ao mesmo tempo em que o Rio Grande do Sul se indus- 
trializa. Esse processo torna a mesorregião mais com- 
petitiva com relação à atração dos novos investimentos 
que afluem no estado durante os anos do milagre brasi- 
leiro e que ocorre também no presente. Outro fator rele- 
vante é a localização geográfica relativamente privile- 
giada. A aglomeração urbana de Caxias do Sul está si- 
tuada ao norte da Região Metropolitana de Porto Ale- 
gre (RMPA), praticamente contígua a essa, com infra- 
estrutura semelhante, o que permite absorver parte dos 
investimentos excedentes da RMPA. Todavia, não se 
pode concluir que a aglomeração urbana de Caxias do 
Sul, em termos industriais, seja apenas uma extensão 
da RMPA, ou que sua indústria represente um resíduo 
dessa. Na verdade, uma parte da indústria da aglome- 
ração urbana de Caxias do Sul está vinculada à base 
económica regional, portanto com determinantes locais, 
como é o caso da indústria de alimentos, de bebidas, de 
madeira e de mobiliário. 

Outro aspecto a ser enfatizado é o relativo ao cres- 
cimento do setor terciário, tanto no âmbito da mesorre- 
gião, quanto na composição do produto da aglomeração. 
Em 1980, a aglomeração urbana produz em torno de 73% 
dos serviços da mesorregião, passando para 78% do PIB 
setorial em 1990, um aumento expressivo. A composição 
do PIB regional aponta participação dos serviços da or- 
dem de 32,27% em 1980 e 39,64% em 1990, igualmente um 
aumento importante. A relevância das atividades terciárias 
na aglomeração é corroborada pelas informações sobre a 
ocupação do Censo Demográfico de 1991. Isso significa 
aumento no grau de centralidade da aglomeração urbana, 



particularmente de seus dois maiores centros urbanos, 
Caxias do Sul e Bento Gonçalves. 

Por fim, cabe examinar a relação entre a aglomera- 
ção de Caxias do Sul com a RMPA e seu entorno, em espe- 
cial o norte. Embora a aglomeração tenha, em alguma 
medida, sua dinâmica própria, em muitos aspectos há com- 
plementaridade com a RMPA. Nesse sentido, diversos es- 
tudos têm apontado a aglomeração urbana de Caxias do 
Sul e a RMPA como uma só formação, sob a denominação 
de Eixo Porto Alegre - Caxias do Sul. Na verdade, trata-se 
de um grande complexo urbano industrial ainda com ocu- 
pação urbana descontínua entre si. 

4.2.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião nordeste riograndense compõe-se 
de duas unidades distintas, uma com base económica agro- 
pecuária e a outra industrial moderna, fortemente inte- 
gradas à dinâmica da Região Metropolitana de Porto Ale- 
gre. Sua rede urbana caracteriza-se por: 

• ter a segunda mais importante aglomeração urbana do 
estado, polarizada por Caxias do Sul, na qual os muni- 
cípios apresentam uma dinâmica de forte crescimento 
da população total, grande parte desde os anos 70; 

• configurar contiguidade de mancha de ocupação entre 
conjuntos de municípios da aglomeração, como se ve- 
rifica em Caxias do Sul, Farroupilha e São Marcos, e em 
Bento Gonçalves, Carlos Barbosa e Garibaldi; 

• integrar a aglomeração em continuidade de ocupação 
a Guaporé, Nova Prata, Veranópolis e António Prado; 

• possuir municípios com fluxos de esvaziamento, cor- 
respondendo àqueles com maior extensão territorial, 
alguns desde os anos 70, como São Francisco de Paula 
e Cambará do Sul; 

• apresentar uma população rural em contenção, com 
crescimento em nove municípios, a maioria localizada 
na aglomeração urbana de Caxias do Sul; 

• apresentar esvaziamento em centros urbanos que não 
constituem aglomerações urbanas situadas na área mais 
dinâmica da região, como se verifica em Bom Jesus e 
Dois Lageados. 

Há tendência de intensificação de fluxos de rela- 
ções, assim como da consolidação do complexo urbano 
da aglomeração de Caxias do Sul e Região Metropolitana 
de Porto Alegre, dada sua complementaridade económica 
e proximidade geográfica. 



4.3 Centro-ocidental Riograndense 

Essa mesorregião é formada por 24 municípios, si- 
tuados em uma área de transição entre o planalto e a cam- 



Caracterizaçào e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



154 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



panha (fronteira sudoeste do estado) (Mapa 29). Possui 
499.849 habitantes, correspondendo a 5,19% da população 
riograndense. Sua densidade demográfica é de 19,78 habi- 
tantes por quilómetro quadrado e seu grau de urbanização 
é de 75,25%. A população da mesorregião cresce a taxas de 
0,98% a.a. entre 1980 e 1991 e 0,84% a.a. entre 1991 e 1996, o 
que demonstra o limite mínimo de sua própria sustenta- 
ção. Com taxas de -1,11% entre 1991 e 1996, a população 
rural continua evadindo-se, seguramente com destinos ur- 
banos na própria mesorregião. Sua população urbana cres- 
ce 1,53% a.a. entre 1991 e 1996. É uma região com economia 
centrada fundamentalmente na agropecuária e nos servi- 
ços. Tem baixa e cadente participação no PIB estadual (3,81% 
em 1980 e 3,14% em 1990). As informações relativas ao va- 
lor adicionado fiscal (1980-92) indicam a mesma tendência: 
em 1980 a mesorregião participa com 3,16% do total do es- 
tado, passando a 2,82% em 1992. Durante todo o período a 
tendência é declinante, nem mesmo no período de recupera- 
ção (1984-86) da economia brasileira (e gaúcha) há trégua na 
obtenção desses resultados. 

Esse declínio relativo ocorre em todos os setores. 
Todavia, convém registrar que os dados sobre emprego 
formal da indústria do Relatório de Informações Sociais 
(Rais) indicam aumento no período de 1986-96. Os géne- 
ros que têm crescimento expressivo são material elétrico e 
de comunicações, material de transporte, madeira e mobi- 
liário, química, têxtil e calçados. Crescem moderadamen- 
te os alimentos e bebidas e a metalurgia. Ainda assim, dian- 
te da evidência dos demais indicadores, não é possível ima- 
ginar, com segurança, a ocorrência de expansão industrial 
nessa mesorregião nos anos 80 e 90. 

Os avanços obtidos por essa mesorregião do esta- 
do são alcançados nos anos 60, ocorrendo predominante- 
mente na sua maior cidade (Santa Maria), por meio de in- 
vestimentos realizados pelo setor público na área de edu- 
cação e segurança nacional. A crise dos anos 80 e 90 impõe 
dura restrição à economia da região, na medida em que 
não só os investimentos privados mas também o gasto 
público diminuem sensivelmente. 

A agropecuária regional gera em torno de um 
quarto do produto regional. É desenvolvida sobre uma 
estrutura de propriedade, às vezes constituída por pe- 
quenas e médias ou por médias e grandes proprieda- 
des, dependendo do município considerado. Municípios 
como Júlio de Castilhos, Tupanciretã, Santiago, São 
Francisco de Assis, Cacequi e São Sepé, por exemplo, 
possuem estrutura agrária com predominância de mé- 
dias e grandes propriedades. Em outros municípios 
como Dona Francisca, Ivorá, Faxinai do Soturno, Nova 
Palma e Silveira Martins predominam as pequenas e 
médias propriedades. Nos demais, o perfil do tamanho 
das propriedades rurais é variado, não havendo predo- 
minância de nenhuma das três categorias consideradas. 



A produção lavoureira é relativamente diversificada nos 
municípios com pequenas e médias propriedades - 
constituindo-se por feijão, batata-doce, batata inglesa, 
melancia, fumo, mandioca, cebola, laranja - e relativa- 
mente especializada em bovinocultura e grãos (soja e 
arroz) nas áreas onde predominam médios e grandes 
estabelecimentos. 

A bovinocultura é importante nos municípios de 
Cacequi, Itacurubi, Júlio de Castilhos, Santa Maria, Santi- 
ago, São Francisco de Assis e Tupanciretã, que detêm em 
torno de 8,5% do rebanho do estado. A soja tem produção 
expressiva em Júlio de Castilhos, Santiago e Tupanciretã, 
e o arroz em Cacequi, Restinga Seca e São Sepé. 

O setor industrial é pequeno, compondo 9,6% do 
PIB da mesorregião e apenas 0,85% do produto industrial 
do estado em 1990. Essa participação é cadente nos anos 
da crise, tendo sido de 0,9% em 1980. O parque industrial 
é constituído por pequenos estabelecimentos com tama- 
nho médio de 5,18 empregados por unidade. Em geral, 
sua indústria atende basicamente ao mercado regional. O 
género mais importante na mesorregião é o de produtos 
alimentares, que representa apenas 6% dos estabelecimen- 
tos do mesmo género no estado e 2,3% do número de em- 
pregados. Em função da insignificância da indústria des- 
sa mesorregião; alguns esforços industrializantes têm sido 
desenvolvidos nas últimas quatro décadas, sem contudo 
ter obtido qualquer resultado positivo. O mais notável 
deles é o de Santa Maria, maior cidade da mesorregião. 

Esse município sempre foi o centro mais importan- 
te da região, exercendo forte centralidade comercial e nos 
serviços públicos, além de ter sido, no passado, importan- 
te centro ferroviário. O serviço mais importante, todavia, 
é o educacional. A partir do início dos anos 60 esse setor 
completa-se com a instalação da Universidade Federal de 
Santa Maria, a primeira localizada no interior do estado. 

O setor terciário é o carro-chefe da economia me- 
sorregional, juntamente com a agropecuária. Esse setor 
representa 66,63% do PIB da região (1990), perdendo posi- 
ção no conjunto do estado entre 1980 e 1990, passando de 
4,87% para 3,9%. Essas atividades estão concentradas, em 
grande medida, em Santa Maria, como comprova o com- 
portamento de seu PIB e de sua População em Idade Ati- 
va (PIA). O PIB terciário de Santa Maria tem aumentado 
com relação ao da mesorregião, passando de 59,75% em 
1980 para 64,87% em 1990. Em 1991, a composição da PIA 
de Santa Maria indica que as atividades terciárias repre- 
sentam um percentual duas a três vezes superior ao que 
ocorre na mesorregião. Tomando vários recortes das ativi- 
dades terciárias, tem-se que a ocupação nos serviços pú- 
blicos da mesorregião representa 5,8%, já em Santa Maria 
esse percentual é de 10,4%. O segmento de ensino (públi- 
co e privado) ocupa 2,5% da PIA na mesorregião e 5% em 
Santa Maria. Na área da saúde (pública e privada), a me- 



Caracterizaçào e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas I 155 



I 



MAPA 29 

CENTRO-OCIDENTAL RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



I 




níveis de hierarquia 

I | Médio para fraco e médio 

I Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes: IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



15 30 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



156 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



sorregião emprega 0,9%, em Santa Maria esse percen-tual 
atinge 2,3%. O comércio da mesorregião ocupa 3% da PIA 
e o de Santa Maria, 6,4%. Por fim, o segmento ocupação 
técnica e administração em serviços gerais emprega 0,6% 
na mesorregião e 1,8% em Santa Maria. 

A rede urbana dessa mesorregião é constituída pre- 
dominantemente por pequenas cidades, que operam, na 
sua grande maioria, articuladas ao principal centro urba- 
no existente na região, representada por Santa Maria. Essa 
cidade apresenta a peculiaridade única no estado de ter 
seu desenvolvimento centrado em atividades do setor de 
serviços, ao mesmo tempo em que sua atividade indus- 
trial enfraquece sua posição diante do resto do estado. O 
setor terciário de Santa Maria é constituído predominan- 
temente por atividades organizadas em bases modernas, 
quando comparado com a média de outras cidades, exce- 
to em relação às atividades informais. A principal 
especificidade dos serviços, nesse município, é dada pela 
natureza pública (estatal) de grande parte deles. A cidade 
é um pólo de serviços públicos, onde se destacam o ensi- 
no de terceiro grau (Universidade Federal de Santa Ma- 
ria), a segurança nacional atendida por diversas unidades 
do Exército Nacional e uma Base Aérea, o que assegura 
para a economia local o ingresso mensal de substancial 
massa salarial. Santa Maria divide com Passo Fundo e 
Pelotas a maior oferta de serviços médicos do interior do 
estado. O comércio (atacadista e varejista), um dos elemen- 
tos importantes da centralidade exercida por Santa Maria, 
tem expressão regional, uma vez que abastece grande parte 
da população dos municípios no seu entorno imediato, 
através dos segmentos mais modernos desse setor. Além 
disso, outras atividades terciárias, como serviços jurídi- 
cos, contábeis e financeiros reforçam a centralidade local. 
Some-se a esses atributos o fato de que Santa Maria é um 
dos centros políticos e religiosos mais relevantes do Rio 
Grande do Sul. 

O anseio da comunidade local sempre foi o de do- 
tar a cidade de um status industrial. Para tanto, durante 
várias décadas busca-se organizar uma estratégia para atra- 
ir investimentos para a ampliação do parque industrial do 
município. A atração maior ocorre nos investimentos pú- 
blicos, resultando na implantação de um Distrito Indus- 
trial na cidade, no final dos anos 70. Além disso, diversos 
projetos industriais são financiados por bancos oficiais, em 
razão da ação política das lideranças locais. Passados vin- 
te anos, o resultado é frustrante, na medida em que ocorre 
uma redução da participação da produção industrial em 
relação ao restante do estado. Esse processo já era visível 
desde 1939, quando o município gerava 1,15% do produ- 
to industrial do estado, tendo caído persistentemente para 
1% em 1949, 0,86% em 1959, 0,78% em 1970, 0,59% em 1975, 
0,5% em 1980 e 0,41% em 1990. Portanto, parece não haver 



ambiente favorável à industrialização nessa mesorregião 
do estado, pelo menos na segunda metade do século XX. 

Não há tendências, também, quanto à possibili- 
dade de emergir outro centro urbano com o padrão de 
centralidade de Santa Maria, em um raio de aproxima- 
damente 200 km. Todavia, a economia que se estrutura 
no município, e que lhe confere a condição de centro eco- 
nómico de uma extensa região do estado, certamente já 
enfrenta dificuldades por conta do ajuste que se opera no 
setor público nos últimos anos. Esse não foi capaz de 
modificar a relação entre as cidades da mesorregião en- 
tre 1980 e 1995, não alterando, portanto, a hierarquia já 
existente. Essa só pode ser modificada em meio a um 
processo de crescimento económico, fenómeno que não 
ocorre nessa parte do estado. 

4.3.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

E uma região com a economia baseada na agrope- 
cuária e nos serviços, que se concentram em Santa Maria - 
pólo regional, com um nível de centralidade que o distin- 
gue de todos os demais municípios. As principais caracte- 
rísticas de sua rede urbana são: 

• existência de um pólo regional que constitui o único foco 
de concentração populacional, sem apresentar extrava- 
samento sobre o território de municípios vizinhos; 

• emergência de municípios limítrofes ou próximos aos 
limites do pólo com decréscimo da população urbana 
(como se verifica em Faxinai do Soturno, Júlio de 
Castilhos e São Sege); 

• consolidação do processo de esvaziamento da maioria 
dos municípios, alguns com crescimento negativo da 
população desde os anos 70; 

• inexistência de municípios com crescimento da popu- 
lação rural. 

Essas características levam à inserção da mesorre- 
gião em uma espacialidade de esvaziamento, sem fortes 
tendências a uma dinamização do pólo (dada a escassez 
de investimentos previstos para a área), confirmando ape- 
nas sua polaridade regional. 



4.4 Centro-oriental Riograndense 

A mesorregião centro-oriental riograndense (Mapa 
30) é formada por 40 municípios, localizados em uma área 
entre o planalto e a serra do sudeste, sendo limítrofe com 
a mesorregião metropolitana de Porto Alegre. Parte de seus 
municípios possui grande extensão territorial, como Ca- 
choeira do Sul, Rio Pardo, Santa Cruz do Sul e Venâncio 
Aires, e o restante, territórios de pequena extensão, prin- 
cipalmente no nordeste da mesorregião. A rede urbana re- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I (157 



I 



I 



MAPA 30 

CENTRO-ORIENTAL RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



Arroio do 
Tigre 



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Arroio N Clmigrantd 
do Meio 



~'~ (..': 



Colinas 



Teutônia 



Estrela / 



/ Passo do 
1 Sobradoj 



Rio Pardo 



! Bom Retiro 

1 Ú0 PL 



Taquari 



j Paverama 



Pântano Grande I 



níveis de hierarquia 

j Médio para fraco e médio 

I I Médio para forte 

Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



11 22 km 



A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



158 



I 



Redes Urbanas Reqionais: Sul 



gional é constituída predominantemente por pequenas ci- 
dades, tendo apenas três centros urbanos considerados de 
média dimensão: Santa Cruz do Sul, Cachoeira do Sul e 
Lajeado/Estrela - esses últimos por estarem praticamente 
conurbados. 

A população dessa mesorregião, em 1996, é de 
698.008 habitantes, correspondendo a 7,24% da popula- 
ção do estado. É uma região com reduzido grau de urba- 
nização (62,37%) e densidade demográfica de: 40,59 habi- 
tantes por quilómetro quadrado. O crescimento de sua po- 
pulação total é bastante reduzido, porém vem mantendo- 
se em taxas próximas a 1% a.a. desde os anos 70. Sua po- 
pulação urbana, que nos anos 70 e 80 apresenta crescimento 
superior a 3% a.a., entre 1991 e 1996 reduz essa taxa para 
2,35%. Nesses períodos, sua população rural apresenta 
perdas contínuas próximas a -1,0% a.a. 

A economia da mesorregião tem apresentado de- 
sempenho acima da média do estado nas últimas déca- 
das. No período de 1980-96, os indicadores demonstram 
avanço em todos os setores da economia mesorregional, 
no contexto estadual. Entre 1980 e 1990, a participação re- 
lativa do PIB passa de 6,35% para 6,65%. A agropecuária 
passa de 9,96% para 10,5%, a indústria de 7,38% para 7,86%, 
e ós serviços de 4,56% para .5,07%. As informações relati- 
vas ao valor adicionado fiscal indicam que, no período de 
1980-92, há flutuação na participação relativa anual da me- 
sorregião no total do estado, mas com tendência crescen- 
te. No início do período, a participação é de 6,7% e, no 
último ano, de 9,46%, um aumento que pode ser conside- 
rado expressivo, em face da crise dominante. Se se consi- 
deram os cortes temporais para a economia brasileira, que 
alternam fases reces.sivas com fases de recuperação e tam- 
bém de inflação crónica, observa-se que nos anos de 
1980-83, marcados pela retração económica, a mesorregião 
eleva sua participação relativa no valor adicionado fiscal 
do estado de 6,7% para 8,26%, tendo alcançado 8,55% em 
1984. Esse desempenho deve-se principalmente ao seg- 
mento exportador, que se beneficia com a política de estí- 
mulo às vendas externas com a finalidade de fazer saldos 
na balança comercial. 

Alguns segmentos da lavoura têm expansão expres- 
siva na região, tanto do ponto de vista quantitativo, quan- 
to de produtividade, como resultado da adoção de técni- 
cas modernas. Esse foi o caso do fumo, estimulado subs- 
tancialmente pela agroindústria do setor, cuja expansão 
ultrapassa a fronteira geográfica da mesorregião, consti- 
tuindo-se em uma alternativa para as pequenas e médias 
propriedades no momento em que acaba o boom agrícola 
dos anos 70. Mesmo assim, a mesorregião continua a ser a 
principal produtora, alcançando 56,39% da produção físi- 
ca do estado em 1995. 

Contribuem para o desempenho da economia re- 
gional a sua agropecuária diversificada, na qual se des- 



tacam pelo menos 16 produtos: frangos, galinhas e ovos, 
suínos, bovinos e leite, feijão, batata-doce e batata in- 
glesa, erva-mate, arroz, fumo, mandioca, milho, soja e 
laranja. Alguns desses produtos têm presença impor- 
tante na pauta de exportações do estado, como fumo e 
frangos; os demais são destinados ao consumo interno 
regional e do país. A produção de frangos, em dez anos 
(1985-95), aumenta de 7,66 para 19,57 milhões de cabe- 
ças, representando em torno de 17,5% da produção es- 
tadual. Crescimento semelhante ocorre com a produ- 
ção de galinhas e ovos, essa última passando de 23,34 
para 38,46 milhões de dúzias no mesmo período. O fumo 
experimenta expansão de 84,86 para 125,79 mil tonela- 
das, e a erva-mate, de 11,38 para 21,26 mil toneladas 
entre 1985 e 1995. A produção física de todos os demais 
produtos também se eleva, em termos absolutos, ainda 
que a taxas menores, exceto a soja, a mandioca e os efe- 
tivos de suínos e bovinos. 

Esse desempenho está associado ao fato de essa re- 
gião ser contígua ao maior mercado consumidor do sul do 
país - as aglomerações de Porto Alegre e Caxias do Sul -, 
estabelecendo condições para que alguns ramos da indús- 
tria riograndense dirijam as localizações de novas unida- 
des fabris para cidades dessa região. Há boas razões para 
estimar que seesteja processando uma expansão do cam- 
po aglomerativo da RMPA também em direção ao ociden- 
te, alcançando cidades que dispõem de infra-estrutura e 
economias externas suficientes para viabilizar a reprodu- 
ção de alguns géneros industriais. Os que mais se desta- 
cam nessa mesorregião são: fumo, produtos alimentares, 
calçados, couros, peles e similares. 

A agroindústria do fumo está concentrada em ape- 
nas três cidades - Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera 
Cruz -, que detém, em 1993, 96,84% dos empregos e 99,10% 
do valor adicionado fiscal do setor no estado, demonstran- 
do crescimento em relação a 1980, quando detém 86,96% e 
81,80%, respectivamente. Além disso, há crescimento no 
número médio de empregados por estabelecimento, o que 
significa, em certa medida, que escalas maiores são neces- 
sárias para manter a competitividade externa. O setor de 
calçados, entre 1980 e 1993, aumenta o número de estabele- 
cimentos de 79 para 277. A indústria do couro e calçados 
inicialmente se desenvolve de forma concentrada na RMPA. 
Todavia, no final dos anos 70 e durante os anos 80, há forte 
movimento em busca de novas localizações, o que vem a 
privilegiar áreas no entorno da RMPA. Nessa época, o setor 
de calçados está no auge de seu ciclo exportador, necessi- 
tando de muita mão-de-obra, a qual já está relativamente 
escassa no Vale dos Sinos. Desse movimento, resulta que 16 
municípios dos 40 que constituíam a mesorregião passam a 
deter plantas industriais de calçados, tendo elevado o nú- 
mero de empregados de 3.655 em 1980 para 13.903 em 1993. 
O género de couros, peles e similares, que é parte da cadeia 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorresioes Geográficas 



I 



159 



do género de calçados, também aumenta a oferta de empre- 
go de 2.134 para 3.467 no mesmo período, denotando que 
esse segmento expande-se nessa região do estado. O mes- 
mo ocorre no género de produtos alimentares, que eleva o 
número de empregados de 6.912 para 10.029 entre 1980 e 
1993. Apesar de esse género estar presente em todos os 
municípios, há tendência a que os maiores estabelecimen- 
tos estejam localizados em algumas poucas cidades, como 
Lajeado, Estrela e Santa Cruz do Sul. 

Os movimentos geográficos da produção dessa 
mesorregião indicam tendência à absorção de parte dos 
investimentos que estão extravasando o território da 
RMPA. Com efeito, as cidades que melhor se têm inserido 
nesse processo são Lajeado /Estrela, Venâncio Aires e San- 
ta Cruz do Sul. Tais municípios, juntamente com outros 
de menor porte de seus respectivos entornos, poderão vir 
a constituir, a longo prazo, um eixo de desenvolvimento 
com maior vinculação à RMPA. 

4.4.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião centro-oriental, com bom desempe- 
nho de sua economia, recebe os efeitos positivos de sua 
localização geográfica e interação com a dinâmica econó- 
mica da RMPA. Inserida na área de abrangência dessa aglo- 
meração principal, a região apresenta características pró- 
prias de espacialidades de concentração por: 

• configurar duas importantes aglomerações urbanas 
apresentando contiguidade de mancha entre os muni- 
cípios de Santa Cruz do Sul, Venâncio Aires e Vera Cruz, 
e conurbação entre Lajeado e Estrela; 

• apresentar reduzido número de municípios perdendo 
população ou com taxas de crescimento próximas a 
zero; 

• apresentar municípios com taxas crescentes de popula- 
ção rural, localizados continuamente às aglomerações 
de Santa Cruz do Sul e Lajeado/Estrela, ou próximo a 
Cachoeira do Sul; 

• possuir apenas um município (Pouso Novo) com esva- 
ziamento do núcleo urbano. 

Concentrando as atividades ligadas ao plantio e 
industrialização do fumo e absorvendo as atividades que 
buscam localização próxima à área metropolitana, a me- 
sorregião apresenta tendências de consolidar sua rede de 
centros, integrando-se ao complexo urbano constituído 
pela RMPA e aglomeração de Caxias do Sul. 

4.5 Metropolitana de Porto Alegre 

A mesorregião metropolitana de Porto Alegre, 
(Mapa 31) tem 4.054.091 habitantes em 1991 e a maior den- 
sidade demográfica entre as mesorregiões do Sul do Bra- 
sil (135,95 habitantes por quilómetro quadrado). Concen- 



tra 42,07% da população do Rio Grande do Sul e é tam- 
bém a mais urbanizada, com grau superior a 90%. A dinâ- 
mica de crescimento de sua população total, mesmo em 
declínio, é significativa por incidir sobre elevado contin- 
gente populacional, tendo passado de 2,45% a.a., entre 1980 
e 1991, para 1,56% entre 1991 e 1996. Contrariamente, o 
crescimento de sua população rural é ascendente, de -0,41% 
a.a. para 2,38%, no mesmo período. 

Essa mesorregião é formada por 88 municípios. Do 
ponto de vista económico, é a mais importante, por apre- 
sentar as atividades mais dinâmicas e por isso representar 
a mais complexa formação económica do estado. 

O cenário dessa mesorregião aponta para a exis- 
tência de pelo menos cinco recortes espaciais que, do pon- 
to de vista económico, estão funcionalmente ligados à eco- 
nomia da RMPA. 

O primeiro e mais relevante é representado pela 
Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA oficial), que 
reúne o maior volume de investimentos públicos e priva- 
dos e também a maior parcela da população urbana do 
estado. Sua formação original deu-se a partir de Porto Ale- 
gre e São Leopoldo, formando, à exceção de Porto Alegre, 
um conjunto constituído de pequenas e médias cidades, 
que, nas últimas décadas, assumiram algumas delas ta- 
manho e importância significativos no contexto da RMPA. 

A RMPA, criada em 1973 com 14 municípios, é am- 
pliada em 1989 para 23 municípios e em 1996 para 24. Esse 
aumento do número de municípios dá-se por agregação 
de alguns (Triunfo, Charqueadas, Dois Irmãos e Ivoti) e 
por emancipações ocorridas no interior da própria região. 
Todavia, algumas dessas emancipações, apesar de terem 
origem territorial nesse espaço, acabam por ficar fora dos 
limites metropolitanos legais. 

O segundo recorte a destacar é constituído pelo que 
se pode chamar de eixo turístico do estado, formado pelos 
municípios de Nova Petrópolis, Gramado, Canela e São 
Francisco de Paula - esse último pertencente à mesorre- 
gião nordeste riograndense, mas com íntima relação com 
os três primeiros. Esse eixo faz parte de uma região 
perimetropolitana formada por municípios localizados em 
uma faixa de território entre a RMPA legal e a aglomera- 
ção urbana de Caxias do Sul. Portanto, representando um 
elo territorial entre essas duas formações regionais. 

O terceiro recorte é a ocupação contínua litorânea, 
formada pelos municípios localizados ao longo do litoral 
norte do estado. Essa ocupação contínua destaca-se mais 
pelas peculiaridades de seu cotidiano que por sua impor- 
tância económica ou demográfica. Sua especificidade é 
dada pelo caráter sazonal de sua atividade principal, o 
turismo (interno), que se desenvolve nos meses de verão 
(dezembro a março). 

O quarto recorte espacial compreende nove municí- 
pios -Arroio dos Ratos, Barra do Ribeiro, Buriá, Camaquã, 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



160 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



Cerro Grande do Sul, Dom Feliciano, General Câmara, São 
Jerónimo e Tapes -, localizados na parte sul da mesorre- 
gião. A característica principal desses municípios é a predo- 
minância de atividades primárias em suas economias. Apro- 
ximadamente 38% de seu produto é gerado pela agrope- 
cuária (1990) e 48% da população em idade ativa (PIA) ocu- 
pada é vinculada ao mesmo setor (1991). O parque indus- 
trial não é significativo, e as atividades terciárias, em gran- 
de medida, são prestadoras de serviços à agropecuária. 

O quinto recorte, ao norte e noroeste da aglomera- 
ção principal, é constituído por municípios polarizados por 
Monte Negro, cujas atividades básicas estão na indústria. 

A economia da mesorregião metropolitana está fun- 
damentalmente centrada em atividades urbanas, dado que 
a agropecuária representa apenas 2,46% de seu produto 
total (1990). O restante está distribuído entre a produção 
industrial (42,05%) e os serviços (55,49%). Essa estrutura 
explica-se pela presença da RMPA, o maior conglomera- 
do urbano-industrial do Rio Grande do Sul. Pode-se afir- 
mar que essa é, historicamente, a mesorregião mais dinâ- 
mica da economia estadual, juntamente com a nordeste 
riograndense. Sua economia tem sido responsável por par- 
cela crescente do produto interno bruto do estado, tendo 
atingido a marca de 50,27% .do PIB em 1990; dez anos an- 
tes era de 46,13%. Esse avanço ocorre tanto no setor in- 
dustrial (de 58,62% em 1980 para 59,62% em 1990), quanto 
no de serviços, cujo crescimento da participação relativa é 
maior, tendo passado de 47,85% em 1980 para 51,88% em 
1990. Tanto o comércio de mercadorias quanto os demais 
serviços (segmentos que constituem o terciário regional) 
crescem à mesma taxa, em torno de 4%. O caso do comér- 
cio é revelador de que na mesorregião se encontra o maior 
mercado do estado (50,52% em 1990). 

Essa trajetória ascendente é confirmada pelo exa- 
me das informações anualizadas relativas ao valor adicio- 
nado fiscal para os anos da crise. Durante esse período, a 
participação da mesorregião metropolitana é oscilante, mas 
com tendência crescente, passando de 41,57% em 1980 para 
47,71% em 1992. Entre 1980 e 1983, mesmo sendo um pe- 
ríodo recessivo, a economia da mesorregião cresce mais 
que a média do estado, o que significa um desempenho 
apenas menos ruim que o do todo, que amarga três resul- 
tados anuais negativos em quatro anos. Nos anos seguin- 
tes, considerados como uma fase de recuperação econó- 
mica, a participação relativa no valor adicionado fiscal 
passa de 43,87% em 1984 para 47,06% em 1986 e 49,06% 
em 1987. Na verdade, a economia do Rio Grande do Sul 
passa de um desempenho negativo (-0,77%) em 1983 para 
taxas positivas nos anos de 1984 a 1986 (4,86%, 4,7% e 6%, 
respectivamente). Nessa fase, a mesorregião já gerava perto 
de 50% do todo, sendo, portanto, em grande medida, res- 
ponsável por esses resultados. Além disso, alguns proje- 
tos de porte no estado atingem sua maturação, como foi o 



caso do complexo do III Pólo Petroquímico, herança do II 
Plano Nacional de Desenvolvimento. Os anos seguintes 
são caracterizados por fracos resultados, tanto no Brasil 
quanto no Rio Grande do Sul, quando se registram, de 1987 
a 1992, taxas negativas de crescimento em três dos seis 
anos. A participação da mesorregião nesse período é osci- 
lante, atingindo o maior resultado (50,81%) em 1989, cain- 
do a partir daí até atingir 47,71% em 1992. 

Apesar de não se dispor de informações para os 
anos de 1993-97 (Plano Real), é possível imaginar que a 
participação dessa mesorregião se tenha elevado em algu- 
ma medida, em razão dos efeitos da política de estabiliza- 
ção para a economia do estado. Sendo a agropecuária a 
mais atingida por esses efeitos, tal fato acaba por depri- 
mir, ainda mais, o desempenho daquelas mesorregiões, 
cujas economias dependem fundamentalmente desse se- 
tor, resultando em provável elevação da participação rela- 
tiva da mesorregião metropolitana no valor adicionado 
fiscal do estado. 

Essa visão geral da economia mesorregional, toda- 
via, não revela os diferenciais espaciais que existem em 
seu interior, o que impõe, do ponto de vista regional, uma 
análise dos vários recortes espaciais, com suas peculiari- 
dades. 

O primeiro deles e mais importante, a RMPA, é res- 
ponsável por cerca de 45% do PIB estadual (1990). Essa 
marca representa 5% a mais que a registrada em 1980. Esse 
avanço da participação relativa no total do estado deve-se 
a aumentos verificados em todos os setores económicos, 
mas com destaque para as atividades terciárias, que apre- 
sentam crescimento mais elevado que a média estadual, 
subindo de 43,7% para 47,4% no período. 

Contribuem decisivamente nesse processo a insta- 
lação, em 1981, do III Pólo Petroquímico, a política de estí- 
mulo às exportações - que mesmo nos anos de pior desem- 
penho da economia beneficia regiões que dispõem em sua 
matriz produtiva de segmentos ligados ao comércio inter- 
nacional -, os novos projetos no setor comercial, particular- 
mente no segmento dos supermercados e shopping centers e 
também uma queda relativa dos gastos governamentais com 
serviços, fora da RMPA. Esse aumento da participação rela- 
tiva da RMPA no PIB estadual é confirmado pelas informa- 
ções do valor adicionado fiscal no período de 1980-92. No 
início desse período, a participação relativa é de 36,23%, ten- 
do alcançado a marca de 41,7% em 1992. comportamento 
dessa participação, a exemplo dos demais recortes aqui ana- 
lisados, foi oscilante com tendência crescente, o que eleva 
significativamente a concentração espacial de atividades na 
economia gaúcha. Acomposição do PIB da RMPA tem como 
carro-chefe o setor industrial, que gera em tomo de 62% do 
total, já os serviços são responsáveis por 33,9%. O setor agro- 
pecuário é inexpressivo na economia metropolitana, embo- 
ra tenha aumentado sua participação relativa no produto 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I I 1 6 1 



I 



MAPA 31 

METROPOLITANA DE PORTO ALEGRE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1998) 



I 




NÍVEIS DE HIERARQUIA 

! | Médio para fraco e médio 

_| Médio para forte 

Forte 

Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



17 34 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



162 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



setorial do estado de 2,86% em 1980 para 3,36% em 1990. 
Curiosamente, esse aumento na participação relativa da 
RMPA no produto agropecuário deve-se, principalmente, 
à produção da zona sul (rural) de Porto Alegre, que eleva 
sua posição de 0,34% para 0,94% entre 1980 e 1990, respec- 
tivamente, com base principalmente na produção de fran- 
gos, ovos, pêssego, uva de mesa e ameixas. Certamente, a 
longo prazo, essas áreas acabarão sendo transformadas em 
espaço urbano, dado que a cidade só poderá expandir-se 
para a zona sul, fenómeno que já está ocorrendo de forma 
acelerada. 

Todavia, essa estrutura e respectivo crescimento não 
estão dispostos nem ocorrem de modo uniforme na RMPA. 
Na verdade, observa-se uma distribuição assimétrica, do 
ponto de vista geográfico, ao mesmo tempo em que se pro- 
cessa um tipo de rearranjo espacial, tomando como base o 
município. Para compreender esses dois aspectos do desen- 
volvimento metropolitano, devem ser observados dois re- 
cortes espaciais no interior da RMPA. O primeiro, RMPA1, 
localizado na parte norte da RMPA, polarizado por Novo 
Hamburgo/São Leopoldo, e o segundo, RMPA2, na parte 
sul, polarizado por Porto Alegre. A RMPA1 é constituída 
pelos municípios de Campo Bom, Dois Irmãos, Estância 
Velba, Lvoti, Nova Hartz, Novo Hamburgo, Parobé, Portão, 
São Leopoldo e Sapiranga. Fazem parte da RMPA2 os mu- 
nicípios de Alvorada, Cachoeirinha, Canoas, Charqueadas, 
Eldorado do Sul, Esteio, Glorinha, Gravataí, Guaíba, Porto 
Alegre, Sapucaia do Sul, Triunfo, Viamão e Nova Santa Rita, 
recém-emancipado de Canoas. Do ponto de vista da com- 
posição do produto, ambos são semelhantes, na medida em 
que têm um setor agropecuário pequeno, com 2% e 4,5%, 
respectivamente, de participação no produto regional, um 
setor industrial expressivo, com 61,5% e 71,5%, e os servi- 
ços com 26,7% e 33,5%. Essa semelhança, todavia, não sig- 
nifica homogeneidade no interior dos setores nos dois es- 
paços. Há especificidades a considerar, sempre levando em 
conta que as atividades económicas desenvolveram-se ao 
longo do tempo, de forma articulada num mesmo campo 
aglomerativo, cuja abrangência geográfica excede a do ter- 
ritório da RMPA legalmente instituída. 

Do ponto de vista industrial, a RMPA1 é claramen- 
te especializada na produção de calçados e de alguns ou- 
tros géneros que fazem parte dessa cadeia produtiva, 
como é o caso dos segmentos de couros, peles e similares 
e papel-papelão. Somente os municípios de Novo Ham- 
burgo e São Leopoldo detêm um parque industrial mais 
diversificado, em que se destacam a metalurgia, a mecâ- 
nica, a borracha, produtos de matéria plástica, além da- 
queles que sustentam a especialização sub-regional. A 
expansão do setor coureiro-calçadista nessa área do es- 
tado decorre da associação de dois fatores. O primeiro é 
dado pela própria formação histórica, que estabelece a 
partir da imigração alemã um extenso segmento coureiro- 



calçadista que dirige seus produtos apenas para o mer- 
cado interno. O segundo diz respeito ao forte incentivo 
às exportações determinado pela política económica no 
final dos anos 60, que se revela altamente positivo para 
aquela estrutura produtiva já existente. Os anos 70 e 80 
são de intenso crescimento do setor coureiro-calçadista 
calcado nas vendas externas. 

Do ponto de vista espacial, a região do Vale dos 
Sinos tem relativamente esgotada sua capacidade de sediar 
a produção do setor, o que obriga as empresas a procurar 
outras localizações para as novas plantas, necessárias para 
atender à demanda crescente. Paradoxalmente, uma das 
restrições regionais é dada pela escassez de mão-de-obra 
em muitas cidades do Vale, que à época passam a empre- 
gar grandes contingentes de menores de idade em suas 
fábricas. Uma primeira estratégia para enfrentar a escas- 
sez relativa de mão-de-obra é transportar trabalhadores, 
diariamente, dos municípios vizinhos para os locais de 
produção. Isso, todavia, representa um custo adicional, 
razão pela qual não passa de uma solução de emergência, 
de caráter transitório. Diante desse tipo de restrição, as 
empresas passam a buscar novas áreas para localização, 
recaindo suas escolhas em municípios situados no entor- 
no da RMPA, ao norte /nordeste e a oeste. 

A situação relativamente confortável de que dis- 
punha o setor de calçados nos anos 70 e 80 se arrefece a 
partir de 1990, quando se inicia a abertura comercial no 
país e se extinguem muitos dos mecanismos de estímu- 
los às exportações. Deve ser considerado ainda que o se- 
tor calçadista já vinha sofrendo acirrada concorrência em 
terceiros mercados, por parte de produtores asiáticos e 
europeus. A consequente perda de competitividade pode 
ser atribuída à defasagem cambial provocada pela 
sobrevalorização da moeda, ao excesso de impostos e aos 
preços mais competitivos dos concorrentes. O aprofun- 
damento da abertura comercial e o câmbio apreciado, a 
partir de julho de 1994, aumentam o número de 
concordatas e falências, enfraquecendo empresas, ainda 
estáveis financeiramente. A exposição a uma concorrên- 
cia mais aberta no plano internacional obriga o setor a 
reestruturar-se, com a finalidade de manter a inserção 
no mercado internacional. Esse movimento tem como re- 
sultado uma elevação da competitividade para algumas 
firmas de maior porte e um grande contingente de de- 
sempregados ou empregados em condições precárias. 

Esta parte da região conta com dois centros urba- 
nos (São Leopoldo e Novo Hamburgo), que, além de de- 
sempenhar funções industriais, cumprem o papel de cen- 
tros de comércio e serviços nesta área da RMPA. Esses dois 
municípios geram 3,47% do PIB do setor terciário estadual 
em 1980, tendo passado a 5,84% em 1990, uma elevação 
expressiva. O setor de serviços aumenta também sua par- 
ticipação relativa na composição do PIB dos dois municí- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas 



I 



163 



pios. Em 1980, representa 37,63% do total, tendo atingido 
43,81% em 1990. Isso significa que essas duas cidades 
ofertam serviços que são consumidos em quase toda a re- 
gião coureiro-calçadista do estado. 

Aparte da região aqui denominada RMPA2 tem um 
perfil económico distinto do da RMPA1, uma vez que pos- 
sui um parque industrial diversificado e um setor terciário 
igualmente mais complexo e com ordem mais elevada na 
hierarquia dos serviços do" estado. A economia da RMPA2 
aumenta sua participação relativa no PIB do estado entre 
1980 e 1990, de 33,82% para 35,94%. Esse avanço é assegu- 
rado pelo crescimento do setor terciário de 39,81% de parti- 
cipação em 1980 para 41,19% em 1990, dado que a indústria 
apenas mantém a sua posição em torno de 38%. Embora 
inexpressiva na economia metropolitana, a agropecuária 
também avança, de 2,07% para 2,88%, no mesmo período. 

Do ponto de vista espacial, o aspecto mais rele- 
vante ocorrido nas últimas décadas é a reorganização, ain- 
da em curso, caracterizada pelo esgotamento relativo da 
capacidade de atrair ou manter os investimentos indus- 
triais em certas áreas dessa parte da RMPA. Esse proces- 
so, que pode ser denominado de desindustrialização re- 
lativa, tem início em Porto Alegre, já no final dos anos 
60, acelerando-se nos anos 70 e 80. Em 1970, a capital do 
estado gera 25,88% do produto industrial gaúcho, pas- 
sando a 12,44% em 1990. Isso não significa tendência à 
desin-dustrialização absoluta de Porto Alegre, mas redu- 
ção relativa de seu papel industrial. Em outras palavras, 
ainda há espaço para indústrias na sede metropolitana, 
mas apenas para os géneros compatíveis com o meio am- 
biente de uma metrópole, ou seja, aqueles ramos que não 
produzam ruídos, que não consumam muito espaço ur- 
bano, que não operem grandes volumes de matérias-pri- 
mas ou produtos, que necessitem estar muito próximos 
de seus principais mercados e/ou dos centros de pesqui- 
sas e universidades ou, ainda, que necessitem de mão-de- 
obra muito especializada. 

O mesmo fenómeno de desindustrialização relativa 
ocorre, mais recentemente, em outros municípios da RMPA2, 
como Canoas, Esteio e Sapucaia do Sul, que antes foram até 
receptores das fábricas novas que, no passado, teriam pre- 
ferido Porto Alegre como local ideal para sua localização. O 
conjunto desses três municípios representa 14,81% da pro- 
dução industrial em 1980, passando a 12,60% em 1990. 

Não há dúvidas de que a progressiva desindustria- 
lização relativa de Porto Alegre deve-se a uma série de 
fatores, entre os quais 

o aumento do preço da terra e a elevação de custos derivada da 
aglomeração excessiva, ambos decorrentes do adensamento de 
atívidades e de população numa área restrita. (Alonso e Bandei- 
ra, 1988, p. 8-9) 

Os espaços disponíveis para áreas industriais pu- 
ras em Porto Alegre impõem altos custos de ocupação, 



dado que são zonas que exigem elevados investimentos 
preparatórios para o assentamento de plantas. Esse fato 
tem levado as firmas a preferirem localizações próximas 
de Porto Alegre, a fim de que possam reduzir os custos de 
instalação e operações, sem estar distante da oferta de ser- 
viços proporcionada pela sede metropolitana. Os espaços 
disponíveis nas áreas mistas não comportam grandes plan- 
tas e igualmente oneram os custos da atividade industrial. 

Há quatro municípios para os quais a situação é 
diferente, isto é, são locais que dispõem de condições pro- 
pícias para a atração de novos projetos industriais. Dois 
deles são Gravataí e Guaíba, que estão conurbados com a 
malha urbana metropolitana, em particular com a sede da 
RMPA, além de disporem de infra-estrutura e área sufici- 
entes para a expansão industrial com custos competitivos 
quando comparados aos municípios vizinhos. Corroboram 
essa assertiva a participação relativa de ambos na forma- 
ção do produto industrial, que em 1980 é de 4,65% e em 
1990 passa a 6,38%. O município de Cachoeirinha tem to- 
das as condições desses municípios para atração indus- 
trial, exceto a dimensão territorial. Seu parque industrial 
gera 0,76% da produção industrial em 1980, tendo aumen- 
tado para 1,12% em 1990. Mesmo assim, ainda há espaço 
para a expansão urbana e industrial, mas, provavelmente 
a custos maiores que os de Gravataí e Guaíba. O municí- 
pio de Triunfo apresenta uma situação bem distinta dos 
demais em quase todos os aspectos. De um lado, experi- 
menta um crescimento na participação relativa maior que 
o dos demais, passando de 0,03% da produção industrial 
em 1980 para 4,39% em 1990, causado pelo início das ope- 
rações do III Pólo Petroquímico no início dos anos 80. To- 
davia, trata-se de um enclave, sem nenhuma interdepen- 
dência técnica com as atividades económicas locais. 

Os municípios de Alvorada e Viamão têm desem- 
penhado historicamente funções de cidades-dormitório no 
contexto metropolitano, não tendo ainda despertado (até 
1993) a atenção de empreendedores industriais. As firmas 
que constituem os parques industriais desses municípios 
são pequenas e, em geral, pertencentes a géneros tradicio- 
nais. O município de Charqueadas foi incluído recente- 
mente na RMPA, não sendo contíguo à ocupação da ma- 
lha principal da RMPA. Mantém apenas duas plantas gran- 
des, uma do ramo de produção termelétrica de energia e a 
outra do género da metalurgia (antiga Aços Finos Piratini). 
O município de Eldorado do Sul tem sua área urbana en- 
tre Porto Alegre e Guaíba, da qual se emancipou. Sua lo- 
calização é privilegiada com relação à atração de investi- 
mentos industriais, por ser uma extensão da área urbana 
de Guaíba. Por fim, o município de Glorinha, emancipado 
recentemente de Gravataí, tem uma economia, até 1993, 
predominantemente agropecuária, portanto sem caracte- 
rísticas metropolitanas. 

A evolução económica da RMPA revela uma ten- 



Caracterizaçáo e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



164 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



dência de aumento das atividades terciárias na composi- 
ção de seu PIB. A distribuição espacial dessas atividades 
é altamente concentrada em poucos municípios. No topo 
da hierarquia está Porto Alegre, que gera 28,55% dos ser- 
viços do estado (1990), seguido de Canoas, com 6,05% 
(1990). Em terceiro lugar, está Novo Hamburgo, com 
3,46% (1990), seguido de Esteio, com 2,99%, e São 
Leopoldo, com 1,46% do produto terciário do Rio Gran- 
de do Sul. O setor terciário apresenta uma composição 
bastante heterogénea, já que abrange desde atividades 
informais até aquelas que têm uma forma de organiza- 
ção tipicamente capitalista e com tecnologia de ponta. 
Essas tendem a ser ofertadas nos estratos mais elevados 
da hierarquia urbana e possuem áreas de mercado cuja 
amplitude geográfica ultrapassa as fronteiras estaduais. 
E o caso de Porto Alegre, cidade na qual a queda relativa 
da produção industrial foi compensada pelo avanço das 
atividades terciárias, o que resulta na manutenção da 
participação desse município no PIB do estado entre 19% 
e 20%, nos anos 80 e 90, respectivamente. 

As chamadas aglomerações litorâneas destacam- 
se mais pelas especificidades que as caracterizam que 
por sua importância económica no contexto estadual. 
São formadas, no presente, por nove municípios, boa 
parte deles com as malhas urbanas em contiguidade, 
abrigando uma população permanente que se encontra 
concentrada em Torres, Capão da Canoa, Tramandaí e 
Osório. Nas demais aglomerações, a ocupação é rare- 
feita do ponto de vista territorial. Sua economia é insig- 
nificante no total do estado, embora tenha elevado sua 
participação na formação do PIB de 0,76% para 0,83%, 
entre 1980 e 1990, respectivamente. As informações re- 
lativas ao valor adicionado fiscal também indicam au- 
mento relativo na participação desse conjunto de mu- 
nicípios na economia estadual, de 0,53% em 1980 para 
1,07% em 1993. Esse avanço deu-se, fundamentalmen- 
te, em dois municípios que não têm seu território na 
orla, embora façam parte das aglomerações litorâneas. 
São os municípios de Osório e Palmares do Sul, justa- 
mente os que detêm os maiores investimentos produti- 
vos em seus âmbitos. O principal produto desses dois 
municípios é o arroz, que tem uma expansão de 89.812 
toneladas em 1985 para 133.439 toneladas em 1995, um 
aumento expressivo, dado que essa não é uma região 
que tenha tradição em tal cultura. O setor industrial 
nessas duas localidades é constituído por apenas qua- 
tro géneros, que geram 98,6% total. Em Osório, os gé- 
neros química, calçados e produtos alimentares empre- 
gam 84,32% (1.253) de toda a indústria local. Em 
Palmares do Sul, os produtos alimentares e a madeira 
empregam 89% (587) da mão-de-obra do setor no mu- 
nicípio. Osório é a cidade que abastece de bens e servi- 
ços todos os demais do conjunto litorâneo. Se conside- 



radas somente as aglomerações que estão, de fato, na 
orla, verifica-se que a participação no valor adicionado 
fiscal passou de 0,22% para 0,24% entre 1980 e 1992, 
desempenho muito próximo da média do estado, que 
foi de 2,6% a.a. no mesmo período. 

As aglomerações litorâneas sempre tiveram como 
principais atividades económicas aquelas relacionadas com 
o turismo interno, por causa da função balneária exercida 
pela maioria das localidades do litoral. No início, são os 
balneários de Tramandaí e Torres. Mais tarde, aparecem 
Capão da Canoa, Atlântida e Imbé. Esses locais recebem 
grande afluxo de população das classes média e alta do Rio 
Grande do Sul nos meses de verão. Nos últimos trinta anos, 
os acessos melhoram consideravelmente, principalmente 
com a BR 290 (jreeway) ligando a RMPA, a partir da capital, 
com o litoral. Esse fato possibilita que novos estratos de po- 
pulação tenham acesso ao consumo dessa área de lazer. Com 
facilidades de financiamento, e uma demanda reprimida, a 
construção civil começa a crescer a taxas elevadas, e multi- 
plicam-se por todo o litoral as atividades de serviços de 
apoio à construção civil e manutenção de casas e aparta- 
mentos de veraneio. Assim, nos meses de verão, mais de 
um milhão de habitantes acorrem à faixa litorânea do nor- 
te, exercendo forte pressão sobre a frágil infra-estrutura ur- 
bana disponível. 

No início dos anos 80, a relação cambial entre Bra- 
sil e Argentina revela maior valorização do peso, o que 
gera grandes fluxos turísticos do Prata para as praias gaú- 
chas e catarinenses. Ocorrem até mesmo aquisições de 
imóveis no litoral do Rio Grande do Sul, o que durante 
quatro ou cinco anos gera expectativas de expansão das 
atividades económicas do litoral. Todavia, dois fatores 
operam para que se esgote a demanda de turistas da Ar- 
gentina. O primeiro é de ordem cambial, à medida que 
desaparecem relativamente as vantagens do poder de com- 
pra do peso argentino. O segundo é o deslocamento das 
preferências dos turistas platinos inteiramente para as prai- 
as de Santa Catarina, inegavelmente mais belas e mais agra- 
dáveis do ponto dos vista dos banhistas. Além disso, boa 
parte de gaúchos, especialmente da geração jovem, estão 
preferindo também o litoral catarinense, durante os me- 
ses de verão, pelas mesmas razões. As praias gaúchas têm 
como aspectos desagradáveis a instabilidade climática, as 
baixas temperaturas e a grande incidência de detritos na- 
turais na água do mar. 

Parece claro que essa região do estado é uma das 
mais atingidas pela crise geral que afeta tanto a economia 
brasileira quanto a gaúcha, uma vez que tem a economia 
centrada em atividades que são as primeiras a serem 
sacrificadas pelas famílias em momentos de crise. Além 
disso, perde capacidade competitiva em relação ao litoral 
de Santa Catarina, que tem a mesma vocação, mas atribu- 
tos relativamente superiores. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



165 



O recorte espacial constituído por Canela, Grama- 
do, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula, denominado 
de eixo turístico, tem a especificidade de sua formação eco- 
nómica estar baseada no turismo, que se vem consolidando 
nas últimas décadas, como pode ser observado no desen- 
volvimento da composição do produto regional. Em 1980, 
as atividades terciárias representam 35,03% do total do PIB, 
passando a 41,38% em 1990. As atividades industriais man- 
têm sua posição em torno de 45% (1990), e a agropecuária 
reduz sua participação relativa de 21,45% para 13,62% no 
mesmo período. Apesar dessa queda relativa, a agropecuá- 
ria dos quatro municípios é diversificada e competitiva no 
âmbito do estado, a despeito da pequena extensão territo- 
rial e das adversidades impostas pelas condições naturais 
(terreno acidentado, solos muitas vezes desfavoráveis etc). 

A participação desse eixo no produto total do esta- 
do, que é de 0,75% em 1980, passa para 0,79 em 1990, pra- 
ticamente não havendo alteração nos anos da crise. Com- 
portamento semelhante é demonstrado pelas estatísticas 
do valor adicionado fiscal, que revelam uma participação 
com pequenas flutuações, em função das fases recessivas 
e de recuperação experimentadas pela economia brasilei- 
ra na década de 80 e nos primeiros anos 90. 

O setor industrial do eixo, formado predominante- 
mente por pequenas e médias empresas, experimenta re- 
lativa expansão entre 1980 e 1992, principalmente nos gé- 
neros vestuário, calçados e artefatos de tecidos, madeira, 
mobiliário, mecânica e metalúrgica. O crescimento dos dois 
últimos insere-se no comportamento do pólo metal-me- 
cânico, cujo centro está na aglomeração urbana de Caxias 
do Sul. O número de estabelecimentos passa de 20 em 1980 
para 66 em 1993, e os empregos, de 587 para 753. A indús- 
tria da madeira faz parte da história da região, que no pas- 
sado deteve reservas nativas, particularmente nos muni- 
cípios de Canela e São Francisco de Paula, cujos territóri- 
os são limítrofes com os campos de cima da serra, região 
madeireira do Rio Grande do Sul. Detêm, em 1980, 52 es- 
tabelecimentos e 947 empregados, passando a 94 estabele- 
cimentos e 1.317 empregados em 1993. 

A indústria do mobiliário (uma extensão do segmen- 
to madeireiro) também é tradicional nesse eixo, tendo mes- 
mo estabelecido um estilo denominado móveis de Gramado, 
cujo mercado se amplia para além das fronteiras do país. 
Apesar de estar presente e ter crescido em número de esta- 
belecimentos também em Canela e Nova Petrópolis, é em 
Gramado que se verifica maior crescimento entre 1980 e 



1993. No início do período, o município detém 45,4% dos 
empregos do segmento mobiliário dentre os municípios do 
eixo, passando a 78,7% em 1993, uma tendência que aponta 
para uma concentração dessa atividade no município, con- 
siderando a extensão do eixo turístico. O género produtos 
alimentares tem pequeno porte, e seu crescimento está 
centrado em Gramado e Nova Petrópolis, onde passa de 23 
estabelecimentos para 61, e de 280 empregados para 446, 
com ênfase para a produção dos chocolates de Gramado, outra 
grife reconhecida nacionalmente. 

A marca específica da economia dessa porção me- 
sorregional é dada pelas atividades terciárias ligadas ao 
turismo: hotelaria, comércio, contemplação, gastronomia, 
clima de montanha, eventos variados nas áreas de negó- 
cios, das artes, do cinema, da música, das datas especiais 
(Páscoa, Natal) etc. Essas atividades concentram-se mais 
nos municípios de Gramado e Canela, que já estão prati- 
camente conurbados, com uma distância, entre o centro 
das duas cidades, de 6 quilómetros aproximadamente. 

A área situada a norte e noroeste da RMPA, que 
também faz parte da região perimetropolitana, constitui- 
se por pequenas cidades - Bom Princípio, Brochier do 
Maratá, Feliz, Igrejinha, Montenegro, Poço das Antas, Ro- 
lante, Salvador do Sul, Santa Maria do Herval, Santo An- 
tónio da Patrulha, São Sebastião do Caí, São Vendelino, 
Três Coroas e Taquara -, com economia baseada, predo- 
minantemente, na pequena e média produção, tanto ru- 
ral quanto urbana, com elevado padrão de qualidade de 
vida. O conjunto desses municípios, localizados no en- 
torno da RMPA, tem constituído o receptáculo dos in- 
vestimentos industriais que não conseguiam se reprodu- 
zir no âmbito metropolitano. E o caso do setor coureiro- 
calçadista, que se expande nesses municípios a taxas mais 
elevadas que a média do estado, conforme revelam as 
informações relativas ao emprego. Em 1980, o emprego 
no setor localizado nesses municípios representa 14,86% 
do total setorial do estado, tendo passado a 16,86% em 
1993 10 . A participação do emprego do setor coureiro- 
calçadista no total do emprego industrial do conjunto dos 
municípios é de 64,2% em 1980, tendo aumentado para 
75,88% em 1993, o que indica relativa tendência à especi- 
alização nesse tipo de indústria. Fica claro, portanto, que 
o avanço do setor, inegavelmente, foi o responsável pelo 
aumento da participação do parque industrial da área 
no total da indústria riograndense, de 4,62% para 6,64%, 
entre 1980 e 1993. 



'Os dados sobre emprego de 1980 têm como fonte o Censo Industrial do IBGE. No caso da indústria calçadista foi utilizado o género 
Vestuário, Calçados e Artefatos de Tecidos como representativo dos calçados. Isso só foi possível porque o segmento Vestuário e 
Artefatos de Tecidos é insignificante no contexto do género. Tomando por base os dados do valor adicionado fiscal de 1993, que tem 
separado o segmento Calçados do género Vestuário, Calçados e Artefatos de Tecidos, é possível avaliar o tamanho do segmento 
Vestuário e Artefatos de Tecidos no total do género (0,8%). Esse mesmo segmento representa 0,5% do valor adicionado fiscal da 
indústria do conjunto dos municípios. As informações de 1993 têm como fonte os relatórios do valor adicionado fiscal da Secretaria da 
Fazenda do Rio Grande do Sul. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



166 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



A maior cidade desse conjunto é Montenegro, cuja 
posição no contexto da mesorregião e relação com a 
RMPA convém examinar mais detidamente. Trata-se de 
um município localizado em um dos vetores de expan- 
são industrial da RMPA, juntamente com o III Pólo 
Petroquímico e as cidades de Lajeado, Estrela e Teutônia. 
Esses locais têm recebido investimentos industriais que 
tradicionalmente preferiam as cidades da RMPA. O par- 
que industrial de Montenegro detém 2.530 empregos in- 
dustriais em 1980 (Censo Industrial do IBGE), passando 
a 4.240 em 1993 (Secretaria da Fazenda do Estado do Rio 
Grande do Sul). Apenas quatro géneros (produtos alimen- 
tares, bebidas, química e calçados) representam em tor- 
no de 96% do valor adicionado fiscal da indústria local. 
Algumas empresas estão ligadas fortemente ao mercado 
internacional, o que revela, de certa forma, a capacidade 
competitiva da indústria local. 

4.5.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A área metropolitana de Porto Alegre pode ser 
considerada o núcleo da maior e mais importante aglo- 
meração urbana da região Sul. Apresentando caracterís- 
ticas de relativa desconcentração do núcleo principal e 
incorporando em uma mesma dinâmica suas aglomera- 
ções vizinhas, a área distingue-se pela configuração de 
uma morfologia urbana caracterizada por espacialidades 
de concentração, com particularidades que recortam o 
seu espaço em distintas unidades: 

• a aglomeração metropolitana cujo núcleo é Porto Ale- 
gre, com parque industrial diversificado e terciário com- 
plexo, configurando uma mancha de ocupação contí- 
gua com dez municípios; 

• a parte norte da aglomeração metropolitana de Porto 
Alegre, integrada pelos centros urbanos de Novo Ham- 
burgo e São Leopoldo, inserindo em uma mesma man- 
cha de ocupação mais 13 municípios, cuja economia tem 
peso na indústria calçadista; 

• a aglomeração que articula Montenegro às áreas 
conurbadas de Lajeado e Estrela, constituindo o princi- 
pal vetor de investimentos industriais da RMPA; 

• a ocupação contínua com os centros articulados de Gra- 
mado e Canela; 

• a ocupação contínua litorânea. 

O elemento comum a essas unidades espaciais é o 
significativo crescimento de sua população, em grande parte 
dos municípios, superior à média do estado desde 1970. 
Dentre seus municípios, há um grande número com cresci- 
mento da população rural (34% do total da região), repro- 
duzindo uma característica evidenciada em outras regiões 
do Sul, decorrente de sua inserção em áreas dinâmicas e do 
desenvolvimento de atividades voltadas a um grande e prós- 
pero mercado consumidor, situado nas proximidades. 



A região apresenta também espacialidades de es- 
vaziamento, formadas por municípios com base económi- 
ca agropecuária, que vêm perdendo população desde 1970 
(Sentinela do Sul e São Jerónimo) e após 1991 (General 
Câmara e Santo António da Patrulha), e por seis pequenos 
centros com crescimento negativo da população urbana. 

4.6 Sudoeste Riograndense 

A mesorregião sudoeste riograndense (Mapa 32) 
possui 732.659 habitantes, compondo 7,60% da população 
do estado em 1996. Possui 17 municípios e a menor densi- 
dade (17 habitantes por quilómetro quadrado) dentre as 
mesorregiões do Rio Grande do Sul. Seu grau de urbani- 
zação é de 84,82%. 

O crescimento de sua população total vem man- 
tendo-se próximo a 1% a.a. desde os anos 70, apresentan- 
do entre 1991 e 1996 a taxa de 1,09% a.a. A evasão de sua 
população rural, que nos anos 70 apresentava taxas de - 
2,62% a.a., passa a ser menos expressiva nos anos recentes 
(-0,73% a.a. entre 1991 e 1996). 

As principais cidades fronteiriças, tanto com a Ar- 
gentina quanto com o Uruguai, apresentam taxas de cres- 
cimento superiores à média do estado. Os demais municí- 
pios mantêm um padrão de sustentação de sua popula- 
ção, exceto São Francisco de Assis, que, desde os anos 80, 
tem taxas anuais negativas de sua população total. 

Sua rede urbana é constituída por pequenas e mé- 
dias cidades, geograficamente equidistantes, não configu- 
rando nenhuma centralidade notável. A localização de cen- 
tros urbanos ao longo da linha de fronteira com a Argenti- 
na e Uruguai parece obedecer a uma estratégia de assegu- 
rar a guarda do território em épocas passadas, nas quais 
não havia segurança com relação à fronteira já demarcada. 

Essa mesorregião é parte de uma formação regio- 
nal mais ampla, denominada convencionalmente metade 
sul do estado. É produto histórico da sociedade pastoril 
que constrói a região, desde suas origens, a partir de uma 
estrutura agrária de grandes latifúndios. E uma das áre- 
as mais estagnadas do estado, uma vez que sofre uma 
dupla crise. De um lado, uma crise estrutural semi-secu- 
lar, decorrente da incapacidade de alcançar uma inser- 
ção favorável nos ciclos expansivos das economias bra- 
sileira e do próprio estado e também de diversificar sua 
base produtiva, constituída praticamente por carne e ar- 
roz. De outro lado, sofre também os efeitos da crise que 
se abate e ainda perdura sobre a economia brasileira nas 
duas últimas décadas. 

As dificuldades económicas dessa mesorregião tor- 
nam-se mais explícitas a partir da segunda metade dos 
anos 70 e início dos anos 80, quando se esgotam as políti- 
cas de crédito farto e barato à agropecuária brasileira. Esse 
fato, combinado com as dificuldades estruturais em atua- 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Analise das Mesorregioes Geográficas I 1 07 



i 



MAPA 32 

SUDOESTE RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



I 



Garruchosy 
A 1 



São Borja 




Itaqui 



^< 


Manoel 




São Francisco 


Dv, Viana 




de Assis 




2 


{ 








■^n- 





Uruguaiana 




( Hulha/ 
rNegrá 

Candiota 



nível de hierarquia 

L_ J Médio para fraco e médk 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 



25 50 km 



N 

A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



168 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



lizar-se tecnologicamente, leva a mesorregião à obtenção 
de resultados medíocres. A participação relativa mesorre- 
gional na formação do produto do estado vem caindo per- 
sistentemente há, pelo menos, seis décadas. Entre 1980 e 
1990, a queda relativa é de 7,08% para 5,21%. Essa queda 
na participação mesorregional verifica-se em todos os se- 
tores, exceto na indústria, que tem aumento de 2,54% para 
3,36%, certamente sustentado pela expansão da agroin- 
dústria arrozeira. As informações relativas ao valor adici- 
onado fiscal para o período de 1980-92 confirmam a ten- 
dência declinante da participação dessa mesorregião no 
contexto estadual. Os anos compreendidos entre 1980 e 
1987 são de queda permanente, mesmo na fase 1984-86, 
considerada de recuperação da economia brasileira. A par- 
tir de 1987 a participação relativa flutua, mas com tendên- 
cia à queda, tendo atingido 5,71% em 1992. Não há ne- 
nhuma razão para considerar que, após 1993, o desempe- 
nho da economia regional tenha melhorado - ao contrá- 
rio, os sinais são de crise acentuada em todos os setores. 
A agropecuária mesorregional tem mantido nas úl- 
timas décadas sua participação no produto do setor pri- 
mário do Rio Grande do Sul, ainda que com algumas 
flutuações. Todavia, entre 1980 e 1990, há queda de 14,89% 
para 11;63%, muito em função do fraco desempenho da 
pecuária (bovinos e ovinos), segmento que enfrenta pro- 
blemas de obsolescência tecnológica e concorrência de pro- 
dutos sucedâneos como as carnes de frangos e suínos 11 . O 
rebanho de bovinos, que, em 1985, representa 33,32% do 
rebanho do estado, passa para 30,66%, uma redução abso- 
luta de 150 mil cabeças. A produção de leite daí derivada 
cai de 6,47% para 4,97%, embora haja aumento absoluto. 
Na ovinocultura a queda é maior, tendo o efetivo passado 
de 56,82% para 50,15% nesses dez anos. Um milhão e qua- 
trocentos mil ovinos deixam de existir nessa mesorregião 
no mesmo período. No caso da lã, a queda relativa é de 
61,72% para 53,55% do total do estado. Apesar disso, pa- 
rece haver um movimento de modernização na pecuária 
(bovina e ovina) do Rio Grande do Sul, por parte de um 
pequeno número de criadores que buscam selecionar ra- 
ças, melhorar o manejo, reduzir as taxas de mortalidade e 
elevar as de natalidade, diminuir o tempo de engorda e 



adotar novas formas de apresentação do produto. Esse mo- 
vimento de modernização é acompanhado por sofistica- 
da produção de matrizes de reprodutores em regime de 
cabanhas 12 já há várias décadas. Todavia, ainda não se pode 
afirmar que esse esforço de produção se tenha difundido 
em todo o rebanho do estado. Ao contrário, o que se ob- 
serva na mesorregião sudoeste, região tipicamente 
pecuarista, é o enfraquecimento dessa estrutura produti- 
va, principalmente nos anos 90, como decorrência de seus 
próprios limites, assim como da abertura comercial, dos 
juros altos e do fechamento do mercado internacional por 
causa de problemas de ordem sanitária. 

O setor só não está em situação mais decadente em 
razão do bom desempenho da lavoura orizícola na região. 
Essa cultura obtém elevação importante dos índices de 
produtividade em função da adoção de insumos moder- 
nos, sementes melhoradas, máquinas e implementos agrí- 
colas adequados, bem como de linhas de financiamento 
oficiais compatíveis com a economicidade da atividade. A 
mesorregião produzia 40,47% do arroz do estado, man- 
tendo a mesma proporção em 1995. Para tanto, teve de 
elevar a produção em 700 mil toneladas, um aumento ex- 
pressivo. Apesar de sua potencialidade, o segmento tam- 
bém vem enfrentando dificuldades, que se agravam a par- 
tir de 1994, quando se acentua a abertura comercial, difi- 
cultam-se as rolagens de dívidas contraídas anteriormen- 
te e aumentam os preços dos insumos mais que os preços 
pagos aos produtores. Ainda assim, mantém-se como o 
carro-chefe da agropecuária da mesorregião. 

O setor industrial da região é o que apresenta os 
piores resultados nas últimas três décadas. Os números 
relativos aos anos 70 e 80, todavia, não se confirmam nos 
anos 90. Os dados sobre emprego (Rais) indicam cresci- 
mento de 7.357 para 9.671 empregos formais em toda a 
indústria da região entre 1986 e 1989. Mas, em 1993, há 
somente 6.624 e, caindo ainda mais em 1996, 5.553. Nos 
géneros alimentos e bebidas, os 3.989 empregados exis- 
tentes em 1986 aumentam para 6.062 em 1989, reduzindo- 
se para 3.417 em 1993 e 2.420 em 1996. parque industrial 
dessa região sempre esteve centrado em ramos ligados à 
base agropecuária. Assim, o género dominante no cenário 



11 É inegável a mudança ocorrida nos hábitos alimentares da população gaúcha nos últimos 30 ou 40 anos. O centro dessa mudança é a 
substituição da carne bovina por frangos e suínos, produtos cujos custos de produção são mais baixos e os preços, mais baratos. Além 
da venda dessas carnes in natura, há grande diversificação na produção de embutidos que hoje fazem parte da dieta gaúcha. Uma 
prova -da elevação do consumo de frangos é dada pelo comportamento do efetivo dessa ave no estado: em 1970, o rebanho é de 13,477 
milhões de cabeças; em 1985, passa para 43,616 milhões; e, em 1995, alcança 110,746 milhões. Uma parte desse universo é exporta- 
do, mas a maior parcela ainda é consumida no próprio Rio Grande do Sul. O rebanho de suínos tem reduzido o seu efetivo no Rio 
Grande do Sul: em 1970 é de 5,852 milhões de cabeças e, em 1995, não passa de 4,245 milhões de unidades. Tal queda deve-se à 
pesada concorrência exercida pela produção de Santa Catarina e não invalida a afirmação feita anteriormente, no sentido de que esse 
produto passa a ocupar parte do mercado de carne bovina no Rio Grande do Sul. 

12 Regime de cabanhas é uma modalidade de criação pecuária exercida nas fazendas, cuja predominância de matrizes de reprodutores 
(machos e fêmeas) é feita por seleção genética. Essas matrizes são comercializadas para outros estabelecimentos, que as utilizam para 
reprodução de animais para abate. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregioes Geográficas 



I 



169 



da indústria regional é ainda hoje o de produtos alimenta- 
res, que representa aproximadamente 89% do valor adici- 
onado fiscal da indústria local. A participação da indús- 
tria regional no produto industrial do estado só não é pior 
por causa da emergência do beneficiamento do arroz na 
região nas últimas décadas. A plantas frigoríficas (carnes 
bovinas e ovinas) são dizimadas pela obsolescência tec- 
nológica e pelas dificuldades geradas pelo mercado inter- 
nacional, reduzindo, ao longo do tempo, suas atividades 
e/ou sumariamente encerrando-as. São grandes plantas, 
algumas delas implementadas por capitais internacionais, 
outras por cooperativas ou grupos privados locais. O fe- 
chamento dessas unidades provoca grande desemprego 
na região, levando ao surgimento de movimentos no sen- 
tido de reativação, sob a gestão de novos controladores, já 
que os estrangeiros se retiram logo do negócio. As reivin- 
dicações são por linhas de crédito associadas com a redu- 
ção do ICMS, o que tem sido obtido, sem, entretanto, re- 
solver os problemas básicos que são da ordem tecnológica 
e de mercado. Assim, pode-se considerar que, com as al- 
ternativas até agora adotadas, não há possibilidades de 
solução duradoura para esse segmento na indústria regio- 
nal. Além disso, há ainda um problema estrutural a ser 
resolvido quanto à capacidade instalada do parque frigo- 
rífico para bovinos, que está superdimensionado, o que 
exige ajuste muito mais profundo em comparação ao que 
até agora tem sido reivindicado pelas lideranças regionais 
e patrocinado pelos governos do estado e da União. 

No passado distante não há industrialização da 
produção de lã ovina, produto tradicional da pecuária re- 
gional; apenas um preparo inicial de lavagem e classifica- 
ção para venda posterior aos lanifícios de fora da região 
ou do exterior, trabalho feito pelas chamadas barracas de lã. 
A partir do início dos anos 60, esse segmento inicia um 
movimento que parece ser um avanço na direção da in- 
dustrialização do produto até próximo de seu consumo 
final. Instalam-se dois lanifícios modernos e de grande 
porte na região, justamente no momento em que emerge 
no mercado a hegemonia do fio sintético, o que representa 
uma concorrência irresistível, levando esses empreendi- 
mentos à redução ou encerramento das atividades. 

Dois projetos, de capitais externos, estabelecem-se 
para introdução, na região, da indústria vinífera - um seg- 
mento inédito no ramo de bebidas -, com a finalidade de 
cultivar uvas viníferas e fabricar vinhos finos para os mer- 
cados interno e internacional. Esses empreendimentos são 
liderados pela Almadén (norte-americana da Califórnia) e 
pelo grupo Hombo (japonês). Este último ainda continua 
produzindo uvas e vinhos e realizando pesquisas com fru- 
ticultura, visando a uma possível produção de sucos no 
futuro. A empresa da Califórnia vende o negócio à outra 
multinacional do ramo de bebidas (Seagram), que, em uma 
reestruturação do grupo, acaba por transferir a fase de en- 



garrafamento para as plantas de serra gaúcha. O setor tem 
contra si uma retração importante dos mercados, não só no 
país, como no plano internacional, o que acaba por frustrar 
possíveis planos de expansão, apesar de as condições 
ambientais para este tipo de atividade, nessa zona do estado, 
serem superiores às encontradas na região mais tradicional, 
a serra gaúcha. Portanto, essas experiências não chegam a ter 
expressão regional no que diz respeito à geração de renda e 
emprego. 

O setor terciário mesorregional está bastante liga- 
do às funções das cidades existentes ao longo da fronteira 
do país com a Argentina - São Borja (BR)/Santo Tomé (RA); 
Itaqui (BR) /General Alvear e La Cruz (RA), distando ape- 
nas 11 quilómetros uma da outra, e Uruguaiana (BR) /Pas- 
so de Los Libres (RA) - e o Uruguai. Quaraí (BR)/Artigas 
(ROU) e Santana do Livramento (BR)/Rivera (ROU). 

Apesar de estarem localizadas em uma das áreas 
mais estagnadas do estado, essas aglomerações fronteiriças 
são dotadas de algumas peculiaridades que as distinguem 
das demais. Uma delas é estarem contíguas a cidades per- 
tencentes a outros países, com áreas urbanas, em alguns ca- 
sos, conurbadas. Outra é dada pela associação de dois fa- 
tos: o processo de integração estabelecido pelo Tratado de 
Assunção, em vigência nos anos 90, e a localização de algu- 
mas dessas aglomerações, justamente nas principais rotas 
de transporte, podendo depreender-se que essas sofrem um 
impacto direto do próprio processo de integração. Além dis- 
so, é necessário considerar que os territórios de fronteira, 
tanto com a Argentina quanto com o Uruguai, por terem 
economias não complementares, tendem a ser afetados de 
forma diferenciada pelos efeitos de bloqueio, estímulo ou 
destruição, presentes em qualquer processo de integração. 

A aglomeração urbana de São Borja, fronteira com 
Santo Tomé (Província de Corrientes), é uma cidade típica 
da campanha gaúcha, com participação relativa cadente no 
PIB do estado, economia de base agropecuária e indústria 
constituída de pequenas e médias unidades, com predomi- 
nância do género de produtos alimentares (87,13% do valor 
adicionado fiscal industrial local em 1993). O setor de servi- 
ços, em grande parte, está estruturado para atender às de- 
mandas decorrentes da base agropecuária. As ligações de 
São Borja com a vizinha Santo Tomé são bastante antigas, 
podendo-se afirmar que a integração entre ambas não cons- 
titui fato novo, mas tende a assumir novo caráter a partir do 
Mercosul. 

O aumento substancial de comércio entre Brasil e Ar- 
gentina, a partir do Tratado de Assunção, eleva a pressão so- 
bre as rotas de transporte tradicionais. No caso do Rio Gran- 
de do Sul, o principal eixo de transporte rodoviário tem como 
ponto de entrada/saída do país a cidade de Uruguaiana. Esse 
ponto, em pouco tempo de funcionamento do Mercosul, passa 
a constituir um estrangulamento no sistema de circulação 
internacional, levando à busca de rotas alternativas, dentre 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



170 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



as quais a mais viável, do ponto de vista regional, é, inegavel- 
mente, a que une as cidades de São Bona e Santo Tomé, que já 
vinha sendo utilizada por transportadores como solução par- 
cial à medida que a transposição do rio Uruguai era feita por 
um sistema de balsas. Uma antiga reivindicação local e re- 
gional - a construção de uma ponte sobre o rio Uruguai - 
ganha então viabilidade, tendo sido inaugurada no final de 
1997, abrindo amplas possibilidades para tornar essa aglo- 
meração um importante centro em uma rota de transporte 
com fluxos crescentes de mercadorias. Uma série de serviços 
de apoio, grande parte de natureza informal, certamente irá 
fortalecer o setor terciário, tanto de São Borja quanto de San- 
to Tomé, sem, contudo, ser suficiente para mudar o panora- 
ma económico estabelecido por sua base económica. 

A 80 quilómetros ao sul de São Borja, a cidade de 
Itaqui faz fronteira com as cidades de General Alvear e La 
Cruz - duas pequenas localidades, se comparadas com a 
brasileira. Depois de passar décadas sem ter expressão eco- 
nómica no cenário gaúcho, o município tem experimenta- 
do mudanças importantes em seu perfil agropecuário. A 
modificação relevante refere-se à introdução da atividade 
orizícola, sob bases tipicamente capitalistas de produção, 
nas várzeas dos rios Uruguai e Ibicuí, consorciada com a 
pecuária local, aumentando o rendimento médio das pro- 
priedades. Grande parte dessas mudanças é processada por 
empreendedores de outras áreas do estado. Em 1970, o mu- 
nicípio de Itaqui produz em torno de 80 mil toneladas de 
arroz, passando para 202 mil em 1985 e 355 mil em 1995. 
Esse avanço do setor orizícola, além dos tradicionais enge- 
nhos de arroz, acaba por viabilizar a implantação de 
agroindústrias, voltadas à produção de óleos comestíveis - 
uma novidade na região. 

As relações entre Itaqui e as vizinhas La Cruz e 
General Alvear - separadas pelo Rio Uruguai, mas liga- 
das por serviço de balsas - também são históricas. Sua na- 
tureza assemelha-se à das demais que ocorrem ao longo 
da fronteira entre os dois países. Nos anos 80 e 90, assiste- 
se à migração de inúmeros produtores rurais, principal- 
mente orizicultores, para a província de Corrientes, atraí- 
dos pelos baixos preços das terras, desenvolvendo ativi- 
dades de criação e de lavoura, fato que possibilita que se 
estabeleçam movimentos eventuais de mão-de-obra entre 
as três localidades. Essa aglomeração não é favorecida pe- 
los fluxos de mercadorias entre os dois países. O setor de 
serviços de Itaqui é pequeno, representando apenas 28,04% 
do PIB local, e sua demanda é atendida basicamente por 
Uruguaiana 13 . 

A aglomeração urbana de Uruguaiana, limítrofe 
com Passo de Los Libres, na Argentina, é a mais impor- 



tante dessa parte da fronteira, tratando-se da maior cida- 
de da mesorregião. Teve no passado uma agropecuária 
forte, calcada na produção de carne e lã. A ovinocultura é 
duramente atingida pela concorrência do fio sintético, o 
que reduz o rebanho do município a menos da metade em 
35 anos (de 1.342.550 cabeças em 1960 para 402.628 em 
1995). Essa perda parece não ser compensada pelo aumento 
da produção de arroz, que cresce rapidamente no municí- 
pio no mesmo período, passando de 78.032 toneladas em 
1970 para 535.680 em 1995. A produção agropecuária, que 
representa 2,20% do total do estado em 1980, cai para 1,79% 
em 1990. Apesar disso, a produção industrial melhora a 
participação relativa de 0,31% para 0,62% no mesmo pe- 
ríodo. O setor de serviços também apresenta queda na 
participação relativa, no total do estado, entre 1980 e 1990, 
ainda que a cidade se tenha mantido como o maior centro 
de atividades terciárias dessa parte do Rio Grande do Sul. 
Aproximadamente 58% do PIB local é gerado por ativida- 
des terciárias. 

A aglomeração urbana de Uruguaiana é o que vem 
sofrendo maior impacto do Mercosul, por causa do au- 
mento do fluxo de comércio entre Brasil e Argentina. Esse 
aumento exerce forte pressão sobre a estrutura de servi- 
ços local, principalmente sobre aqueles governamentais 
de apoio ao transporte de mercadorias entre os dois paí- 
ses. Em muitos momentos, nos últimos cinco anos, essa 
estrutura de serviços parece estar com a capacidade esgo- 
tada nesse ponto do território. É possível que, com a con- 
clusão da ponte São Borja/Santo Tomé, uma parte da de- 
manda que se exerce sobre Uruguaiana e Passo de Los 
Libres seja remetida para o aglomerado mais ao norte. 

Uruguaiana sempre teve uma rede de comércio 
varejista importante na região. Como toda cidade de fron- 
teira, seu comércio é influenciado por flutuações cambiais 
entre as moedas dos dois países, que ora beneficia um lado 
da fronteira, ora o outro. Assim, em muitos momentos da 
história recente, ocorreram verdadeiros booms comerciais, 
elevando as vendas, o emprego e a renda desse segmento 
por algum tempo, para depois voltar ao movimento que a 
dimensão da demanda local estabelece. A situação de fron- 
teira associada às diferenças cambiais favorece também, 
em momentos de crise, o funcionamento de atividades 
informais de comércio. Segundo estudos, cerca de 6 mil 
comerciantes informais estariam estabelecidos em 
Uruguaiana, em 1994, o que significa 5% da população do 
município (Oliveira et alii, 1996, p. 58-59). 

Com o Plano Real, as diferenças cambiais pratica- 
mente desaparecem. A redução das barreiras alfandegá- 
rias, permitindo o trânsito livre de mercadorias, aumenta 



13 Análise baseada na observação do fluxo de passageiros por ônibus entre janeiro e novembro de 1997, quando 5.070 passageiros 
deslocaram-se de Itaqui para Uruguaiana e 3.307 para São Borja, através das linhas diretas entre uma cidade e outra (Departamento 
Autónomo de Estradas de Rodagem - DAER, Relatório RSTC016, 6/5/1998). Supõe-se que grande parte dessas viagens destine-se à 
busca por serviços. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas 



I 



171 



as dificuldades do comércio nos municípios de fronteira, 
que perdem a peculiaridade da venda de mercadorias na- 
cionais aos países vizinhos. Em Uruguaiana, o número de 
vendedores ambulantes cai de mais de 4 mil para cerca de 
600, e dezenas de lojas são fechadas. 

A condição de maior centro urbano da mesorregião e 
a posição até certo ponto estratégica no contexto da fronteira 
Brasil/ Argentina permitem alguns ganhos com a expansão 
das atividades terciárias, mesmo assim insuficientes para si- 
nalizar alguma dinamização da economia local. Na verdade, 
a crise que sofre a economia da Metade Sul do Rio Grande do 
Sul é ampla e profunda, anulando as eventuais circunstânci- 
as favoráveis a uma retomada do desenvolvimento, que pos- 
sam emergir em um ou outro ponto do território. 

Quaraí está localizada na fronteira com a Repúbli- 
ca Oriental do Uruguai, junto à cidade de Artigas. Com 
mais de cem anos, desenvolve-se rapidamente no século 
passado em função da economia da pecuária, passando a 
sofrer uma estagnação económica secular, tornando-se um 
dos centros urbanos mais apáticos dessa região. As rela- 
ções com a vizinha Artigas, pelo menos no século XX, são 
presididas pela cooperação, havendo integração entre as 
sociedades e as economias locais, grandemente facilitada 
com a construção da Ponte da Amizade sobre o rio Quaraí, 
que limita os territórios dos dois países. 

Os anos 80 são de grandes dificuldades para a eco- 
nomia local, que tem sua participação relativa no PIB es- 
tadual reduzida à metade. Em 1980, representa 0,25%, pas- 
sando a 0,12% em 1990. Nos anos 90, a queda continua, 
atingindo 0,1% em 1994. Dado que o setor industrial é in- 
significante, pois representa apenas 3,28% (1990) do PIB 
do município, é na agropecuária que ocorrem as maiores 
perdas relativas. O município gera 0,65% do PIB do setor 
no estado em 1980. Dez anos depois, esse percentual cai 
para 0,36%. As atividades terciárias têm igualmente perda 
de participação no total do Rio Grande do Sul. 

Está claro que esse aglomerado de fronteira não al- 
cança dimensão semelhante aos demais, ao longo da his- 
tória, por diversas razões. Em primeiro lugar, por estar lo- 
calizado entre quatro cidades (Uruguaiana, Alegrete, 
Santana do Livramento e Artigas) de maior tamanho e que 
têm estrutura económica mais completa, principalmente 
quanto à oferta de serviços. Com a propriedade e a renda 
extremamente concentrada nas mãos de pouquíssimas fa- 
mílias, nunca houve no local escala suficiente para 
viabilizar os serviços de ordem mais elevada. Os poucos 
detentores da renda local acabam por abastecer-se nas qua- 
tro cidades mais próximas e em outras mais distantes (San- 
ta Maria e Porto Alegre), quando necessário. A melhoria 
dos acessos rodoviários, ocorrida nas últimas décadas, tem 
permitido que outros estratos da população, de renda me- 



nor, também sejam atendidos pela oferta de serviços das 
cidades vizinhas. Esse processo tem funcionado como uma 
restrição ao surgimento de oferta de novos serviços no lo- 
cal. Um indicador proxy da busca de serviços são os deslo- 
camentos de passageiros entre um local e outro. Tomando 
o número de passagens vendidas na Rodoviária de Quaraí 
(entre janeiro e novembro de 1997) 14 para linha direta en- 
tre essas cidades e as demais, observam-se os seguintes 
fluxos: 20.141 para Santana do Livramento, 12.428 para 
Alegrete, 7.094 para Porto Alegre; 4.889 para Uruguaiana 
e 2.358 para Santa Maria. 

Do ponto de vista industrial, a leitura é a mesma. 
No auge da economia da pecuária na região, a evolução 
da indústria do charque para a indústria da carne resfria- 
da ou congelada dá-se com a introdução de grandes plan- 
tas (capitais externos) que se localizam nas cidades com 
maiores economias de urbanização e proximidade aos ei- 
xos de transportes - é o segundo maior fator restritivo ao 
crescimento de Quaraí. Quaraí e Artigas, no contexto das 
malhas rodoviárias do Rio Grande do Sul e do Uruguai, 
não são servidas por rodovias de primeiro nível (pavimen- 
tadas) ligando diretamente esse aglomerado aos centros 
mais importantes (Porto Alegre e Montevideo). 

O maior aglomerado da fronteira com o Uruguai é 
constituído pelas cidades de Santana do Livramento e 
Rivera. Essas duas cidades estão conurbadas desde as suas 
origens, sendo separadas apenas por uma rua. Em con- 
junto, possuem população urbana de 141.781 habitantes 
em 1996. Rivera tem população urbana de 62.314 habitan- 
tes e população rural de 7.982 (1996). Santana do Livra- 
mento tem população urbana de 79.467 habitantes e po- 
pulação rural de 6.087 (1996). Esses dois centros represen- 
tam a mais bem-sucedida experiência de integração entre 
cidades de países distintos que se conhece. São duas soci- 
edades que, ao longo da história, procederam a um grau 
elevado de mesclagem entre famílias e atividades, consti- 
tuindo uma só formação económica, sob legislações, insti- 
tuições e línguas distintas. 

Santana do Livramento foi uma das cidades mais di- 
nâmicas do sudoeste do estado, pois concentrava grande parte 
do abate de bovinos da região, em duas grandes plantas 
frigoríficas. Processava quase toda a lã produzida em um 
lanifício cuja planta podia ser considerada de médio para 
grande porte. Possuía ainda outras plantas industriais, não 
ligadas à base agropecuária, que operavam na região, prote- 
gidas por barreiras de transporte. Nesse período, o municí- 
pio coloca-se dentre os dez de maior arrecadação no Rio Gran- 
de do Sul, detendo boa infra-estrutura em saneamento bási- 
co, com estação de tratamento de efluentes. Além disso, loca- 
liza-se no principal eixo de transporte rodoviário entre os dois 
países, na junção da BR 158 com a Ruta 5. 



'Análise baseada na observação do fluxo de passageiros por ônibus entre janeiro e novembro de 1997. Veja nota 13, página 170. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



172 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



O desempenho da economia dessa aglomeração, 
nos anos da crise, sofre queda relativa de participação na 
renda do estado em todos os setores. Entre 1980 e 1990, a 
agropecuária cai de 1,46% para 0,55%; a indústria, de 0,78% 
para 0,66%; e os serviços, de 1,23% para 0,69%. No PIB 
total, a queda foi de 1,11% para 0,66%. Vale lembrar, ape- 
nas para efeito de comparação, que em 1939 esse municí- 
pio gerava 1,72% do produto primário do Rio Grande do 
Sul; 3,07% do produto industrial e 2,14% dos serviços. A 
participação do produto total era de 2,13%, mais de três 
vezes a participação de 1990. 

Os anos 90 igualmente apontam para manutenção 
dos níveis de participação do município no PIB estadual, 
em torno de 0,68% (1994). A agropecuária parece sofrer os 
maiores revezes, como mostram algumas informações so- 
bre a produção física entre 1985 e 1995. Dos onze produtos 
mais importantes do município, oito (carne bovina, leite, 
ovinos, lã, frangos, galinhas, ovos e laranja) têm queda, 
em termos absolutos, na produção física, um (carne de 
suínos) mantém o mesmo nível e apenas dois aumentam 
a produção (arroz e uva). As indústrias de alimentos (fri- 
goríficos) e têxtil (lanifício) do município, depois de mui- 
tas décadas de funcionamento, passam a enfrentar difi- 
culdades de mercado (externo e interno) e obsolescência 
tecnológica. 

Os fracos desempenhos da agropecuária e da in- 
dústria levam o aglomerado a aumentar sua dependência 
em relação às atividades do setor terciário. Esse setor é 
revestido de alguma importância regional à medida que 
atende a uma parte da demanda por serviços provenien- 
tes de centros de ordem mais baixa - como Quaraí, Rosá- 
rio do Sul e Dom Pedrito, além da cidade de Rivera - e até 
mesmo à demanda originária de alguns núcleos urbanos 
do Uruguai, situados entre Rivera e Taquarembó. O seg- 
mento mais relevante dos serviços, nesse caso, é o comér- 
cio varejista. Todavia, para entender seu papel na econo- 
mia local, é necessário lembrar que esse segmento tem ex- 
perimentado ciclos de expansão e queda, dependendo do 
grau de apreciação do peso uruguaio em relação à moeda 
brasileira em vigor. Além disso, alguns segmentos do co- 
mércio varejista são beneficiados no passado por razões 
como a crise económica que também marca o Uruguai nos 
anos 70 e 80, agravada por um regime político ditatorial, 
que desarticula diversos segmentos da economia. Tal fato 
cria espaço para que grande parte do abastecimento inter- 
no de bens em geral seja realizado a partir de compras 
efetuadas nas cidades da fronteira, dado que a economia 
brasileira é maior e muito mais diversificada. Tal fato as- 
segura grande movimentação no comércio varejista, ele- 
vando o emprego e a renda do setor. As transações de com- 
pra em território brasileiro e ingresso no uruguaio são na 
época obviamente informais, ou um contrabando consenti- 
do, atividade típica de fronteira. Por fim, o comércio vare- 



jista do aglomerado é afetado, nos anos 80 e 90, por dois 
fatos importantes: o estabelecimento em Rivera de uma 
zona de comércio livre de impostos de importação (free 
shop) e o Tratado de Assunção. 

A decisão uruguaia de estabelecer um sistema de 
comércio livre de qualquer gravame sobre mercadorias 
importadas na cidade de Rivera acaba por impor sérias 
dificuldades ao comércio de Santana do Livramento, o 
qual, não tendo o mesmo tratamento do lado brasileiro e 
em meio à crise da própria região, não tem outra alternati- 
va senão reduzir drasticamente seu tamanho. O comércio 
de Rivera vem atraindo fluxos importantes de comprado- 
res de todo o Rio Grande do Sul, justamente aquela de- 
manda representativa de classes de renda média e alta. 
Esse movimento tem proporcionado a expansão do setor 
de hotelaria do lado brasileiro e também de alguns servi- 
ços. Mas infelizmente isso não é suficiente para compen- 
sar as perdas acumuladas com a retração da agropecuária 
local e a desindustrialização absoluta, talvez um caso iné- 
dito, que o aglomerado acumulou nas últimas décadas. 

Apesar de o comércio do país com os parceiros do 
Cone Sul se ter expandido extraordinariamente a partir 
do Tratado de Assunção, essa região e o aglomerado não 
se têm beneficiado, já que sua base económica não é com- 
plementar às economias dos países vizinhos, e também 
por estar despreparada para o acirramento da concorrên- 
cia vigente nos últimos anos. Portanto, a economia do aglo- 
merado movimenta-se a partir do que sobra no processo 
de reestruturação e integração económica em curso nas 
últimas décadas. Essas sobras têm sido sucessivamente 
menores, o que permite avanços mínimos e a sobrevida 
de poucos segmentos da economia local, como por exem- 
plo a hotelaria, que atende aos fluxos de turistas brasilei- 
ros que vão às compras em Rivera. 

A informalidade tem aumentado a taxas elevadas 
em Santana do Livramento, penetrando e reproduzindo-se 
em todos os setores, especialmente no comércio e nos ser- 
viços, que apresentam padrões de qualidade medíocres. 
As ruas centrais estão tomadas por atividades que pro- 
porcionam ganhos bem abaixo da média, multiplicando a 
pobreza e reduzindo as possibilidades de retomada do de- 
senvolvimento local e regional em outras bases, principal- 
mente pela incorporação crescente no processo produtivo 
da população excluída. 

4.6.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião sudoeste riograndense, que ocupa 
uma parte da metade sul do estado, peculiariza-se por pos- 
suir uma base agropecuária desenvolvida em grandes e 
médias propriedades. Economicamente estagnada, a re- 
gião apresenta centros funcionalmente dinâmicos em sua área 
de fronteira internacional. Sua rede urbana caracteriza-se por: 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



: das M 



esorregioes 



Geogr. 



I 



173 



• não se inclui em espacialidade de esvaziamento, em- 
bora não apresente relativo dinamismo económico; 

• constituir-se de três centralidades de nível médio, e com 
crescimento da população acima da média do estado 
(Uruguaiana, Santana do Livramento e Bagé), localizadas 
nas fronteiras entre Brasil e Argentina e Brasil e Uruguai; 

• configurar a ocupação contígua nas fronteiras, compon- 
do as aglomerações internacionais de São Borja/Santo 
Tomé (RA), Itaqui/ General Alencar/La Cruz (RA), 
Uruguaiana /Paso de Los Libres (RA), Quaraí/Artigas 
(ROU), Santana do Livramento/Riveira (ROU). 

A não-complementaridade da base económica en- 
tre os países e as reduzidas perspectivas quanto aos efei- 
tos do Tratado de Assunção para a região dificilmente tor- 
narão possível sua inserção nos padrões de competitivi- 
dade internacional. 

4.7 Sudeste Riograndense 

Amesorregião sudeste riograndense (Mapa 33) tem 
uma população de 840.565 habitantes em 1996, o que cor- 
responde a 8,72% da população do estado. Sua densidade 
demográfica é de 20,19 habitantes por quilómetro quadra- 
do e seu grau de urbanização, 79,57%. 

Sua população vem mantendo crescimento pouco 
significativo desde os anos 70, tendo superado 1% a.a. ape- 
nas entre 1980 e 1991 (1,14%). Verifica-se inflexão no cresci- 
mento da população urbana (de 2,80% entre 1970 e 1980 
para 1,43% entre 1991 e 1996) e relativa elevação no ritmo 
de perdas da rural (-1,71% para -2,08% a.a., nesse período). 

Essa mesorregião, composta de 19 municípios, tam- 
bém é parte da metade sul do estado, podendo ser consi- 
derada uma síntese da sociedade agropastoril que a 
formatou ao longo dos séculos. Apresenta algumas pecu- 
liaridades que a distinguem da sudoeste riograndense, 
principalmente no que se refere à rede e à hierarquia urba- 
na. Nesse caso, a hierarquia é muito mais vertical, uma 
vez que existem dois centros urbanos com tamanho bem 
acima dos demais, como é o caso de Pelotas e Rio Grande. 
A média de tamanho populacional urbano desses centros 
é de 215.108 habitantes, 17 vezes maior que a média dos 
demais (12.049 habitantes), o que revela acentuada polari- 
zação nessa área da mesorregião. 

Essas duas cidades constituem no século passa- 
do, até aproximadamente 1860, os principais pólos in- 
dustriais do estado: Pelotas por sediar grande número 
de charqueadas e ser um centro de intenso comércio e ser- 
viços para toda a economia da metade sul; Rio Grande, 
pela atividade industrial, principalmente no ramo têxtil, 
operado por grandes plantas para a época, e pela infra- 
estrutura portuária - elementos importantes para asse- 
gurar a condição de pólo regional, juntamente com a vi- 
zinha Pelotas. 



Apesar das dificuldades impostas pela perda do 
dinamismo da atividade básica original (a economia do 
charque), Pelotas e Rio Grande continuaram a crescer com 
base na introdução de outros ramos industriais, reforçan- 
do-se também como centros de comércio e serviços. Em 
Rio Grande, introduziram-se ramos da química (refinaria 
de petróleo e fertilizantes) e de alimentos (industrializa- 
ção de pescado), e, em Pelotas, a indústria de conservas 
de frutas, máquinas e implementos agrícolas, alguns seg- 
mentos da química (farmacêutica) e o beneficiamento de 
arroz. Todavia, o crescimento experimentado por esses dois 
municípios é historicamente menor que o crescimento do 
estado e bem abaixo do de outros centros urbanos que 
emergem na última metade do século (Canoas, Novo Ham- 
burgo e Caxias do Sul, por exemplo). Nos anos 80 e 90, 
essa tendência se confirma como resultado da sobreposição 
de duas crises, a de natureza estrutural da própria metade 
sul e a crise nacional e internacional. 

Nos anos 80, há perda relativa na participação da 
mesorregião no total do estado, tanto na agropecuária, quan- 
to na indústria e no total do PIB, com exceção do setor de 
serviços, que acumula pequeno avanço. Em 1980, a mesor- 
região sudeste produz 10,55% do produto agropecuário es- 
tadual, caindo para 8,46% em 1990; o setor industrial gera 
8,74% em 1980, passando a 6,05% dez anos depois; e os ser- 
viços passam de 7% para 7,34%, no mesmo período. O com- 
portamento da participação no valor adicionado fiscal total 
confirma a tendência também para o início dos anos 90. Em 
1980, a participação relativa é de 11,63%, diminuindo em 
1992 para 7,16%. Não há reação da economia mesorregio- 
nal, nem mesmo no período de 1984-86, considerado de re- 
cuperação na economia brasileira. 

A queda na participação da agropecuária é apenas 
o reflexo das dificuldades enfrentadas pelo setor, que tem 
perda relativa na maioria dos produtos regionais. Toman- 
do a produção física dos 14 principais produtos da região 
entre 1985 e 1995, observa-se que em doze deles há queda 
relativa quando comparados com o total das respectivas 
produções no estado. Os produtos são: carne bovina, leite, 
carne ovina, lã ovina, carne suína, frangos, galinhas, ovos 
de galinha, arroz, milho, batata inglesa, batata-doce, cebo- 
la e pêssego. Somente há aumento na participação relati- 
va no caso do arroz, que passa de 21,9% em 1985 para 
23,49% em 1995, e da batata inglesa, mantendo a partici- 
pação em torno de 25% do total do estado. Até mesmo no 
caso do pêssego e da cebola - produtos em que a região 
detém alguma especialização, há redução acentuada da 
produção física. A cebola e o pêssego não são produtos 
importantes em termos de valor bruto da produção no es- 
tado, mas o são no plano mesorregional, pois são produzi- 
dos por grande número de pequenas propriedades, ocu- 
pando considerável contingente de mão-de-obra. A pro- 
dução de pêssego está vinculada a importante segmento 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



174B 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



da indústria regional - o ramo das conservas. Fato 
revelador da crise por que passa o setor traduz-se na que- 
da de sua produção entre 1985 e 1995 de 482 para 361 mi- 
lhões de frutos, já o estado aumenta de 691 para 877 mi- 
lhões no mesmo período. Em outros produtos, como o lei- 
te e os ovos de galinha, há perda relativa, mas com au- 
mento de produção, em termos absolutos, o que significa 
que a mesorregião apresenta crescimento, mas a uma taxa 
menor do que a do estado. 

Do ponto de vista industrial, a mesorregião vem 
passando por acentuado processo de desindustrialização 
relativa, sofrendo até perdas absolutas em alguns segmen- 
tos. A participação do produto industrial cai de 8,74% em 
1980 para 6,05% em 1990. Observe-se que, em 1939, a mes- 
ma gera 16,74% do produto industrial gaúcho. O parque 
industrial mesorregional está concentrado geograficamen- 
te em duas cidades (Pelotas e Rio Grande), gerando 85,82% 
do valor adicionado fiscal em 1993 e detendo 82,62% dos 
empregos do setor no mesmo ano. O género dos minerais 
não-metálicos é importante na região e não está localiza- 
do nesses dois centros, por causa de sua própria natureza, 
encontrando-se situado em Caçapava do Sul (calcáreo) e 
Pinheiro Machado (cimento). 

"O parque industrial da mesorregião é constituí- 
do, predominantemente, por seis géneros que totalizam 
94,10% do valor adicionado fiscal do setor na região em 
1993. Os géneros mais importantes, em termos de valor 
adicionado fiscal, são: produtos alimentares (55,65%), 
química (13,62%) e fertilizantes (12,19%). Com menor 
importância, aparecem os de minerais não-metálicos 
(6,41%), bebidas (3,23%) e couros, peles e similares (3%). 
Esses géneros não- são relevantes somente na mesorre- 
gião, tendo importância também no contexto estadual. 
Ainda considerando o valor adicionado fiscal industrial, 
63,61% da indústria de fertilizantes do estado está locali- 
zada em Pelotas e Rio Grande (nesse, aproximadamente 
60%). A mesorregião detém 16,84% dos produtos alimen- 
tares do Rio Grande do Sul, sendo 14,79% nos dois maio- 
res centros. No género minerais não-metálicos, a partici- 
pação mesorregional é de 13,24%, distribuída em 
Caçapava do Sul e Pinheiro Machado. A química está to- 
talmente localizada na cidade portuária de Rio Grande e 
representa 6,19% do total do género no estado. O género 
de couros, peles e similares representa 5,24% do total es- 
tadual e está basicamente concentrado em Pelotas 
(86,19%) e Caçapava do Sul. O ramo de bebidas, também 
concentrado em Pelotas, representa 3,74% do total do 
género no estado. 

As atividades terciárias estão concentradas nos dois 
maiores centros urbanos da mesorregião, representando 
em conjunto 80,52% do total dos serviços ofertados. Com 
a indústria e a agropecuária perdendo posição relativa no 
conjunto do estado, os serviços passam a constituir o setor 



mais dinâmico da economia dessas duas localidades, pelo 
menos no que diz respeito à criação de novas oportunida- 
des de ocupação. No entanto, grande parte dessas novas 
oportunidades são criadas por atividades informais, nas 
quais o nível médio de renda auferido está abaixo da mé- 
dia do mercado. Muitas das atividades são intermitentes, 
obrigando os trabalhadores a grande mobilidade entre os 
mais diversos tipos de trabalho. Portanto, em uma mesor- 
região que apresenta baixo dinamismo económico, o mer- 
cado informal de Pelotas e Rio Grande é a única opção 
para sobrevivência da mão-de-obra liberada pela agrope- 
cuária e pelos centros de menor porte. 

O setor de serviços desses centros atende às deman- 
das originadas em todas as cidades de seu entorno, ha- 
vendo grande intercâmbio entre os agentes económicos e 
as populações das duas cidades. Isso pode ser confirmado 
pelo movimento de passageiros por ônibus de linhas re- 
gulares entre Pelotas e Rio Grande e entre estes e os cen- 
tros menores existentes na região. Entre janeiro e novem- 
bro de 1997, a partir de Pelotas com destino aos municí- 
pios da mesorregião que estão no seu entorno - Arroio 
Grande, Camaquã, Canguçu, Chuí, Herval, Jaguarão, Mor- 
ro Redondo, Pedro Osório, Pinheiro Machado, Piratini, Rio 
Grande, Santa Vitória do Palmar e São Lourenço do Sul -, 
pode-se constatar que esses deslocamentos representam 
70,29% do total desse centro para todo o estado. Esse é um 
indicador que demonstra alto grau de integração entre 
Pelotas e os centros de menor porte localizados no seu en- 
torno. A integração é dada pelo atendimento às demandas 
por serviços e oportunidades de trabalho exercidas pelas 
populações dessas cidades, que recorrem diariamente ao 
mercado de Pelotas. O setor terciário de Rio Grande exer- 
ce papel semelhante ao de Pelotas, mas com um campo de 
abrangência um pouco menor na região. Há, no entanto, 
na composição das atividades terciárias de Rio Grande, 
uma diferença quando comparada a Pelotas, dada pela 
presença dos serviços portuários, cujo campo de abran- 
gência territorial ultrapassa a região imediata, atingindo 
todo o Rio Grande do Sul. 

4.7.1 Síntese da morfologia da rede urbana 

A mesorregião sudeste riograndense, em cuja base 
económica prevalecem atividades do setor terciário, divi- 
de-se em uma porção dinâmica e concentradora e em uma 
porção que se insere no processo de esvaziamento. As prin- 
cipais características de sua rede urbana são: 

• configurar uma aglomeração urbana que envolve, em 
uma mancha contígua de ocupação, Pelotas, Rio Gran- 
de e Capão do Leão; 

• apresentar, em sua área fronteiriça ao Uruguai, elevado 
crescimento populacional em Jaguarão, que compõe 
com Rio Branco uma ocupação contínua; 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Análise das Mesorregiões Geográficas I 175 



I 



I 



MAPA 33 

SUDESTE RIOGRANDENSE — HIERARQUIA DA CENTRALIDADE (1 998) 



níveis de hierarquia 

' ^} Médio para fraco e médio 
I Muito forte e máximo 



Fonte: Ipardes; IBGE/Regic (1998). 
Base Cartográfica: IBGE (1997). 




22 44 km 



A 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



1 76 H I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



apresentar sinais iniciais de esvaziamento ocorrendo em ção de espacialidades de esvaziamento no território me- 

municípios de sua porção central (Piratini, Ganguçu e sorregional. 

Pedro Osório) e a consolidação desse processo em Santa As tendências apontam para a consolidação da con- 

Vitória do Palmar, perdendo população desde os anos 70; centração populacional e das atividades económicas na 

possuir municípios com perda de população urbana aglomeração Pelotas/Rio Grande, bem como a permanên- 

(Morro Redondo e Pedro Osório), acentuando a inser- cia de sua polarização concorrente. 



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PELIANO, A. M. T. M. (Coord.) (1993) O mapa da fome II: informações sobre a indigência por municípios da Federação. Brasília, 

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PNUD/IPEA (1998) Atlas do desenvolvimento humano no Brasil. Brasília, Belo Horizonte, Fundação João Pinheiro; Rio de 

Janeiro, IBGE (CD-ROM). 
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(Documento final da 1- Conferência Municipal de Habitação). 
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Fesc (Relatório de pesquisa). 
QUANDT, C. (1997) Tendências recentes do desenvolvimento regional da indústria de transformação. Curitiba. Não publicado. 
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Sul: evolução cronológica. Porto Alegre. 
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investir. Florianópolis. 
SECRETARIA de Estado da Coordenação e Planejamento (1997) Agribusiness. Porto Alegre, FEE, Metropolitan (Projeto RS 

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SINGER, P. I. (1977) Desenvolvimento económico e evolução urbana. 2. ed. São Paulo, Nacional. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



1 80 I Redes Urbanas Regionais: Sul 



SOUZA, M. A. A. (1995) "O novo Brasil urbano: integração ou fragmentação?". In: GONÇALVES, Flora (Org.). O novo 
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ULTRAMARI, C, MOURA, R. (1994) Metrópole: Grande Curitiba: teoria e prática. Curitiba, Ipardes. 

UNICAMP/NESUR - Universidade Estadual de Campinas/Núcleo de Economia Social, Urbana e Regional (s/d) Agru- 
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URBAN, M. L. de P. (1995) Indústria paranaense: estrutura segundo tamanho, composição e características relevantes. Curitiba, 
Citpar. 

URBAN, M. L. de R; BESEN, G. (1997) Paraná: repensando sua economia. Curitiba. Não publicado. 

ZIMMERMANN, T. J. (Coord.) (s/d) A crise na indústria do calçado: visão e propostas dos trabalhadores. Porto Alegre, Fase. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



ANEXOS 



I 



183 



I 



TABELA A. 1 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL — ÁREA, DENSIDADE POPULACIONAL, NUMERO DE MUNICÍPIOS, 

PARTICIPAÇÃO NA POPULAÇÃO TOTAL DO ESTADO E GRAU DE URBANIZAÇÃO (1 996) 



Mesorregião 

Paraná 

Noroeste Paranaense 

Centro-ocidental Paranaense 

Norte-central Paranaense 

Norte Pioneiro Paranaense 

Centro-oriental Paranaense 

Oeste Paranaense 

Sudoeste Paranaense 

Centro-sul Paranaense 

Sudeste Paranaense 

Metropolitana de Curitiba 
Santa Catarina 

Oeste Catarinense 

Norte Catarinense 

Serrana Catarinense 

Vale do Itajaí 

Grande Florianópolis 

Sul Catarinense 
Rio Grande do Sul 

Noroeste Riograndense 

Nordeste Riograndense 

Centro-ocidental Riograndense 

Centro-oriental Riograndense 

Metropolitana de Porto Alegre 

Sudoeste Riograndense 

Sudeste Riograndense 

Fonte: Contasem da População 1996 - IBGE. 



Área 
(Km 2 ) 


Densidade 
(Hab./Km ! ) 


N°de 
Municípios 


População/ 

Pop. Total 

(%) 


Grau de 

Urbanização 

(%) 


24.600 


25,56 


61 


6,98 


74,86 


11.942 


29,83 


25 


3,96 


67,72 


24.556 


70,21 


79 


19,15 


84,79 


15.799 


34,19 


46 


6,00 


69,73 


21.952 


26,47 


14 


6,45 


77,71 


22.840 


47,22 


50 


11,98 


77,20 


11.687 


40,42 


37 


5,25 


53,86 


26.506 


19,88 


29 


5,85 


54,80 


16.977 


21,26 


21 


4,01 


49,40 


22.863 


119,60 


37 


30,37 


89,80 


27.251 


39,55 , 


99 


22,11 


56,27 


15.996 


58,50 


25 


19,19 


80,36 


22.495 


16,55 


23 


7,64 


75,37 


13.025 


81,16 


53 


. 21,68 


78,10 


6.978 


95,81 


20 


13,71 


84,69 


9.705 


78,69 


40 


15,66 


69,96 


65.181 


30,02 


192 


20,30 


60,47 


25.833 


33,13 


47 


8,88 


74,53 


25.274 


19,78 


24 


5,19 


75,25 


17.196 


40,59 


40 


7,24 


62,37 


29.821 


135,95 


88 


42,07 


90,24 


64.243 


11,40 


17 


7,60 


84,82 


41.633 


20,19 


19 


8,72 


79,57 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



184 1 I Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A.2 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL — POPULAÇÃO TOTAL, URBANA E RURAL E TAXA ANUAL DE CRESCIMENTO 

GEOMÉTRICO (1980-91/1991-96) 



Mesorregião 




População 1 996 


Taxa Anual de 
Total 


Crescimento da Pc 
Urbana 


pulação (%) 
Rural 




Total 


Urbana 


Rural 


1980-91 


1991-96 


1980-91 


1991-96 


1980-91 


1991-96 


Paraná 




















Noroeste Paranaense 


628.840 


470.740 


158.100 


-1,17 


-0,84 


1,85 


1,30 


-5,22 


-5,94 


Centro-ocidental Paranaense 


356.191 


241.196 


114.995 


-0,68 


-1,70 


3,01 


0,43 


-4,36 


-5,42 


Norte-central Paranaense 


1.724.115 


1.461.930 


262.185 


0,93 


1,04 


2,99 


1,87 


-4,67 


-2,98 


Norte Pioneiro Paranaense 


540.178 


376.643 


163.535 


-0,26 


-0,56 


2,53 


1,09 


-3,71 


-3,85 


Centro-oriental Paranaense 


581.143 


451.616 


129.527 


1,35 


1,22 


3,15 


2,26 


-2,32 


-1,99 


Oeste Paranaense 


1.078.584 


832.691 


245.893 


0,51 


1,21 


3,78 


2,76 


-4,47 


-3,17 


Sudoeste Paranaense 


472.425 


. 254.452 


217.973 


-0,78 


-0,24 


2,78 


2,47 


-3,03 


-2,94 


Centro-sul Paranaense 


526.914 


288.728 


238.186 


0,93 


1,01 


2,63 


3,68 


-0,40 


-1,74 


Sudeste Paranaense 


360.914 


178.281 


182.633 


1,30 


0,71 


2,73 


3,02 


0,31 


-1,28 


Metropolitana de Curitiba 


2.734.500 


2.455.713 


278.785 


2,84 


3,40 


3,18 


3,50 


0,44 


2,62 


Santa Catarina 




















Oeste Catarinense 


1.077.901 


606.529 


471.372 


1,11 


0,51 


4,16 


2,66 


-1,19 


-1,91 


Norte Catarinense 


935.716 


751.907 


183.809 


2,92 


2,26 


3,93 


2,06 


-0,42 


3,13 


Serrana Catarinense 


372.262 


280.583 


91.679 


0,64 


-0,16 


2,28 


0,99 


-2,41 


-3,24 


Vale do Itajaí 


1.057.132 


825.634 


231.498 


2,45 


2,34 


3,50 


2,88 


-0,22 


0,54 


Grande Florianópolis 


668.561 


566.207 


102.354 


3,02 


1,57 


4,14 


1,70 


-1,24 


0,85 


Sul Catarinense 


763.672 


534.270 


229.402 


2,1 3 


1,36 


3,51 


1,83 


-0,27 


0,31 


Rio Grande do Sul 




















Noroeste Riograndense 


1.956.758 


1.183.230 


773.528 


0,18 


0,14 


2,22 


1,91 


-1,82 


-2,26 


Nordeste Riograndense 


855.752 


637.766 


217.986 


1,75 


1,78 


2,86 


2,21 


-0,67 


0,56 


Centro-ocidental Riograndense 499.849 


376.156 


123.693 


0,98 


0,84 


2,35 


1,53 


-1,85 


-1,11 


Centro-oriental Riograndense 


698.008 


435.370 


262.638 


1,15 


1,01 


3,21 


2,35 


-1,10 


-1,01 


Metropolitana' Porto Alegre 


4.054.091 


3.658.379 


395.712 


2,45 


1,56 


2,81 


1,47 


-0,41 


2,38 


Sudoeste Riograndense 


732.659 


621.465 


111.194 


1,24 


1,09 


2,10 


1,44 


-2,08 


-0,73 


Sudeste Riograndense 


840.565 


668.864 


171.701 


1,14 


0,65 


2,63 


1,43 


-2,43 


-2,08 



Fontes: Ipardes/Censos Demográficos e Contagem da População 1 996 - IBGE. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Anexos 



I 



185 



I 



TABELA A. 3 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL • 



TIPOLOGIA DOS MUNICÍPIOS (a) (1 996) 









Municípios Urbanos 






Em Transição 




Rurais 




Mesorregião 


Grande 


Dimensão 


Média 


Dimensão 


Pequena Dimensão 


Média Dimensão 


Pequena Dimensão 


Pequena Dimensão 


Total 




N° 


% 


N° 


% 


N° 


% 


N° % 


N° 


% 


N° 


% 




Paraná 


























Noroeste Paranaense 


- 


- 


3 


4,92 


18 


29,51 


- 


32 


52,46 


8 


13,11 


61 


Centro-ocidental Paranaense 


- 


- 


1 


4,00 


4 


16,00 


- 


9 


36,00 


11 


44,00 


25 


Norte-central Paranaense 


2 


2,53 


4 


5,06 


29 


36,71 


- 


33 


41,77 


11 


13,92 


79 


Norte Pioneiro Paranaense 










12 


26,09 


- 


24 


52,17 


10 


21,74 


46 


Centro-oriental Paranaense 


1 


7,14 


1 


7,14 


3 


21,43 


1 7,14 


5 


35,71 


3 


21,43 


14 


Oeste Paranaense 




- 


3 


6,00 


6 


12,00 


- 


19 


38,00 


22 


44,00 


50 


Sudoeste Paranaense 


- 


- 


2 


5,41 


3 


8,11 


- 


6 


16,22 


26 


70,27 


37 


Centro-sul Paranaense 


- 


- 


1 


3,45 


10 


34,48 


- 


3 


10,34 


15 


51,72 


29 


Sudeste Paranaense 


- 


- 


- 


- 


3 


14,29 


1 4,76 


4 


19,05 


13 


61,90 


21 


Metropolitana de Curitiba 


1 


2,70 


7 


18,92 


8 


21,62 


1 2,70 


5 


13,51 


15 


40,54 


37 


Santa Catarina 


























Oeste Catarinense 


- 


- 


2 


2,02 


5 


5,05 


1 1,01 


15 


15,15 


76 


76,77 


99 


Norte Catarinense 


1 


4,00 


2 


8,00 


7 


28,00 


1 4,00 


7 


28,00 


7 


28,00 


25 


Serrana Catarinense 


- 


- 


1 


4,35 


4 


17,39 


- 


10 


43,48 


8 


34,78 


23 


Vale do Itajaí 


- 


- 


4 


7,55 


13 


24,53 


- 


10 


18,87 


26 


49,06 


53 


Grande Florianópolis 


1 


5,00 


2 


10,00 


2 


10,00 


- 


5 


25,00 


10 


50,00 


20 


Sul Catarinense 


- 


- 


3 


7,50 


5 


12,50 


- 


11 


27,50 


21 


52,50 


40 


Rio Grande do Sul 


























Noroeste Riograndense 


- 


- 


7 


3,65 


10 


5,21 


- 


30 


15,63 


145 


75,52 


192 


Nordeste Riograndense 


1 


2,13 


2 


4,26 


3 


6,38 


1 2,13 


10 


21,28 


30 


63,83 


47 


Centro-ocidental Riograndense 






2 


8,33 


2 


8,33 


- 


8 


33,33 


12 


50,00 


24 


Centro-oriental Riograndense 






3 


7,50 


3 


7,50 


1 2,50 


7 


17,50 


26 


65,00 


40 


Metropolitana de Porto Alegre 


2 


2,27 


11 


12,50 


28 


31,82 


1 1,14 


17 


19,32 


29 


32,95 


88 


Sudoeste Riograndense 


- 




6 


35,29 


5 


29,41 




2 


11,76 


4 


23,53 


17 


Sudeste Riograndense 


1 


5,26 


1 


5,26 


4 


21,05 


- 


8 


42,11 


5 


26,32 


19 


Região Sul 


10 


0,92 


68 


6,26 


187 


9,42 


8 0,74 


280 


25,78 


533 


49,08 


1.086 (b) 


Fontes: Ipardes (1996)/IBGE (1980). 
























Notas: (a) A tipologia de 1 996 


foi adaptada a part 


ir da metodologia de 


, IBGEc 


le 1980. 














(b) Para o Paraná, o total i 


nclui os 


municípios 


instaladc 


jsem 1/1/1997. 

















Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 4 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL — PARTICIPAÇÃO NO VALOR ADICIONADO DO ESTADO 

(VÁRIOS ANOS) 

























Em% 


Mesorregião 










Valor Adicionado Fiscal 












1975 


1980 


1983 


1985 


1986 


1989 


1990 


1991 


1992 


1993 


1996 


Paraná 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


- 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


Noroeste Paranaense 


11,21 


5,87 


5,72 


7,24 


6,39 


4,12 




3,76 


3,55 


3,41 


3,80 


Centro-ocidental Paranaense 


4,95 


4,56 


4,12 


4,68 


4,39 


3,24 




3,40 


3,33 


3,10 


2,72 


Norte-central Paranaense 


25,71 


17,70 


18,83 


21,93 


19,45 


18,01 




15,79 


16,00 


16,21 


14,74 


Norte Pioneiro Paranaense 


7,21 


5,79 


5,17 


6,16 


5,62 


4,47 




3,79 


3,73 


3,54 


3,47 


Centro-oriental Paranaense 


7,50 


7,12 


7,66 


7,07 


7,34 


8,02 




7,23 


6,90 


6,95 


6,90 


Oeste Paranaense 


12,97 


11,14 


11,56 


11,63 


10,80 


13,00 




16,47 


16,13 


14,90 


14,68 


Sudoeste Paranaense 


3,94 


3,68 


3,54 


3,88 


4,19 


3,38' 




3,15 


3,54 


3,76 


3,56 


"Centro-sul Paranaense 


4,38 


4,43 


3,33 


3,36 


4,14 


4,43 


- 


4,08 


4,74 


5,07 


5,06 


Sudeste Paranaense 


2,19 


2,36 


1,55 


1,84 


2,29 


2,19 


- 


2,33 


2,30 


2,20 


2,74 


Metropolitana de Curitiba 


19,94 


37,34 


38,52 


32,18 


35,39 


39,13 




40,00 


39,77 


40,84 


42,33 


Santa Catarina 


- 


100,00 


- 


- 


- 


- 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


Oeste Catarinense 


- 


27,23 


- 




- 




25,76 


26,55 


27,02 


26,38 


22,20 


Norte Catarinense 


- 


23,13 


- 




- 


- 


25,46 


25,57 


24,78 


24,06 


27,76 


Serrana Catarinense 


- 


8,24 


- 


- 


- 


- 


5,80 


5,76 


5,81 


5,82 


6,02 


Vale do Itajaí 


- 


24,22 


- 


- 


- 


- 


25,66 


24,39 


24,38 


24,08 


25,07 


Grande Florianópolis 


. 


4,64 


- 


- 


- 


- 


6,41 


6,61 


6,80 


7,21 


8,67 


Sul Catarinense 


- 


12,54 


- 




- 


- 


10,92 


11,11 


11,21 


12,44 


10,26 


Rio Grande do Sul 


- 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


100,00 


- 


- 


Noroeste Riograndense 


- 


16,99 


18,84 


17,21 


15,42 


12,96 


13,36 


12,07 


14,32 


- 


- 


Nordeste Riograndense 


- 


11,24 


9,5 


11,51 


13,02 


13,69 


13,48 


13,49 


12,08 


- 


- 


Centro-ocidental Riograndense 


- 


3,16 


3,08 


2,76 


2,27 


2,39 


2,85 


3,09 


2,82 


- 


- 


Centro-oriental Riograndense 


- 


6,7 


8,27 


8,21 


7,37 


7,50 


8,31 


8,87 


9,47 


- 


- 


Metropolitana de Porto Alegre 




41,58 


43,68 


44,89 


47,07 


50,81 


49,52 


48,97 


47,71 


- 


- 


Sudoeste Riograndense 


- 


8,70 


7,47 


7,28 


6,42 


5,39 


5,79 


6,50 


5,71 


- 


- 


Sudeste Riograndense 


-■ 


11,63 


9,17 


8,13 


8,45 


7,27 


6,69 


7,01 


7,17 


- 


- 



Fontes: Ipardes (1996); Sefa/FPM (1996), SDE/SC (1996), SF/SC (1996), SF/RS (1992). 
Nota: Sinal convencional utilizado (-): Informação não disponível para o período. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Anexos 



I 



187 



I 



TABELA A. 5 

MESORREGIÕES DO ESTADO DO PARANÁ 

PARTICIPAÇÃO SETORIAL (1 996) 



VALOR ADICIONADO FISCAL, SEGUNDO A 













Em% 


Mesorregião 






Valor Adicionado Fiscal 








Setor 


Setor 


Comércio 


Serviços 


Total 




Primário 


Secundário 








Noroeste Paranaense 


9,05 


2,28 


3,18 


2,99 


3,80 


Centro-ocidental Paranaense 


8,60 


0,76 


2,53 


1,94 


2,72 


Norte-central Paranaense 


18,07 


11,20 


18,39 


17,95 


14,74 


Norte Pioneiro Paranaense 


8,00 


2,34 


2,65 


2,50 


3,47 


Centro-oriental Paranaense 


9,49 


7,05 


4,88 


5,82 


6,90 


Oeste Paranaense 


21,75 


13,84 


11,80 


12,23 


14,68 


Sudoeste Paranaense 


7,56 


2,33 


3,30 


2,77 


3,56 


Centro-sul Paranaense 


7,99 


5,47 


2,71 


2,82 


5,06 


Sudeste Paranaense 


4,19 


3,00 


1,59 


1,30 


2,74 


Metropolitana de Curitiba 


5,31 


51,74 


48,98 


49,66 


42,33 


Total 


100,00 


1 00,00 


1 00,00 


100,00 


100,00 


Fontes: Ipardes (1996),- Sefa/FPM (1996). 











I 



TABELA A.6 

MESORREGIÕES DO ESTADO DE SANTA CATARINA — VALOR ADICIONADO FISCAL, 

SEGUNDO A PARTICIPAÇÃO SETORIAL (1996) 











Em% 






Valor Adicionado 


Fiscal 




Mesorregião 












Agropecuária 


Indústria, Comércio e 


Serviços 


Total 


Oeste Catarinense 


57,42 


16,35 




22,20 


Norte Catarinense 


11,91 


30,39 




27,77 


Serrana Catarinense 


6,78 


5,90 




6,02 


Vale do Itajaí 


10,32 


27,53 




25,08 


Grande Florianópolis 


1,60 


9,85 




8,67 


Sul Catarinense 


11,97 


9,98 




10,26 


Total 


100,00 


1 00,00 




100,00 



Fontes: Ipardes (1996); SDE/SC (1996),- SF/SC (1996). 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



192 



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Redes Urbanas Regionais: Sul 



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Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



194 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 13 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL ■ 

TOTAL DO ESTADO (1 986-96) 



EMPREGOS FORMAIS NA ATIVIDADE INDUSTRIAL, TOTAL E PROPORÇÃO NO 



Mesorregião 

Paraná 

Noroeste Paranaense 
Centro-Ocidental Paranaense 
Norte-Central Paranaense 
Norte Pioneiro Paranaense 
Centro-Oriental Paranaense 
Oeste Paranaense 
Sudoeste Paranaense 
Çentro-Sul Paranaense 
Sudeste Paranaense 
Metropolitana de Curitiba 

Santa Catarina 
Oeste Catarinense 
Norte Catarinense 
Serrana Catarinense 
Vale do Itajaí 
Grande Florianópolis 
Sul Catarinense 

Rio Grande do Sul 
Noroeste Riograndense 
Nordeste Riograndense 
Centro-Ocidental Riograndense 
Centro-Oriental Riograndense 
Metropolitana de Porto Alegre 
Sudoeste Riograndense 
Sudeste Riograndense 
Fonte: MTB/Rais (1996). 



1986 

N° % 

277.748 100 

8.341 3,00 

3.411 1,23 

54.066 19,47 

9.183 3,31 

23.762 8,56 

16.611 5,98 

8.584 3,09 

11.976 4,31 

13.709 4,94 

128.105 46,12 

345.636 100 

48.193 13,94 

111.652 32,30 

17.502 5,06 

106.288 30,75 

13.512 3,91 

48.489 14,03 

575.372 100 

40.745 7,08 

99.627 17,32 

4.949 0,86 

44.305 7,70 

338.566 58,84 

7.357 1,28 

39.823 6,92 



Empregos Formais 

1989 1 

N° % N° 

299.257 100 275.889 

9.434 3,15 10.208 

5.166 1,73 4.895 

58.083 19,41 56.481 

10.725 3,58 10.054 

25.526 8,53 22.321 

17.557 5,87 17.624 

9.575 3,20 9.571 

14.137 4,72 12.638 

14.425 4,82 13.559 

134.629 44,99 118.538 

365.068 100 . 310.091 

48.074 13,17 42.829 

118.678 32,51 99.363 

19.360 5,30 13.532 

111.080 30,43 100.254 

16.082 4,41 14.811 

51.794 14,19 39.302 

582.321 100 509.745 

42.894 7,37 37.592 

108.396 18,61 94.468 

4.997 0,86 5.198 

50.106 8,60 48.450 

331.511 56,93 292.401 

9.671 1,66 6.624 

34.746 5,97 25.012 



993 



3 


1996 


% 


N° 


% 


100 


305.521 


100 


3,70 


15.803 


5,17 


1,77 


6.631 


2,17 


20,47 


66.116 


21,64 


3,64 


10.799 


3,53 


8,09 


21.120 


6,91 


6,39 


22.310 


7,30 


3,47 


10.868 


3,56 


4,58 


12.343 


4,04 


4,91 


12.977 


4,25 


42,97 


126.554 


41,42 


100 


311.235 


100 


13,81 


48.694 


15,65 


32,04 


98.444 


31,63 


4,36 


13.687 


4,40 


32,33 


94.957 


30,51 


4,78 


17.329 


5,57 


12,67 


38.124 


12,25 


100 


502.687 


100 


7,37 


41.644 


8,28 


18,53 


94.624 


18,82 


1,02 


6.376 


1,27 


9,50 


50.353 


10,02 


57,36 


285.094 


56,71 


1,30 


5.553 


1,10 


4,91 


19.043 


3,79 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



■ 195 . 



TABELA A. 14 

ESTADO DO PARANÁ E MESORREGIÕES — PARTICIPAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO VALOR DA PRODUÇÃO DOS 
PRINCIPAIS GRUPOS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS NO TOTAL DO ESTADO E DA MESORREGIÃO (1979-81/1992-94 
MÉDIAS TRIENAIS) 













odução 






Em% 










Valor da Pr 




Mesorregião 


Commodities w 


lnsumos (b) 


Alimentos (c) 


Total 




1979-81 


1992-94 


1979-81 


1992-94 


1979-81 


1992-94 


1979-81 


1992-94 


Participação 


















Noroeste Paranaense 


74,8 


32,4 


17,2 


64,1 


8,0 


3,5 


100,0 


100,0 


Centro-Ocidental Paranaense 


73,4 


72,1 


18,8 


26,5 


7,8 


1,4 


100,0 


100,0 


Norte-Central Paranaense 


74,4 


63,8 


12,7 


32,5 


12,9 


3,7 


100,0 


100,0 


Norte Pioneiro Paranaense 


54,8 


56,8 


29,6 


35,6 


15,7 


7,6 


100,0 


100,0 


Centro-Oriental Paranaense 


71,4 


83,4 


1,3 


2,4 


27,3 


14,2 


100,0 


100,0 


Oeste Paranaense 


89,7 


82,0 


5,6 


16,8 


4,7 


1,3 


100,0 


100,0 


Sudoeste Paranaense 


72,8 


78,8 


5,3 


9,4 


22,0 


11,9 


100,0 


100,0 


Centro-Sul Paranaense 


68,9 


79,6 


3,0 


3,7 


28,1 


16,8 


100,0 


100,0 


Sudeste Paranaense 


44,2 


43,9 


7,8 


20,9 


48,0 


35,2 


100,0 


100,0 


Metropolitana de Curitiba 


25,6 


22,4 


8,1 


12,9 


66,3 


64,7 


100,0 


100,0 


Total 


72,3 


66,9 


12,1 


22,9 


15,6 


10,1 


100,0 


100,0 


Distribuição 






- 












Noroeste Paranaense 


11,4 


3,0 


15,6 


17,5 


5,7 


2,2 


11,0 


6,3 


Centro-Ocidental Paranaense 


11,3 


12,7 


17,3 


13,6 


5,5 


1,6 


11,1 


11,8 


Norte-Central Paranaense 


19,5 


17,1 


19,9 


25,4 


15,6 


6,5 


18,9 


17,9 


Norte Pioneiro Paranaense 


8,4 


8,9 


27,0 


16,3 


11,1 


8,0 


11,0 


10,5 


Centro-Oriental Paranaense 


4,8 


9,2 


0,5 


0,8 


8,5 


10,4 


4,8 


7,4 


Oeste Paranaense 


28,0 


23,6 


10,4 


14,1 


6,9 


2,4 


22,6 


19,3 


Sudoeste Paranaense 


7,4 


12,0 


3,2 


4,2 


10,3 


12,0 


7,3 


10,2 


Centro-Sul Paranaense 


5,8 


8,7 


1,5 


1,2 


10,9 


12,2 


6,1 


7,4 


Sudeste Paranaense 


2,4 


3,3 


2,5 


4,6 


12,0 


17,6 


3,9 


5,0 


Metropolitana de Curitiba 


1,1 


1,4 


2,1 


2,4 


13,5 


27,2 


3,2 


4,3 


Total 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 


Fontes: Ipardes (1 996)/Produção Agrícola 


.Municipal -IBGE (1996). 















Notas: (a) Soja, trigo, milho e café. 

(b) Cana, algodão, mandioca, laranja e fumo. 

(c) Feijão, arroz e batata. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



1 96 I I Redes Urbanas Regionais: Su 



TABELA A. 15 

ESTADO DE SANTA CATARINA E MESORREGIÕES — PARTICIPAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO VALOR DA PRODUÇÃO 

DOS PRINCIPAIS GRUPOS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS NO TOTAL DO ESTADO E DA MESORREGIÃO 

(MÉDIA 1993-94) 



Mesorregião 



Commodities w lnsumos (b) Alimentos (c) Total 



Participação 

Oeste Catarinense 60,9 3,8 35,2 100,0 

Norte Catarinense 31,3 3,0 65,7 100,0 

Serrana Catarinense 34,5 0,1 65,4 100,0 

Vale do Itajaí 16,7 15,1 68,2 100,0 

Grande Florianópolis 13,5 24,3 62,2 100,0 

Sul Catarinense 11,2 10,0 78,7 100,0 

Total 40,9 6,1 53,0 100,0 

Distribuição 

Oeste Catarinense 70,1 29,6 31,2 47,0 

Norte Catarinense 10,1 6,4 16,3 13,2 

Serrana Catarinense 10,5 0,2 15,4 12,5 

Vale do Itajaí . 4,7 28,7 14,9 11,6 

Grande Florianópolis 1,3 15,7 4,6 3,9 

Sul Catarinense 3,2 19,4 17,5 11,8 

Total - 100,0 100,0 100,0 100,0 

Fontes: Ipardes (1 996)/Produção Agrícola Municipal - IBGE (1 996). 
Notas: (a) Soja, trigo, milho. 

(b) Cana, mandioca, laranja, fumo e erva-mate. 

(c) Feijão, arroz, alho, cebola, banana, maçã e uva. 



Em% 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



197 



TABELA A. 16 

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL E MESORREGIÕES — PARTICIPAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DO VALOR DA 
PRODUÇÃO DOS PRINCIPAIS GRUPOS DE PRODUTOS AGRÍCOLAS NO TOTAL DO ESTADO E DA MESORREGIÃO 
(MÉDIA 1993-95) 



Mesorregião 

Participação 

Noroeste Riograndense 

Nordeste Riograndense 

Centro-Ocidental Riograndense 

Centro-Oriental Riograndense 

Metropolitana de Porto Alegre 

Sudoeste Riograndense 

Sudeste Riograndense 
Total 
Distribuição 

Noroeste Riograndense 

Nordeste Riograndense 

Centro-Ocidental Riograndense 

Centro-Oriental Riograndense 

Metropolitana de Porto Alegre 

Sudoeste Riograndense 

Sudeste Riograndense 
Total 

Fontes: Ipardes (1 996)/Produção Agrícola Municipal - IBGE (1 996). 
Notas: (a) Soja, trigo e milho. 

(o) Cana, mandioca, laranja, fumo, uva e erva-mate. 

(c) Alho, arroz, aveia, banana, batata-doce, batata-inglesa, cebola, 





Valor da 


Produção 




Commodities'*' 


lnsumos (b) 


Alimentos^ 


Total 


78,04 


28,36 


8,62 


100,0 


4,43 


17,98 


11,95 


100,0 


4,99 


6,61 


7,43 


100,0 


5,59 


30,47 


6,49 


100,0 


1,58 


13,19 


18,50 


100,0 


2,87 


0,83 


26,88 


100,0 


2,49 


2,56 


20,13 


100,0 


39,23 


20,98 


39.79 


100,0 


76,55 


14,88 


8,57 


39,99 


16,91 


36,76 


46,33 


10,27 


31,07 


22,01 


46,92 


6,31 


19,63 


57,26 


23,11 


11,17 


5,78 


25,74 


68,48 


10,75 


9,40 


1,45 


89,15 


12,00 


10,26 


5,64 


84,11 


9,52 


100,0 


100,0 


100,0 


100,0 



feijão, maçã, melancia, pêssego, tangerina e tomate. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



198 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 17 

MESORREGIÕES DO ESTADO DO PARANÁ - 

AGRÍCOLA NO TOTAL DO ESTADO (MÉDIA 



- PERCENTUAL DA ÁREA COLHIDA E DO VALOR DA PRODUÇÃO 
1992-94) 



























Em% 


Produto 


Noroeste 


Centro- O 


cidental 


Norte-Central 


Norte Pioneiro 


Centro-Oriental 


Oeste 




Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Milho 


1,81 


1,18 


5,88 


5,45 


11,90 


10,48 


7,78 


6,70 


7,69 


9,65 


19,65 


23,66 


Soja 


1,46 


1,11 


16,39 


16,50 


19,22 


18,22 


7,45 


6,64 


7,11 


9,43 


30,42 


27,92 


Trigo 


1,63 


1,33 


22,86 


20,03 


20,90 


22,89 


9,43 


11,52 


7,99 


10,58 


24,23 


22,96 


Café 


34,17 


30,02 


9,92 


10,52 


30,39 


30,87 


22,10 


26,06 


0,15 


0,12 


3,22 


2,39 


Cana 


23,17 


18,32 


8,40 


8,91 


40,63 


43,30 


25,88 


28,38 


0,05 


0,01 


0,83 


0,49 


Feijão 


3,85 


1,81 


3,05 


1,37 


11,57 


8,37 


9,28 


8,89 


11,09 


12,68 


3,32 


2,34 


Arroz 


7,36 


9,24 


6,94 


6,62 


13,59 


12,27 


18,39 


19,09 


8,97 


9,36 


9,16 


8,54 


Batata 


- 


- 


- 


- 


0,14 


0,04 


0,87 


1,33 


4,53 


5,90 


0,06 


0,02 


Algodão 


18,21 


16,02 


24,16 


24,15 


22,73 


22,81 


12,43 


14,04 


0,38 


0,36 


20,66 


21,16 


Fumo 


- 


- 


0,27 


0,26 


0,11 


0,15 


0,15 


0,05 


6,93 


4,77 


10,84 


10,96 


Mandioca 


35,01 


29,05 


9,36 


7,50 


6,30 


4,39 


1,87 


1,99 


1,41 


1,53 


27,23 


33,15 


Laranja 


24,45 


13,72 


1,92 


1,34 


10,64 


6,39 


12,81 


10,63 


1,36 


1,15 


4,09 


6,10 

Continua 



I 



TABELA A. 17 

MESORREGIÕES DO ESTADO DO PARANÁ — PERCENTUAL DA ÁREA COLHIDA E DO VALOR DA PRODUÇÁO 

AGRÍCOLA NO TOTAL DO ESTADO (MÉDIA 1 992-94) 



Produto 


Sudoeste 


Centre 


-Sul 


Sudeste 


Metr. C 


uritiba 


Total 






Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Milho 


18,26 


19,76 


14,39 


13,59 


7,55 


6,12 


5,09 


3,41 


100 


100 


Soja 


8,32 


8,74 


7,69 


9,22 


1,71 


2,01 


0,24 


0,22 


100 


100 


Trigo 


8,66 


7,13 


2,97 


1,92 


1,09 


1,37 


0,24 


0,28 


100 


100 


Café 


- 


- 


y 01 


- 


- 


- 


0,03 


0,02 


100 


100 


Cana 


' 0,57 


0,35 


0,11 


0,06 


0,06 


0,03 


0,30 


0,15 


100 


100 


Feijão 


13,71 


17,88 


11,49 


12,02 


21,86 


22,47 


10,77 


12,16 


100 


100 


Arroz 


8,12 


9,49 


12,24 


12,86 


12,20 


9,75 


3,03 


2,77 


100 


100 


Batata 


0,78 


0,39 


12,64 


12,32 


11,38 


10,35 


69,61 


69,64 


100 


100 


Algodão 


0,34 


0,54 


1,05 


0,91 


0,03 


0,02 


- 


- 


100 


100 


Fumo 


12,37 


9,91 


4,83 


4,73 


57,20 


55,46 


7,30 


13,71 


100 


100 


Mandioca 


11,71 


16,30 


2,43 


2,42 


1,39 


1,53 


3,27 


2,13 


100 


100 


Laranja 


25,30 


23,30 


1,70 


2,71 


0,82 


1,75 


16,91 


32,91 


100 


100 


Fontes: Pesquisa 


Pecuária Munici 


pai e Produç 


ão Agrícola 


Municipal - 


IBGE (1996). 











Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Anexos 






199 



I 



TABELA A. 18 

MESORREGIÕES DO ESTADO DE SANTA CATARINA — PERCENTUAL DA ÁREA COLHIDA E DO VALOR DA 

PRODUÇÃO AGRÍCOLA NO TOTAL DO ESTADO (MÉDIA 1 993-95) 





Oeste 


Norte 


Serr 






Itajaí 


G. Florianópolis 


Sul 




To 


Em% 


Produto 


ana 


Vale 


tal 




Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Alho 


38,39 


40,13 


1,65 


1,75 


55,05 


56,16 


2,10 


0,84 


2,51 


0,92 


0,31 


0,20 


1 00,00 


1 00,00 


Arroz 


12,50. 


2,89 


18,42 


20,98 


3,35 


0,96 


16,59 


20,45 


2,53 


1,95 


46,61 


52,77 


1 00,00 


1 00,00 


Cana 


13,92 


6,74 


6,03 


6,26 


0,62 


0,68 


32,73 


39,99 


34,12 


34,93 


12,59 


11,40 


100,00 


100,00 


Cebola 


5,50 


2,99 


0,95 


0,61 


7,20 


4,01 


60,43 


61,68 


25,14 


30,07 


0,79 


0,63 


100,00 


100,00 


Feijão 


58,03 


59,80 


9,64 


9,87 


19,82 


19,80 


4,38 


3,65 


1,48 


1,49 


6,65 


5,39 


1 00,00 


1 00,00 


Mandioca 


15,30 


29,64 


8,87 


7,28 






32,26 


27,79 


7,82 


8,87 


35,74 


26,43 


1 00,00 


100,00 


Milho 


71,82 


71,89 


8,61 


8,89 


8,16 


7,55 


6,49 


5,97 


1,37 


1,65 


3,56 


4,05 


1 00,00 


100,00 


Soja 


72,03 


65,39 


14,44 


17,61 


13,31 


16,75 


0,02 


0,01 


- 


- - 


0,20 


0,25 


1 00,00 


100,00 


Trigo 


77,08 


56,71 


4,81 


5,73 


17,88 


37,47 


0,21 


0,08 


- 




0,01 


0,01 


1 00,00 


1 00,00 


Erva-mate 


94,82 


97,69 


2,97 


1,56 






2,21 


0,75 


- 


- 






100,00 


1 00,00 


Banana 


- 




47,29 


64,34 






13,56^ 


13,27 


4,35 


1,62 


34,80 


20,77 


1 00,00 


100,00 


Maçã 


59,87 


61,20 


0,04 


0,03 


40,01 


38,72 


- 




0,03 


0,02 


0,04 


0,03 


1 00,00 


100,00 


Uva 


80,80 


80,80 


- 




2,54 


3,10 


5,33 


4,74 


3,57 


2,05 


7,76 


9,33 


1 00,00 


100,00 


Fontes: Pesquisa Pecuária Municipal e Produç 


:ão Agrícola 


Municipal 


-IBGE (1996). 

















Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



200 



I 



Redes Urbanas Resionais: Sul 



I 



TABELA A. 19 

MESORREGIÕES DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL — PERCENTUAL DA ÁREA COLHIDA E DO VALOR 

DA PRODUÇÃO AGRÍCOLA NO TOTAL DO ESTADO (MÉDIA 1 993-95) 



































Em% 


Produto 


Centro Ocidental 


Centro Oriental 


Metropolitana 


Nordeste 


Noroeste 


Sudeste 


Sudoeste 


Total 






Riograndense 


Riograndense 


de Porto Alegre 


Riograndense 


Riograndense 


Riograndense 


Riograndese 








Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Área 


Valor 


Alho 


1,57 


0,67 


4,52 


3,00 


5,72 


3,68 


46,99 


66,37 


29,16 


20,61 


10,83 


4,82 


1,21 


0,84 


100 


100 


Arroz (em casca) 


9,36 


8,59 


6,02 


6,32 


19,64 


19,56 


0,21 


0,05 


2,58 


1,53 


23,50 


24,06 


38,68 


39,88 


100 


100 


Aveia (em grão) 


8,59 


6,35 


2,04 


3,62 


0,20 


0,22 


5,65 


6,42 


78,81 


77,55 


1,55 


1,96 


3,16 


3,88 


100 


100 


Banana 


1,35 


0,98 


3,55 


2,57 


90,58 


92,10 


0,52 


0,33 


3,82 


3,94 


0,09 


0,05 


0,09 


0,03 


100 


100 


Batata-doce 


5,77 


9,59 


18,35 


23,69 


22,57 


17,96 


7,75 


8,89 


29,30 


33,99 


12,92 


4,23 


3,34 


1,66 


100 


100 


Batata-inglesa 


8,88- 


12,22 


5,74 


2,75 


14,69 


16,45 


14,18 


19,33 


26,00 


25,92 


30,26 


23,23 


0,25 


0,11 


100 


100 


Cana-de-açúcar 


10,33 


16,60 


12,83 


13,31 


13,41 


14,69 


3,78 


1,98 


59,28 


53,20 


0,20 


0,16 


0,16 


0,05 


100 


100 


Cebola 


1,81 


1,88 


3,09 


1,76 


21,29 


19,19 


13,08 


18,54 


13,40 


12,10 


46,84 


46,28 


0,49 


0,24 


100 


100 


Erva-mate (folha verde) 


0,04 


0,09 


34,64 


20,06 


0,11 


0,27 


16,60 


19,45 


48,61 


60,13 


0,00 




0,00 




100 


100 


Feijão (cm grão) 


6,93 


7,13 


10,05 


12,72 


7,06 


7,34 


5,96 


8,87 


57,83 


53,71 


11,07 


8,98 


1,11 


1,25 


100 


100 


Fumo (em folha) 


5,75 


7,37 


52,81 


60,59 


13,83 


11,09 


4,21 


4,12 


14,69 


. 10,95 


8,58 


5,82 


0,13 


0,06 


100 


100 


Laranja 


5,23 


7,97' 


12,35 


18,12 


41,91 


36,82 


7,55 


7,19 


24,27 


23,74 


5,19 


4,13 


3,48 


2,03 


100 


100 


Maçã 


0,07 


0,01 


0,37 


0,10 


1,99 


2,13 


91,87 


95,78 


4,25 


1,43 


1,39 


0,54 


0,06 


0,01 


100 


100 


Mandioca 


9,52 


8,45 


19,83 


19,77 


23,99 


15,82 


1,48 


1,48 


43,34 


53,10 


0,80 


0,34 


1,05 


1,04 


100 


100 


Melancia 


9,10 


9,65 


13,44 


9,77 


47,25 


54,04 


0,98 


0,89 


7,58 


8,57 


16,26 


11,16 


5,39 


5,92 


100 


100 


Milho (em grão) 


5,16 


4,17 


10,03 


10,84 


5,81 


4,58 


8,93 


10,33 


58,56 


62,63 


8,12 


5,21 


3,39 


2,24 


100 


100 


Pêssego 


1,79 


1,94 


, 3,15 


7,68 


7,51 


16,70 


11,44 


31,62 


12,73 


16,96 


62,30 


23,01 


1,08 


2,08 


100 


100 


Soja (em grão) 


6,42 


5,66 


' 2,58 


3,08 


0,24 


0,19 


1,68 


1,59 


83,81 


85,13 


1,52 


1,36 


3,77 


3,01 


100 


100 


Tangerina 


1,68 


2,38 


10,05 


20,61 


60,26 


43,97 


7,26 


10,57 


18,31 


19,22 


1,87 


2,21 


0,58 


1,04 


100 


100 


Tomate 


3,95 


3,44 


4,82 


2,82 


19,52 


16,87 


37,11 


54,22 


20,46 


12,26 


13,06 


9,26 


1,08 


1,13 


100 


100 


Trigo (em grão) 


3,73 


3,53 


2,02 


3,34 


0,03 


0,03 


2,32 


2,01 


87,15 


86,55 


0,33 


0,22 


4,41 


4,31 


100 


100 


Uva 


1,61 


0,64 


2,56 


1,46 


3,15 


2,87 


75,23 


83,96 


15,10 


9,17 


0,46 


0,18 


1,89 


1,73 


100 


100 


Fontes: Pesquisa 


Pecuária h/ 


lunicipal < 


: Produção Agríco 


la Munic 


ipal- IBGE (1996). 



















Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



201 



I 



TABELA A. 20 

MESORREGIÕES DA REGIÃO SUL 

ECOLETA DE LIXO (1991) 



DOMICÍLIOS COM ABASTECIMENTO DE AGUA, ESGOTO SANITÁRIO 



Mesorregião 



Ligados à Rede de Agua 



Paraná 




Noroeste Paranaense 


90,28 


Centro-Ocidental Paranaense 


86,52 


Norte-Central Paranaense 


93,53 


NortePioneiro Paranaense 


85,63 


Centro-Oriental Paranaense 


84,37 


Oeste Paranaense 


86,51 


Sudoeste Paranaense 


82,48 


Centro-Sul Paranaense 


73,95 


Sudeste Paranaense 


76,59 


Metropolitana de Curitiba 


90,23 


Santa Catarina 




Oeste Catarinense 


78,60 


Norte Catarinense 


81,43 


Serrana Catarinense 


86,68 


Vale do Itajaí 


79,77 


Grande Florianópolis 


84,14 


Sul Catarinense 


80,27 


Rio Grande do Sul 




Noroeste Riograndense 


84,30 


Nordeste Riograndense 


91,79 


Centro-Ocidental Riograndense 


87,69 


Centro-Oriental Riograndense 


82,34 


Metropolitana de Porto Alegre 


88,96 


Sudoeste Riograndense 


84,53 


Sudeste Riograndense 


87,57 


Fonte: Censo Demográfico de 1991 - IBGE. 





Domicílios 
com Esgoto Sanitário 

14,73 
10,11 
37,69 
42,89 
57,50 
24,94 
30,89 
34,91 
57,37 
74,21 

49,20 
79,21 
59,92 
81,29 
78,38 
78,40 

29,24 
78,34 
64,55 
61,68 
79,98 
65,82 
73,46 



Em% 

Atendidos por Coleta de Lixo 

79,39 
78,69 
90,58 
86,58 
84,14 
86,72 
73,52 
74,17 
71,79 
92,35 

82,07 
87,74 
74,49 
88,16 
89,09 
79,05 

77,36 
90,73 
79,90 
81,75 
93,26 
86,40 
89,32 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



202 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 21 

BRASIL— RESUMO DA CLASSIFICAÇÃO FINAL DA REDE URBANA W (1998) 



Categoria 


Aglomerações Urbanas 
N População 


Centros Urbanos que não 
Constituem Aglomeração Urbana 

N° População 


N° 


Total 
População 


%no 

Brasil 


Metrópole Global (MG) 


2 


27.199.368 


- 


2 


27.199.368 


17,32 


Metrópole Nacional (MN) 


7 


20.513.855 


- 


7 


20.513.855 


13,05 


Metrópole Regional (MR) 


3 


6.195.202 


1 1.157.357 


4 


7.352.559 


4,68 


Centro Regional (CR) 


13 


11.025.037 


3 1.168.430 


16 


12.193.467 


7,76 


Centro Sub-regional 1 (CSR1) 


16 


7.226.167 


15 4.191.409 


31 


11.417.576 


7,27 


Centro Sub-regional 2 (CSR2) 


8 


2.191.729 


43 6.874.941 


51 


9.066.670 


5,77 


Total 


49 


74.351.358 


62 13.392.137 


111 


87.743.495 


55,85 



Fonte: Elaboração Ipea/Nesur/IBGE (1998); Contagem da População 1996 - IBGE. 

Notas: (a) A classificação abrange os municípios com mais de 1 00 mil habitantes. Os municípios nessa faixa populacional, não nomeados na classificação, ou fazem par- 
te de alguma aglomeração urbana, ou não atendem aos critérios de inclusão definidos no estudo. 
(-) fenómeno inexistente. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



I 



Anexos! 203 



I 



TABELA A. 22 

BRASIL — CLASSIFICAÇÃO FINAL DA REDE URBANA W — METRÓPOLES (1 998) 



Centro Urbano 


UF 


Classificação 
Ipea/Nesur/ 

IBGE 


Aglomeração 
Urbana 


Não 

Constitui N° Munic. 
Aglomeração IPEA/Rede 


Forma Espacial""' 

Pop. Total das 
Aglomerações 


%no 
Brasil 


Forma Institucional 

Reg.Metr. N°Mun. 
Institucion. Oficial 


São Paulo 


SP 


MG 


X 


39 


16.666.986 


10,61 


X 


39 


Rio de Janeiro 


RJ 


MG 


X 


21 


10.532.382 


6,71 


X 


19 


Total 








60 


27.199.368 


17,32 




58 


Salvador 


BA 


MN 


X 


11 


2.776.217 


1,77 


X 


10 


Belo Horizonte 


MG 


MN 


X 


25 


3.829.042 


2,44 


X 


30 


Fortaleza 


CE 


MN 


X 


11 


2.639.180 


1,68 


X 


10 


Brasília 


DF 


MN 


X 


11 W 


2.368.069 


1,51 


X 


22 


Curitiba 


PR 


MN 


X 


16 


2.348.559 


1,50 


X 


24 


Recife 


PE 


MN 


X 


16 


3.258.388 


2,07 


X 


14 


Porto Alegre 


RS 


MN 


X 


24 


3.291.680 


2,10 


X 


26 


Total 








114 


20.511.135 


13,05 




96 


Manaus 


AM 


MR 




x 1 


1.157.357 


0,74 






Belém 


PA 


MR 


X 


4 


1.628.746 


1,04 


X 


5 


Goiânia 


GO 


MR 


X 


6 


1.416.942 


0,90 






Campinas 


SP 


MR 


X 


17 


1.992.157 


1,27 






Total 








28 


6.195.202 


3,94 




5 



Fonte: Elaboração Ipea/Nesur/IBGE (1998), Contagem da População 1996 - IBGE. 

Notas: (a) A classificação abrange os municípios com mais de 100 mil habitantes. Os municípios nessa faixa populacional, não nomeados na classificação, ou fazem par- 
te de alguma aglomeração urbana, ou não atendem aos critérios de inclusão definidos no estudo. 

(b) As aglomerações urbanas metropolitanas e não-metropolitanas estão identificadas pelo município-núcleo. 

(c) A aglomeração urbana metropolitana de Brasília é constituída pelo DF e mais 1 municípios. 

(d) A região integrada de desenvolvimento do DF e entorno é constituída pelo DF e mais 21 municípios. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



204 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 23 

BRASIL — CLASSIFICAÇÃO FINAL DA REDE URBANA W — CENTROS REGIONAIS (1 998) 



Centro Urbano 


UF 


Aglomeração 
Urbana 


Não 

Constitui 
Aglomeração 


N° Munic. 
IPEA/Rede 


Forma Espacial^ 

Pop. Total das 
Aglomerações 


%no 
Brasil 


Forma Institucional 

Reg.Metr. N°Mun. 
Institucion. Oficial 


São Luis 


MA 


X 




3 


941.431 


0,60 




Maceió 


AL 


X 




6 


803.869 


0,51 




Natal 


RN 


X 




6 


921.491 


0,59 


x 6 


Teresina 


PI 


X 




2 


773.901 


0,49 




Campo Grande 


MS 




X 


1 


600.069 


0,38 




João Pessoa 


PB 


X 




4 


773.847 


0,49 




São José dos Campos 


SP 


X 




6 


1.088.597 


0,69 




Ribeirão Preto 


SP 


X 




8 


640.715 


0,41 




Cuiabá 


MT 


X 




2 


626.756 


0,40 




Aracaju 


SE 


X 




6 


643.435 


0,41 




Londrina 


PR 


X 




8 • 


775.850 


0,49 


x 6 


Santos 


SP 


X 




9 


1.309.263 


0,83 


x 9 


Porto Velho 


RO 




X 


1 


324.737 


0,21 




Florianópolis 


SC 


X 




4 


543.528 


0,35 


x 22 


Vitória 


ES. 


X 




5 


1.182.354 


0,75 


x 5 


Rio Branco 


AC 




X 


1 


243.624 


0,16 




Total 








72 


12.193.467 


7,76 


48 



Fonte: Elaboração Ipea/Nesur/IBGE (1998),- Contagem da População 1996 - IBGE. 

Notas: (a) A classificação abrange os municípios com mais de 1 00 mil habitantes. Os municípios nessa faixa populacional, não nomeados na classificação, ou fazem 
parte de alguma aglomeração urbana, ou não atendem aos critérios de inclusão definidos no estudo, 
(b) As aglomerações urbanas metropolitanas e não-metropolitanas estão identificadas pelo município-núcleo. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



1205 



I 



TABELA A. 24 

BRASIL — CLASSIFICAÇÃO FINAL DA REDE URBANA W — CENTROS SUB-REGIONAIS 1 (1 998) 



Centro Urbano 


UF 


Aglomeração 
Urbana 


Não 

Constitui 
Aglomeração 


N° Munic. 
IPEA/Rede 


Forma Espacial*' 

Pop. Total das 
Aglomerações 


%no 
Brasil 


Forma Institucional 

Reg.Metr. N°Mun. 
Institucion. Oficial 


Feira de Santana 


BA 




X 


1 


450.487 


0,29 




Uberlândia 


MG 




X 


1 


438.986 


0,28 




Sorocaba 


SP 


X 




9 


889.538 


0,57 




Juiz de Fora 


MG 




X 


1 


424.479 


0,27 




Campos dos Goitacazes 


RJ 




X 


1 


401.487 


0,26 




Joinville 


SC 


X 




6 


570.403 


0,36 


x 20 


Campina Grande 


PB 




X 


1 


344.730 


0,22 




São José do Rio Preto 


SP 


X 




3 


378.328 


0,24 




Caxias do Sul 


RS 


X 




10 


554.403 


0,35 




Pelotas/Rio Grande (c) 


RS 


X 




2 


485.923 


0,31 




Jundiaí 


SP 


X 




5 


462.497 


0,29 




Bauru 


SP 




X 


1 


292.566 


0,19 




Imperatriz 


MA 




X 


1 


274.104 


0,17 




Maringá 


PR 


X 




4 


380.527 


0,24 


x 8 


Anápolis 


GO 




X 


1 


264.975 


0,17 




llhéus/ltabuna (c) 


BA 


X 




2 


425.848 


0,27 




Vitória da Conquista 


BA 




X 


1 


242.155 


0,15 




Macapá 


AP 




X 


1 


237.815 


0,15 




Uberaba 


MG 




X 


1 


237.433 


0,15 




V. Redonda/B. Mansa (c) 


RJ 


X 




5 


637.142 


0,41 




Blumenau 


SC 


X 




7 


433.108 


0,28 


x 16 


Limeira 


SP 


X 




6 


383.737 


0,24 




Cascavel 


PR 


X 




2 


317.391 


0,20 




Caruaru 


PE 


X 




2 


250.444 


0,16 




Petrolina/Juazeiro^ 


PE/BA 


X 


• 


2 


376.555 


0,24 




Juaz. Norte/Crato (c) 


CE 


X 




3 


328.240 


0,21 




Presidente Prudente 


SP 




X 


1 


177.367 


0,11 




Araraquara/S. Carlos^ 


SP 


X 




2 


352.083 


0,22 




Boa Vista 


RR 




X 


1 


165.518 


0,11 




Dourados 


MS 




X 


1 


153.191 


0,10 




Palmas 


TO 




X 


1 


86.116 


0,05 




Total 








85 


11.417.576 


7,27 


44 



Fonte: Elaboração Ipea/Nesur/IBGE (1998), Contagem da População 1996 - IBGE. 

Notas: (a) A classificação abrange os municípios com mais de 100 mil habitantes. Os municípios nessa faixa populacional, não nomeados na classificação, ou fazem 
parte de alguma aglomeração urbana, ou não atendem aos critérios de inclusão definidos no estudo. 

(b) As aglomerações urbanas metropolitanas e não-metropolitanas estão identificadas pelo município-núcleo. 

(c) Aglomeração urbana formada por centros urbanos de mesmo porte demográfico. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



206 



I 



Redes Urbanas Regionais: Sul 



I 



TABELA A. 2 5 

BRASIL — CLASSIFICAÇÃO FINAL DA REDE URBANA" — CENTROS SUB-REGIONAIS 2 (1 998) 













Forma Espacial*' 




Centro Urbano 


UF 


Aglomeração 


Não 

Constitui 


N° Munic. 


Pop. Total das 


%no 






Urbana 


Aglomeração 


IPEA/Rede 


Aglomerações 


Brasil 


Piracicaba 


SP 




X 




308.147 


0,20 


Montes Claros 


MG 




X 




271.608 


0,17 


Franca 


SP 




X 




267.235 


0,17 


Santarém 


PA 




X 




263.468 


0,17 


Ponta Grossa 


PR 




X 




256.302 


0,16 


Santa Maria 


RS 




X 




236.498 


0,15 


Foz do Iguaçu 


PR 




X 




231.627 


0,15 


Governador Valadares 


MG 




X 




231.242 


0,15 


Mossoró 


RN 




X 




205.822 


0,13 


Ipatinga 


MG 


X 




4 


372.366 


0,24 


Marília 


SP 




X 




177.632 


0,11 


Guarapuava 


PR 




X 




174.713 


0,11 


Arapiraca 


AL 




X 




173.339 


0,11 


Divinópolis 


MG 




X 




171.565 


0,11 


Araçatuba 


SP 


X 




2 


254.736 


0,16 


Nova Friburgo 


RJ 




X 




169.246 


0,11 


Sete Lagoas 


MG 




X 




167.340 


0,11 


Jequié 


BA 




X 




165.345 


0,11 


Passo Fundo 


RS 




X 




161.880 


0,10 


Criciúma 


SC 


X 




8 


317.025 


0,20 


Cachoeira de Itapemirim 


ES 




X 




150.359 


0,10 


Marabá 


PA 




X 




150.095 


0,10 


Lages 


SC 




X 




148.860 


0,09 


Caxias 


MA 




X 




146.045 


0,09 


Rondonópolis 


MT 




X 




145.615 


0,09 


Chapecó 


SC 




X 




142.880 


0,09 


Sobral 


CE 




X 




138.565 


0,09 


Teófilo Otoni 


MG 




X 




136.044 


0,09 


Parnaíba 


PI 




X 




135.687 


0,09 


Itajaí 


SC 


X 




6 


291.252 


0,19 


Santa Cruz do Sul 


RS 




X 




126.154 


0,08 


Linhares 


ES 




X 




125.297 


0,08 


Paranaguá 


. PR 




X 




124.920 


0,08 


Uruguaiana 


RS 




X 




124.881 


0,08 


Alagoinhas 


BA 




X 




122.838 


0,08 


Poços de Caldas 


MG 




X 




121.831 


0,08 


Bragança Paulista 


SP 




X 




120.811 


0,08 


Araguaína 


TO 




X 




120.559 


0,08 


Castanhal 


PA 




X 




117.380 


0,07 


Cabo Frio 


RJ 


X 




6 


268.602 


0,17 


Moji-Guaçu/Moji-Mirin/ c ) 


SP 


X 




4 


258.748 


0,16 


Barreiras 


BA 




X 




113.695 


0,07 


Garanhuns 


PE 




X 




110.084 


0,07 


Rio Verde 


GO 




X 




108.178 


0,07 


Barbacena 


MG 




X 




107.810 


0,07 


Jaú 


SP 




X 




103.601 


0,07 


Catanduva 


SP 




X 




103.511 


0,07 


Botucatu 


SP 




X 




100.876 


0,06 


Guaratinguetá/Aparecida^ 


SP 


X 




6 


261.962 


0,17 


Ji-Paraná 


RO 




X 


1 


95.356 


0,06 


Itabira 


MG 


X 




3 


167.038 


0,11 


Total 








82 


9.066.670 


5,77 



Fonte: Elaboração Ipea/Nesur/IBGE (1998); Contagem da População 1996 - IBGE. 

Notas: (a) A classificação abrange os municípios com mais de 1 00 mil habitantes. Os municípios nessa faixa populacional, não nomeados na classificação, ou fazem 
parte de alguma aglomeração urbana, ou não atendem aos critérios de inclusão definidos no estudo. 

(b) As aglomerações urbanas metropolitanas e não-metropolitanas estão identificadas pelo município-núcleo. 

(c) Aglomeração urbana formada por centros urbanos de mesmo porte demográfico. 



Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 



Série: Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 

Volume 6: Redes Urbanas Regionais: Sul 

Número de Páginas: 206 

Formato: 21 cm x 27,5 cm 

Mancha: 17 cm x 25,5 cm 

Tipos: Palatino 10/12; Geometric 231 BT; Helvética 

Papel (capa): Cartão Supremo 250 g 

Papel (miolo): Couchê fosco 90 g 

I a reimpressão: 800 exemplares 

Fotolito: Binhos 

Impressão e Acabamento: Book RJ Gráfica e Editora 



Série Caracterização e Tendências da Rede Urbana do Brasil 

Redes 

Urbanas 

Regionais: 



A série Caracterização e Tendências 
da Rede Urbana do Brasil reúne estudos 
sobre o processo de urbanização do país 
e as mudanças funcionais e espaciais no 
sistema de cidades, tendo por base as 
principais transformações espaciais da 
economia^ nas décadas de 80 e 90. Sua 
finalidade é contribuir para a definição 
de estratégias de apoio a formulação e 
execução da política urbana nacional, 
bem como subsidiar as políticas setoriais 
e territoriais. 

Este volume, Redes Urbanas Regionais: 
Sul, integra os estudos das redes urbanas 
das grandes regiões e tem por objetivo 
apresentar um quadro de referência da 
rede urbana da região Sul. 

Composto de dois capítulos, pre- 
cedidos por suas bases teóricas, este 
livro apresenta, no primeiro capítulo, a 
economia dos estados do Sul e a rede 
urbana regional, com a classificação das 
categorias espaciais urbanas. É traçado 
um perfil da qualidade da urbanização, 
mais dirigido às aglomerações 
metropolitanas, e são apontadas as prin- 
cipais tendências da urbanização sulina, 
bem como as recomendações de políti- 
cas territoriais. No segundo capítulo en- 
contra-se uma análise pormenorizada e 
individualizada desses aspectos para as 
mesorregiões dos estados do Sul. 



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